A VELHA SALVADOR
Foto do jornalista Jeremias Macário em uma de suas andanças. É a Velha Salvador, a primeira capital do Brasil de muitas histórias e cheia de contradições, numa mistura de raças e religiões. O Elevador Lacerda é um de seus cartões postais, dividindo a cidade em alta e baixa, com seus encantos e tradições, mas que ainda precisa muito de cultura e educação para ser uma verdadeira capital turística e receber bem seus visitantes, não só pensando na exploração do “gringo” como se diz por lá. Quer queira ou não, Salvador ainda tem o ar provinciano onde museus não abrem aos domingos e feriados e fecha suas portas na hora do almoço. Tem um museu Afro-Brasileiro que bem poderia ser uma preciosidade, mas carente em termos de mais peças da cultura afro e de estrutura para receber seus visitantes. Recentemente estive no museu e senti uma grande lacuna na falta de apoio do poder público. Já o Museu Cota Pinto, no Corredor da Vitória, é um luxo de jóias crioulas, peças antigas de jacarandá, pratarias e louças nobres da Inglaterra e de Portugal. Infelizmente, deixa a transparecer aquele quadro colonial da Casa Grande e Senzala, descrito pelo escritor pernambucano Gilberto Freire.
FREGUÊS DE TODO MÊS
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Para poucos o colosso, para muitos o osso;
O cristianismo pegou dos celtas e romanos
O solstício, e veio o capital inventou Noel
E os profanos de Cristo lotearam todo o céu.
Você corre e corre atrás do metal vil,
E nem dá conta que não passa de freguês;
Se esbalda no bar no final de semana;
Em casa ouve um som do antigo vinil
Que fala de liberdade e se acha bacana,
E a conta chega todo o final do mês.
Olhe meu camarada para seu espelho;
Você corre, corre e todo fim de mês
Entra na maldita lista de besta freguês;
Faz conta, conta e só bate no vermelho
Você corre e voa como cavalo alado;
Discute, briga e solta seu baseado;
Busca como um louco pela verdade,
E pensa no filósofo da antiga idade,
De que a vida lida é um bem incerto,
E que a morte conserta um mal certo.
O brutal sistema sempre nos frita,
Nos faz de brita todo regime maldito,
Seja no verão, primavera ou inverno,
E cada um tem seu deus e seu inferno.
Esmagado como cana que vira bagaço,
Você abre o site burocrata do formulário;
Faz o passo a passo pra abrir os cadeados,
E segue o rigor dos minutos e do horário,
E ele pede sempre mais e mais dados,
E testa seus nervos esticados de aço,
E no final ainda lhe chama de fracasso.
Lembre-se que você tem as fronteiras,
De norte a sul tem arames e muralhas;
Do outro lado vivem os frios canalhas;
E nem adianta pedir para abrir passagem
Nessas tormentas fileiras de vaga viagem.
Olhe meu camarada para seu espelho;
Você corre, corre e todo fim de mês
Entra na maldita lista de besta freguês;
Faz conta, conta e só bate no vermelho.
O DESMANTELAMENTO BRASIL
Há seis meses de governo e só temos factoides e decretos de desmantelamento da educação, das leis do meio ambiente, do estatuto do desarmamento, das políticas públicas voltadas para o social, do combate da corrupção com o enfraquecimento da Força Tarefa da Lava-Jato e agora da legislação nacional do trânsito, fazendo com que mais gente morra nas estradas que já ceifam por ano 65 mil almas.
Está faltando decretar o fim da Lei Seca, com o slogan “Se beber, Dirija”, e criar o “Bolsa Armas” para quem não pode comprar uma. Não existe nenhum planejamento sério de recuperação da economia, e a única coisa que se fala é da reforma da previdência social como salvação da pátria e a ilusão de que vai ser boa para os pobres, mesmo com as castas mantendo seus privilégios de polpudas pensões.
O Congresso Nacional ainda mais conservador de extrema-direita bate cabeça e vai aprovando projetos e leis que desmantelam muitas conquistas. O alvo é desfazer tudo que foi construído pela esquerda, não importando o que seja positivo e benéfico para o país. A impressão que passa é daqueles antigos coronéis prefeitos do interior que quando ganhava a eleição quebrava e destruía tudo que foi feito pelo adversário, numa atitude de terra arrasada. Isso nunca foi patriotismo. É a imbecilidade acima de tudo.
Enquanto os poderes lá de cima propõem um pacto, o povo se divide em pedaços, em ódios e intolerâncias. As ruas se infestam de camisas amarelas da seleção brasileira para apoiar o desmantelamento e acusar as esquerdas que deixaram o Brasil destruído. As cenas são lamentáveis e tristes porque o país continua se derretendo como cera quente na frigideira, sem perspectiva de se erguer dos desastres e do caos que já perduram por cinco anos.
O orgulho da ignorância e da imbecilidade
Há poucos dias li um lúcido artigo do jornalista e escritor Thales de Aguiar intitulado “Quando a Imbecilidade é mais Importante do que a Educação” onde cita na abertura que, de acordo com alguns filósofos, estamos vivenciando momentos em que os ignorantes se sentem orgulhosos de suas imbecilidades. Para esses, a ficha só vai mesmo cair quando começarem a ser atingidos diretamente em suas vidas.
Pelas suas maluquices e falatórios destrambelhados, o capitão-presidente, como aponta o articulista, tem conseguido convencer até gente instruída de que o conhecimento científico nada vale, e até nega a existência de uma ditadura que torturou e matou. Para o “Bozó”, o diploma é uma bobagem, e a pesquisa é um atraso, negando trabalhos de instituições que ainda são referências no Brasil e no exterior, como da Fiocruz e do IBGE.
A pregação é a de que o trabalhador deve abrir mão de seus direitos, trabalhar mais e ganhar menos; que o racismo não existe, mesmo sendo o último pais a libertar os escravos na América Latina; que a homofobia é uma conversa fiada; e ainda defende milicianos e grupos de extermínio como policiais bem formados. Ele prefere colocar uma arma na mão de cada cidadão a apresentar um plano nacional de segurança pública. A igualdade de gênero é uma besteira, e acha que a mulher tem que receber menos porque perde tempo engravidando. O feminicídio é uma baboseira.
Sinceramente, não consigo acreditar no que estou vendo, com tanta gente, inclusive “esclarecida”, apoiando estas barbaridades, simplesmente para descarregar suas raivas no PT e nas esquerdas que estão calados. É uma tremenda irracionalidade continuar seguindo cego como se ainda estivéssemos em plena campanha eleitoral, olhando pelo retrovisor! Quando essas pessoas vão cair na real de que é o Brasil que está sendo penalizado aqui e lá fora?
Essa turma, sem planejamento de governo, entende que a saúde pública deve ser privatizada, num país onde a renda de grande parte da população não alcança um salário mínimo. O capitão acredita que a natureza e seus recursos naturais devem ser cada vez mais explorados, inclusive em áreas de preservação permanentes. Quer transformar Angra dos Reis num lixo capitalista brega da Cancun mexicana.
Seu guru é um “filósofo” charlatão que conseguiu transformar o Ministério da Educação numa babel de barro, e incentiva cortar verbas das universidades, somente por achar que elas são ninhos das esquerdas. Quando estudantes e professores são chamados de “idiotas úteis” é sinal de que a educação não tem nenhuma serventia pra o progresso.
É o antipatriotismo, e não o Brasil acima de tudo. Pelo andar da charrete desgovernada, ainda não estamos no fundo do poço. Só vejo em minha frente figuras exóticas e sem conhecimento. O mais triste ainda é ver o povo aplaudindo os extremismos políticos. Como disse o escritor francês Victor Hugo, “Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa.
RELIGIÃO E ARTE, A DINASTIA JÚLIO-CLÁUDIA E O DESPOTISMO DOS FLÁVIOS
As linhas principais de Augusto no seu principado foram seguidas pelos seus sucessores Tibério Cláudio Nero, Calígula, Cláudio, Nero, os quatro imperadores do ano 69 a.C. (Galba, Oto, Vitélio e Flávio Vespasiano), Tito, Domiciano, Caio Nerva, Marco Trajano, Públio Élio Adriano (os dois espanhóis), Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo, seu filho.
Durante o reinado de mais de 40 anos do imperator Augusto, a paz e a prosperidade se instalaram, e os homens deixaram de se interessar pelo Estado. A ideia da liberdade cívica tornar-se inseparável. O “evangelho” de submissão pregado por Horácio passou a ser uma característica nova, não bem recebida. No mundo antigo, a população nunca atingiu um modo de pensar científico e racionalista, conforme descreveu o historiador M. Rostovtzeff em “História de Roma”.
O ESTOICISMO
A filoso0fia, especialmente o estoicismo, como ressalta o autor, se adapta à religião. Dessa ligação surgiram novas doutrinas, como o neopitagorismo, com seu interesse predominante na vida futura, e até mesmo o epicurismo realista. Tanto o estoicismo como o neopitagorismo deram forma claramente religiosa a seus dogmas e reduziram a filosofia a um sistema mais religioso.
Na era Augusto, o estoicismo foi o mais difundido, por ser mais flexível, lógico e fácil de dominar. Antes, entre os romanos, havia se adaptado à crença na perfeição de sua Constituição, ou seja, no sistema que a oligarquia da cidade-Estado dominava o mundo. O estoicismo no Império Romano reformula sua doutrina política, retornando ao princípio de Zenão e Crispo.
Sustentava que a monarquia, quando o monarca fosse o melhor homem de um Estado, proporciona a melhor margem de liberdade interior ao indivíduo. O que importa é o aperfeiçoamento moral, fruto de uma disciplina rigorosa, de forte sentimento de dever para consigo mesmo e seu próximo. O ideal estoico era a ataraxia, o equilíbrio perfeito da alma. Atingindo este ideal, o homem nem temerá a morte.
Essa teoria filosófica, moral e religiosa, racionalista em sua essência, era muito difundida entre as classes superiores da sociedade romana. O pensamento dos homens voltava-se para os mistérios da vida futura, e eles buscavam na filosofia e na religião uma resposta às suas perguntas. No entanto, grande número de pessoas religiosas de origem grega se inclinava para o neopitagorismo.
A decoração de túmulos romanos do período de Augusto e, mesmo depois, mostra a influência das ideias neopitagóricas. Virgílio, por exemplo, com suas poesias, foi um grande intérprete da alma na época. Muitos, porém, procuravam mais gozar a vida, seguindo o epicurismo materialista. Uma onda religiosa invade cada vez mais corações e conquista vitórias sobre o racionalismo e a ciência.
A DIVINIZAÇÃO E O CULTO A AUGUSTO
TEM DE TUDO
Foto do jornalista Jeremias Macário, mais uma vez na Feira do Rolo, no Bairro Brasil. Lá tem de tudo, até jumento pra vender, moto e carroças para frete das bugigangas e miçangas. É uma tribuzana na Feira do Rola. Se ainda não visitou, vá lá num domingo e confira a verdadeira expressão da cultura popular.
A DOR DA FINITUDE
Do jornalista e escritor Jeremias Macário
Uns dizem que a morte é matreira;
É o líquido eterno da vida finita;
Outro que é o amargo sem sentido,
E que a vida é sombra passageira,
Que traz na lida a dor da finitude,
Com seu baú de coragem e medo,
Nos laços do intrincado segredo
De duas damas onde uma é chama,
E a outra é carícia, abraço e drama.
A finitude pode até descansar a dor;
O filósofo manda conhecer a ti mesmo,
Outro que tudo na vida se transforma;
O contrário que nada muda em sua forma
E tem aquele grande antigo pensador
Da questão filosofal do ser ou não ser,
Mas para o poeta nada disso lhe consola
Tudo não passa de delírio etílico de festa;
Acha que a gente se conforma com esmola
E que nem tudo que se lê e escreve presta
É que cada um se conforma com sua escola.
Tudo passa, tudo muda e se transforma
Tudo fica no lugar, e mudança é ilusão
Nada começa, nada se acaba, nada torna;
A flecha que voa está parada lá no ar;
É tudo finito, infinito e confusão
Como ondas que se quebram no mar.
LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” EM NOITE CULTURAL NA “REGIS PACHECO”
No próximo dia 14 de junho, a partir das 20 horas, vamos ter uma noite cultural com o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai estar lá no evento.
Na ocasião, vai ocorrer também o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar mais ainda a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas, na Casa Regis Pacheco, na Praça Tancredo Neves.
“Andanças”
Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.
Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear. Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.
A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro; e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.
Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.
Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.
“Conquista Cassada”
Sobre “Uma Conquista Cassada”, de 460 páginas, o livro fala da ditadura civil-militar (1964-1985) em Vitória da Conquista dentro do contexto nacional do que foi o regime na Bahia e no Brasil com todas suas cenas de prisões, torturas, horrores, mortes e desaparecidos políticos, vítimas da brutalidade de uma época que não pode mais acontecer em nosso país.
O trabalho, que também estará presente no lançamento de “Andanças”, para possível aquisição do leitor, foi lançada há cinco anos pela editora da Assembleia Legislativa da Bahia, com apoio do deputado estadual Jean Fabrício. A pesquisa é de fundamental importância histórica para jovens estudantes, professores, interessados e estudiosos do assunto, para que tomem consciência dos fatos que ocorreram no período tenebroso onde a liberdade foi substituída pela repressão.
Conheça de perto como se deu a ditadura em Vitória da Conquista com relatos inéditos que nenhum outro livro já contou. Na verdade, “Uma Conquista Cassada” são seis livros em um que também faz tributo à década de 60 quando o novo tomou o lugar do velho com novas ideias que revolucionaram o mundo.
MANIFESTAÇÕES E REFORMA TRABALHISTA
O fundo do poço do Brasil deve ser no fim do mundo, lá do outro lado do Japão, porque é uma crise interminável, sem recomeço de recuperação. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas desde 2014 vivemos em plena tormenta. É um mar agitado, sem calmaria, e o navio continua à deriva. O quadro se apresenta como recomeço de tudo entre os chamados “coxinhas amarelos” contra os “mortadelas”. Foi uma manifestação inusitada.
Os protestos contra os cortes na educação, com a participação, principalmente, de professores e estudantes, foram violentamente agredidos pelo capitão Bozó como de massa de manobra e turma de inocentes úteis (termo da esquerda em referência à direita). Agora ele considera que as manifestações dos “amarelinhos” foram atos conscientes dos brasileiros que querem as reformas e um Brasil melhor.
Para contrariar, os camisas amarelas da seleção de futebol saíram às ruas para apoiar o capitão-presidente, defender a reforma da previdência e o pacote anticorrupção de Sérgio Moro (sem prestígio). Nada falaram dos decretos que colocam armas nas mãos dos brasileiros, que destroem o meio ambiente, que liberam a caça ao caçador, sem falar na pretensão de transformar o paraíso de Angra dos Reis numa Cancun mexicana.
Saímos das trapalhadas de Dilma e caímos nas mãos do Mordomo de Drácula, que já foi preso duas vezes, e agora estamos sendo comandados por um incompetente e despreparado ainda pior. Seis meses e nada mudou, mesmo com a melhor arrecadação de impostos nos últimos cinco anos. O governo corta verbas de quem precisa, retira remédios e aposentadorias.
O interesse tem sido liberar armas pesadas, mais venenos para o campo, encobrir a corrupção, inclusive do seu filho senador, dar mais lucros aos bancos, viajar para a terra do Tio Sam e pagar robôs para comentar na internet. De acordo com parecer da Procuradoria da República, o decreto do armamento mantém brecha para aquisição de fuzis por qualquer cidadão, assim como espingardas e carabinas. Qualquer um vai puder manter armas de alto poder destrutivo em sua residência.
Enquanto isso, a vida do brasileiro só faz piorar, e os fogões a gás estão sendo substituídos pelos que queimam lenha. A revolta e a raiva contra o PT, misturados com a ignorância política, levaram o povo a votar no pior É tragédia atrás de tragédias, como agora a da penitenciária da Amazônia. A situação de superlotação nos presídios continua, sem providências.
Muitos dos manifestantes de domingo pediram o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, isso depois do capitão ter dito que o problema do Brasil é a classe política. Que manifestação consciente é essa? Agora o foco é a defesa da reforma, a segurança pública de arma na mão e o pacote anticrime do Moro. Estão, mais uma vez, enganando a todos, dizendo que a reforma da previdência é a salvação, e o povo entrando nessa.
A REFORMA TRABALHISTA
Está completando um ano e meio a reforma trabalhista do Mordomo de Drácula, aplaudida pelos patrões capitalistas, e não foram criados novos empregos, conforme o prometido. Mais um conto do vigário, do qual o brasileiro foi vítima. A reforma que escravizou mais o trabalhador e alterou 200 dispositivos da CLT, só fez aumentar a informalidade, segundo os estudiosos do assunto.
De acordo com o procurador-chefe do Ministério do Trabalho na Bahia, Luis Carneiro, a reforma não avançou em nada, sobretudo quanto ao número de acidentes fatais em serviço. Afirmou que a reforma é uma via de mão única que não proporcionou nenhuma vantagem para o explorado trabalhador.
Em sua análise, a medida não representou uma transformação e nem atendeu a nenhum anseio da sociedade, mas exclusivamente ao capital. Em um ano foram perdidos mais de 300 mil empregos formais com carteira assinada. Existe um milhão de crianças e adolescentes em situação irregular no trabalho.
Carneiro citou que a reforma nasceu em dezembro de 2016 como uma minirreforma para alterar menos de dez artigos, mas em seis meses transformou-se em um monstro jurídico. O sociólogo e professor titular da Unicamp, Ricardo Antunes, destacou que a mudança tinha a clara intenção de atender a imposições históricas dos organizados setores econômicos.
Em governos anteriores, estes segmentos do capital pressionavam pela flexibilização dos direitos do trabalho, ampliação total das terceirizações e pela desregulamentação das relações entre capital e trabalho, como o intermitente que passou a ser uma exigência. Nesta modalidade, o trabalhador fica disponível para realizar o serviço, como massa suplementar.
Outra aberração foi fazer com que o negociado prevalecesse sobre o legislado, levado às últimas consequências. Foi o fim da regulamentação social do trabalho. Com a eliminação dos direitos e, diante de uma grande massa de gente disponível para servir o capital, criou-se a exploração do trabalho e mais desempregos. O setor de serviços tornou-se altamente lucrativo
O NEGACIONISMO É IDEOLÓGICO E IRRACIONAL
Você não pode negar o seu próprio passado, a sua própria história e suas próprias origens. Do contrário você entra no campo do irracional. Sobre a história, pode até se questionar pontos e se fazer uma revisão dos acontecimentos através da apuração deles sob a ótica social, econômica e política do tempo, analisando as ações e as atitudes dos atores e dos personagens.
Como ressaltou o professor de História da Universidade de São Paulo, Marcos Napolitano, em entrevista a um jornal de Salvador, nos últimos meses surgiu uma onda do negacionismo, impulsionada por declarações de políticos, a começar pelo capitão-presidente, o Bozó, que sempre procurou negar a existência da ditadura civil-militar no Brasil dos anos 60 aos 90.
O desconhecimento dos jovens
Não somente isso, diante de todos os fatos, testemunhas e estudos, ele cometeu o absurdo irracional de não reconhecer que houve torturas nos porões das forças armadas, e até homenageou um torturador em votação no Congresso Nacional. O mais lamentável é que boa parte dos nossos jovens embarcou nessa, e muitos nem acreditam que existiu ditadura.
Para os negacionistas, que cometem o maior pecado de negar o conhecimento, não houve holocausto, escravidão, revolução socialista na Rússia, massacres na Bósnia, nos campos palestinos de concentração e nem matança dos índios nas Américas, só para citar estes fatos monstruosos contra a humanidade e que ainda ocorrem na atualidade. Por que a história sempre se repete? Uma das respostas é porque muitos a desconhecem e até negam.
O mais perigoso, como alerta o professor Marcos, é essa negação do conhecimento chegar às nossas escolas, como no caso da ditadura que torturou, matou e fez desaparecer os corpos de centenas de presos políticos. A anistia aos torturadores, o que não aconteceu na Argentina, no Chile e no Uruguai, deixou as feridas abertas e abriu caminho para o negacionismo.
“Os livros didáticos podem ser diferentes, mas há um limite que não pode ser cruzado que é a negação do conhecimento. A pessoa tem uma posição política diante do nazismo e do comunismo. O que não pode é construir esta posição às custas da verdade histórica” – esclarece o professor.
De acordo com ele, o professor precisa se munir de evidências diante das negações. Acredita que uma forma de combater o negacionismo é os historiadores se comunicarem mais com a sociedade. O termo, segundo ele, já existe a algum tempo e se refere à historiografia do holocausto. Na campanha política do ano passado apareceram negacionismos ligados à história do Brasil, como a de que não houve genocídio indígena, os portugueses nunca estiveram na África para traficar escravos e não houve ditadura e tortura.
Trata-se de negação de eventos em que ocorreram evidências fortes, testemunhais, materiais e documentais. O ex-ministro gringo da Educação, chegou a declarar que houve uma democracia de força. É até hilário, porque, se foi de força, logo deixa de ser democracia. É como o caso de um sujeito irracional que resolve contrariar só para contrariar. É típico de uma atitude de extrema-direita.
O historiador Marcos afirma que esta visão de que toda historiografia é de esquerda é preconceituosa e errônea. Destacou que a historiografia brasileira tem hoje um leque amplo com liberais, conservadores e até de esquerdistas que não são marxistas.
“Todo historiador sério segue regras. Não pode achar que não existiu porque ele não gosta daquilo, ou a ideologia com a qual ele se identifica não aprova.” O revisionismo clássico é possível, feito com todo respeito às normas metodológicas da área.
Quando surgem novos fatos, os especialistas e cientistas revisam o passado. Outra coisa diferente é revisionismo ideológico – adverte o professor. Ele concorda que houve revisionismo com relação a ditadura no Brasil.
Chegando nas escolas
NA FEIRA DO ROLO
Foto do jornalista Jeremias Macário que flagrou a Feira do Rolo, lá no Bairro Brasil todos os domingos. Lá tem de tudo
que se procura, desde causos contados para se dar risada e se relaxar do estresse, até prego, martelo, churrasqueira velha, cabides, ferro antigo de passar, bule, chaves para abrir portas, controle remoto, tem moto, camisa e calça usadas, tem serrote, pote, moringa, pinga e você pode pechinchar e ainda jogar uma conversa fora. A Feira do Rolo é lá no Bairro Brasil. É tudo de uso, tudo barato e você encontra até parafuso.


















