ETERNO AMORES
Poema do jornalista e escritor Jeremias Macário
Existe aquele amor sempre o eterno,
mesmo quando outro toma seu lugar;
é o amor que vira nódoa na sua alma,
e nem todo o tempo consegue apagar.
Existe o amor de amante arrebatador,
que seduz como a pedra de diamante;
corta e devasta como o cruel lenhador,
até arder de cio na Comédia de Dante.
Existe aquele amor piedoso e o terno,
o do platônico que nunca se esquece,
e o do verão que se aquece no inverno.
Existe o prostituto que não tem pudor,
o que diz que ama e que nunca amou,
e o do condoreiro no vôo do Condor.
OS INIMIGOS DA CULTURA
Como na ditadura civil-militar de 1964, estamos agora a acompanhar o amordaçamento da cultura, do livre pensar e do avanço das pesquisas no país, sobretudo através do corte de recursos na educação das universidades e institutos federais de tecnologia. Isso constitui a volta dos inimigos da cultura, especialmente na área de humanas quando o governo federal do capitão-presidente despreza os ensinos de filosofia e sociologia nas escolas.
A diferença é que tudo hoje está sendo feito às claras ainda num regime que se diz democrático, sem quase nenhuma reação dos agentes do conhecimento, como professores e estudantes, mas também dos brasileiros em geral que não se sentem indignados. As medidas, chamadas de contingenciamento, provocaram algumas manifestações isoladas, e o povo cada vez mais vai sendo tratado como manada.
PROFUNDO SONO
Com a decadência na área educacional que vem se deteriorando há quase um século pelos governantes que não querem uma nação instruída, o país caiu num profundo sono, principalmente por parte dos intelectuais e dos artistas que preferiram, comodamente, o silêncio.
Mesmo com a liberdade de expressão ainda nas mãos, os artistas que ainda detém certo nível de conteúdo em seus trabalhos, por exemplo, recolheram-se em seus ninhos como se nada de grave estivesse acontecendo no Brasil.
Observei este fenômeno no recente Festival da Música, na pequena cidade de Nova Redenção, na Chapada Diamantina, do qual participei em parceria com um músico local. Das 24 apresentações, apenas uma ou duas letras abordaram a questão política e social do país.
O fato desse silêncio acontece nas esferas mais altas. Enquanto isso, os inimigos da cultura aproveitam a crise financeira e de identidade do brasileiro para mutilar ainda mais a cultura que já vive numa terra arrasada de lixo em praticamente todas as linguagens artísticas. A grande maioria das obras lançadas é medíocre e descartável, tanto na literatura como na música e no teatro, principalmente.
O “INSITAR” DO SR, MINISTRO
Diz o ditado que o povo tem o governo que merece, e é dele que aparecem dois ministros da Educação que nem sabem falar e escrever o português corretamente. O único princípio é acabar com uma ideologia de esquerda e impor outra de extrema, com sede vingativa de puro extermínio, sem olhar as consequências futuras para estas gerações de jovens e as novas que vêm por aí.
Como se não bastasse o primeiro ministro que se enrolou em suas atrapalhadas declarações, o seu substituto continuou na “arte” de lançar pedradas a torto e a direito, não somente na nossa língua mater. Sem o saber e sem o pão, o povo submisso como gado nem está aí para defender e lutar por uma educação e uma cultura de qualidades.
Recentemente, o próprio ministro da Educação, ao mandar um de seus recados a seus opositores de esquerda pelas redes sociais, escreveu a palavra incitar com “s”, ao invés do “c”. É uma vergonha, sr. Ministro! Deveria antes ter consultado o dicionário, ou aos seus “assessores”, para não cometer o “assassinato” contra a nossa língua.
A palavra incitar, sr, ministro, vem do latim “incitare”, e significa mover, instigar – incitar operários à greve, estimular, desafiar, provocar – andam… os belicosos mouros … os fortes portugueses incitando (Luis de Camões) – incitar cães, enfurecer-se, irritar-se.
É triste, mas a verdade é que estamos atravessando uma longa era de trevas na cultura. Com o deslumbre das novas tecnologias, ninguém quer mais saber de ler, de estudar, de pesquisar e de pensar. Na ignorância, passamos o tempo comendo lixo e mais lixo, e é dessa falta de conhecimento e instrução que se aproveitam os inimigos da cultura para deixar o povo ainda mais anestesiado.
Os malucos querem mesmo é que todo mundo ande armado nas ruas, como se estivéssemos no faroeste americano do bang-bang. Para o capitão Bozó e sua turma, a segurança se resume em todos andarem com armas na cintura, a polícia ter a ordem de abater e o fazendeiro o direito de matar. Não existem planos e projetos, a não ser acabar de vez com a cultura e o saber.
AUGUSTO, O IMPERADOR ROMANO QUE CONTROLOU O SENADO E O EXÉRCITO
Depois da guerra civil no triunvirato de Júlio César, Pompeu e Crasso, o sobrinho, ou filho de César divinizado, Otaviano Augusto, mesmo tendo recusado os poderes extraordinários, controlou o Senado, o exército, as províncias, restaurou o reino e fortaleceu como absoluto o império romano, introduzindo inovações e deixando um grande legado para seus sucessores. Governou como rei por mais de 40 anos e restabeleceu a paz.
Enfrentou a ambição de Marco Antônio e, pela sua obra, foi chamado de imperator Caesar Divi Filius (o imperador filho do divino César). A princípio, ignorou o desejo que o corpo de cidadãos tinha de manter sua posição privilegiada no império, e a alta posição atingida pelas duas classes dominantes da comunidade, os senadores e os cavaleiros (homens de negócios), conforme descreve o historiador M. Rostovtzeff, no livro “História de Roma”.
No período de 40 e 30 a.C., as camadas mais altas não desejavam abrir mão de suas posições privilegiadas e serem colocadas em pé de igualdade com a população das províncias. Falava mais alto o orgulho nacional da Itália. Otaviano derrotou Antônio compreendendo este sentimento e se comprometeu manter o predomínio político da Itália.
Sangue novo e restauração
O Estado romano necessitava de sangue novo e de restauração, mas não um novo Estado sobre as ruínas do antigo. Roma não estava morta, e ele tinha a missão de renovar sua antiga glória, mantendo sua posição privilegiada. Os primeiros dois anos que se seguiram ao término da guerra civil foram dedicados por Otaviano à aprovação de medidas.
Agora ele era o chefe do Estado romano, sem contestação para administrá-lo. Suas primeiras providências foram restabelecer as fileiras mais altas da sociedade e o corpo de cidadãos, bem como, restaurar a própria cidade. Em 29 a.C. reexaminou a relação dos senadores e expulsou 190 membros, em parte admitidos por César, mas que não pertenciam à classe senatorial. O Senado voltou a representar a mais alta nobreza romana.
Um ano antes, Augusto tomou uma série de medidas para purificar o quadro de cidadãos e assegurar a predominância de romanos e italianos. Incentivou que todos os cidadãos casassem e tivessem famílias, e que o sangue fosse puramente italiano. Foi proibido o casamento com libertos e adotadas medidas para evitar a contaminação das classes superiores. Os senadores foram proibidos de se casarem com escravas libertas. Em 28 a.C. Otaviano iniciou sua tarefa de restaurar a capital. Não abandonou os poderes extraordinários de que gozava como chefe militar, em virtude do seu juramento de fidelidade.
Era hábito em Roma acrescentar Otavianus ao nome de Caio Júlio César. Preferia o título honorífico de imperator, conferido pelo exército, puramente militar. O nome Otaviano foi aceito para distingui-lo dos outros. Nas províncias, esse título ligou-se à ideia de natureza universal e ilimitada de seu poder. Ele pertencia à família dos Otávios.
CRATERAS NAS ESTRADAS DA CHAPADA
Quem sai de Vitória da Conquista em direção a Andaraí, cortando a Chapada Diamantina para pegar a BR-242, passando por Tanhaçu, Ituaçu, Barra da Estiva e Mucugê, tem o prazer e o privilégio de curtir belas paisagens, lavouras de horticulturas, café, os morangos e um clima ameno, mas, ultimamente, passa tormento e se irrita com as crateras abertas nas estradas. Elas são um teste para cardíacos e provas de resistência física.
A viagem que exige muita paciência, preparo psicológico e muita atenção para evitar acidentes e não ter o veículo quebrado, começa logo depois de Anagé pela BA-142 e continua depois de Mucugê, principalmente na subida para Andaraí. Diria que é cruel como comentei com uns amigos artistas que também enfrentaram as buraqueiras para chegar à Nova Redenção onde foi realizado semana passada o Festival de Música.
As queixas e os protestos foram gerais, e muitos resolveram retornar por outro roteiro, mesmo percorrendo distâncias bem maiores. Decepção maior teve quem veio de cidades do norte de Minas Gerais que ficou horrorizado com o que viu. Se é sofrido para quem mora naquela região e é obrigado a transitar todos os dias entre estas cidades, para pessoas de fora, a situação é mais que vergonhosa para o Governo do Estado que gasta milhões em propagandas e não conserta as estradas.
O pior é que se trata de um trecho turístico de cerca de 200 quilômetros em estado lamentável a partir da entrada para Tanhaçu, logo depois de Anagé, até boa parte depois de Mucugê. Dizer que está intransitável é pouco porque tem locais que são verdadeiras “panelas”, e os motoristas têm que fazer ziguezagues para se livrarem das enormes crateras lunares.
A parte mais crítica começa a partir do povoado de Suçuarana, em Tanhaçu, e vai até Ituaçu. De lá até o entroncamento de Ibicoara, o motorista tem que continuar atento porque se acelerar um pouco, volta e meia se depara diante das crateras. É uma viagem cansativa e perigosa de cerca quatro horas, num trajeto que poderia ser feito em pouco mais de duas horas.
Além das buraqueiras, existem trechos em que o mato, o capim alto e árvores invadiram as pistas e a sinalização sumiu no matagal. Próximo a Andaraí, e de lá para chegar até a BR-42 (Bahia-Brasília), as árvores estão baixas, podres e quase sempre estão caindo na pista. Esse quadro já perdura há quase um ano, e o Governo do Estado não toma nenhuma providência, nem para fazer uma simples operação de tapa-buracos.
Os donos de vans do transporte alternativo que fazem linha para Vitória da Conquista têm que sair bem mais cedo de suas cidades para chegar nos horários marcados pelos passageiros que têm seus compromissos marcados, principalmente de exames médicos. Eles lamentam os prejuízos devido ao constante desgaste em seus veículos. Outro problema são os animais nas pistas. O cidadão paga impostos, IPVA caro, é multado se os domumentos não estiverem regulares, mas o direito de boas estradas os gatos e os ratos comeram.
O RETIRANTE DA SECA
Foto do jornalista Jeremias Macário em suas andança pelo sertão. Durante a secas muitos partem em retirada em busca de lugares melhores para sobreviver, no mais para São Paulo, Minas Gerais e outro estados. Tudo é deixado para trás, e a casa fica abandonada na espera do retorno do sertanejo quando as chuvas voltarem a molhar a terra. É assim que vive o homem do campo, atribulado e correndo pra lá e pra cá na esperança de dias melhores. Os políticos só fazem prometer e só aparecem de quatro em quatro anos para roubar sua fé.
DOR DA SAUDADE
Esta dor que a ti dilacera,
é uma dor que rasga e corta;
vem na forma de quimera;
entra como uma desvalida,
sem ao menos bater na porta.
A depressão corre pela veia;
a hora para e turva o ser;
o passado vem e não passa;
o futuro curto não clareia,
e o presente só faz sofrer.
É uma dor que amolece,
e não tem cura de doutor;
nem o tempo desaparece,
com este nó da saudade,
quando se pensa no amor.
É uma dor doída varada,
que te impede de comer;
suga a alma desamparada;
deixa a boca seca e amarga;
e só faz lembrar de você.
Parece não ter mais fim,
esta tal tirana da saudade,
que não escolhe a idade;
entope qualquer coronária,
e se espalha como cupim.
É uma vilã, esta ordinária,
de véu e traje existencialista,
que consome toda nossa diária;
rouba sorrateira a nossa alma;
e ainda diz que é uma altruísta.
SEMANA CULTURAL CULMINOU COM O FESTIVAL DE NOVA REDENÇÃO
Fotos de Jeremias Macário Pôr-d0-Sol em Nova Redenção na terra do festivais, na Chapada Diamantina
A pequena cidade acolhedora de Nova Redenção do encantado Poço Azul, encravada na Chapada Diamantina, abrigou de 23 a 27 de abril, a 26ª Semana de Arte e Cultura e o 7º Festival da Música, nos dias 26 e 27, atraindo gente de vários municípios da redondeza e artistas da Bahia e de outros estados, como de Minas Gerais, São Paulo, Ceará e até de Goiás. Com seus instrumentos e bagagens, músicos e compositores apresentaram suas lindas canções sobre o homem nordestino, seus costumes populares, as labutas na terra e o amor, incluindo protestos contra a destruição e o abandono do rio São Francisco, mais conhecido como o “Velho Chico”, ou o “Chiquinho” na palavra de um poeta paulista que defendeu o tema “Francisco”.
Paulo Gabiru foi o vencedor do Festival com a música “Ponteio Agudo”
A ansiedade para os artistas do 7º Festival, que de regional se transformou em nacional, patrocinado pela Prefeitura Municipal, começou na sexta-feira (dia 26) durante todo o dia e logo mais ao cair do pôr-do-sol com a afinação dos seus violões violas, e só terminou na madrugada do dia 28 com o esperado anúncio do locutor sobre os resultados das premiações dos melhores escolhidos por um corpo de jurados. Como sempre ocorre nos festivais, a classificação provocou críticas e questionamentos sobre os critérios de avaliação, como a troca de alguns jurados da noite de sexta para sábado, apesar da coordenação do evento ter jurado total lisura no trabalho.
Com todo aquele pulsar cultural da cidade de 10 mil habitantes, não tive como não lembrar de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com mais de 350 mil almas, cheia de grandes talentos onde a nossa cultura entrou em decadência, sem há muitos anos realizar um verdadeiro festival da música, uma feira de livros, exposições de artes plásticas e outras linguagens artísticas para mostrar ao nosso povo que aqui é uma cidade que tem sede de conhecimento, e ainda faz jus aos grandes nomes da arte, da poesia, da literatura, do cinema, da dança e do teatro.
Os vencedores
Na sexta-feira à noite, o famoso violeiro mineiro “Pereira da Viola” foi o convidado especial que abrilhantou o evento. Não decepcionou e balançou a praça com seu show de belas cantorias. No sábado à noite, antes de revelar os vencedores, a cantora Dani Lasalvia e o violonista Marcelo Fonseca com o show “Subindo o São Francisco” atraíram o público com suas obras musicais no encerramento do Festival. Nos dois dias foram apresentadas 24 músicas das 37 inscritas neste ano, sendo que na sexta-feira, mesmo com a exibição de músicas de boa qualidade, só houve uma premiação de melhor letra. No sábado, a troca de alguns membros dos jurados não agradou aos artistas do primeiro dia que se mostraram contrariados com a medida. Sentiram-se prejudicados pela mudança.
Pereira da Viola encantou o público com seu show no primeiro dia do Festival (sexta-feira)
Entre graves e agudos nos tons das violas e violões, com baixos e altos nas caixas de som, montadas no palco da praça, ao lado do Centro de Cultura, o músico e compositor Paulo Gabiru, representando a cidade de Bom Jesus da Lapa, com a canção “Ponteio Agudo” se emocionou ao levar o primeiro lugar com a premiação de R$7.000,00, mais troféu. O segundo lugar foi para Leilane Coutinho, de Vitória da Conquista, com a música “Dose Certa”, recebendo R$3.000,00, mais troféu. ZéBeto Corrêa, de Belo Horizonte, com a música “O Que Era da Gente” foi premiado em terceiro lugar, levando R$2.000,00, mais troféu.
Walter Lajes defendeu a música Na Espera da Graça, letra de Jeremias Macário
O quarto lugar foi Diorgem Júnior, de Governador Valadares, com a música “Saudade Matadeira”, homenageado com uma medalha. O mesmo foi classificado como melhor intérprete e premiado com R$2.000,00, mais troféu. No quinto lugar, Cícero Gonçalves, de São Paulo, com a música “Francisco” recebeu uma medalha. A melhor letra que fala do “Velho Chico” foi “Martelo da Perenidade”, de Reginaldo Belo, de Ibotirama-BA, com R$2.000,00, mais troféu. Fabrízia Macedo, de Nova Redenção, com a canção “Viola Velha” foi a revelação do Festival, com troféu. O melhor trabalho de cultura popular ficou com José Miguel Rodrigues, de Goiânia (Goiás), com a música “Pedaço de Sonho”, contemplado com uma medalha.
O Festival foi idealizado no mandato do prefeito Ivan Soares, do PT, mas ficou parado entre 2013 a 2016 quando assumiu outra administração. Foi reativado com a prefeita Dilma Soares, segundo informou a assessora de Comunicação, Cristina do Anjos. As premiações e os troféus foram patrocinados por várias empresas do município, visto que o evento não contou com apoio do Governo do Estado. Ela não soube informar os gastos com a Semana da Cultura e com o Festival.
Os Participantes
Dani Lasalvia encerrou o Festival de Nova Redenção
Os artistas que partiram de longe “comendo” poeira e pulando em buracos nas estradas de crateras, inclusive de outros estados, com muito sacrifício financeiro e boa vontade para participarem do certame cultural tiveram que arcar com despesas de transporte e alimentação. Contaram apenas com alojamento coletivo, mas não tiveram ajuda de custo porque a Prefeitura alegou não dispor de recursos para cobrir estas necessidades. Foi tudo na base da abnegação artística para mostrar suas obras.
Papalo Monteiro cantou Louvado Seja o Santo, de sua autoria
Participaram do Festival Jorge Café, de Brejões, com a música e interpretação de “Milagres da Caatinga”; Paulo Armando e Fabrizia Macedo, de Nova Redenção, com “Viola Velha”; Francisco Gui e André Marques, de São Gabriel-BA, com “De Repente um Canto”; Marcelo Nunes e Joilson Mello (Gerri Cunha –intérprete), com “Por Causa de Tu”, de Ibotirama-BA; Walter Lajes e Jeremias Macário (Walter Lajes – intérprete), de Vitória da Conquista, com “Na Espera da Graça”; Reginaldo Bello e Carlos Araújo (intérprete Reginaldo Bello), de Ibotirama, com “Martelo da Perenidade”; Adenilton Ribeiro (intérprete Almirante de Meireles), de Nova Redenção, com “Chapada Parte de Mim”; Antônio Lima e Jorge Dyra, de Feira de Santana (intérprete Antônio Lima), com “Por que Tu Choras?; Dão de Abreu compositor e intérprete, de Ibiquera-BA, com “Sentidos Débeis” (Densidade); Samara Neves (intérprete Renata Rodrigues, de Nova Redenção, com “Mistura Oxente”; Reizinho Pereira e Adriano Casanova (intérprete Adriano Casanova), de Ibotirama, com “O Velho Chico”; Sacha Arcanjo e Raberuan (intérprete Mané Quiabeira, de Lapão-BA, com “Galope Selvagem”; Cícero Gonçalves e Adriano Lopes (intérprete Cícero Gonçalves), de São Paulo, com “Francisco”; Edilson Barros e Klévisson Viana (intérprete Edilson), de Fortaleza, com “Engenho de Rapadura”; Papalo Monteiro compositor e intérprete, de Vitória da Conquista, com “Louvado Seja o Santo”; Rogério Flávio compositor e intérprete, de Itambacuri –MG, com “Pássaro Errante”; Paulo Gabiru e Clerbet Lui (intérprete Paulo Gabiru), de Bom Jesus da Lapa, com “Ponteio Agudo”; Saulo Fagundes e Olympio de Azevedo (intérprete Paulo Macedo), de Vitória da Conquista, com “Saudade do Zeca”; Pedro Hoisel e Valério Pisauro (intérprete Leilane Coutinho, com “Dose Certa”, de Vitória da Conquista; ZéMiguel compositor e intérprete, de Goiânia, com “Pedaço de Sonho”; Glebson Neve (intérprete Beatriz Dias, de Nova Redenção, com “Memória e Invenção”; Diorgem Júnior compositor e intérprete, de Governador Valadares, com “Saudade Matadeira”- MG; ZéBeto e Bruno Kohl (intérprete ZéBeto), de Belo Horizonte, com “O que Era da Gente”; e Ronaldo Tobias, compositor e intérprete, de Minas Gerais-MG, com “Flor do Vale”.
Semana da Cultura
A Prefeitura também promoveu, no período de 23 a 27, a Semana de Arte e Cultura, cujo projeto envolveu alunos das escolas do município com trabalhos de técnica, voz e violão. Foi uma semana de muito movimento cultural e troca de conhecimento e saber com crianças das escolas, jovens e adultos da pacata cidade da Chapada de deslumbrantes paisagens.
Contou ainda com a participação de outras cidades da região, como Bonito (Exposição Quilombola); Seabra (Grupo Cultural Lamparinas), com exposição de literatura de cordel de Pedro Lima e teatro. O grupo apresentou a peça Tango no Presídio e o escrito monólogo “Retalhos Nordestinos”. O distrito Ubiraitá, de Andaraí, trouxe um trabalho interessante contando a história dos tempos da “Rádio e Novela” onde Amália de Oliveira representou Dalva de Oliveira. De Nova Redenção, Viviane apresentou “Cante Lá que eu Canto Cá” e falou sobre fragmentos da Poesia – ofício de Poeta, de Nelson Fatinelli. O evento realizou diversas palestras e exposições literárias e também uma mostra das obras de Tuna Espinheira (filme Cascalho) e da sua família.
NA ESPERA DA GRAÇA
Logo mais na noite de hoje, às 21 horas, dia 26 vai começar o Festival da Música de Nova Redenção. O músico Walter Lajes vai defender a melodia Na Espera da Graça, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário. São 12 música hoje que vão ao palco com um público de moradores da cidade e de outras da região. Amanhã são mais 12 apresentações. O evento, patrocinado pela Prefeitura Municipal reúne artistas de Vitória da Conquista, de diversos municípios da Bahia, de Minas Gerais, São Paulo e até do Ceará. A expectativa de a Espera da Graça ser a vencedora é muito grande, a qual fala do homem sofrido do sertão que sempre vive esperando a graça de Deus. Faz procissão de pedra até a colina sagrada e pede ao divino que não lhe dê sal, mas água para molhar a terra. É uma letra muito forte e Walter disse que vai cantar com alma. Está aqui agora só na emoção e garantiu que vai levar esse troféu.
EXISTE E NÃO EXISTE
EXISTE E NÃO EXISTE
Ainda existe
processo sem prisão,
a tortura sem história,
corrupção com vitória,
o crime que compensa,
a manipulação da imprensa,
o sonho feito de cristais,
como promessas sagradas
dos amantes e dos casais.
Ainda existe
a vergonha da esmola,
a escola sem lição,
país sem educação,
criança sem livro,
rei fajuto de camisola,
a justiça da pistola,
o cruel capital,
o empreiteiro pardal,
o ladrão de gravata
o coronel da chibata,
o amolador de navalha,
o ferreiro do fole
e o político canalha.
Não existe
relógio sem hora,
piora sem melhora,
cordel sem rima,
cantador sem viola,
presente sem passado,
chato que não amola,
sandália sem poeira,
cavalo sem crina,
cidade sem feira
país sem hino,
nem vida sem sina,
romaria sem peregrino,
e criatura sem destino.
























