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O CATA-VENTO E A ESTRADA

Uma imagem real e também ilusória captada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário no município de Igaporâ

uma das áreas de implantação do polo de energia eólica na Bahia que fica entre Guanambi e Caetité. O sertão, castigado pelas secas constantes,  também é produção de energia para várias partes do nosso país. É o homem do campo, pouco recomnhecido, contribuindo para o progresso e o bem-estar.

 

NO MEU EMBORNAL

Nasci no espinhaço do sertão,

No profundo agreste nordestino,

Com rapadura, farinha e carne seca,

Ouvindo o estrondo do trovão,

No sol escaldante de matar,

Que até inseto morre no ar,

E carrego no meu embornal,

A faca, a foice e o martelo,

E da minha primeira lição,

Estudei o latim no Seminário,

O grego, o francês e o português;

Labutei duro e fiz histórias no jornal.

 

As angústias e a vida em vendaval,

As coisas boas e ruis do passado,

Todas as alegrias e o choro calado,

Até o soro que tomei lá no hospital,

A solidão das vagas madrugadas,

Os acordes da mulher doce amada,

As cores do meu país maltratado,

Onde o roubo é tratado como normal,

Está tudo no meu velho embornal.

 

O conhecimento, as intrigas e brigas,

Os momentos de tantas fadigas,

As certezas e a vida de incertezas,

O sonho de ver irmão igual irmão,

Viver num país de igualdade social,

Sem o preconceito religioso racial,

O saber de saber que nada sei,

Que sou simples ser e não um ter,

Tudo está no meu surrado embornal.

 

Carrego tudo no meu embornal,

Muita coisa boa nesta sacola,

Coisas que não se aprendem na escola,

Como as noites etílicas sagradas,

Os segredos dos frios dos invernos,

E as floridas cores das primaveras,

Muita gente de caras mascaradas,

Nas eras das ditaduras severas,

Tudo está lá guardado no embornal.

 

O clarear do verão seco e quente,

Batendo nos rostos de tanta gente,

Indo e vindo nas bancas de jornais,

De corpos sofridos e espíritos fatais,

Em linhas tortas arrombando portas,

Tudo está lá no meu velho embornal.

“TORÇA PELO TIME DE SUA CIDADE”

Carlos Albán González – jornalista

“Torça pelo time de sua cidade”. Uma faixa com essa frase pode ser vista em todos os jogos da Chapecoense, na Arena Condá. Na verdade, os torcedores sdo Sul e Sudeste do país prestigiam os seus representantes em torneios nacionais, razão do crescimento de Chapecoense, Guarani, Ponte Preta, Brasil de Pelotas, Ituano de Osasco, Londrina, Criciúma, Botafogo de Ribeirão Preto, e muitos outros, que disputam as primeiras  divisões do Brasileirão.

Observo, desde que comecei a acompanhar o futebol, que o nordestino, nesse particular, age como cão vira-lata, que se mostra conformado em roer os ossos. Com exceção das capitais Salvador, Fortaleza e Recife, existe em toda esta nossa região uma paixão doentia pelas equipes do “Sul Maravilha”, em detrimento do que é nosso. Conquista, com mais de 350 mil habitantes, passa oito meses do ano sem abrir os portões do “Lomanto Júnior”, porque o seu clube, com a final do campeonato estadual,  já dispensou em abril atletas e comissão técnica.

O aficionado conquistense pelo futebol passa anos e anos esperando que o time de seu coração (Flamengo, Vasco, Fluminense, Corinthians, Botafogo e Palmeiras) apareça por aqui. Houve um tempo em que esses times excursionavam pelo exterior e interior do Brasil. O Santos de Pelé era o mais requisitado. Enquanto aguardam, criam torcidas organizadas, soltam foguetes, fecham os bares para assistir aos jogos pela TV, comprando o pacote Premiere da Globo. Sentem-se orgulhosos quando vestem a camisa do Flamengo, a mais vendida nas lojas de artigos esportivos; a do Bahia, bicampeão brasileiro, vem em seguida.

Lamentavelmente, a nossa mídia colabora com esse amor não correspondido. Esta semana um blog local destacou a goleada de 6 a 1 aplicada pelo Flamengo no Goiás. Nem uma linha sobre a campanha de dois times do interior baiano, o Juazeirense e o Jacuipense, que estão com um pé na série C do Brasileirão, onde devem fazer companhia ao Vitória, sob ameaça de queda. Com a contratação do equatoriano Caicedo o tombo pode se dar com algumas rodadas de antecedência.

“O Globo” estampou esta semana uma matéria, elaborada com minuciosa pesquisa, mostrando que o Bahia é o clube mais bem dirigido, em termos financeiro e administrativo, do país, conseguindo se recuperar, a partir de 2013, realizando eleições diretas, com a participação dos sócios, após uma batalha judicial contra a ditadura dos Guimarães. Pois bem, essa reportagem, que enaltece o futebol baiano e, consequentemente, o do Nordeste, não recebeu o merecido destaque dos nossos veículos de comunicação.

 

 

 

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” NESTA QUINTA

Vai ser nesta quinta-feira, amanhã às 19 horas, (dia18), o lançamento do livro “Andanças”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, com o show “Cantorias Literárias” do músico, cantor e compositor Alex Baducha, contação de causos e declamação de poemas, na Livraria Nobel, na Rua Otávio Santos.

A obra, dividida em duas partes (A Estrada), é uma mistura de ficção com realidade numa linguagem leve, prazerosa para se ler, com causos variados, contos, crônicas, comentários sobre a ditadura civil-militar de 1964 e versos que falam de Vitória da Conquista e retratam coisas do Nordeste e do sertão, com o tempero de um realismo fantástico.

Trata-se de um projeto colaborativo onde muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, possibilitando, em grande parte, a sua publicação depois de três anos de espera. Como se diz no popular, o livro nasceu de um “parto” muito difícil por falta de patrocínio, mas valeu a pena tanto sacrifício.

É mais uma oportunidade para o conquistense adquirir seu exemplar nesta quinta-feira, dia 18, às 19 horas, na Livraria Nobel, já que “Andanças” foi também lançada no dia 14 de junho, na Casa Regis Pacheco, com um bom público que prestigiou o evento.

Na ocasião, “Uma Conquista Cassada – cerco e fuzil na cidade do frio”, também de autoria do escritor,  que fala do histórico maio de  64 quando a cidade foi cercada por tropas do exército, estará ao lado de “Andanças” por um preço bem mais baixo para quem tiver interesse de levar os dois livros de estilos bem diferentes.

 

 

OS GRANDES RECESSOS DAS CASTAS

O trabalhador comum labuta o ano todo como burro de cangalha e muitos nem têm férias, principalmente depois da reforma escravagista onde o cara depende do patrão para lhe liberar por uns dias, e outros são obrigados a ficar em atividade, sem bater o ponto, para driblar a fiscalização de um Ministério que nem mais existe. Estamos vivendo numa “Sociedade Caranguejo” onde o povo prefere andar pra trás e apoiar os retrocessos sociais.

Enquanto isso, somos obrigados a conviver e alimentar as castas parlamentar e judiciária que têm três meses de férias durante o ano, chamadas pelo pomposo nome de recessos, porque eles “merecem” por serem os privilegiados gênios superiores aos mortais, mas dizem que são “ossos do ofício”. Nada disso existia no mundo antigo greco-romano e nem nos países mais civilizados de hoje. Acrescente a tudo isso os “feriadões” de semana e os carnavais dos bacanais.

Se estou enganado e equivocado que me digam, mas nunca ouvi e vi um político sério apresentar um projeto-de-lei para acabar com esses recessos de meio e final de ano e se igualar ao povo trabalhador que dá duro para ganhar o pão suado de cada dia. Quem fizer isso pode ser execrado do grupo. Isso não é nenhuma espécie de socialismo ou comunismo, mas simplesmente dar o exemplo de cidadania e respeito ao povo que paga caros tributos para sustentar as mordomias.

Sem falar nos outros tantos privilégios e penduricalhos destas castas brasileiras, incluindo o executivo, acabar com os recessos (existem os dos tempos eleitorais) seria apenas um ponto mínimo de partida moral dessas classes, para recuperar junto à população um pouco de credibilidade que anda tão perdida ao longo dos últimos anos. Como pode uma nação crescer e se desenvolver social e economicamente quando existe tanta diferenciação entre categorias? Como lutar todos por uma mesma causa, diante de tantas injustiças e excrecências? Nosso país está podre e fede, meus amigos!

DUAS SESSÕES

Pela “liberdade da economia”, agora o capitão-presidente formaliza que o patrão pode requisitar os serviços do seu empregado aos sábados e aos domingos, tendo ele direito apenas a uma folga do domingo no mês. Mais uma chibata no lombo do trabalhador nesse universo de mais de 13 milhões de desempregados. Quem haverá de reagir, se lá fora tem uma multidão querendo tomar o seu lugar? Estamos retornando aos tempos do mourão e das correntes. É muito triste o que vem ocorrendo em termos de absurdos!

Além dos recessos e feriadões, o Congresso Nacional (513 deputado e 81 senadores) esvaia Brasília a partir da quinta-feira, sob o pretexto banal de que tem as bases para visitar e dar “assistência”, quando cada um já tem mais de 20 cabos eleitorais espalhados em seus estados e municípios à sua disposição. O mesmo acontece nas assembleias legislativa e nas 5.570 câmaras de vereadores, com suas regalias de um monte de “funcionários” para zelar pelas suas plataformas e regar seus lotes todos os dias.

Aqui mesmo em Vitória da Conquista são 21 vereadores com apenas duas sessões por semana só no turno da manhã, com seus gabinetes e verbas para receber seus eleitores. Muitos deles são profissionais liberais que passam, mais tempo cuidando de seus negócios em seus escritórios do que na Câmara que realiza duas sessões, a maioria para aprovar indicações, títulos e moções de aplausos, com poucos projetos em benefício da comunidade e quase nenhuma fiscalização do poder executivo, sua principal função que ficou na teoria. A Casa entrou em recesso durante todo mês de julho.

Nos outros municípios brasileiros, o quadro não difere do de Conquista, apenas estou colocando como exemplo por estar próximo a nós cidadãos, que pagamos o maior e o mais caro “pelotão” de parlamentares do mundo, num Brasil abarrotado de misérias, com a mais profunda desigualdade social e gente catando comida nos caminhões de lixões.

UMA REFORMA “TORRE DE BABEL”

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“0 VELHO CHICO” MINGUANDO

Esta foto do jornalista Jeremia Macário mostra tudo sobre o depredado  “Velho Chico”, como chamam o Rio São Francisco, que está minguando em seu leito de morte. A imagem em pleno agreste baiano foi clicada da gruta de Bom Jesus da Lapa e retrata a ponte sobre o “Velho Chico”, que tanto sustentou e ainda sustenta seu povo que vive ao seu redor. Prometeram revitalizá-lo, mas o plano não saiu do papel, e ele cada vez mais se estreita com suas margens desmatadas, cortando o sertão de terra forte. Os governantes ignoram seu apelo e só dele retiram água e mais água. Os ribeirinhos olham ele com lágrima nos olhos e uma dor atravessada no peito, de ver seu rio definhando aos poucos.

SAMOS O QUE SAMOS

Poema inédito e mais novo de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Somos volúpias carnais infernais,

Ternos, tiranos irracionais radicais,

Hienas caçadoras carniceiras,

Águias de garras traiçoeiras,

Gaviões famintos nos galinheiros,

Gafanhotos destruindo plantações,

Mandacarus sobreviventes do sertão

Fogo e fumaça em erupção.

 

Somos água seca da cacimba,

O cangaço retorcido de aço,

O silêncio que vem lá de cima

Do universo sideral dos céus,

Gentes inocentes incoerentes,

Com a mente que sempre mente

Sentados nos bancos dos réus.

 

Somos feiticeiros de religiões,

Arrastando legiões carneiras;

Somos todos paus de atiradeiras,

Fingindo ser o que não somos

Nesta vereda de tantos ramos,

Em noites embriagadas de vinhos,

Tentado arrancar nossos espinhos.

 

Somos aves, passarinhos gigantes,

O céu e o inferno de Dantes,

O vento forte que vem do norte,

Madeira de ferro pra toda obra,

Que vive correndo atrás da hora,

Ora rir feliz e ora triste chora,

Sofrendo com o aqui e o agora.

0 DESPOTISMO DOS FÁVIOS E ANTONINOS EM MEIO A INTRIGAS, CRIMES E ESCÂNDALOS

Cresceu entre as classes dirigentes do império, depois de Augusto, uma forte oposição ao principado como instituição, tudo por causa das intrigas, crimes e escândalos de seus sucessores, conforme relata o autor de “História de Roma”, M. Rostovtzeff.

Para os estoicos era falso considerar o principado como algo que pretendesse apenas gratificar a ambição pessoal, ou como um despotismo baseado na violência e na força, como no caso de Nero.

O governante não era um senhor, mas um servo da humanidade e devia trabalhar para o bem de todos, e não em prol de seus interesses próprios e de sua manutenção no poder, de acordo com a concepção estoica, teoria sustentada pelos cínicos da Idade Helênica.

A Monarquia e o “melhor homem”

Os acontecimentos que se seguiram depois de Nero provaram, porém, que a monarquia era inevitável, e que só essa forma de governo era reconhecida pela massa do povo e pelo exército. Daí, o surgimento de uma nova dinastia no trono não chegou a provocar protestos da sociedade romana. Os homens esperavam um principado regenerado nas mãos do melhor entre os melhores senadores, dentro da Constituição, mas sem prejuízos para as classes superiores.

Os reinados de Vespasiano e do seu filho Tito por doze anos procuraram seguir o principado de Augusto e tentaram recuperar o Estado, principalmente as finanças, arruinadas pelas extravagâncias de Nero e pelo custo da guerra civil de 69 e 70 da nossa era.

Domiciano, entretanto, filho mais novo de Vespasiano rejeitou a teoria do “Melhor homem” e imprimiu em todo os seus atos a natureza absoluta do poder e a condição sagrada de sua pessoa. Confiava apenas no exército, que subornou com um aumento considerável de salários.

O descontentamento do Senado foi esmagado com crueldade, sob alegação de combate aos filósofos, ou seja, a todos aqueles que apoiavam e pregavam uma nova teoria de relação adequada entre os governantes e seus súditos. Os filósofos, como Dion Crisóstomo, expulsos de Roma, atacavam a tirania.

Vítima de uma conspiração palaciana, Domiciano foi morto num acidente provocado. Para sucedê-lo, o Senado e os exércitos proclamaram Caio Coceio Nerva, pertencente à antiga e nobre família romana, que reinou de 96 a 98 (já era idoso). Uma de suas primeiras ações foi adotar Marco Úlpio Trajano, de família romana residente na Espanha.

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“ANDANÇAS” NA LIVRARIA NOBEL DIA 18

Quem não foi ao lançamento do livro “Andanças”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, na Casa Regis Pacheco, vai ter a oportunidade de marcar presença no próximo dia 18, às 19 horas, na Livraria Nobel, na rua Otávio Santos, com o show do cantor e compositor Alex Baducha e mais declamações de poemas e causos.

A obra, que teve a colaboração de muitos amigos e apoiadores da cultura, é uma mistura de ficção com a realidade, com causos, contos, histórias  e poemas, muitos do quais já musicados por artistas da terra como Papalo Monteiro, (Nas Ciladas da Lua Cheia)Walter Lajes (Na Espera da Graça) e Dorinho Chaves (Lágrimas de Mariana).

Trata-se  de um trabalho feito com muito esforço e dedicação, que demorou mais de três ano para ser publicado devido à falta de patrocínio. Existem capítulos e versos dedicados à Vitória da Conquista, como figuras lendárias da cidade do passado, fatos e versos sobre a Serra do Piripiri, a Mata Escura, O Cristo de Mário Cravo e as obras do artista Cajaíba.

Coube espaço também para comentários inéditos sobre a ditadura civil-militar de 1964, mostrando o outro lado do regime, em relatos diferenciados do livro “Uma Conquista Cassada -cerco e fuzil na cidade do frio”, também de sua autoria que está sendo indicado por professores das escolas públicas e universidades.

“Andanças” também exigiu alguma coisa de pesquisa, como a história de um mochileiro no capítulo “Pelas Brenhas do Mundo”, que percorreu várias partes do planeta e esteve presente nos acontecimentos históricos mais importantes, como O Maio de 68 na França, A primavera de Praga, as guerrilhas na África e a Guerra no Vietnã.

Numa linguagem simples, beirando ao realismo fantástico em muitas passagens, o livro é prazeroso de ser ler, sem regras e amarras sequenciais. Pode ser lido de qualquer parte e está dividido em dois que é “A Estrada” dedicada aos amantes da poesia solta e sem normas acadêmicas.

“O BRASIL NÃO É TRANSGRESSOR DO MEIO AMBIENTE”

Esta afirmativa, de deixar qualquer pessoa esclarecida irada e se sentindo ludibriada, é da ministra da Agricultura, rebatendo críticas dos países europeus, especialmente Alemanha e a França. Senhora ministra, isso soa aos ouvidos como uma mentira proposital, ou que a senhora não conhece nada da área. Não acredito em ingenuidade, e sim que a senhora cometeu uma afronta a todos os brasileiros instruídos, chamando-os de burros, idiotas e ignorantes. Senhora ministra, não diga isso porque é vergonhoso, pois os europeus acompanham e sabem muito bem de tudo o que acontece no Brasil! Não adianta tentar enganar, jogar a sujeira debaixo do tapete e querer tapar o céu com uma peneira.

Isso é muito feio, senhora ministra! Não é assim que se deve vender o produto Brasil lá fora, passando uma ideia falsificada, do tipo “coisa do Paraguai”, que perdoem nossos Hermanos do outro lado. As agressões ao meio ambiente no Brasil estão aí escancaradas para todo mundo ver, desde da aldeia em que cada um vive até a mais distante deste país continental. Mais decente seria fazer um mea culpa e se comprometer a adotar medidas para conter as transgressões, visto que o governo do capitão dos generais está fazendo o contrário. A lista das transgressões, ou o BO do meio ambiente, é extensa e a folha corrida pode ir da terra até a lua.

Desmatamentos e outras transgressões

Não sou nenhum especialista do setor, mas nem precisa ser para falar, mostrar e denunciar as depredações ao meio ambiente no Brasil, coisas ainda primitivas. Vamos começar pelos desmatamentos na Amazônia, cujas estatísticas indicam que duplicaram no último ano pra cá, tendo como fatores a ganância dos madeireiros, do setor do agronegócio (pecuária e agricultura), dos mineradores, dos carvoeiros e dos grileiros de terra, só para ficar por aí.

Senhora ministra, seu presidente quer reduzir e não mais demarcar as áreas dos quilombolas, dos índios e até extinguir as de preservação ambiental, e acabar com paraísos como Angra dos Reis para transformá-la numa Cancun mexicana para os capitalistas se esbaldarem! Ele pretende desviar o dinheiro do Fundo da Amazônia para indenizar proprietários que invadiram terras de preservação.

O Brasil é um dos países do mundo que mais usam agrotóxicos na agricultura, inclusive de produtos proibidos lá fora. No seu governo (quem manda são os generais) nunca se liberou tantas substâncias perigosas, com tanta rapidez para o uso dos produtores rurais. E a “famosa” espuma tóxica do Rio Tietê, em São Paulo, todas as vezes que chove? Não é transgressão ao meio ambiente?

Na Mata Atlântica, é o segmento imobiliário que mais derruba árvores para construir prédios, viadutos e condomínios de luxo, incluindo também as invasões nos morros, que avançam  devido a falha na fiscalização do poder público. Desde a colonização, somente 8% de toda área ainda sobrevive. Desenvolvimento sustentável aqui é um marketing dos empresários para destruir a natureza e encher os bolsos de dinheiro, dando uns minguados empregos.

No Sudoeste da Bahia

No cerrado, o agronegócio constrói barragens afetando nascentes e desviando o curso dos rios, como aqui no nosso oeste baiano e na Chapada Diamantina no caso dos hortigranjeiros (região de Lençóis, Andaraí e Mucugê). As transgressões estão lá para todos verem. Basta conversar com qualquer morador do lugar. Dos 80 quilômetros de extensão do Rio Utinga, que deságua no Marimbus (pantanal da Chapada), metade morreu em decorrência do excesso da retirada de água para irrigação. O Rio Itapicuru também está morrendo devido a derrubada das matas ciliares.

Em Caetité e Pindaí, no sudoeste da Bahia, em nossa aldeia, uma mineradora vai construir uma grande barragem de resíduos de minérios, sem prévia consulta da população que está em pânico. Em Vitória da Conquista, a Serra do Piripiri foi toda depredada ao longo dos anos para pavimentar a BR-116 e edificar prédios, matando as nascentes, só sobrando um pouco do Verruga, praticamente morto no seu leito.

Deserto no Nordeste

O Nordeste, senhora ministra, está virando um deserto de tanto extraírem madeiras para as carvoarias, sem contar as prolongadas secas em razão do aquecimento global. O “Riacho do Navio”, cantado há muito tempo pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, não tem o mesmo cenário de outrora. A letra diz: Riacho do Navio/corre pro Pajeú/o rio Pajeú vai despejar no São Francisco/o rio São Francisco vai bater no meio do mar/lá iá,lá iá, lá iá, lá iá, lá iá. O “Riacho do Navio” está morto e agora é o mar que invade o São Francisco 50 quilômetros adentro.

E, por falar no “Velho Chico”, sempre um agoniante quando batem as estiagens, cadê a revitalização tão prometida e anunciada pelos governantes? Agora mesmo, no final de junho, estive lá visitando e fiz uma prece para que ele não morra, mas o rio está precisando muito mais de ações concretas do que orações. A barragens, como a do Sobradinho, estão com suas vasões bem abaixo do normal, chegando hoje a cerca de 500 metros por segundo. É de doer ver extensos areões onde eram ocupados por suas águas, e somente algumas partes navegáveis, com muita dificuldade. As barragens cometeram altas agressões ao meio ambiente, e o mar está virando sertão.

Ficaria aqui, senhora ministra, um ano escrevendo e pesquisando para lhe provar que o Brasil do rompimentos das barragens de minérios, um país com alto déficit no que tange ao saneamento básico, onde poucos municípios, dos mais de cinco mil, não têm aterro sanitário e sim lixões, comete sim, transgressão ao meio ambiente. Não adianta esconder isso de ninguém, quanto mais dos europeus. Por essa e outras, é que esse acordo do Mercosul não vai sair do papel, enquanto não se resolver sair do atraso e do primitivismo. Não é assim mentindo, senhora ministra, que se defende uma soberania nacional!

 





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