NO TÚNEL DO TEMPO
A foto reprodução de José Silva é como entrar no túnel do tempo nos primeiros anos da formação de Vitória da Conquista ,antiga vila fundada pelo desbravador João Gonçalves da Costa. A feira reunia moradores do local e da zona rural nos tempos dos coronéis. Hoje Conquista é a terceira maior cidade da Bahia, ainda carente de muitas obras de infraestrutura. O progresso trouxe bem-estar e também violência e transtornos para os moradores. Conquista precisa ser pensada como cidade grande. A feira é secular e é ponto de encontro. É pura cultura popular.
CÍRCULOS CINZENTOS
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário que fala do suicídio de Getúlio Vargas, dos abutres pelo poder e dos golpistas que sempre aproveitaram dos momentos mais difíceis do país.
Corvos agouram os céus do palacete;
um tiro vara o peito do destino fatal,
vergando o corpo no cobiçado Catete,
naquele agonizante agosto nacional.
Um abutre vigiava o seu aposento,
voando em círculos no céu cinzento,
mas um estrelado conteve o tropel,
para não quebrar o verso do cordel.
Nasceu no planalto um traçado raro,
das mãos de um jovem visionário,
que sonhou com o grande pássaro,
e morreu depois como um solitário
Povo galopado no galope da vassoura,
de um lunático que se armou de tesoura;
tomou um uísque e fi-lo só porque quis,
que de lá saiu da ressaca rumo a Paris.
O gaúcho lá dos pampas tomou um susto;
o chimarrão espatifou-se nas terras de Mao;
os quartéis se armaram para o quebra-pau,
cada caudilho queria arrematar o seu busto.
Depois de muita peleja pela Legalidade,
Brizola pontuou bem sua viola em Cadeia;
os sargentos armados cercaram toda cidade,
e o homem entrou pelo sul com praça cheia.
Concordou parlamentar com os generais,
e ficar uns tempos até poder presidenciar,
mas a panela começa ferver lá nos Gerais,
e Lacerda lacera e rouba o gordo Adhemar.
As idéias cruzam os sessenta vermelhos;
as esquerdas se apressam para revolucionar;
Grupo dos Onze rende mais que coelhos;
todos pedem reformas ao senhor Goulart
Estouram as marchas sociais e marxistas;
foi o mesmo que bulir na casa de vespeiros;
uns excomungando os velhos comunistas,
e outros pontuando nos levantes marinheiros.
Ventos e raios partem das altas montanhas,
derramando ódios até a Central do Brasil,
e no Automóvel Clube assanha as aranhas;
da serra desce Vaca Fardada de vazio fuzil.
Um Castelo de peças começa a ser montado,
na ponta de uma mortífera estrela de espada,
com Atos até de um desatino cruel malvado,
de um Costa morto de isquemia emparedado.
Nos porões trevas de sussurros agonizantes;
açoite de choques ditando o proibido pensar;
elétricas cadeiras onde padecem os amantes;
guerreiros perdidos da selva de algum lugar.
No inferno dos dragões treme a carne e arde;
algozes fazem dos corpos montes de trapos;
perde-se o domínio do existir para o covarde,
e o torturador desseca o espírito aos sopapos.
Nos estádios vibra o vilão com cara de ferro;
celebrações de vitórias do mundo campeão;
gemidos nos cárceres abafados pelo o berro,
e o fogo da bala abate mais uma organização
CÂMARA INAUGURA MEMORIAL
Numa homenagem ao poeta, professor e jornalista Maneca Grosso, nascido há 150 anos (100 do seu falecimento), a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista inaugurou ontem (dia 04/04) o espaço histórico do “Memorial Câmara”, com a exposição de personalidades conquistenses, fotos antigas dos intendentes coronéis, presidentes do legislativo, mulheres vereadoras e importantes desde a formação da cidade, painéis digitais sobre a história da vila até os tempos atuais e outros equipamentos que resgatam os acontecimentos de Conquista.
Foi como entrar no túnel do tempo desde o século XVIII quando aqui chegou o fundador do arraial João Gonçalves da Costa (não foi feito referências), o primeiro conselho que comandou a cidade, os índios que habitaram esta terra até os dias atuais. O presidente da Câmara Luciano Gomes, numa apresentação de vídeo, chamou a atenção para a importância do Memorial como mais um equipamento cultural que irá contribuir para que os conquistenses conheçam mais sua história.
Luciano disse ainda esperar que o local seja agora visitado por professores, pesquisadores, jovens estudantes, turistas e pessoas interessadas em conhecer suas origens. O Memorial, localizado na Rua Zeferino Correa, 19, onde funcionou a antiga Câmara, é um espaço voltado para exposições e eventos que tem por objetivo reavivar a memória sociopolítica e cultural de Conquista. Estiveram presentes à inauguração, vereadores, jornalistas, professores e outros convidados.
MAIS POLÊMICAS SOBRE A ROTATÓRIA DO AEROPORTO DE CONQUISTA
O assunto mais discutido ontem quarta-feira (3/04) na sessão da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista foi sobre a questão da rotatória do novo aeroporto que deverá ser inaugurado em agosto próximo com um voo da Gol fazendo linha para Buenos Aires, na Argentina. Alguns ainda defendem a construção de um viaduto e acham que um simples acesso na BR-116 pode provocar muitos acidentes com mortes.
Da Tribuna Livre, o advogado Rafael Nunes, disse que o Governo do Estado, com a economia que fez não dando aumento aos servidores e até elevando a contribuição do Planserv, dispõe de dinheiro sobrando para fazer a rotatória, mas acrescentou que não seja permanente, e se comece a planejar a edificação de um viaduto. “Temos que inaugurar o aeroporto que já está pronto”.
Rotatória da morte
O vereador Danilo Kiribamba se posicionou na mesma linha, mas seu colega Sidney Oliveira foi contra a obra, e antecipou que vai ser a “rotatória da morte”, assassina de vidas humanas na tão movimentada Rio-Bahia. Destacou que Conquista está recebendo um dos maiores equipamentos de sua história com investimentos de 135 milhões de reais (outros falam em 125 milhões) e argumentou que o viaduto já constava do projeto. “Ali naquele local não cabe um acesso”.
Apesar de achar correto o viaduto, segundo ele, orçado em 40 milhões, o empresário José Maria, do movimento em prol do aeroporto, em entrevista ao nosso blog, afirmou que, no momento, a saída é construir o acesso para que a obra, feita pelos governos estadual e federal, seja logo inaugurada, e sugeriu que sejam instalados radares na área para evitar acidentes. Informou que, através da empresa Gol, Conquista vai ganhar uma linha para Buenos Aires num avião de 135 passageiros. De acordo com ele, o viaduto pode ficar para depois.
Outros assuntos foram discutidos pelos parlamentares durante a sessão da Câmara, como o problema da falta de assistência aos moradores da zona rural, levantado pela vereadora Lúcia Rocha que esteve visitando Inhobim, Dantilândia e Bate-Pé no último final de semana. Ela cobrou mais atuação da Secretaria de Agricultura, especialmente no tocante às estradas que se encontram em péssimas condições, como a de Cachoeira das Araras.
O parlamentar Cícero Custódio pediu a reabertura do estádio Lomanto Júnior para a prática do esporte amador. Criticou a concessionária Via Bahia por não ter ainda resolvido a situação perigosa do bueiro entre os bairros Nossa Senhora Aparecida e Iracema. Ainda sobre a empresa, reivindicou uma rotatória na BR-116 na passagem entre os bairros Conveima e Morada dos Pássaros.
O vereador Coriolano Moraes fez duras críticas à situação da educação no município, dizendo que as escolas não oferecem condições de ensino para os alunos. Citou, como exemplo, o colégio de Boa Sorte, no distrito de José Gonçalves, que até hoje está sem aulas, para ele um absurdo. “Não podemos mais aceitar isso. A Secretaria de Educação tem que tomar as devidas providências”.
Em seu discurso, o parlamentar Álvaro Phitou ocupou a Tribuna para elogiar o prefeito Hérzem Gusmão pela obra de requalificação que está sendo realizada na Praça Victor Brito, conhecida também como Praça da Bíblia, uma indicação do ex-vereador Giuzete Moreira, por intermédio da Associação dos Evangélicos. “A praça será uma área turística da cidade”.
CANTORIAS E DECLAMAÇÕES NESTE SÁBADO NO TEATRO CARLOS JHEOVÁ
Com participações especiais dos cantores e compositores Alisson Menezes, Jânio Arapiranga e Papalo Monteiro, o Teatro Carlos Jheová, em Vitória da Conquista, recebe neste sábado (dia 06/04), às 20 horas, “Cantorias A Estrada”, um show musical, de contadores de causos e declamações de poemas.
O público irá ver um evento inédito no palco com Alex Baducha, Dorinho, Paulo Gabiru, Marta Moreno e Jânio Arapiraca, Jhesus, Edna Brito, Gildásio Amorim. José Carlos D´Almeida, Regina Chaves, Vandilza Gonçalves, Itamar Aguiar e Jeremias Macário, com ingresso apenas pelo custo de R$20,00.
Esse grupo dos doze está fazendo parte do CD Sarau, um produto fruto dos nossos saraus que estão completando nove de existência, no Espaço Cultural A Estrada. O espetáculo colaborativo “Cantorias” tem como principal objetivo arrecadar recursos para a gravação de um CD, com o formato do Sarau, daí a importância da presença de todos que ainda amam e dão valor à nossa cultura.
Quem for vai se sentir dentro do nosso Sarau e ainda ter surpresas, numa agradável noite de boas músicas de artistas locais de renome e conteúdo, com trabalhos autorais. O pessoal vai ouvir ainda causos engraçados e populares, além de declamações de poemas que falam do nosso cotidiano e da vida nordestina do sertanejo.
Há tempos que este projeto do CD está sendo planejado e amadurecido através da troca de ideias em reuniões. O grupo se preparou para oferecer ao conquistense um show eclético, com apoio dos amigos Papalo Monteiro e Alisson Menezes que irão enriquecer nosso encontro cultural.
“PERDOAI, SENHOR, PORQUE ELE NÃO SABE O QUE DIZ”
Se não foi uma ditadura civil-militar o período de mais de 20 anos dos generais no poder a partir de 1964, conforme sempre negou o capitão-presidente Bozó, então ele mesmo deveria explicar qual foi o regime da época. Foi uma democracia, plutocracia, autocracia, teocracia ou uma oligarquia? Uma democracia, com certeza é que não foi. Será que foi uma “militocracia”? Não importa se o golpe contou com apoio dos civis (nem todos) e até da Igreja Católica. Portanto, “perdoai, Senhor, porque ele não sabe o que fala”.
Agora, dentre muitas outras destrambelhadas nestes quase 100 dias de brincar de governar, o capitão ordena que os quarteis comemorem o golpe de 64 (na concepção deles uma revolução) no dia 31 de março (amanhã). Na verdade, a derrubada oficial do governo constitucional de João Goulart foi no dia 1º de abril, e não 31 de março, quando houve aquela presepada do general Mourão Filho. Os militares não aceitam o 1º de abril porque é conhecido como o dia da mentira. Querem evitar gozações e o ridículo.
Mas, vamos deixar a data de lado e falar de coisas sérias. É verdade que de início o movimento contou com boa parte da população e de segmentos conservadores da sociedade que, naquela época, achavam que toda gente de esquerda era comunista que matava velhos, deficientes e comia criancinhas vivas. Era a propaganda da guerra fria, comandada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais capitalistas.
Naquele turbilhão de ideias e posições socialistas, a promessa de quem tomou o poder constituído, tendo à frente o marechal Castelo Branco e outros, era que haveria eleições em 1965, só que a linha dura do generalato traiu o povo e não deixou. O cerco foi se fechando com prisões, cassações de políticos e vários outros tipos de perseguições contra quem pensava diferente. O pior aconteceu em 13 de dezembro de 1968 com a decretação do Ato Institucional número 5.
Ai sim, minha gente, esse abominável Ato aprisionou de vez a nossa liberdade de expressão com o fechamento do Congresso Nacional; censura a todos os veículos de comunicação; mais prisões, torturas e mortes; proibição de reuniões; exílio de políticos e mestres que não puderam mais lecionar; e institucionalização da tortura, com tropas das forças armadas nas ruas para reprimir qualquer manifestação justa de estudantes e trabalhadores.
A partir dai, o país passou a viver os chamados anos de chumbo com os generais Médici e Geisel, com o Doi-Codi e os CEIs nos porões, torturando, matando e fazendo desaparecer corpos. A vida de todos que militavam foi devassada, e a própria Igreja, os civis e a mídia que apoiaram o golpe passaram a contestar o autoritarismo. Padres, freis, freiras, jornalistas, estudantes e professores mais progressistas foram presos e colocados no pau-de-arara, sem contar outros inúmeros métodos bárbaros de tortura aprendidos através da escola dos oficiais norte-americanos.
Agora eu pergunto: Tudo isso foi uma democracia? Se não foi uma ditadura, então foi o quê? Eu só queria saber. Não importa se no Chile, de Pinochet, na Argentina, de Videla, no Paraguai, de Alfredo Strossner, em Portugal, de Salazar, na Espanha, de Franco e na Cuba, de Fidel Castro foi bem mais brutal. Não importa quem torturou e quem matou mais, ou menos. Não importa se aqui foram 500 mortos e mais 500 desaparecidos, e por lá foram 10 mil, 20 mil, 50 mil ou mais de 100 mil.
Ditadura é ditadura em qualquer lugar do mundo, seja de direita ou de esquerda. Sem essa de quantidade de vidas ceifadas. O criminoso pode assassinar apenas um, ou 50, mas não é o um que ele deixa de ser criminoso. Trata-se de vidas humanas. É um argumento de quem é desprovido de argumento e não conhece a história, que pode se repetir quando ela é ignorada pelos incultos. O capitão Bozó critica a ditadura da Venezuela e comemora a do Brasil que ele nega. Vá entender!
Infelizmente, temos hoje uma juventude que não acredita que houve ditadura no Brasil e são, principalmente, esses jovens que são atraídos pela negação louca do capitão Bozó, que se atrapalha todo quando inquerido sobre sua ordem de comemorar um regime que envergonha a nós e ao mundo. Ele quer mudar a história quando deveria governar. É um despreparado.
É uma afronta, não somente aos presos políticos que ainda vivem, aos mortos desaparecidos, como no massacre da guerrilha do Araguaia quando o major Curió mandou esquartejar os presos e jogar numa vala qualquer na floresta Amazônica (alguns foram para o fundo dos rios), aos familiares e parentes perseguidos que não puderam enterrar seus entes queridos e a todos os brasileiros de ontem, os de hoje e os do futuro.
Pelo menos, os generais de hoje, especialmente os que se dizem mais moderados, deviam, pelo menos, respeitar este sentimento, a dor e o choro dos que sofreram e ainda sofrem. Essa ordem de um capitão-presidente, que não sabe o que diz, deveria ser desrespeitada em nome da família e da nação brasileira, enquanto as feridas da ditadura (ele nega e não explica qual regime foi) continuam abertas, porque os torturadores não foram punidos como em outros países da América do Sul.
Não dá para entender como ele elogia os ditadores como estadistas e, ao mesmo tempo, fala de democracia e liberdade para o nosso povo. É uma tremenda contradição e enganação. É uma mentira. Na cabeça dele, ditadura só existe de esquerda. A de direita é democracia, é gentileza e mimo. Nessa tremenda confusão, ele ainda diz que democracia e liberdade só se as forças armadas quiserem, e a sociedade tem que ouvir mais esta blasfêmia calada. “Perdoai, Senhor, porque ele não sabe o que diz”.
NOS TEMPOS DA FUNDAÇÃO
A velha cidade de Conquista na reprodução do fotógrafo José Silva, como entrar no tempo. Da chamada Rua Grande até o centro aqui nasceu o desenvolvimento do sudoeste baiano, tendo como fundador José Gonçalves da Costa. Hoje é a terceira maior cidade da Bahia e capital do sudoeste, cheia de belezas, atrativos e clima agradável, mas também de problemas a serem resolvidos com urgência. Ela roga por mais infraestrutura, melhor mobilidade urbana, educação de qualidade e construção de uma barragem para suprir a grande demanda de água. Cresceu com seus bolsões de pobreza como tantas outras. Ainda falta muito para ser chamada de suíça baiana. Vivo nela há quase 30 anos e a conheço. Sua história precisa ser mais estudada pelos próprios conquistenses. Tem potencial para se transformar numa cidade turística, mas falta decisão política e planejamento.
BERRO DE FERRO
Poema do jornalista Jeremias Macário
Meu grito explode e berra
como as bombas na guerra;
queima como brasa de ferro
nas fornalhas dos algozes,
que calam as nossas vozes.
Treme no úmido porão,
a carne do meu doído berro,
que tine na lâmina do ferro,
perfurando a minha mente,
nas mãos de um delinquente.
Meu gemido sussurra no berro
nos telefones de pau-de-arara;
choques e cusparadas na cara;
no ânus enfiam uma vassoura,
e pela garganta uma tesoura.
São os passageiros da agonia
por quem minha alma berra,
que ousaram sonhar um dia
com uma socialista-ideologia,
na terra dividida em igual fatia.
Minha alma vaga dilacera
no nevoeiro do mar negreiro,
nas entranhas da selva fera,
que testemunhou o horror
da besta de dente carniceiro.
Meu berro das torturas letais,
da suástica sádica seca a saliva,
na sede suada dos golpes fatais,
que no sabre sequestra até criança
e ainda manda ter fé e esperança.
Tem o berro ferido e calado,
que marca gente como boiada,
e ainda nos contam uma piada,
com enredo de dor existencial,
onde a vítima se torna animal.
Na base aliada do troca-troca,
cada rato cuida bem da sua loca,
fazendo da desgraça um negócio
e deixando o resto como esmola,
do tamanho de um pedaço de sola.
Sou aquele cabrito que berra,
da América do Sul até a África,
desde toda a matança trágica,
da peste do vírus que virou aço,
até os foguetes voando ao espaço.
Não quero ser mera quimera,
que só berra sem ser uma fera;
quero ser como ferro da terra,
que sai bruto e se torna metal,
para fazer sua história imortal.
EDUCAÇÃO E MUDANÇA DO TERMINAL EM DEBATES NA CÂMARA MUNICIPAL
O caos na educação com a falta de transportes para os professores e até de merendeiras, sem contar a estrutura inadequada nas escolas municipais foi o tema dominante na sessão de ontem (dia 27/03) na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, mas também a mudança do Terminal da Lauro de Freitas e a deficiência do transporte coletivo da cidade foram colocadas em questão.
Na sessão passada, a Casa recebeu alunos e professores do colégio do distrito de Cercadinho para reclamar da exoneração de um diretor e reivindicar melhorias no ensino. Ontem foi a vez dos estudantes e mestres da Escola Estadual Sá Nunes que se fizeram presentes para conhecer os trabalhos do legislativo e criticar o Terminal e a precariedade no sistema de transporte de Conquista que só tem uma empresa atuando.
Os vereadores da oposição e até alguns da situação engrossaram em seus pronunciamentos com relação ao atual quadro de desordem na educação, e admitiram também que o transporte coletivo necessita de urgentes providências por parte do poder público. A transferência do Terminal de Ônibus do centro para outro local recebeu adesão da maioria.
Acompanhado da professora do “Sà Nunes”, Paula Babilônia, o aluno Jean Souza usou a Tribuna Livre para apontar os principais problemas do transporte coletivo em Conquista e defender a mudança do Terminal Lauro de Freitas, o qual não oferece mais condições aos usuários em r5azão, principalmente, da poluição do local e aos constantes engarrafamentos.
O parlamentar Álvaro Phiton lembrou que no mandato passado do prefeito defendeu a existência de três empresas de ônibus, mas não foi escutado e nem recebeu o apoio dos colegas. Ele falou ainda da educação e opinou que os diretores das escolas só sejam substituídos em dezembro.
Hermínio Oliveira citou que hoje só existem 120 ônibus rodando, e se colocou a favor da construção de outro Terminal, porque o atual não suporta mais a demanda e só apresenta transtornos. O vereador Cícero Custódio seguiu na mesma linha, dizendo que as pessoas disputam espaço no Terminal para pegar o transporte.
Sobre a educação, reconheceu que o setor vive um caos, e que não se pode ficar o tempo todo culpando os governos passados. “Estamos aqui para defender o povo”. Valdemir Dias fez duras críticas aos problemas da educação, condenando as mudanças de secretários que já está no terceiro no governo de Herzem Gusmão, e acrescentou que o prefeito, ao invés de estar em Conquista, viajou para Salvador para fazer marketing. “Não se pode governar com amadorismo na terceira cidade da Bahia”. Coriolano Moraes expressou sua revolta sobre o descaso com a educação.
A vereadora Lúcia Rocha voltou a cobrar a requalificação do Parque da Lagoa das Bateias e anunciou que a prefeitura já tem um projeto para tornar o local num belo cartão postal da cidade. Danilo Kiribamba afirmou que a melhoria da Lagoa é uma luta nossa. Quanto a educação, destacou ser uma vergonha para Conquista.
A CAÇADA DE ANÍBAL POR CORNÉLIO CIPIÃO
O historiador Indro Montanelli classifica o general Aníbal como o único militar que conseguiu vencer os romanos por quatro vezes consecutivas. Perdeu somente seis mil homens, dos quais quatro mil eram gauleses, não confiáveis. Seu maior segredo era a superioridade de sua cavalaria. Na época, muitos jovens romanos decepcionados pensaram em fugir para a Grécia.
O jovem Cipião reagiu. O povo aceitou novos impostos e sacrifícios. As nobres matronas levaram suas joias para o Tesouro e foram varrer o chão dos templos com seus cabelos. O governo ordenou o sacrifício de quatro vítimas e enterrou vivos dois gregos e dois gauleses. Os soldados recusaram o pagamento de seus soldos.
Voluntários de 13 e 14 anos se apresentaram para combater Aníbal que, ao invés de usufruir dos sucessos, preferiu descansar. Mandou para casa os prisioneiros não-romanos e exigiu em troca uma indenização. O Senado rejeitou e, como resposta, o general enviou para Cartago muitos deles como escravos. Outros foram ser gladiadores para diversão dos soldados. Esteve nas portas de Roma e depois marchou para o leste, em direção a Cápua.
Os romanos não o perseguiram e foram organizar um exército de 200 mil homens. Uma parte ficou com Cláudio Marcelo para colocar ordem na Sicília, outra ficou na cidade, como segurança, e a outra foi entregue aos dois Cipiões para combater Asdrúbal, na Espanha.
No ano seguinte, Marcelo conquistou a Siracusa que traíra a aliança e tentara resistir com a astúcia de Arquimedes, o maior inventor da antiguidade, como “as mãos de ferro” (guindastes) que levantavam os navios romanos, e os espelhos ustórios que incendiavam os navios com a concentração de raios solares.
Os dois Cipiões derrotaram Asdrúbal na Espanha, bem como a reconquista de Càpua, em 211 a.C., justamente quando Aníbal se afastara, fingindo marchar contra Roma. Os dois morreram em combate e Públio Cornélio Cipião, o fomentador da resistência, com apenas 24 anos, teve que substituí-los, mesmo contra a lei.
Quando chegou a Cartagena sitiada, teve que atravessar a nada um pântano que se ligava ao mar, devido a profundidade da água. Para convencer os soldados da empreitada inventou uma lenda de Netuno, de que este se apresentou a ele em sonho e prometeu baixar o pântano. Não houve milagre algum. Os pescadores de Tarragona lhe explicaram sobre o jogo da alta e da baixa maré que seus veteranos ignoravam. Cipião dizia ser filho de uma serpente monstruosa na qual Júpiter se metamorfoseara.






















