UM SHOW COM VÁRIOS ARTISTAS SE APRESENTA DIA 6 NO “CARLOS JEOVÁ”
“Cantorias A Estrada” é um show autoral de músicas, causos e declamações de poemas que se apresentará no próximo dia 6 de abril (sábado), às 20 horas, no Teatro Carlos Jeová, em Vitória da Conquista. Vão estar lá neste dia no palco Alex Baducha, Mano Di Souza, Dorinho, Paulo Gabiru, Marta Moreno, Jhesus, Edna Brito, Gildásio Amorim. José Carlos D´Almeida, Regina Chaves, Vandilza Gonçalves, Itamar Aguiar e Jeremias Macário, com participações especiais de Papalo Monteiro e Alisson Menezes.
Esse grupo dos treze está fazendo parte do CD Sarau, um produto fruto dos nossos saraus que estão completando nove de existência, no Espaço Cultural A Estrada. O show colaborativo “Cantorias A Estrada”, cujo ingresso será de apenas R$20,00 por pessoa (sem meia), tem como principal objetivo arrecadar recursos para a gravação de um CD, com o formato do Sarau, daí a importância da presença de todos que ainda amam e dão valor à nossa cultura.
Quem for vai se sentir dentro do nosso Sarau e ainda ter surpresas, numa agradável noite cultural de boas músicas de artistas locais de renome e conteúdo. O público vai ouvir ainda causos engraçados e populares, além de declamações de poemas que falam do nosso cotidiano, sem esquecer a vida nordestina do sertanejo. Há tempos que este projeto do CD autoral está sendo planejado e amadurecido em reuniões, e o grupo se preparou para oferecer ao conquistense um show eclético, com apoio dos amigos Papalo e Alisson Menezes que irão enriquecer nosso encontro.
CÂMARA TEVE UMA PAUTA CHEIA DE DEBATES COM MUITAS POLÊMICAS
Numa sessão de muitas discussões, como a questão da água, uma “invasão” da comunidade de Cercadinho, a reforma da previdência social, a situação crítica da Lagoa das Bateias e do Poço Escuro, o rio Pardo e sua morte na região de Inhobim, dentre outros assuntos, a Câmara de Vereadores de Conquista abriu ontem (dia 22/03) seu espaço para homenagear o advogado Evandro Gomes Brito com a entrega de uma moção de aplausos como homem dedicado à cultura e pelos seus serviços prestados à cidade.
Muitos vereadores, como Danilo Kiribamba, Lúcia Rocha e Denis do Gás aproveitaram o Dia Mundial da Água para criticar a situação de abandono em que se encontram a Lagoa das Bateias tomada pelos esgotos e sujeiras, a nascente do rio Verruga no Poço Escuro, que está contaminado no seu leito e necessita de cuidados urgentes de despoluição, sem falar do rio Pardo que foi motivo de uma Tribuna Livre aberta ao líder do distrito de Inhobim, Paulinho Magalhães.
Sobre este tema, todos pediram e cobraram maior parceria do prefeito Herzem Gusmão com o legislativo para solucionar estes problemas, apontando sua ausência nas discussões da Casa. A parlamentar Lúcia Rocha fêz um apelo ao poder público para que a Lagoa das Bateias seja revitalizada, pois o local não oferece mais lazer à comunidade, dizendo que a população está revoltada com o quadro de abandono.
Ainda em referência a água e aos rios da região, o desabafo maior veio de Paulinho Magalhães que chamou à atenção para o que está sendo feito com o rio Pardo, em sua opinião, praticamente morto. Segundo ele, os empresários poderosos represam a água do rio para irrigar capim, eucalipto e café, deixando o resto da população e os pequenos proprietários sem o precioso líquido para atender às suas necessidades de consumo e molhar suas plantações de subsistência.
Admilson Pereira criticou a cobrança abusiva de taxas aos comerciantes da Central de Abastecimento de Conquista, a Ceasa, fazendo um apelo para que a Casa e a prefeitura encontrem uma solução para o problema. A vereadora Nildma Ribeiro clamou por mais rigor contra as ações de racismo e violência à mulher.
OMISSÃO DA CÂMARA
A maior polêmica foi levantada pelo vereador Rodrigo Moreira, que até há pouco tempo estava afastado de suas funções pela Justiça. Primeiro ele condenou os penduricalhos da Prefeitura Municipal onde tem gente que é admitido, por exemplo, com salários de R$5.000,00 e logo é favorecido com aumento de 100%. Nessa linha de denúncias, disse que a Câmara tem sido omissa em seu papel de fiscalizadora do executivo, e que só tem se preocupado em aprovar moções de aplausos, de pesares e de dar nomes de ruas. No entanto, logo depois de sua fala, ele mesmo pediu desculpas aos seus pares, afirmando que não teve a intenção de ofender ninguém.
Hermínio Oliveira acusou a concessionária Via Bahia de descumprir os acordos feitos com o Governo do Estado, como duplicar a BR-116 (Rio-Bahia) na região de Vitória da Conquista, mas o brado mais forte foi do grupo do PT contra a reforma da Previdência Social, lembrando a mobilização do povo nas ruas neste data de 22 de março.
Valdemir Dias foi o primeiro a se posicionar conta a reforma, dizendo que ela representa um chicote nas costas dos mais pobres, enquanto os militares, os deputados e os magistrados continuam com seus privilégios. De acordo com ele, o teto tem que ser para todos, com isonomia, e não manter as castas, em detrimento dos carentes.
Coriolano Moraes também bateu forte contra a reforma do novo governo, classificando-a de um massacre contra os trabalhadores dos setores público e privado. Citou que o governo federal não faz o seu dever principal de cobrar as dívidas dos grandes sonegadores, como da empresa JBF que deve quase dois bilhões de reais para a Previdência.
O parlamentar apontou ainda como grandes sonegadores o Banco Itaú e o Bradesco. Na sua ótica, o sistema não é deficitário, e ressaltou que o Ministério Público tem sido ausente na sua função de agir contra os devedores. A vereadora Viviane Sampaio, do PT, também falou no mesmo tom.
CERCADINHO
No meio dos debates, quando David Salomão discursava sobre a prisão do ex-presidente Michel Temer se colocando a favor do combate à corrupção, mas que também outros fossem punidos como o ex-governador Jaque Wagner, o que chamou a atenção do auditório e dos vereadores foi uma invasão repentina de professores, alunos e moradores do distrito de Cercadinho.
Com cartazes, os representantes de Cercadinho entraram no recinto protestando contra a exoneração do diretor Fernando, da escola municipal, em ato do secretário da Educação, Esmeraldino Correia. A situação foi controlada pelo presidente da Mesa Diretora, Luciano Gomes, que abriu espaço para uma professora e uma moradora do local. Elas condenaram a demissão do diretor, considerando-a injusta por se tratar de uma pessoa que vem prestando um bom serviço no estabelecimento escolar. Pediram o apoio e a interferência da Câmara para que a medida seja revertida, pois o diretor conta com o apoio de toda comunidade.
Todas as reivindicações levantadas, inclusive do rio Pardo e a dos desalojados de uma invasão nas encostas da Serra do Periperi, foram atendidas pelo presidente da Câmara que colocou as respectivas comissões responsáveis da Casa à disposição das pessoas para ouvir e discutir cada caso em separado. Os parlamentares Luis Carlos Dudé, Gilmar Ferraz e Fernando Jacaré se prontificaram ajudar a resolver o problema da demissão do diretor da escola de Cercadinho.
A FEIRA TAMBÉM É CULTURA
Foto do jornalista Jeremias Macário em suas andanças
A imagem já diz tudo, mas a feira não é só ponto de encontro e de negócios entre quem vende e compra. É também cultura popular milenar desde quando as pessoas marcavam um lugar para fazer suas trocas quando não existia a moeda chamada dinheiro. É assim em todo lugar ,como na Feirinha de domingo em Vitória da Conquista. É também poesia nesse mundo avançado da tecnologia das lojas presenciais e virtuais. As pessoas são mais simples, calorosas e espontâneas, bem diferente dos shoppings abafados que mais parecem com gaiolas. É um ato de prazer e bem mais humano. (Jeremias Macário – macariojeremias@yahoo.com.br)
O PONTEIRO E A MORTE
Poema do jornalista Jeremias Macário
macariojeremias@yahoo.com.br
No seu solitário espaço,
o ponteiro do relógio
avança como um arqueiro,
marcando todo nosso passo
nesse percurso traiçoeiro
do caminhar passageiro.
O ponteiro roda, roda…
e o tempo passa tic-tac, tic-tac…
pacientemente, sem correr,
e o tempo mais uma vez roda,
sem a pressa do apressado ser.
A distância vai reduzindo
da saída ao lugar de destino,
fazendo sua parada na tenda,
cada um faz seu rito peregrino,
ora chorando, triste ou rindo,
na procura da sua comenda.
Nas tempestades e bonanças,
nos abrigos para descansar,
das fatigantes andanças;
nas curvas, retas e cruzadas,
o ponteiro vai continuar lá,
para marcar tic-tac, tic-tac…
e depois em silêncio avisar,
que a sua hora vai chegar.
Não adianta tentar enrolar;
viver como um sideral;
se esconder na China ou Bagdá;
desprezar que existe um final,
o ponteiro vai girar incansável,
no ritmo do tic-tac, tic-tac…
alertando saque, saque,
não compre tick de embarque
nessa onda do insaciável,
de mais ouro e mais capital,
nesse mercado de vendaval.
As cordas podem até arrebentar;
os ponteiros pararem de rodar,
mas o tempo não larga seu cajado,
e o homem escravo vai até lá
acertar o ponteiro atrasado,
para servir a vontade do seu Alá.
À meia-noite para para badalar,
com toda força do seu pulmão,
nas catedrais monumentais,
ou no velho casarão do lar,
assustando o sono do ancião,
para recomeçar tic-tac, tic-tac…
no templo da vida do Deus dará.
Um ponteiro conta o segundo,
na marcha do tic-tac, tic-tac…
como alma imortal do mundo;
o outro troca de minuto,
fazendo sua ritual travessia;
e o terceiro aponta a hora,
no visceral da lida de todo dia,
e assim o tempo vai embora.
Para quem rir ou até chora,
da conversa do caçador,
ou do pescador e vendedor;
do vigor ou do coma terminal,
o tic-tac repete a sua sonora,
mas faz-se de mouco o imoral.
Quando o dinheiro é religião,
quando sua força é a espora,
quando se fomenta a mentira,
e do pobre se rouba o tostão,
em nome do céu e do inferno,
e só se pensa no aqui e agora,
a vida fica sem sul e sem norte,
na cegueira de que tudo é eterno,
e se esquece que existe a morte.
ESTÁ TUDO DOMINADO. É BELEZA PURA!
Como dizia o saudoso, místico e iluminado cantor e compositor baiano Raul Seixas, “nós não vamos pagar nada. A solução é alugar o Brasil. A Amazônia é o jardim do quintal. Este imóvel está pra alugar” Noutro verso, ele diz que o Brasil é charrete que perdeu o condutor, ou varrendo lixo pra debaixo do tapete que, supostamente, é festa para alegria do ladrão.
“O ponto de vista é o ponto da questão”. Mais uma dele, mas, assim como os poetas, todos nós temos o direito de sonhar e dizer o que pensa. Prefiro ser esta metamorfose ambulante… do que ter aquela opinião formada sobre tudo. A barca de Noé está partindo. Deus é brasileiro para trazer o progresso que não vejo aqui.
São reflexões do poeta que não se foi, mas está tudo dominado. É beleza pura, e o povo está gostando desse “Brasil acima de tudo”, mesmo com as destrambelhadas e atabalhoadas de mistura de ditadura com democracia e liberdade. Só estamos começando a rezar, “uma reza cumprida pra ver se o céu saberá”, como dizia Geraldo Vandré, o Boby Dylan do sertão.
Se você ainda não foi ao espelho, então vá. Nem todo mal, nem todo bem me dão o direito de ensinar. São coisas do poeta que recomenda que cada um tenha seu ponto de vista. Para a maioria que fez sua escolha e ainda está mal ou bem sobrevivendo, está tudo bem e assim deve ser. Vamos todos bater continência.
Que importam as trapalhadas e os prenúncios do autoritarismo, se o povo não dá mesmo valor para essa coisa de liberdade e democracia! O que conta é ter um dinheirinho no bolso, um carrinho na porta, fazer uma viagenzinha nos feriadões e tomar umas geladas com os amigos. Liberdade de expressão é coisa para artista e intelectual. Aliás, ditadura só existe de esquerda, e a desgraça é invenção de esquerdista.
Vamos entregar a Base de Alcântara para os norte-americanos e liberar a exigência do visto de entrada dos gringos. Afinal de contas, só temos o que ganhar com o atestado de inferioridade de cão vira-lata, e se eles mandarem, vamos invadir a Venezuela e fazer o trabalho sujo deles.
Vamos libertar nosso vizinho porque aqui está tudo beleza, com hospitais e educação de primeiro mundo. Aqui não existem milhões de pobres como lá, nem epidemias, esgotos a céu abertos, matanças indiscriminadas, nem violência como lá. Temos aqui a democracia que as forças armadas nos dão, com sua generosidade. Está tudo dominado porque as castas do legislativo e do judiciário vão continuar com suas mordomias, A gente morre, a gente luta… e a nossa palavra é sim….
Sem ódio e sem intolerância, o espetáculo vai continuar e temos que aplaudir os palhaços, os trapezistas e os homens motoqueiros do globo da morte. Quem disse aí que estamos regredindo? Esses são os espíritos de porcos que não sabem avaliar, nem aceitar que perderam.
Está tudo beleza! A educação vai ser militarizada e não é preciso pensar. Quem pensa é jumento, ou não sabe amar a pátria. Estes devem ser excluídos. A coisa está tão boa que nem temos mais oposição. Agora é entrar na arena do partido único e deixar as minorias falando sozinhas, como nos ensina o capitão Bozó
Reforma de previdência social não é para acabar com os privilégios de militar, de deputado, nem de juiz. É para acabar com os pobres mesmo que ainda vivem de teimosos Todo mundo já está calejado com isso e ninguém vai fazer revolução, nem berrar como bode.
Como faz parte da lei natural do capitalismo, o rico vai ficar mais rico, e o pobre mais lascado. Faz parte do jogo, e quem reclamar é porque é chato mesmo e não vê que as coisas estão melhorando. Acorda Brasil! Está tudo dominado. É beleza pura! Temos carnaval de duas semanas, samba no pé, cachaça, praias lindas pra namorar e muita farra!
A VINGANÇA DE AMÍLCAR E ANÍBAL, O BRILHANTE GENERAL DA ANTIGUIDADE
Para Cartago, a saída foi aumentar suas possessões na Espanha. A tarefa foi novamente confiada a Amílcar que levou seus “leões”, seu genro Asdrúbal, seus próprios filhos Aníbal, Asdrúbal e Magão. Na igreja fez jurar, em frente ao altar de Baal-Haman, que se vingariam. Resolveram transformar a Espanha numa base para enfrentar Roma.
De acordo com Indro, Amílcar recrutou indígenas, escavou as minas e extraiu ferro para construir as armas. Monopolizou o comércio para se autofinanciar, mas a morte surpreendeu-o durante combate com uma tribo rebelde. Seu genro Asdrúbal ficou em seu lugar durante oito anos e construiu uma nova cidade com o nome de Cartagena. Quando morreu sob o punhal de um assassino, Aníbal foi aclamado comandante aos 26 anos. Foi o mais brilhante chefe militar da antiguidade, no mesmo plano de Napoleão.
Recebeu do seu pai uma educação perfeita. Sabia história, grego e latim. Tito Lívio conta que era sempre o primeiro a entrar na batalha e o último a sair. Armou infinitas ciladas diabólicas contra os romanos. Além de mestre na estratégia, era bom diplomata e perito em espionagem. Para Roma declarar guerra, atacou Sagunto, em 218 a.C. Ao deixar o irmão Asdrúbal no posto para vigiar o porto de Sagunto, atravessou o Ebro com 30 elefantes, 50 mil soldados de infantaria e nove mil de cavalaria.
No Caminho, enfrentou os gauleses e três mil soldados recusaram acompanhá-lo na travessia dos Alpes. Aníbal dispensou mais sete mil que se mostraram hesitantes. Assim, iniciou sua escalada. Há quem diga que passou pelo monte Genebra, e no cansaço perdeu muitos homens, inclusive contra os guerrilheiros celtas. Iniciou a descida ainda mais difícil para o elefantes até chegar à planície do Pó, com 26 mil homens. Conseguiu apoio de outros gauleses, colocando em fuga os romanos de Cremona e de Placência.
O Senado reconheceu que a segunda guerra púnica era mais perigosa. Convocou 300 mil homens, 14 mil cavalos e confiou parte deles ao primeiro dos muitos Cipiões, mas perdeu a batalha. Roma enviou outro exército e sofreu nova derrota. Aníbal tornou-se senhor de toda Gália Cisalpina. Ai entrou em cena Caio Falmínio com 30 mil homens.
Com um jogo de escaramuças, atraiu o inimigo para uma planície às margens do Trasimeno, com suas cavalarias. Entre os romanos, quase ninguém ficou vivo, nem mesmo Flaminio. Roma entrou em pânico. O pretor Marco Pompônio reconheceu que a situação era grave, mas nem tudo estava bem com Aníbal. Seu maior problema era o reabastecimento. Mandou para casa, livres, os prisioneiros não-romanos.
Roma continuou formando um bloco e só restou a Aníbal desviar sua tropa para o Adriático em busca de terras mais hospitaleiras. Seus soldados estavam cansados, e ele sofria de um grave tracoma. Os gauleses começaram a desertar. Aníbal enviou mensageiros à Cartago pedindo reforços, mas foi negado. Apelou para seu irmão Asdrúbal, mas ele estava envolvido na Espanha.
Diante da situação, retomou sua marcha em direção ao sul, mas se deparou com Quinto Fábio Máximo, nomeado ditador que armou ciladas e ficou na espera de vencer o inimigo pela fome, mas foram os romanos que entraram em cansaço. Foram nomeados dois consules Terêncio Varrão, o plebeu, e Emílio Paulo, o aristocrata, que queriam um processo rápido contra Aníbal, com o emprego de 80 mil soldados de infantaria e seis mil de cavalaria.
CASTRO ALVES E GLAUBER, OS INDIGNADOS
Se vivos fossem, um teria 172 anos de vida (impossível para os tempos atuais) e o outro 80 anos (possível). Ambos, cada um no seu estilo e no seu temperamento, eram indignados com as injustiças sociais, tanto no Brasil como na América Latina, há séculos espoliados pelas elites capitalistas que sempre não aceitaram a distribuição justa de renda. Temos as piores desigualdades sociais.
Estou falando dos baianos Antônio Frederico de Castro Alves, nascido em 14 de março de 1847, e do cineasta Glauber Rocha, que também veio ao mundo em 14 de março de 1939. Pouco lembrados e homenageados nos dias de hoje na Bahia e no Brasil que jogaram nossa cultura no lixo, para decantar e glorificar os deuses dos arrochas, dos pagodes e dos axés.
Na minha idade, não deveria estar mais me desgastando com isso porque as pessoas de hoje, principalmente nossos jovens, não querem mais ouvir nem ler sobre estes personagens da nossa história e de outros tantos que foram ícones da cultura e do saber. Lutaram bravamente pelas transformações sociais e se indignaram contra as mazelas dos nossos governantes.
Acredito que nesta data de 14 de março (ontem), nenhuma escola discutiu e prestou homenagens a esses dois ilustres baianos. Aliás, o Brasil não merece os heróis que teve porque seus filhos não têm história e pouco sabem sobre eles, nem o que fizeram pela nação. Hoje, o que mais se tem é ódio e intolerância. O maior argumento é chamar o outro de idiota, burro e imbecil. São justamente estes rancorosos os mais desprovidos de conhecimento e leitura. São desprezíveis.
ACADEMIA DE LETRAS DE VITÓRIA DA CONQUISTA
Mas, nem tudo está perdido. A Academia de Letras de Vitória da Conquista, fundada pelos nossos amigos Evandro Gomes e Rozânia Brito nos brindaram com uma discussão sobre a vida de Castro Alves e, claro, citamos também o baiano Glauber Rocha, diretor de Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade, Terra em Transe e tantos outros filmes de denúncias das injustiças sociais.
Há 172 anos, Castro Alves foi um defensor da abolição da escravatura. Nos dias atuais, continuaria bradando contra ela que ainda está entranhada entre nos. Falaria da exploração do trabalho pelo capital, da corrupção, das tragédias anunciadas, da falta de educação e da violência que mata mais de 60 mil pessoas por ano. Mesmo de origem coronelista e aristocrática, seria um subversivo revolucionário como foi com seu condorismo grandiloquente nas poesias do negro quando fez “A Canção do Africano” e “Vozes da África”.
Do grotesco ao sublime da sua poesia dramática, foi considerado o Victor Hugo brasileiro. Sua obra condoreira foi voltada para a vida e para a liberdade. “Os Escravos” e “Hinos do Equador” foram suas maiores obras póstumas. Em vida só escreveu “Espumas Flutuantes” quando nos seus últimos dias de vida veio do Rio de Janeiro para a Bahia num navio que soltava ondas flutuantes.
Faleceu em 6 de julho de 1871, com apenas 24 anos, mas deixou um grande legado para o Brasil e para a humanidade. Foi contemporâneo de Rui Barbosa, José de Alencar, Tobias Barreto e Machado de Assis, e aluno de Ernesto Carneiro Ribeiro, na Bahia, e de José Bonifácio, em São Paulo. Criou com Rui Barbosa a Sociedade Abolicionista de Recife onde estudou Direito. Escreveu a peça “Gonzaga ou a Revolução de Minas” que trata da Inconfidência Mineira.
Manuel Bandeira, que de início não gostou de suas poesias, escreveu o prefácio de “Poesias Completas de Castro Alves – Espumas Flutuantes, Os Escravos (Navio Negreiro) e a Cachoeira de Paulo Afonso”, da Ediouro.
Num dos trechos disse o poeta pernambucano: “Vulgarmente melodramático na desgraça, simples e gracioso na ventura, o que constituía o genuíno clima poético de Castro Alves era o entusiasmo da mocidade pelas grandes causas da liberdade e da justiça”.
É o que mais falta nos jovens e nos cidadãos de hoje que vivem encharcados de ódio e intolerância, criando monstros e contribuindo para que o país não tenha um futuro. No final do texto, Bandeira assinalou que o poeta tinha a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda poesia brasileira.
SAUDADES DO TREM
Foto do jornalista Jeremias Macário
Que bom os tempos do trem de passageiros!Esperar na estação e ouvir o toc-toc do telegrafista e o sino a tocar avisando sua chegada! Que desastre a opção dos nossos governantes atrasados pelas rodovias que impactam o meio ambiente e deixaram os brasileiros dependentes das cargas pesadas nas estradas esburacadas e mal traçadas! Lembro ainda menino quando usava o trem de Iaçú (pontilhão enferrujado), passando por Itaberaba, Rui Barbosa, Piritiba (minha terra querida), Jacobina até Senhor do Bonfim onde desembarcava levando saudades. Era o chamado “Trem Groteiro”, cortando as lindas paisagens do sertão, florido ou seco, transportando gente e mercadorias, de cidade em cidade. Que saudades do trem!
LEMBRANÇAS DO TREM
Poema do jornalista Jeremias Macário
Foi-se o tempo de menino,
espiando o telegrafista,
com batidas de artista,
mandar tocar o sino,
como se fosse um hino,
pra lembrar aos viajantes,
que em poucos instantes,
vai ter máquina na pista.
Lá vem o trem a se arrastar,
nas serras diamantinas,
como cobra a deslizar,
por entre as colinas.
Lá vem o trem roncando,
com suas patas de ferro,
levando usinas de sonhos,
nas cabeças dessa gente,
soltando o seu berro,
e avançando imponente.
Lá vem o trem groteiro,
pelas esquinas do sertão,
no seu traço rotineiro,
picado lento e ligeiro,
parando nas estações,
como fazia o tropeiro.
Lá vem o trem das matinas,
de janelas sem cortinas,
no seu balanço manso,
apitando pra avisar,
que logo vai parar,
na Estação de Paiaiá.
Lá vem o trem penitente,
puxando a sua corrente,
nos trilhos do dormente,
como um rezador,
que vai curando a dor
da alma do doente.
Lá vem o trem lembrança,
dos dias que era criança,
matando minha saudade,
de no embalo a pongar,
e mais adiante se soltar,
pra na linha caminhar,
vendo o meu trem sumir
no horizonte de lá,
e noutra cidade chegar.
Em sua última viagem,
o trem partiu para o além,
e levou a minha bagagem,
ficando só na mente,
a marca daquela fumaça,
na minha cinzenta vidraça
Lembrança da valente,
Piritiba de toda gente;
do sábado de feirante;
do poema cortante;
do poeta Aragão,
que mistura pavio,
mandioca com feijão,
e ainda nos dá razão,
pra xingar de delinquente,
o governo indecente,
que deixou esse vazio,
do nascente ao poente.
AS GUERRAS PÚNICAS E O GENERAL QUE ENCURRALOU OS ROMANOS
A primeira guerra púnica, nome usado pelos romanos que chamavam os cartagineses de “Poeni”, ou fenícios, durou de 264 a 241 a.C.. Findou quando em 242 Lutácio Catulo derrotou os cartagineses no mar. A Córsega e a Sardenha tornaram-se romanas em 238 a.C. Logo os gauleses foram definitivamente destruídos. Dos embates com Cartago, Roma saiu mais fortalecida política e em termos econômicos com a expansão de seu território no sul da Itália (Sicília), na África e na Gália.
Mas, de 218 a 201acontece a segunda guerra púnica com o general cartaginês Aníbal que, com seus “tanques de elefantes”, atravessa os Alpes e encurralou os romanos em Ticino e Trébia. Por pouco não entrou na capital. Foi o calcanhar de Aquiles de Roma. Duas lutas de titãs da história que só teve um final em 202 a.C.. com a derrota de Aníbal por Cipião, em Zama.
PRIMEIRA UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA
Dois historiadores Indro Montanelli, “História de Roma” e M. Rostovtzeff, com o mesmo título falam desse período de guerras que deixou milhares de mortes e consolidou a primeira unificação da Itália. Cada um ao seu estilo em suas pesquisas mostra a grande habilidade do general cartaginês que enfrentou os exércitos romanos ao lado de seus leais soldados e aliados.
Rostovtzeff relata a árdua guerra que levou à criação da confederação italiana, Roma tornou-se uma das mais fortes potências do mundo civilizado. Não tanto em números, o exército romano se destacava pela sua organização, solidariedade, capacidade e o orgulho patriótico do seu povo. Quando Roma derrotou Pirro, um dos mais bem dotados reis helênicos, os estadistas começaram a observar a força da Macedônia.
O Egito foi o primeiro a estabelecer relações diplomáticas com Roma, em 273 a.C., e na Grécia, a liga das comunidades livres passou a ver na nova potência uma possível aliada. Cartago foi afetada pela política externa de Roma no Mediterrâneo. Por isso, renovou, em 348 a.C., o tratado comercial com Roma, celebrado em fins de do século VI. O acordo foi transformado em 279 a.C. durante a guerra com Pirro numa aliança militar contra o inimigo comum.
A situação modificou quando todos os portos do sul da Itália foram anexados ao império romano e quando os interesses de Nápoles e Tarento, rivais de Cartago, tornaram-se também os de Roma. É claro que Roma já estava de olho nos gregos sicilianos que sempre lutaram contra Cartago. Massília era outra inimiga grega que Cartago temia.
Diante do quadro de beligerância, as relações entre gregos sicilianos e tribos nativas italianas, bem como a tomada de Messana pelos mercenários samnitas, levaram a um choque entre Roma e Cartago. As forças eram quase idênticas. Seus poderios eram baseados numa comunidade de cidadãos, num exército numeroso e bem treinado com seus aliados.
De um lado estavam os etruscos, samnitas, úmbrios e gregos italianos, enquanto Cartago contava com os berberes, ou líbios, e os númidas, vizinhos tributários. Os cartagineses tinham cavalaria melhor e em maior número. Sua infantaria também estava bem armada. Possuía ainda um bom número de mercenários treinados na escola helênica e “elefantes armados”, coisa que Roma desconhecia.

















