UM PAÍS ENLOUQUECIDO
O quê leva um vigilante de um supermercado deitar em cima de um rapaz numa ação de estrangulamento e sufocá-lo até a morte, enquanto pessoas, praticamente passivas, tiram fotos? Em outra imagem, o governador do Rio de Janeiro, de nome difícil, ao lado de um oficial da polícia, elogia a corporação, cujos soldados, pelo que ficou evidenciado através de testemunhas, praticaram uma execução sumária de um grupo de bandidos ou traficantes já rendidos numa casa.
Estamos diante de um país enlouquecido que banalizou a violência e vivencia o retrocesso primitivo, numa guerra de fuzis, metralhadoras e de ódio contra o pensamento contrário do outro. As tragédias com centenas e milhares de mortes se sucedem e depois o silêncio sepulta a impunidade. O quê leva tanta gente intolerante fanática religiosa atacar outra igreja e até espancar quem confessa outra crença? As igrejas conservadoras e reacionárias hoje estão nas periferias explorando os mais pobres e incultos.
Estamos sim, num país enlouquecido que perdeu sua identidade cultural, ou nunca teve, que vota com raiva, com interesses e para se vingar de outros seguidores opostos, mesmo que seja um candidato ignóbil, despreparado, do atraso e até nos mesmos corruptos de sempre. Diante de tantas loucuras e paradoxos, de baixos índices na educação, de corredores das mortes nos hospitais, de tantas misérias e profundas desigualdades sociais, lá se foi o futuro do distante infinito perdido do horizonte.
O quê leva um bando saquear uma carga de mercadorias, enquanto uma criatura se debate morrendo numa cabine de um caminhão, vítima de um acidente de trânsito, e ninguém aparece para socorrê-lo? Um homem desce porrada numa mulher numa volúpia animalesca até deixa-la sangrando e com o rosto e seus corpo desfigurados, quando não a mata com pauladas, tiros ou várias facadas.
É um país enlouquecido na República dos Generais, do porta voz ao estilo do maluco Trump, onde um ministro demitido bate-boca em público pelas redes sociais com o presidente, tratando-o o tempo todo como capitão. O vice, general Mourão, que amansou a fala (está mais para Morão de amarrar burros), queria lotear funcionários só para classificar documentos secretos e ultrassecretos. Da transparência para a censura e o sigilo.
Enlouquecido por uma reforma da Previdência Social que ninguém entende seu intrincado labirinto de alíquotas, pedágios, pontos, transições, tetos e tantos outros cálculos novelescos nas narrativas cansativas e enfadonhas das emissoras de televisão, jornais e revistas, a não ser na simplificação entre as diferenças de idade mínima da mulher e do homem que sempre morre primeiro, mas tem que esperar mais tempo para receber o minguado benefício que não dá para comprar um pacote de remédio.
No pacote fatiado do anticrime que dá licença para o soldado matar, baseada na subjetividade da legítima defesa (já existe a falsificação de provas), a Câmara dos Deputados quer deletar o bandido do “Caixa 2” no rol da corrupção. O ministro da “Justiça” que criminalizava e condenava a prática, agora enlouqueceu, desdizendo o que pregava antes como corrupto quem usava deste artifício maligno de roubo do dinheiro público.
Estamos no país enlouquecido das meninas que vestem rosa e dos meninos que vestem azul. No país que não serve para criar meninas e que seus pais devem fugir desta “pátria amada” onde seus filhos não devem estudar fora de suas famílias. Não é mesmo um país enlouquecido? O nome do partido nazista era Nacional Socialismo, porque havia uma ameaça comunista. As lutas deviam ser contra as indústrias do ódio, do medo e das mentiras.
GESTOS E DIÁLOGOS
Parece uma cena de filme captada pelas lentes do fotógrafo José Carlos D´Almeida. Gestos e diálogos numa noite festiva de um aniversário de 70 anos. A foto não fala, mas mostra expressões de alegria numa troca cordial de ideias e pensamentos, sem ódio e intolerância. As mãos fazem o ritual e abençoam a criação.
VENTO QUE VAI E VEM
O vento que passa e vai,
Não é o mesmo que vem:
Um traz mensagens do norte,
O outro zune oeste faroeste;
O do sul deixa rastro de morte,
E o do leste a paz do Lama Dalai.
O vento que vai daqui pra lá,
Não é o mesmo do de lá pra cá:
Um urbano e o outro campestre;
Tem o da chuva que molha terra;
O furioso vingativo traz a guerra,
O dos ensinamentos é o do mestre.
O vento do vale é o fresco,
O do alto é traiçoeiro e seco;
Um faz bem, outro deixa a peste,
E o da saudade é o amor que vai
Pelo tempo que não retorna mais,
Como lavoura perdida no agreste.
O vento vice-versa, vai e vem,
Vento dor que martela e assobia,
Suave e irado no trincado tornado,
Da terra, do ar e do azul além-mar,
De cheiro catingueiro do sol alumia,
Dê-me notícias da vida do meu bem.
Como a quilha de Maiakóvski,
Corta o vento que leva e traz,
Segredos sagrados do bosque,
Às vezes são coisas boas e más,
Perfumes, folhas caídas e florais,
Virtudes e os pecados capitais.
POLÊMICAS PELOS ESTRAGOS DAS CHUVAS E A ROTATÓRIA DO AEROPORTO
Numa plenária de pouca gente, os debates da sessão da Câmara de Vereadores de ontem (quarta-feira, dia 20) se concentraram nas questões dos estragos provocados pelas fortes chuvas que caíram em Vitória da Conquista na tarde do último domingo. A polêmica girou em torno dos parlamentares da situação e da oposição, onde a bancada do atual governo condenou os mandatos passados do PT pelos transtornos na cidade quando acontece um temporal que deixa ruas, avenidas e casas alagadas.
Mas, não foram somente as chuvas que criaram tantos bate-bocas. A construção de uma rotatória na BR-116 que dará acesso ao novo aeroporto, como uma saída para ser logo inaugurado, foi também alvo de críticas. O prefeito Herzem Gusmão e vereadores da base defendem que o Governo do Estado faça, em definitivo, um viaduto sobre a pista, enquanto outros acham que o tempo é curto e a rotatória resolveria o problema, deixando o viaduto para depois.
Para um dos membros do Movimento em prol do aeroporto, empresário José Maria, exigir a construção do viaduto agora, faltando poucos dias para ser inaugurado, é uma forma de protelar a entrega da obra que pode ficar abandonada e se tornar num elefante branco. Para ele, a rotatória seria uma solução não permanente para que o aeroporto entre logo em funcionamento.
Chuvas e homenagem a Heleusa
O vereador Coriolano de Moraes, do PT, aproveitou a tribuna para fazer uma homenagem à professora Heleusa Câmara que faleceu recentemente e deixou um grande legado de cultura e sabedoria para a cidade. Para Coriolano, ela foi uma das maiores intelectuais de Conquista e exerceu vários cargos na área da educação, se destacando como criadora do Proler que incentivou muita gente a adquirir conhecimento através dos livros.
Com relação aos estragos das chuvas no último domingo, os parlamentares Álvaro Phiton e David Salomão, principalmente, levantaram duras críticas aos governos passados do PT que, segundo eles, não realizaram obras de drenagem, indagando o quê fizeram com o dinheiro público que receberam. Viviane Sampaio, do PT, rebateu as insinuações como a mesma veemência, afirmando que eles aproveitam o momento para fazer palanque político, e que só falam, sem provar as acusações feitas. Valdemir Dias, do PT, desmentiu o prefeito quando disse que a drenagem do Estádio “Lomantão” foi feita na década de 60. Segundo ele, foi realizada no governo de Guilherme Menezes, e que o trabalho comprovou a eficiência no escoamento das águas.
Salomão também usou a tribuna para condenar a Via Bahia que está anunciando um novo aumento de 30% nos pedágios da BR-116 e 324, de Salvador até a divisa com Minas Gerais, enquanto não executou as obras que estavam no contrato de concessão, como a duplicação da pista. Com palavras de xingamentos, atacou os deputados estaduais que não reagem, e ficam inertes com o governo estadual, sem nada fazerem para cobrar as obras da Via Bahia. De acordo com ele, não deveria nem haver pedágios porque é inconstitucional.
O vereador e pastor Sidney misturou proteção aos animais que vivem nas ruas, com a colocação de bebedouros, comedores e implantação de um centro de controle de zoonoses, com defesa dos consumidores conquistenses que são constantemente lesados. Nildima Ribeiro, do PC do B, foi no mesmo tom e pediu mais atenção da Câmara quanto à proteção dos consumidores, e citou a atuação da comissão dos direitos humanos e das mulheres. Lúcia Rocha falou em defesa dos moradores do distrito de Inhobim, e pediu mais obras por parte do poder público.
PECULIARIDADES DO “LOMANTÃO”
Carlos González – jornalista
Para que amanhã não venham dizer que o jornalista só sabe criticar, quero inicialmente dar nota dez ao sistema de drenagem do Estádio Lomanto Júnior, elogiado em rede nacional pela TV Globo. Domingo passado, após o dilúvio, a água cobria toda a extensão do campo. Vinte minutos depois da paralisação das chuvas, a bola corria sem anormalidade. Aproveito para parabenizar os brigadistas (bombeiros voluntários), incansáveis na ajuda prestada aos torcedores, que não escondiam o temor de uma tragédia. Mais uma!
O prefeito Herzem Gusmão aproveitou o comentário do apresentador Tadeu Schmidt para elogiar sua administração, que ele chama de “histórica”. Percorreu, como faz todas as semanas, as rádios da cidade, prometendo pedir recursos ao governo federal para recuperar os estragos causados pela tromba d’água. Em desobediência ao 2º Mandamento, o nome do Senhor foi pronunciado várias vezes.
A natureza fez da praça de esportes de Vitória da Conquista um verdadeiro cartão-postal de uma cidade desprovida de atrações turísticas. O verde da floresta, onde predominam os eucaliptos, no entorno do estádio, leva o torcedor, nos jogos diurnos, a esquecer que está sentado no cimento duro e quente das arquibancadas. Lamentavelmente, nos últimos anos, dezenas de árvores foram derrubadas na área atrás da chamada – um contrassenso – “Tribuna da Imprensa”.
É justamente por essa “tribuna” que inicio os comentários sobre as peculiaridades do “Lomanto Júnior”. O local se constitui de sete ou oito cabines, ocupadas pelas emissoras de rádio e televisão de Conquista e de Salvador, e de um sanitário para todos os gêneros. Os legítimos profissionais de imprensa, sem desmerecer os colegas de outros veículos de comunicação, são os que escrevem para jornais, revistas e blogs. Esses são obrigados a colocar seus note books sobre as pernas, sentados na desconfortável arquibancada, no meio da torcida.
O ECPP Vitória da Conquista disputou a Copa do Brasil entre os anos de 2015 e 2018, contra, respectivamente, Palmeiras, Náutico, Coritiba e Boa Esporte. Naquelas oportunidades ouvi muitas reclamações e críticas de companheiros de jornais de São Paulo, Pernambuco, Paraná e Minas Gerais, que aqui estiveram para a cobertura dos jogos. Levei as queixas deles ao coordenador de Esportes (não lembro o nome; provavelmente já foi substituído) da Secretaria Municipal de Cultura. Nenhuma medida prática foi tomada para atender aos profissionais que vão aos estádios para trabalhar e não para se divertir.
Na ocasião, sugeri ao assessor da prefeitura que fossem reservadas cinco ou seis cadeiras, com bancadas, no setor coberto, abaixo das cabines de rádio e TV. Qual não foi minha surpresa ao saber que o local é reservado para os sócios do ECPP Vitória da Conquista. Mas o estádio é municipal; é do povo, argumentei. Por que o privilégio?
Radialista, ex-comentarista esportivo, Herzem Gusmão deve conhecer perfeitamente o trabalho cansativo dos profissionais de mídia nos complexos esportivos. São os primeiros a chegar e os últimos a sair.
SARAU ENTRA NO SEU NONO ANO NA NOITE DE MONTEIRO LOBATO
Na abertura do nono ano do Sarau Colaborativo, na noite de sábado (dia 16), no Espaço Cultural A Estrada, o tema foi o precursor da literatura infantil no Brasil, Monteiro Lobato, nas palavras dos professores Jovino Moreira e Itamar Aguiar. Logo depois dos debates, o evento ficou ainda mais festivo no canto da viola dos artistas Baducha, Paulo Gabiru, Marta Moreno e Mano di Souza que soltaram a voz com músicas autorais e de compositores da MPB.
Não fazia parte da programação, que é eclética e informal, mas Marta Moreno com outros integrantes, como Vandilza Gonçalves, a anfitriã da casa, Cleide e um grupo de crianças surpreenderam o jornalista Jeremias Macário, cantando parabéns pelo seu aniversário que foi no último dia 11 de fevereiro. Para combinar com o homenageado, todos entoaram a música “No Sítio do Pica Pau Amarelo”. A esta altura, o Sarau já contava com a presença de mais de 30 pessoas.
Como sempre, a festa regada a “comes e bebes”, petiscos, cerveja e vinho varou a madrugada num papo solto, fraternal e descontraído. Além do som da viola, houve a declamação espontânea de causos e poemas. Jhesus, Jeremias, Benjamim Nunes, Dorinho e outros se revezaram nos intervalos das cantorias fazendo suas apresentações. Aos poucos, o Sarau está recebendo a visita de jovens, num entrosamento cultural de aprendizagem e conhecimento.
Para o próximo, ainda sem data definida, Gregório de Matos, “O Boca do Inferno”, o temido pelos poderosos da Bahia, foi o escolhido para ser comentado. Sua obra revolucionária vai estar na mesa das discussões. Em andamento, no mesmo formato do Sarau, um grupo de artistas fará um show no dia seis de abril, no Teatro Carlos Jeová, com a finalidade de arrecadar recursos para a gravação do CD Sarau.
Mais uma vez, a memorável e alegre festa cultural contou também com as participações do fotógrafo José Carlos D´Almeida, Aline Kiriaki, Nadia Márcia, Paulo Spínola, o desenhista ilustrador do evento, Rozânia Andrade, Evandro Gomes. Neide Pereira, Tânia, Yasmim Rocha, Eliane Matos, Osíres Rocha e colega, Gildásio Amorim, Neide Teles, Rosemeiry Prado, José Carlos, Conceição, João Bezerra, Rosângela Oliveira, Céu entre outros.
Monteiro Lobato, Vida e Obra
O professor Jovino falou da vida e obra de Monteiro Lobato que também foi empreendedor e nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Com 13 anos foi estudar em São Paulo. Registrado como José Renato Monteiro Lobato, resolveu mudar de nome para usar a bengala de seu pai que tinha iniciais JBML, gravadas no topo do castão. Passou a se chamar José Bento Monteiro Lobato.
Em 1904 formou-se em Direito pela faculdade de São Paulo quando retornou para Taubaté e casou-se com Maria Pureza Natividade. Foi nomeado promotor público na cidade de Areias, em 1907. Publicou vários artigos e escreveu “Cidades Mortas”, livro que retrata a agonia da cidade quase abandonada.
Permaneceu em Areias até 1911 quando morreu seu avô, o Visconde de Tremembé, deixando-lhe como herança uma fazenda em Taubaté. Vende a fazenda em 1917 e muda-se para Caçapava onde passou a se dedicar à literatura e cria a revista “Paraíba”.
Em São Paulo funda a gráfica Monteiro Lobato. A Companhia Editora Nacional vende sua parte e ele funda a Editora Brasiliense, em 1927 com amigos. Em 1946 foi morar na Argentina onde criou uma editora. Em 1947 volta para São Paulo, vindo a falecer em 5 de julho de 1948.
Como literário, situa-se entre os autores regionalistas do pré-modernismo e destaca-se nos gêneros conto e fábula. Seu universo são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Paraíba, durante a crise do café. Foi um grande crítico de certos hábitos brasileiros, como o homem preguiçoso que não gosta de pensar. Entre pensar e derrubar uma mata, o brasileiro p5refere a segunda opção, numa analogia feita em seus escritos.
Com a publicação de “O Escândalo do Petróleo” (1936) denuncia o jogo de interesses motivados pela a extração do petróleo, criticando o envolvimento internacional das autoridades brasileiras. Em 1941, durante a ditadura Vargas, foi condenado a seis meses de detenção. Foi também um crítico das manifestações modernistas de São Paulo.
Ficou famoso seu polêmico artigo “Paranoia ou Mistificação”. Nele criticou a exposição de pinturas de Anita Malfatti. Suas principais obras foram Urupês, 1918, O Saci, 1821, Narizinho Arrebitado, 1921, Fábulas, em 1922, O Marquês de Rabicó, 1922, As Aventuras de Hans Staden, 1927, Peter Pan, 1930, Caçadas de Pedrinho, 1933, Geografia de Dona Benta, 1935, Emília no País da Gramática, 1934, Histórias de Tia Nastácia, 1937, O Pica-Pau Amarelo, em 1939, dentre outras.
O professor Itamar Aguiar citou o artigo da escritora Regina M.A. Machado “Nosso Sotaque Caipira, Nossa Cultura Refugada, nas Notas de um Magistrado da Roça”. Ela aponta o escritor Valdomiro, um ilustre desconhecido, mas com grande prestígio, na época em que seus contos eram publicados nos grandes jornais em fins do século XIX e início do século XX.
Valdomiro descreve a cultura caipira, o caboclo, como o homem do sertão. Regina destaca que Lobato foi um precursor do modernismo, que está preocupado em acabar com a herança do indianismo romântico. Esse projeto está claramente exposto no prefácio a Urupês, mas também é uma velha raiva do escritor-fazendeiro, contra o colono, o caipira a quem ele atribui todos os males que afligiram suas plantações e criações durante suas tentativas de ser fazendeiro.
AS TRIBOS QUE FORMARAM ROMA E CONSTRUÍRAM O MAIOR IMPÉRIO
NA VISÃO ANALÍTICA DO HISTORIADOR M. Rostovtzeff
Pouco se conhece da história primitiva romana dos mil anos a.C.. Da sua fundação, por volta dos anos 753 a.C. até os séculos IV e III, algumas informações foram compiladas dos gregos que exerceram grande influência no desenvolvimento político, social e religioso de Roma, através dos historiadores e filósofos da helenização grega. No século IV a. C. se deu a unificação política italiana com as conquistas contra os etruscos, équos volscos, samnitas e tribos gregas.
A Itália conseguiu criar um poder único, o que não foi possível com a Grécia com suas cidades-estados, apesar do seu gênio criador. Historiadores como Políbio procuraram encontrar explicações para este fato. De acordo com o autor do livro “História de Roma”, de M. Rostovtzeff, os filósofos atribuíram o êxito de Roma à virtude de seus cidadãos e a perfeição da Constituição. Os romanos colocaram em prática o ideal criado muito antes pelos filósofos gregos, a partir de Platão.
Sobre a história de Roma, os dados mais precisos foram os copiados pelos escritores romanos, entre 100 a.C e 100 D.C. do historiador grego Timeu, natural de Tauromenium, na Sicília, que viveu em fins do século IV e primeira metade do século III a.C.. Na Itália havia a raça etrusca que pode ter criado uma tradição histórica mais antiga, cuja língua e escrita eram ininteligíveis.
ORGULHO NACI0ONAL
Explica o pesquisador do livro que o orgulho nacional romano e o papel que Roma começava a desempenhar na família dos impérios helênicos exigiam que ela tivesse uma história própria que contasse suas origens. Helenizados no sul da Itália, Ênio e Névio escreveram sobre as guerras púnicas. Entre os romanos que tiveram papel importante em fins do século III a.C., se destacaram Fábio Pictor, Cíncio Alimento, Caio Acílio e Cássio Hemina.
Os próprios gregos fizeram uma ligação fantasiosa entre a história antiga de Roma e a mitologia grega. Eles conseguiram uma narrativa mais ou menos completa, desde a chegada de Enéias, quando este herói fugiu para a Itália após a captura de Tróia, até a época em que já se podia utilizar fatos mais autênticos, preservados de uma forma legendária pela tradição oral. Para os tempos mais remotos, as obras dos historiadores romanos, segundo Rostovtzeff, são praticamente inúteis. Os resultados das pesquisas arqueológicas na Itália foram de grande valor em se tratando das eras primitivas, desde a Antiga Idade da Pedra.
Em termos geográficos, a Itália se assemelha à Grécia. A península apenina é uma continuação da Europa Central que se prolonga pelo Mediterrâneo. Os grandes rios da região, o Ródano a sudeste, e o Reno ao Norte, nascem nos Alpes e era possível seguir-lhes o curso até os desfiladeiros que levam à Itália, e descer dali pelos vales dos rios, na maioria tributários do Pó.
Na parte do Ocidente existe uma cadeia de vulcões, principalmente na Etrúria, Lácio, Campânia e nas ilhas adjacentes, inclusive na Sicília com planícies muito férteis, cortada de rios que correm da cadeia central para o mar Tirreno. O maior deles é o Tibre que divide um dos vales em duas partes, o Lácio e a Etrúria.
Essas condições tornaram a Itália mais acessível às tribos da Europa Central e aos navegadores do Oriente. Ambos se sentiam atraídos pelas riquezas naturais. Os pastores e agricultores eram tentados pelas pastagens excelentes e campos férteis. Os imigrantes do leste procuravam os portos do sul.
Os povos da Europa Central e Oriental e da Ásia Menor atingiram o país pelo norte e pelo sul. Os mais antigos habitantes eram os ligúrios e iberos, ligados aos aborígines da Espanha e da Gália. Segundo o autor do livro, os mais antigos colonizadores da Europa Central eram lacustres que viviam em palafitas e lagos. Os povos dividiram-se em três grupos, cada qual com um dialeto diferente de uma língua semelhante ao celta. Tratavam-se dos úmbrios, no norte, os latinos, no curso inferior do Vale do Tibre, e os samnitas, que se fixaram nos montes e vales do sul da península.
No sul, toda a faixa da costa, inclusive a Campânia, no oeste, foi ocupada após o século VIII a.C. por imigrantes da Grécia. Os últimos invasores foram os celtas, a quem os romanos chamavam de gálios, vindos da região que hoje é a França e do Vale do Danúbio. No século VI ocuparam o Vale do Pó, expulsando os etruscos.
A ITÁLIA DE 800 A 500 a. C.
A CARRANCA E O TEMPO
Foto do jornalista Jeremias Macário
Em pleno agreste do sertão, Juazeiro nos recebe com esta arte secular da carranca, símbolo da terra dos vapores e barcos que sobem e descem o Velho Chico, transportando passageiros e mercadorias. O pássaro contempla a paisagem seca da caatinga que, com a água do rio e a mão do homem, produz frutas para o Brasil e o exterior. A seguidão é triste para o homem forte do sertão na luta pela sua sobrevivência, mas dá esperança quando cai a chuva e faz brotar o verde. O triste é também belo, como o mandacaru que resiste ao tempo das estiagens.
SERTÃONESTE
De autoria do jornalista Jeremias Macário
macariojeremias@yahoo.com.br
A corda está cara
Couro cru não tem mais
Então, vai mesmo de pano,
Este corpo veio que virou vara
No Nordeste bíblico desumano.
Sertãoneste carrasco de aço
Do rachado chão do agreste
Cordel viola e compasso
Que renasce como a Fênix
E valente ergue o Sudeste.
Sertãoneste do bravo Corisco
Todo riscado de espinho
Que das cinzas rompe o verde,
Da serra corre o São Francisco
Pra irrigar o fruto e o vinho.
DE BRUMADO PARA A DINAMARCA
Carlos González – jornalista
A exemplo de milhares de garotos de sua idade, José Francisco dos Santos Júnior sentiu muito cedo, com apenas 13 anos de idade, a necessidade de tomar um rumo em sua vida. Com as bênçãos dos pais, o abraço dos irmãos e dos companheiros de peladas, e um beijo da namorada, ele partiu em busca de uma oportunidade num dos grandes clubes do país.
Júnior embarcou em um ônibus na Rodoviária de Brumado, distante 135 kms. de Vitória da Conquista, com destino a Belo Horizonte. Na sua pequena bagagem levava o sonho de um dia vestir a mesma camisa azul celeste do Cruzeiro, que projetou Ronaldo Fenômeno para o futebol no mundo. Afinal, com mais de 1,80 m. de altura tinha o porte de um centroavante goleador.
Baiano ou Brumado, como era chamado pelos seus companheiros de alojamento na Toca da Raposa, passou dois anos (2013 a 2015) no chamado “come-e-dorme” do Cruzeiro. Dispensado, não desistiu da carreira de jogador de futebol. Procurou o Bahia, que lhe promoveu ao profissionalismo e abriu o caminho para a convocação à Seleção Brasileira Sub 20.
Das altas temperaturas do sertão baiano ao frio e dos dias sombrios da região nórdica da Europa. Esse vai ser o longo caminho a ser percorrido pelo jovem sertanejo baiano, hoje com 19 anos, “vendido” pela quantia de R$ 9,5 milhões – uma parte fica com o empresário – ao Midtjylland, atual campeão da Dinamarca, sediado na cidade de Herning. Caso o jogador seja transferido para outro clube, o Bahia terá direito a 12% do negócio. Como será sua adaptação num país cuja população é acusada de xenófoba? Só o futuro dirá.
Um comércio desumano
Os clubes brasileiros, principalmente aqueles que estão nas primeiras posições do ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mantêm em áreas privativas, separados dos profissionais, crianças e adolescentes, oriundos de famílias pobres das mais distantes regiões do Brasil.
Como gado em regime de engorda, esses jovens sonhadores, com pouco tempo de frequência escolar, são acompanhados por treinadores, nutricionistas e médicos. Estão sendo lapidados para serem negociados, por milhões de dólares, com clubes da Europa, China, Japão e Oriente Médio.
Moram em alojamentos sem as mínimas condições de salubridade, com pouco espaço de locomoção e de fuga, dormindo em beliches. Essa conjunção de erros se adequam com os contâineres instalados pelo Flamengo, o clube de maior torcida do país, que, nos últimos dias, ocupou grandes espaços da mídia: o Brasil, cenário de tantas tragédias, chorou a morte, com requintes de homicídio culposo, de dez garotos, entre 13 e 17 anos.
Se a irresponsabilidade dos dirigentes mancha o pavilhão rubro-negro da querida agremiação brasileira, o leitor pode imaginar o que acontece nos clubes do Norte e Nordeste do país. Assistimos, no mês passado, à Copa São Paulo de Futebol Júnior, que reuniu atletas com menos de 20 anos de 128 equipes, representando todos os estados e o Distrito Federal.


















