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COTAS E POLÍTICA

Dá-se o prato de comida e a esmola com uma mão e com a outra se tira a vergonha do cidadão através das roubalheiras e fraudes, como no caso específico da Petrobrás, criada com o dinheiro da luta sofrida do povo.

A coisa funciona como se fosse uma compensação justificável. Esse próprio povo que sempre viveu na miséria sob as bordoadas dos patrões quase nada entende da prática abominável e, então, passa a achar que o roubo é normal (rouba, mas faz).

Os dois prometem mais cotas e mais pão, engrossando a ignorância. O circo pega fogo e não se tem água para apagar o incêndio. Ninguém lá de cima quer mudar o perverso sistema político-eleitoral. É um silêncio geral, inclusive dos bons.

Cada um dá a sua beliscada no levar vantagem em tudo, e o voto é de interesse ou é classista, raramente ideológico. É como o caso do caminhoneiro que disse abertamente num bar que se a estrada estiver boa ele vota no candidato, não importando se ele rouba.

É um tumor maligno difícil de ser extirpado, crescendo cada vez mais nas entranhas dos indivíduos, tornando a mediocracia mais idolatrada que a meritocracia. É como uma droga que vai cada vez mais viciando o drogado.

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ITAMAR COMENTA ARTIGO DE ORLANDO SENNA

CRISE CIVILIZATÓRIA

No fim do século IXX, em seu livro Assim falou Zaratustra, Nietzsche pôs a morte de Deus na boca de um personagem louco e chamou a atenção para a decadência metafísica da Europa, disse que a cultura européia já não podia aceitar racionalmente a noção deísta, que a ciência, a política e a arte estavam matando Deus. Pois bem: Deus não morreu. Melhor: os deuses não morreram. Nem o Deus único e com maiúscula dos judeus, árabes e cristãos, nem os deuses múltiplos da China, Índia, Brasil e de centenas de culturas ao redor do planeta.

Tampouco a História acabou como pensava o estadunidense Francis Fukuyama (Fim da História e o último homem) nos anos 1990, momento em que a União Soviética se dissolvia e o mundo passava do poder bipolar (URSS e EUA) para a superpotência única encarnada nos Estados Unidos. A tese central de Fukuyama: o neoliberalismo é o ápice da evolução econômica e vai promover uma tecnológia que suprirá todas as necessidades. Com tudo resolvido, seria o fim do desenvolvimento das instituições e das ideias. Até agora não aconteceu.

De todas as teses-profecias sobre o século XXI que ficaram na moda no fim do século passado, a única que está valendo é a do choque de civilizações, do nova-iorquino Samuel P. Huntington (The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, 1996), que pregava, como está no título, uma reconstrução da Ordem Mundial. O choque é, cada vez mais, uma fratura exposta: o Ocidente cristão em conflito com o Oriente islâmico, a China disputando em pé de igualdade com os EUA o posto de maior economia mundial, a Europa em crise aceitando a contragosto a invasão de seu território por milhões de migrantes africanos e asiáticos.

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EXPOSIÇÃO MOSTRA CINEMA

MOSTRA DE CINEMA 006 - Cópia

Exposições, seminários e conferências fizeram parte da Mostra de Cinema Conquista – 1ª edição, encerrada ontem (dia 17) no Centro de Convenções Divaldo Franco, auditório da Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb), no Espaço Cultural Glauber Rocha e no Cine-Tenda, no bairro Brasil, com apresentação de filmes nacionais curta e longa-metragem, muitos dos quais inéditos.

Além de debates variados sobre o setor em geral, o público pode acompanhar uma exposição do acervo do cineasta baiano Geraldo Sarno, além da mostra de outras peças relacionadas com o cinema. O homenageado da Mostra foi o crítico de cinema, João Sampaio que morreu neste ano e vinha acompanhando o evento de Conquista, que já faz parte do calendário cultural da cidade.

MOSTRA DE CINEMA 005 - Cópia

A Mostra ocorreu no período de 12 a 17 de outubro e contou com a promoção da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, da Uesb e do Governo do Estado. Os jovens estudantes demonstraram apreciar a arte cinematográfica com uma presença maciça durante as atividades, tanto nas oficinas como nas apresentações dos filmes.

MOSTRA DE CINEMA 002 - Cópia

CINEMA E VOTO

Depois de ser homenageado na Mostra de Cinema Conquista, no Centro de Convenções Divaldo Franco, com o curta “A Anti Performance”, o cineasta Daniel Lisboa fez propaganda partidária do PT e pediu que todos ali votassem na candidata Dilma, como forma de manter viva a cultura.

Considero o ato um total desrespeito às pessoas que foram ao Centro com o precípuo interesse de assistir os filmes da Mostra e não ouvir discurso político de campanha eleitoral a favor ou contra candidato. Acho não ser ali local apropriado para recomendar voto para qualquer um que seja.

Ademais, senhor Daniel, de um modo geral os nossos governantes nunca priorizaram a educação e a cultura neste país. Os dados mostram, por si só, a situação da nossa cultura. Além do mais, não é nenhuma dádiva ou favor quando o governo promove um evento do setor.  É uma obrigação como dar de comer a quem tem fome. A cultura é o alimento da alma.

Se o cineasta não sabe, só para citar o caso da Bahia (Secretaria de Cultura), muitos editais aprovados da área cultural continuam parados por falta de recursos, sem falar na burocratização infernal dos projetos. Depois de oito anos de conferências por todo estado, a Bahia ainda não aprovou uma política cultural. O projeto está amarrado na Assembleia Legislativa.

Na área federal, a Lei Rouanet (destina viabilizar projetos a partir do que se deveria pagar de Imposto de Renda) só beneficia grandes shows comerciais de “artistas famosos”, especialmente do Sul e Sudeste. Empresário nenhum tem interesse em investir num talento desconhecido que não dá retorno de capital, mesmo que sua obra seja boa.

Sobre a Lei, veja o que disse o cartunista Flávio Luiz quando do lançamento do seu novo álbum de HQ,”Aú, o Capoeirista e o Fantasma do Farol” (Papel A2): “Até achei um interessado, mas, além da isenção do IR, queria participação nos lucros, interferência no processo criativo e mudanças ideológicas. Me reservei no direito de declinar”.

Por essas e outras, senhor Daniel, me senti mais uma vez ofendido e constrangido quando da sua propaganda política partidária aberta. As pessoas ali não são objetos de uso, nem tampouco burras. São essas coisas que provocam desconfiança, revolta e desgaste político na população.

No mais, parabenizo os organizadores e promotores da Mostra de Cinema Conquista, que está completando 10 anos, e continua com sua programação de filmes, conferências, seminários e mesas-redondas de debates até o final de semana no Centro Divaldo Franco, no Espaço Cultural Glauber Rocha, no auditório da Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb), Cine-Tenda, no Bairro Brasil e Cine-Cidadão itinerante nos distritos do município.

MAIS UMA “SARAU A ESTRADA”

SARAU   II 031 - Cópia

Neste final de semana (dia 11/10), a turma do “Sarau A Estrada” reuniu-se mais uma vez para colocar o papo em dia e atualizar os assuntos políticos, literários, econômicos e sociais. É um momento também de encontro dos amigos que se perdem na correria dos afazeres.

Foi mais uma noite agradável com a participação do professor Itamar Aguiar, do jornalista Sérgio Fonseca, o fotógrafo José Carlos D´Almeida, o intelectual Mover, os cantores e compositores Marta Moreno, Dorinho e Moacir Morcego, além da grata satisfação da visita da cantora de Anagé, Marise Pires (Ogum) que, pela primeira vez, conheceu nosso ambiente e nos brindou com sua linda voz.

Recebemos a visita da cantora de Anagé , Marise Pires (Ogum)

SARAU   II 025 - Cópia

 

 

Como sempre, as discussões, a cantoria e os recitais de poesias vararam a noite,não faltando o vinho, a cerveja e, claro, uma comidinha para forrar o estômago que ninguém é de ferro. A novidade, além da nossa visitante que logo se entrosou ao meio, foi o desarranjo intestinal de Moacir Morcego, mas logo tudo deu certo e, no final, fez até declarações confidenciais sobre sua vida como estudante de agronomia em Cruz das Almas.

Sérgio Fonseca, sempre pensante e mais calado, rebateu algumas posições e críticas. Ao contrário, o professor Itamar, como acontece, dominou as conversas de fundo filosóficas, sem contar suas histórias e estórias de Lençóis e da Chapada Diamantina.

Diante de temas os mais variados, houve espaço para combinarmos a realização de noites temáticas, como a próxima a respeito do cantor, compositor e letrista Raul Seixas, seguidas de Zé Ramalho e Gonzagão, o rei do baião e do forró. Permanece cada um colaborando com bebidas e comidas para que o “Sarau A Estrada” se mantenha firme como a baraúna.

 

 

ITAMAR INDICA ARTIGO DE ORLANDO SENNA

A brava Estela

Um dia, entusiasmado diante da multiplicidade de abordagens sobre um mesmo tema, o também super observador Eduardo Galeano disse que “desejaria ter tantos olhos como a câmera de Estela Bravo”. Estava se referindo à qualidade dos pontos de vista que essa cineasta estadunidense-cubana faz jorrar em seus documentários. Não apenas no que se refere a posicionamentos dramáticos, políticos e humanistas mas também na expressão de sentimentos diante da situação que está filmando, das tristezas que afloram na meio da alegria, do humor que se esconde entre os horrores da guerra, dos vários e surpreendentes tipos de resistência que o ser humano inventa e reinventa diante de fracassos, perdas e danos.

Seus documentários tratam de questões sociais e políticas em escala macro, envolvendo países, nações, ideologias, rupturas históricas, coletividades de milhões de pessoas. Estela aborda essas questões abrangentes a partir de unidades, de individualidades, de dramas pessoais, de retalhos dramáticos — fazendo-me lembrar da lição capital de Alberto Cavalcanti a jovens documentaristas, na década de 1930, ao dizer que um bom caminho para um documentário sobre os correios é seguir uma carta, que o melhor caminho para um filme sobre a humanidade é filmar um ser humano, a alma de um ser humano. Um bom exemplo desse enfoque direto nas individualidades é Miami-La Habana (1992), envolvendo com altas doses emotivas as famílias cubanas divididas, parte morando em Cuba, parte morando nos Estados Unidos. Referindo-se a esse documentário, e com lágrimas nos olhos, o cineasta argentino Eliseo Subiela disse que “a dor também serve para entender e crescer”.

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CURTA AS CURTAS

AS TÁBUAS DA LEI

Depois das eleições presidenciais, a candidata Marina Silva (PSB) sumiu. Dizem por aí que ela está no Monte Sinai conversando com Deus para fazer as tábuas da lei dos dez mandamentos. Quando ela voltar vai condenar os adoradores dos deuses feitos de bezerros de ouro. Um candidato a cargo de presidente não pode passar uma semana para tomar uma decisão. Por indecisão, Moisés foi proibido de pisar na terra prometida. Em seu lugar foi indicado Josué. Enquanto isso, Marina continua meditando e orando.

GOVERNO NOVO?

Confesso que não entendi essa de governo novo, novas ideias, do PT. No discurso, Dilma aparece como se fosse candidata pela primeira vez e, ao mesmo tempo, critica seu próprio governo dizendo que vai fazer o que não foi feito em quatro anos, ou 12. Os marqueteiros políticos apelam pra tudo e acham que todo mundo é burro e demente da cabeça, ou a peça publicitária é dirigida apenas para os gênios. Na verdade, entre o PT e o PSDB não existe nada de novo. Isso é uma furada! Oh quanta falta de lideranças políticas neste nosso país!

PROPINA REGISTRADA?

É sempre assim, nos tratam como se fossemos otários, sem o mínimo dos 10% da inteligência humana. As denúncias do ex-diretor da Petrobrás e do doleiro Alberto Youssef acusam que uma percentagem (2%) das propinas dos contratos da estatal com as empreiteiras abastecia as campanhas do PT. O presidente do partido rebateu afirmando que todas as despesas foram registradas e declaradas no Supremo Tribunal Eleitoral. É claro que ninguém de “bom senso” vai declarar recursos ilícitos em seus gastos. Novamente, entra aí o famoso “Caixa Dois” de campanha.

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O INTERVALO DO DIABO

Salustiano Querosene do Pavio é um trabalhador braçal que nasceu e vive há anos nos confins dos grotões deste Brasil que muita gente diz que é aonde o diabo gosta e o vento faz a curva, cafundós do Judas ou o fim do mundo. Salustiano e a gente daquele pedaço de chão nem existem como cidadãos, mas já ouviram falar das artimanhas do Diabo, ou do Belzebu Satanás chifrudo que não perde um descuido ou um intervalo de fraqueza para roubar uma alma.

Quando Salustiano não tem dinheiro, e isso é quase sempre, para comprar na venda o querosene de acender o candeeiro pra clarear seu casebre, ele apela para o óleo de mamona extraído dos bagos pisados no pilão. O pavio é feito do algodão colhido de um pequeno plantio de sua roça. Quando não tem algodão vai mesmo um pedaço velho de pano. O pior de tudo é a escuridão quando o Diabo mais aprecia para fazer suas assombrações.

FOTOS DIVERSAS 018 - Cópia

Teve um tempo que Salustiano vendia querosene e pavio, mas o negócio não foi pra frente por causa dos fiados que não recebia. Restou o seu nome dado pelo povo. Essa expressão “pobre diabo”, pessoa que trabalha como condenado e nada tem, escrava do poder e que não incomoda ninguém, é o típico Salustiano.

Mesmo temente a Deus, ele sabe e sente na carne e na alma que é um “pobre diabo”, só não sabia que desde a antiguidade, nos tempos dos bárbaros, antes e depois de Cristo, inclusive nas Cruzadas e na Idade Média, existiu uma sociedade secreta chamada de “O Intervalo do Diabo”, onde a entidade era reverenciada como deus da fortuna para uns poucos e da desgraça para os que se arrastavam na miséria e na ignorância.

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SEQUIDÃO

Jeremias Macário

Êta, seu moço, vou chorar,

com este triste sol poente,

sem nenhuma gota no ar,

neste sertão tão cinzento,

que há um ano não boto,

nesta terra estorricada,

a esperança da semente.

 

FOTOS DIVERSAS 030 - Cópia

Êta, seu moço, não aguento,

ver toda esta pobre gente,

vivendo só de lamento,

e de sede o meu jumento,

pois o gado mais fraco,

já virou nesta seca carcaça,

símbolo de um árido cavaco,

onde políticos só aparecem,

na temporada de caça.

 

Nesta terra tão abandonada,

da catinga não vinga mais nada,

e nem São José mandou chover,

pra plantar o milho pra colher,

no dia festeiro de São João,

e brincar no “Arraia da Sinhá”.

 

Olha lá que bagaceira, seu moço!

Ficou só o solitário mandacaru,

nesta sequidão da terra rachada,

onde os bichos se foram em retirada,

para outras bandas mornas do sul.

 

Eu vos peço, oh meu Senhor!

Que mande a chuva pra eu lavrar,

porque os homens do lado de cá,

passam o tempo todo a nos enrolar,

enquanto meu açude de todo secou,

e a minha dor me impede de cantar.

 

Oh, meu Senhor! Ampare teu filho!

essa gente nos deixou aqui a penar,

com promessa de crédito parcelado,

muita cisterna e água por todo lado,

mas o que tem muito aí é caudilho,

roubando dos nossos filhos a alegria,

com um pacote cheio de burocracia.

 

Ninguém olha mais para esse lugar,

que sempre tem gente indo embora,

e outros se arrastando em procissão,

rezando ao céu uma penitente oração

para que do alto desça uma melhora

pra a chaga dessa ferida se fechar.

 

É, seu moço, a coisa aqui só piora,

e “quando é que isso vai se acabar”?

Até quando vamos ter de nos calar,

sem entrar nessa brigar pra valer?

e não ficar esperando chegar a hora,

porque esse “esperar não é saber”,

o que mais conta é o “fazer acontecer”.

 

CONSERVADORES, RICOS E POBRES

Em todas as eleições o que mais se houve da mídia, dos juízes e dos eleitores são as palavras “dever cívico”, “cidadania”, “exercício da cidadania” e por aí vai, que correm soltas como se apenas o ato de votar já complementa tudo como dever do cidadão. Pode até ser um dever cívico se a expressão de escolher o candidato for consciente, sem manipulação e compra do voto, direta e indiretamente. Quem se vende e é manipulado não está fazendo o “dever cívico”.

Bem, mas não é isso que proponha falar. Embora não seja especialista político, ou cientista-político como dizem por aí, os resultados das últimas eleições veem demonstrando um avanço acentuado dos evangélicos que, na grande maioria, adotam uma linha conservadora e muitos deles até de extrema-direita com o velho discurso de tradição, família e pátria, elogios às forças armadas e até apoio à ditadura militar.

Os homofóbicos declarados, contra a descriminalização das drogas e do aborto, Jair Bolsonaro, o filho dele, Marco Feliciano, sargento Isidoro, na Bahia, e muitos outros do mesmo naipe, sem falar no pastor Marcelo Crivella, candidato a governador no Rio de Janeiro, foram o mais votados no Brasil. Os partidos alinhados às correntes evangélicas  tiveram votação estrondosa. Que tudo isso sirva de reflexão para que a história não repita.

Várias correntes cortam este mar eleitoral de 32 partidos onde a indiferença à política também cresce de tamanho, em detrimento dos escândalos de corrupção, malfeitos e promessas não cumpridas.

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