:: ‘De Olho nas Lentes’
O LIXÃO CRIMINOSO DE ITAMBÉ
Só poluição, fumaça e sujeiras
Ainda nos tempos atuais, a Prefeitura de Itambé, distante cerca de 50 quilômetros de Vitória da Conquista, mantém às margens da BA-263, um lixão criminoso numa clara e explícita agressão à natureza, sem falar no flagrante desrespeito e desobediência ao código ambiental.
Como se não bastasse, esse lixão a céu aberto, cheio de urubus, materiais orgânicos, plásticos e até restos de animais mortos, queima diariamente soltando uma fumaça que atrapalha a visão dos motoristas, podendo provocar acidentes graves.
É um absurdo que as autoridades, como o Ministério Público, os movimentos sociais, as entidades, os segmentos da sociedade, os defensores do meio ambiente e o próprio Governo do Estado através do Derba não tomem uma providência para acabar de vez com um lixão que já perdura há tempos logo depois da saída da cidade.
Uma imagem aterradora de escombros
Mesmo com todo mau cheiro que exala dos monturos da lixeira, ainda tem gente que aparece no local para catar alguns objetos. Sabemos que existe uma lei, prorrogada por várias vezes, (coisas do Brasil) onde estabelece que todos os municípios construam seus aterros sanitários.
O poder executivo de Itambé, e não é somente do atual mandato, segue na contramão e não se estrutura para pôr fim a uma situação tão lamentável e constrangedora, sem contar o mal que está provocando à natureza e à saúde das pessoas que reviram o lixão.
Há muito tempo que não que não viajo pelas aquelas bandas. Na semana passada fui à Itapetinga participar da Feira Literária e fiquei horrorizado com o cenário que não deveria mais existir. As imagens das nossas lentes falam mais que mil palavras.
Aquilo ali representa o total desleixo do poder público para com o meio ambiente, bem como a omissão dos órgãos que que também não tomam medidas urgentes para proibir de vez com aquele lixão nojento à beira de uma estrada tão movimentada.
É assim que estamos contribuindo para amenizar o aquecimento global? O lixão de Itambé é uma vergonha, não somente para os moradores do município, como também para quem passa pelo local, inclusive turistas que vêm de outros estados em direção ao litoral. Aquele lixão criminoso simplesmente mancha a imagem da cidade e da região.
A fumaça do lixão de Itambé pode provocar acidentes graves na pista e ainda tem gente que se arrisca como catador
A IMPONÊNCIA DAS CATEDRAIS
Desde o início do cristianismo, principalmente com o imperador romano Constantino, que tornou essa religião oficial, se unindo ao Estado como poder político, a Igreja Católica passou a construir as catedrais com toda sua grandiosidade e imponência. Cada bispado, com seus condados e territórios, com dinheiro de seus condes, duques, barões, reis e rainhas, à custa dos pobres miseráveis, instalou suas ricas e suntuosas igrejas para eles mesmos, prometendo o reino dos céus. São belas obras de arte, inclusive banhadas a ouro, que encantam os visitantes. Conheci muitas delas em minhas andanças, mas sempre preferi as capelas que acolhem gente mais simples, verdadeiras e honestas. A Igreja, com sua demagogia, e para atrair o lado sentimental dos fiéis, sempre impôs aquela cultura de que os templos são para agradar a Jesus, seu maior redentor. Acho isso tudo falso, mentiroso e hipócrita. Será que Cristo aprova essa exibição de riqueza. Acredito que abomina e condena. No Rio de Janeiro, as lentes da minha máquina, na subida do bondinho, lá do alto de Santa Tereza, flagraram a Catedral Metropolitana entre prédios luxuosos, como forma de poder e grandeza. Tenho certeza que a fé, o fervor do cristão está mais nas capelas e acho elas mais belas. O Papa Francisco, com toda sua simplicidade, não via com bons olhos essa empáfia e até quis desfazer de muitas riquezas da Igreja, mas sofreu a resistência dos conservadores, que falam a palavra do Senhor, mas praticam outra coisa e só querem viver em suas mordomias.
OS 15 ANOS DE UM ENCONTRO CULTURAL
Foi num inverno friento como este, em 2010, que nasceu o Sarau a Estrada, naquele ano com o nome de “Vinho Vinil” entre os amigos Jeremias Macário, Manno Di Souza e José Carlos D´Almeida. Dalí surgiu um grupo cultural que perdura até hoje sendo realizado de dois em dois meses no Espaço Cultural do mesmo nome. A ideia inicial era somente reunir artistas, intelectuais e amigos para só ouvir vinis e tomar vinho, com objetivo principal de valorizar os velhos “bolachões”. O bom som combinava com a bebida. Os anos foram se passando e mais gente foi chegando até que criamos o formato de sarau, com o nome de A Estrada, com debates de um tema na abertura, cantorias de violeiros, contação de causos e declamação de poemas. De lá para cá realizamos diversos projetos culturais, com apresentação em público, até sermos reconhecidos pelo Conselho Municipal de Cultura com o troféu Glauber Rocha. Agora estamos completando 15 anos de existência e vamos fazer uma comemoração a esta jornada estradeira, no próximo dia 26. Além das atividades culturais, sempre nos acompanharam a bebida e a comida, tudo dentro da cordialidade e da paz. Vamos também prestar uma homenagem aos que partiram para outra dimensão e deixaram suas contribuições na troca de ideias, conhecimento e saber. Resistimos até o período da Covid, de 2020 a 2022, com lives e vídeos de textos poéticos divulgados nas redes sociais. Nossas lentes fotográficas registraram um flagrante desses memoráveis encontros. Nossos abraços e nossos agradecimentos a todos companheiros estradeiros.
AO RELENTO DA VIDA E DO VENTO
No banco da praça frienta, ele, ou ela, se protege com um fino lençol. Foi assim que minhas lentes fotográficas fizeram esse flagrante, tão recorrente nas grandes cidades brasileiras. É a triste cara realista das desigualdades sociais, tão profundas, criadas pela própria sociedade, por esse sistema cruel e canibal. Ao lado, as máquinas passam cortantes e velozes, cada um no seu destino das obrigações materiais pela sobrevivência. A praça é morna, o vento corre ligeiro entre as árvores a balançar suas folhagens e lá está aquele ser ao relento da vida.
Muitos não percebem sua presença. Não passa de mais um número entre os dos milhares de desvalidos. Essas cenas, essas constantes imagens não deveriam existir, nem nas linhas dos escritores e poetas. A imaginação me leva aos “Miseráveis”, do grande escritor revolto francês Victor Hugo. Não consigo entender como ainda tem gente que diz que bandido bom é bandido morto. Temos uma massa encefálica, amorfa, cega e inconsciente que não consegue reconhecer que foi esta sociedade hipócrita e perversa que criou o bandido e agora deseja excluí-lo, matá-lo, literalmente.
A pobreza, a miséria, a fome e todos esses que vivem ao relento da vida fomos nós mesmo os autores desse trágico cenário. Poucos se refastelam nas riquezas e muitos não passam de mortos vivos. Não temos consciência social e política. Achamos que uma simples doação de comida ou agasalho resolve tudo, quando a situação de miséria persiste e só cresce. Repetimos tudo outra vez, com aquele velho mote de solidariedade e caridade, mas deixamos de fazer o principal que é cobrar dos nossos governantes que nossos impostos sejam revertidos para acabar com essa pobreza e não dissolvidos nas corrupções e roubos.
A ÁRVORE E OS ENGAÇOS
O desmatamento de uma floresta deixa um vazio no espaço, só de engaços e bagaços. Depois vem a queimada e tudo vira cinzas. O que era vida se torna morte, como a árvore envenenada, cujo o verde se transforma em engaços, conforme flagrante das nossas lentes fotográficas. A seca inclemente muda a paisagem do nosso sertão, mas a chuva faz brotar o verde e tudo se arrebenta em cores. O colorido atrai aves, insetos, animais rastejantes e outras espécies que se alimentam dessa renovação. Os ciclos se repetem diante dos fenômenos naturais, mas quando entra a mão assassina do homem, a natureza simplesmente morre, fica sem alma.
O PÔR-DO-SOL, AS CABRAS E O LIXO
Nas cidades grandes existem muitas cenas visíveis que se tornam invisíveis porque os olhos das correrias ficam cegos para o olhar mais apurado da coisa existencial. No entanto, as imagens que brotam das lentes poéticas nos fazem enxergar o invisível para muitos que passam e não observam. É o caso desse pôr-do-sol, das cabras pastando no final da tarde e o lixo dos humanos mal-educados na Avenida Sérgio Vieira de Mello, no Bairro Sobradinho, em Vitória da Conquista, que se localizada na boca do sertão, na saída para Anagé. Se pararmos um pouco e esquecermos os problemas da vida cotidiana por alguns instantes, vamos ouvir também o canto dos pássaros em algum lugar, como nas praças e avenidas arborizadas. Num semáforo ou numa árvore, você pode até descobrir um ninho de passarinho, uma casa de João de Barro e até uma coruja solitária na comieira de uma casa ou de um prédio. Basta uma pequena parada para uma reflexão dos sentidos numa rua ou banco e você vai escutar o silêncio do ronco dos motores e a agitação estressada do povo. Os gritos podem ser só sussurros. O pôr-do-sol e as cabras celebrando suas últimas refeições do dia me fizeram lembrar o cenário roceiro do campo onde o sertanejo faz parte desse conjunto bucólico, menos o lixo que, infelizmente, é uma caraterística das cidades, sobretudo as de médio e grande porte. Nos centros urbanos, a grande maioria nem vê a lua cheia passar, muito menos o luar pratear o terreiro, o quintal e a serra. A poesia e a vida se perdem no progresso, e este é o preço que se paga pela corrida do ouro. Fico com o pôr-do-sol e as cabras. Rejeito o lixo que agride nosso meio ambiente.
AS ANTIGAS IMPRESSORAS E UM MUSEU
Aos 14 anos de idade, seu Mário Macedo Soares já era um gráfico em Vitória da Conquista, isso nos anos 70, e até hoje ainda trabalha com algumas impressoras antigas, em contraste com os tempos atuais da evolução tecnológica onde tudo é produzido através de modernos equipamentos, mais ágeis e automatizados. No entanto, a eficiência das gráficas antigas é reconhecida até hoje. Ao longo dos anos, como acontece com o nosso patrimônio histórico arquitetônico, essas preciosas peças, muitas italianas, inglesas e alemãs, flagradas pelas lentes digitais, foram sendo vendidas como sucatas e depois derretidas como ferro velho para siderúrgicas. É como o desmatamento das nossas florestas. Uma pena que pouca coisa foi conservada e hoje é raro encontrar, por exemplo, uma máquina linotipo, que me faz lembrar dos anos 70 quando ingressei na profissão jornalística, primeiro como revisor e depois como repórter e editor. Com a evolução tecnológica, passamos da impressão chamada a quente (linotipos à base do chumbo) para técnica a frio.
MUSEU DA IMPRENSA
Várias vezes comentei com amigos companheiros de profissão e interessados no assunto de preservação da nossa memória, sobre a ideia de fundarmos aqui em Conquista um museu da imprensa, como forma de resgatarmos a história do jornal impresso. Lamentável que essa iniciativa não foi para frente e terminou ficando no imaginário, muito por conta da falta de recursos para adquirir esses maquinários e jornais impressos, bem como de um local adequado para instalação desse museu. Quanto mais o tempo passa, mais fica difícil concretizar esse projeto que, com certeza, seria de grande valia para a cidade, para toda região sudoeste e para a classe jornalística. Cada um de nós tem suas atividades, suas individualidades, seus interesses próprios e um projeto desse porte, que seria um legado para a posteridade, vai ficando de lado, como se não tivesse nenhuma importância. Nem o poder público se mostra interessado em apoiar a criação desse museu.
CENAS DAS SECAS
Em minha carreira de cobertura jornalística, muitos fatos me marcaram, mas as cenas das secas por esse sertão sofrido do homem do campo foram as que mais me sensibilizaram. Vez ou outra costumo dar uma espiada em meu computador e lá estão as matérias e as fotografias que me fazem reavivar as lembranças dos tempos em que comia poeira por esse agreste ao lado do meu companheiro repórter fotográfico José Silva. Recordo dessa foto registrada pelas minhas lentes por aquelas bandas da região de Jânio Quadros em plena sequidão de um sol inclemente que castigava as plantações e deixava os tanques e barreiros sem água para o consumo humano e dos animais que lambiam o tacho de lama. Era triste e, ao mesmo tempo, agradável conversar com o sertanejo simples e forte que nunca perdia a fé e as esperanças. A nossa missão era retratar a realidade e mostrar aos governantes a situação de penúria do lavrador que passava um tempo plantando e colhendo e outro a olhar para os céus e rogar a Deus pelo socorro. Lembro muito tempo dos carros-pipas cortando as estradas poeirentas (ainda perduram) que eram e ainda são utilizados como política eleitoreira. Quase nada mudou depois de mais de 20 anos para cá. Apertava nas tintas para dar voz ao clamor do sertanejo quando batiam as estiagens que deixavam feridas abertas no chão.
SEM ESSA DE “SUÍÇA BAIANA”
É até ridículo e motivo de chacota ficar chamando Vitoria da Conquista de “Suíça Baiana”, uma cidade nordestina sertaneja onde a maior parte do seu território é semiárido e está sempre sofrendo as intempéries da seca, sem falar na pobreza e os altos índices de desigualdade humana, como em todo Brasil. Pior ainda é quando essa denominação é endossada pela mídia local. Recentemente venho observando um aumento de mais pedintes e ambulantes no centro da cidade, sem falar em crianças vendendo balas e doces nos semáforos, o que significa mais pessoas desempregadas que vivem na informalidade. Em minha opinião, chamar Conquista de “Suíça Baiana” é até uma insanidade mental que serve de piada lá fora. Uma “Suíça Baiana” que não tem nem um voo direto para sua capital Salvador. Uma “Suíça Baiana” onde as unidades de saúde são precárias e sempre faltam médicos nos postos. Uma “Suíça Baiana” onde o fornecimento de água pode entrar em colapso se houver uma estiagem mais prolongada porque há quase 20 anos se promete construir uma barragem e o projeto está emperrado. É uma grande cidade, a terceira maior da Bahia com quase 400 mil habitantes, com um desenvolvimento avançado, mas está muito longe de ser uma “Suíça Baiana”, nem no quesito frio, cujas temperaturas mais baixas chegam a 5 ou 7 graus. Nem existe neve na Serra do Periperi. Me dá uma gastura por dentro quando ouço esse papo de “Suíça Baiana”. Trata-se de uma crítica construtiva e de preservação da nossa imagem.
UMA PARCERIA COM A IGREJA
Não restam dúvidas que a área do Cristo do artista Mário Cravo, na Serra do Periperi, está bem mais apresentável e atraente para os visitantes, mas o mérito não é somente da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Lembro que quando era presidente do Conselho Municipal de Cultura (2021/2023) e tivemos uma audiência com a prefeita Sheila Lemos, reivindicando melhorias para a cultura, como a abertura dos equipamentos culturais da cidade, ela anunciou que havia firmado uma parceria com a Arquidiocese e outras igrejas, se não me engano, para realização de obras naquele local histórico, como o mirante e outras benfeitorias. Estive lá no último domingo e observei uma placa onde só consta o nome da executiva, do secretário de Cultura e outras secretarias. Achei estranho não mencionar a dita parceria. É assim que é feita a política no Brasil, de uma maneira vergonhosa, sem transparência e sem escrúpulos. Fora isso, não gostei da sujeira de velas ao pé do Cristo, certamente pelos católicos da Semana Santa. Pensei comigo que se não houver uma proibição, o local pode se transformar numa romaria de fé e promessas. Outra questão é a demora na abertura dos quiosques construídos. O visitante ou turista de fora poderia demorar mais tempo ali se houvesse uma sorveteria, uma lanchonete, umas bancas de acarajé ou até mesmo um restaurante. Quanto ao resto, a vista lá do alto de Conquista é deslumbrante e ainda mais empolgante ao pôr-do-sol. Imagine um bonde ligando o Cristo ao centro da cidade? Ficaria perfeito e maravilhoso.










































