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NO PAÍS DAS TRAGÉDIAS ANUNCIADAS, O HUMANO E A NATUREZA NADA VALEM

É sempre assim, a mídia faz seu espetáculo no foco das desgraças dos desesperados que choram pelas suas vítimas, os governos e os famosos emitem suas condolências e pareceres críticos, os camisas amarelas coxinhas e os mortadelas vermelhos trocam farpas, arrotando cada um seu besteirol, os técnicos dão vastas explicações, muitos rezam e uns poucos se revoltam indignados com o descaso. No embalo, fiscais intensificam as vistorias e depois relaxam o trabalho.

Em pouco tempo, os mortos são esquecidos, os parentes que ficam penam desamparados nos seus vales de lágrimas das burocracias, a Justiça se arrasta como lesma, a natureza falece e os culpados não são punidos porque vivemos numa terra de ninguém, aliás, só dos fortes, onde nada é levado a sério. Os iludidos acham que as coisas vão mudar, e ai outras catástrofes batem em nossas portas e levam mais um monte de gente. Tudo se repete com o mesmo blábláblá de sempre e assim vivemos de tragédias acompanhadas das impunidades. Os responsáveis têm o poder de se tornarem invisíveis perante a “lei”, também opaca.

Claro que, no momento, estou me referindo a Brumadinho, mas esquecemos das tragédias que o povo brasileiro convive no seu dia a dia, como as dos corredores das mortes nos hospitais, as tragédias das filas da saúde e do INSS de idosos doentes, as da educação deficitária, as tragédias das injustiças praticadas contra os pobres, as da usurpação dos direitos civis, especialmente contra as minorias, as tragédias das matanças contra mulheres, as da violência bruta e cruel dos bandidos, as tragédias do trânsito que matam mais de 60 mil por ano, as dos homicídios (o mesmo número), as tragédias da profunda desigualdade social, as da fome, das crianças desnutridas, dos casebres em favelas subumanas, as tragédias da extrema pobreza e de tantas outras.

AS TRAGÉDIAS SEM REPARAÇÃO

A folha corrida das tragédias no Brasil daria para ir do Oiapoque ao Chuí, e em nenhuma delas houve uma reparação justa das perdas. Tudo começa com o jeitinho safado brasileiro de fazer armengues, de superfaturar obras que viram fonte de propinas e corrupção, de se fazer vistas grosas para o mal feito e mais barato, sem contar a incompetência de indicados políticos que nada entendem do cargo que exercem. Claro que entram também o por fora e as relações promíscuas com o poder econômico e político.

Há séculos aqui chegaram as multinacionais neste paraíso perdido onde tudo é permitido, para explorar com facilidades fiscais e outras benesses, as nossas riquezas naturais, deixando um rombo passivo de desastres ao meio ambiente, sem falar de vidas humanas, com o papo de trazer o progresso e mais empregos. Sempre se portaram como deuses da salvação, dando aos pobres algumas migalhas sociais como espécie de cala boca.

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O POVO DE BOQUIRA ENCURRALADO PELA MINA

Com base num fato real de uma matéria jornalística realizada no auge pesado da ditadura civil-militar de 1974 pelo jornal “Estado de São Paulo”, proibida de ser divulgada, o assunto virou livro “Boquira”, numa reportagem romanceada a partir da pena ligeira e denunciativa do amigo-companheiro jornalista Carlos Navarro Filho, que na época chefiava a Sucursal do periódico, em Salvador.

O relato é a fiel voz de desabafo de um povo do interior do sertão baiano que sofreu todo tipo de opressão de uma companhia multinacional de mineração e que dava toda cobertura ao regime militar em troca de benesses dos governos dos generais Médici e Geisel. A empresa tinha suas influências políticas até em Vitória da Conquista onde Renato Rebouças possuía participações em muitas decisões.

Naquele período já era repórter de economia do jornal “A Tarde” e conheci o dinâmico, competente e irrequieto colega Navarro em algumas andanças de coberturas, inclusive feitas em outros estados. Em meu livro “Uma Conquista Cassada” faço algumas referências ao caso “Boquira” e sua prestação de serviços à ditadura na captura do capitão Carlos Lamarca.

A obra começa com um comentário fidedigno do repórter Biaggio Talento sobre o ambiente redacional barulhento, insalubre e “fumacê” dos jornais daquele tempo, e as dificuldades para se passar um texto do interior. Sou como meu amigo Carlos Gonzalez da mesma geração das máquinas de escrever, do teletipo e do aparelho de telefoto que enviava as imagens reveladas num laboratório para filmes.

Para matar as saudades, concordo com Paolo Marconi, no prefácio, quando disse que “fomos felizes e não sabíamos”. Lembra ele do respeitado Jornal do Brasil e os tradicionais Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e o Globo, bem como do famigerado Ato Institucional no 5. As críticas não podiam ser nem construtivas, mas elogiosas, como retrucou o marechal Arthur da Costa e Silva para os editores do JB.

Para Marconi, o livro é produto de uma desforra de quem viu seu jornal não publicar uma grande reportagem sobre Boquira/Cobrac – Companhia Brasileira de Chumbo, subsidiária da francesa Penãrroya Oxide S.A. Foi, na verdade, uma censura interna. “O livro é de denúncia e ainda atual por mais estranho que possa parecer”. Depois de paralisar a extração em 1992 em Boquira e fechar a fábrica de lingotes de chumbo em Santo Amaro, a Cobrac deixou um dos maiores passivos ambientais da história da mineração do país.  A Samarco, em Minas Gerais, talvez tenha superado em termos de danos.

Em redor da mina e margeando o município de Boquira, Marconi calcula que existam mais de seis milhões de toneladas de resíduos, sem qualquer contenção. Em Santo Amaro estão hoje 490 mil toneladas de material contaminado, com metais pesados. Os órgãos de controle ambiental tentam, desde 1993, condenar a Penãrroya. A primeira sentença condenatória foi proferida em 2014. Mesmo assim, em janeiro de 2016 houve recurso da ré.

O PADRE AVARENTO

Na narração de Navarro, em sua história “Boquira”, que tanto mal fez ao povo do povoado de poucas casas, tudo começou no ano de 1954 com o padre Nazário, um descontente com sua situação de pobreza, saindo de Oliveira dos Brejinhos  com destino à fazenda Pajeú, em Boquira, para dar a extrema-unção à idosa Neusina de Filó.

Ele descreve o cenário de calor infernal do sertão. Padre Nazário é um avarento e passa pelo Morro do Pelado onde se esbara com, seu guia Codó, com pepitas gigantes. Imagina que as pedras são ouro puro e não esquece do que viu na terra de pessoas ingênuas e ignorantes.

Na volta, ele recolheu amostras das pedras brilhantes que só serviam para fazer cercas de mureta para não deixar animal escapar. Aquela extrema-unção um dia veio a mudar a vida de toda aquela gente de Boquira. Dali em diante o estado de espírito do padre se renovara e atendia a todos com satisfação em Macaúbas e vizinhança. Aguardava ansioso a chegada do seu amigo farmacêutico Agenor, para levar as pedras para exame em Salvador.

Tudo calculado em sua mente traiçoeira. Três semanas depois o amigo retornou e o resultado dava alto teor de chumbo, mas as pedras careciam de exames mais precisos a serem feitos em São Paulo. O padre malandro continuava a celebrar suas missas em Macaúbas, mas sonhava ficar rico. Passou a namorar a filha do Agenor que dava uma de médico charlatão.

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0 PEIXE VOA

Foto do jornalista Jeremias Macário

O grande peixe parece voar, saindo das águas poluídas dos rios e dos mares para tomar um ar mais puro lá no alto das nuvens. Também nos sentimos sufocados aqui na terra e sonhamos em voar para respirar.

CONVERSA FORA

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Quando o sol gera a noite,

No açoite da estrada estropiada

E vem a lua toda prestativa,

É bom demais parar a tropa,

Desarrear toda a comitiva,

Botar a boiada para pastar,

Preparar a comida do jantar,

Baixar a poeira com uns goles,

Ouvir a canção da viola senhora,

E jogar uma conversa fora.

 

Nos campos e nas cidades,

Nas frias noites etílicas,

Quentes bate-papos políticos

De discussões culturais bíblicas,

Dos poéticos saraus de memórias,

Entre causos e muitas histórias,

Onde a turma a madrugada rola,

É gostoso jogar conversa fora.

 

Se não abrir a sua fronteira,

Se a patrulha fechar a porteira,

Não tiver tolerância e respeito,

Com as ideias libertárias de direito,

Muita gente vai indo embora

E não tem mais conversa fora.

 

Até os bichos das florestas,

Do mar os peixes e as baleias,

Os habitantes das areias,

Têm seus encontros e festas,

Pra jogar uma conversa fora.

 

Meninos! Vi o certo e o incerto,

Os primitivos das cavernas,

Beduínos e camelos do deserto,

Sumérios e todo Crescente Fértil,

Os egípcios do Nilo dos faraós,

Os filósofos com seus fifós,

Com suas descobertas eternas

Se juntando nas escuras tabernas

OS GRANDES IMPERADORES, DEPRAVAÇÃO E A DECADÊNCIA DO IMPÉRIO ROMANO

Reza a lenda que quando os gregos Menelau, Ulisses e Aquiles conquistaram Tróia, na Ásia Menor, um dos poucos defensores a se salvar foi Enéias, cuja mãe era a deusa Venus-Afrodite. Ele andou perambulando com sua mala ao lombo até alcançar o Lácio, no norte da Itália. Casou-se com Lavínia, filha do rei Latino, onde fundou uma cidade com o mesmo nome da mulher.

Seu filho Ascânio fundou Alba Longa, a nova capital. Depois de 200 anos, Numitor e Amúlio, descendentes de Enéias, ainda ocupavam o trono do Lácio. Um dia Amúlio expulsou seu irmão e matou todos seus filhos, menos Réia Sílvia, mas obrigou-a a se tornar sacerdotisa da deusa Vesta para não ter filho.

Num dia bem quente resolveu tomar um ar fresco e adormeceu. Numa das suas descidas à terra, Marte a viu, apaixonou-se por ela e a engravidou. Amúlio ficou muito zangado, mas esperou que ela desse à luz e nasceram dois meninos gêmeos. Depois fez Sílvia colocá-los num barco e deixou-os à deriva na correnteza do mar. A embarcação encalhou nas areais e uma loba os acolheu dando do seu leite.

Esse animal tornou-se depois símbolo de Roma, mas muitos dizem que se tratava de uma mulher com o nome de Acca Larentia, chamada Loba pelo seu caráter selvático e infiel ao seu marido pastor. Os dois receberam os nomes de Rômulo e Remo. Depois de crescidos, voltaram a Alba Longa, mataram Amúlio e recolocaram Numitor no trono.

Depois de tudo resolveram construir um novo reino em meio às colinas onde corre o Tibre. Ali começaram a discutir sobre o nome a ser dado à cidade. No impasse, decidiram que venceria quem visse mais pássaros. Remo viu seis sobre o Aventino e Rômulo 12 sobre o Palatino. Foi colocado o nome de Roma e, em torno dela, edificaram muralhas. Remo achou frágeis e com um chute colocou um pedaço abaixo. Em represália à sua conduta, Rômulo abateu o irmão com um golpe de enxada.

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NA REPÚBLICA DOS GENERAIS

A impressão que ficou evidente na entrevista do vice-presidente general é que somente os militares têm competência e são os honestos e incorruptíveis, e que todos os civis do Brasil não merecem mais confiança em cargos de governança do país, depois das falcatruas generalizadas nos últimos governos, especialmente do PT. Todos são sujos e não sabem como administrar a coisa pública, sem desperdícios.

O mais contraditório nisso é que os “baluartes” contra a corrupção querem o senador Collor de Melo na presidência do Senado, logo ele alvo de um monte de denúncias na força tarefa da Lava Jato. O ex-deputado queridinho do capitão ligado aos produtores rurais (bancada rural) foi nomeado para ser defensor das nossas florestas, e prometeu não haver indicação política. É o mesmo que colocar raposa no galinheiro. Antes o pai do presidente e seu filho disseram dispensar o foro privilegiado, mas agora defendem e até o sigilo. Logo mais pedem a censura.

TANTOS MILITARES NO PODER

Estamos apenas começando, mas já deu para se perceber que nem no período da ditadura civil-militar – para o presidente-capitão não existiu nada disso – houve tantos militares no poder da República, do primeiro ao segundo escalão e até no terceiro. Que seja bem-vinda a moralização, mas que a imprensa seja livre para denunciar os possíveis desvios de conduta, porque no regime de exceção era impedida pela censura.

Como muitos camisas amarelas da seleção pediram nas ruas, e diante do grande contingente de fardados das forças armadas nos ministérios e secretarias, estamos sendo agora submetidos a uma intervenção militar branca, pelo menos por enquanto. A mídia “amarelou” e apenas se limita a noticiar os fatos do dia, sem se aprofundar na questão.

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OS QUE SE FORAM PERMANECEM VIVOS EM NOSSA MEMÓRIA CULTURAL

Nos últimos anos, principalmente do ano passado para cá, muitos incentivadores, pensadores e defensores da nossa cultura se foram, deixando uma lacuna em Vitória da Conquista, mas essas pessoas vão permanecer vivas em nossas mentes, com mais forças para continuarmos firmes nesta jornada que, infelizmente, conta com poucos apoiadores.

Com seus passos de sabedoria e desapego, essa gente deixou suas marcas registradas num trabalho incansável de promoção da cultura, por amor, sem interesses pecuniários. Mesmo sem o devido reconhecimento de gratidão de boa parte da sociedade, devemos seguir suas pegadas e nunca negar aos outros o conhecimento que aprendemos da escola acadêmica e da vida, esta a mais consistente e duradoura. Têm muitos que morrem como fantasmas.

A lição que nos deixam é nunca sermos egoístas, mas persistentes nos momentos mais críticos e difíceis, porque não faltam aqueles que torcem a cara e acham que os fazedores de cultura não passam de idealistas sonhadores, desprovidos de bens materiais e sem futuro. São os mais ricos e os menos valorizados. Nessa caminhada, são muitos os que só dão espinhos e poucos os que oferecem flores. Uma só pétala já basta para superar sacrifícios e não ser apenas um vulto nesta multidão.

Já dizia um filósofo que a vida é um bem incerto, e que a morte um mal certo. Mas, do incerto você pode fazer muitas coisas certas e tornar a morte um bem para cada alma que fica. Fizeram-nos bem as últimas pessoas que se foram, como o jornalista e historiador Luis Fernandes que sempre se mostrou preocupado em resgatar a nossa memória cultural, pesquisando e levantado dados da nossa história.

Há cerca de um ano, ou pouco mais que isso, partiu para o além o meu amigo e companheiro poliglota e intelectual Sérgio Fonseca, com o qual convivi no jornal “A Tarde” e tive a honra de substituí-lo na chefia da Sucursal desse impresso em Vitória da Conquista. Quando se foi, infelizmente era pouco conhecido, inclusive de grande parte da mídia, mas, com seus serviços prestados, nos deixou um grande cabedal. Pouco foi homenageado em vida e na morte.

Infelizmente, nosso sistema social e político tem como uma de suas péssimas características não valorizar a meritocracia. As pessoas mais preparadas são pouco aproveitadas. Recentemente, partiu também para o outro lado, a nossa guerreira e professora do projeto Proler, Heleusa Câmara, uma insistente na luta pela alfabetização de detentos e de todos aqueles que viviam à margem do ensino. Foi uma grande incentivadora da leitura, justamente nesses tempos tecnológicos da internet em que poucos têm o hábito de ler.

Quantas pessoas Heleusa tirou da escuridão da vida, para ver o mundo de outra forma, através do conhecimento! Não somente isso, ela com sua crença naquilo que fazia, devolveu à comunidade muita gente que vivia fora dela. Lembro dela em minhas entrevistas jornalísticas quando detalhava minuciosamente, com sua paciência, suas propostas de tornar as pessoas mais humanas e educadas.

Nesta semana, lá se foi, mas continua conosco, o nosso “Fera”, como assim tratava os amigos, o ator Gildásio Leite. Minha aproximação com ele não tinha muito tempo, mas foi o bastante para aprender com Gildásio muita coisa, como bondade e generosidade, sem falar na sua ponderação na análise de certos problemas.

Há uns três anos, viajei com ele e o professor Itamar Aguiar, para uma feira do livro em Lençóis, na Chapada Diamantina, onde ele aproveitou para realizar uma série de entrevistas com o cineasta Orlando Sena. Foi quando trocamos muitas ideias tomando umas geladas e passei a chama-lo de grande garimpeiro. Não se queixava, e sempre estava otimista com a vida. Na última vez em que nos falamos, pediu meu livro “Uma Conquista Cassada” para extrair alguns subsídios para um documentário que estava elaborando. Não me recordo agora o assunto. Gildásio divulgou muito Conquista nos filmes e nas peças em que participou.

 

 

A JANGADA E O MANGUE

 

Foto do jornalista Jeremias Macário

 

Num pedaço da natureza ainda exuberante do mangue, lá vão os pescadores solitários aventureiros em sua jangada, procurando o melhor lugar para fisgar o peixe e os mariscos para o sustento de suas famílias. O trabalho não é nada fácil nestas serenas águas, mas eles têm o privilégio de curtir esta poética paisagem que nos remete ao passado.

NÃO LEVE MEU CHAPÉU, NÃO

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Nas memórias da viola

Filosofias de altas horas

Galopeia o verso do cordel

Cantorias, causos e estórias

Nas noites etílicas do Sarau

E cada um arruma seu chapéu

Do Espaço Livre Cultural.

 

Meu senhor, minha senhora!

Meu chapéu é poema e louvação!

Por favor, quando for embora

Não leve meu chapéu, não

Se esquecer, ligue sem demora

Que eu lhe conto toda história

De como nasceu esta coleção.

 

Daqui pra lá, de lá pra cá

Das noites do Vinho Vinil

Um conto entrou, outro saiu

Verbo e até o “Baú do Raul”

Dos chapéus e dos livros mil

Se algum deles você levar

De tristeza vão se acabar.

Cante até o raiar do dia

Pra não esquecer, repita agora

Arara, ararinha, ararão

Lembra espécie em extinção

Como rara planta da flora

Por favor, não leve não

Que meu chapéu é inspiração.

OS DOMINGOS SEM FUTEBOL

Carlos Albán González – jornalista

Jeremias, no seu abalizado comentário sobre a ausência de iniciativas culturais e de entretenimento em Vitória da Conquista, principalmente nos finais de semana, peço sua permissão para ocupar este espaço a fim de emitir minha opinião. Na verdade, concordo plenamente com as suas críticas. Enquanto o poder público se omite, os empresários do ramo promovem shows com intérpretes do axé, do sertanejo e do pagode, como se o conquistense não aprecie uma cultura de boa qualidade.

Por uma questão de justiça devo destacar o retorno à atividade do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, que, nos últimos meses, tem trazido a esta cidade companhias de teatro e de dança clássica, orquestras sinfônicas e cantores de renome no cenário artístico nacional. Falta à direção da casa de espetáculos divulgar, com antecipação, sua programação, pelos meios de comunicação ou pelas redes sociais.

Residindo há quatro anos em Vitória da Conquista continuo recebendo, por e-mail, o programa de eventos culturais de duas instituições sediadas em Salvador com raízes espanholas: o Instituto Cervantes, subordinado ao Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha, e a Associação Cultural Hispano-Galega Caballeros de Santiago, fundada em 22 de novembro de 1960 por um grupo de imigrantes provenientes da Galícia.

Caro colega, na condição de profundo admirador do esporte, incluo entre os seus queixumes a ausência de competições nos campos, quadras, pistas e piscinas. O futebol, praticado em qualquer vilarejo do país, passa por uma crise administrativa e técnica, revelada no abandono de seu principal palco e na ausência dos gramados do seu time de maior destaque.

Na tabela do Campeonato Baiano de 2019, divulgada pela Federação Bahiana de Futebol (FBF), constam as palavras “a definir”, aludindo aos quatro jogos que o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista tem programado para realizar diante de sua torcida, todos em domingos, sendo que dois deles, contra Bahia e Jequié, são apontados como os de maior presença de público.

Mais antigo do que seu coirmão, o Conquista F. C. ressurgiu em 2018, disputando a 2ª divisão do futebol baiano. Terminou em quarto lugar entre seis concorrentes. As peças do uniforme azul e branco voltaram para o armário e não serão exibidas este ano.

Depois de se submeter a três vistorias por parte da FBF o Estádio Lomanto Júnior ainda não está em condições de receber os jogos do “Baianão” – eu chamaria de “Baianinho”, pelo reduzido período de disputa. Na última inspeção, dia 12 deste mês, o assessor da FBF Jorge Inácio Diniz condenou um esgoto aberto atrás dos vestiários, o sistema de iluminação e a falta de local de trabalho para a imprensa escrita.

Pelo menos, o gramado de um milhão de reais, o “bermuda tifway”, que estava sendo “assaltado” por ervas daninhas, já pode ser utilizado. O andamento dos trabalhos de recuperação do “Lomantão” não tem podido ser acompanhado pela imprensa, diariamente barrada nos portões do estádio. A prefeitura garante que no dia 3 de fevereiro, data do primeiro jogo do Conquista em casa, “tudo estará perfeito”, afirma o prefeito Herzem Gusmão.

Sepultadas as esperanças do Sub-20 do Conquista na Copa São Paulo de Futebol Júnior, desclassificado na primeira fase, com duas derrotas e um empate, a direção do clube alviverde está voltada para o time profissional, com estreia no Campeonato Baiano no próximo dia 24, diante do Vitória, em Salvador.

Fora das competições de âmbito nacional (Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Brasileiro), o Conquista terá que fazer uma boa campanha no Baianão, visando sua presença nos torneios de 2020. O time alviverde fará um máximo de 13, se chegar às finais, e um mínimo de nove partidas. Suas atividades em 2019 serão encerradas em 17 de março ou 21 de abril. O quê será feito até janeiro de 2020 é uma incógnita. Já o torcedor terá a certeza de que passará muitos domingos sem o futebol.

 





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