Na entrada do Bairro Miro Cairo, na Avenida Paulista que dá acesso à Avenida Sérgio Vieira de Melo com o Loteamento Sobradinho e à Avenida Brumado, existe um cruzamento perigoso que já cabia a instalação de um semáforo para disciplinar e controlar o trânsito, de modo a evitar acidentes mais graves. Quem desce da Avenida Paulista vindo do Anel Viário, já na chegada com a Sérgio Vieira de Melo, existe uma placa de PARE, só que motorista nenhum obedece e cruza direto a pista em alta velocidade. No local existia até uma faixa de pedestre que foi totalmente apagada. Nossas lentes flagraram a imprudência e vários momentos de perigo para ciclistas, pedestres, carroceiros e quem segue pela Vieira de Melo que tem a preferencial. A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Mobilidade Urbana ou de Trânsito, precisa tomar uma providência urgente para disciplinar essa via, antes que ocorra o pior. Os transeuntes que precisam atravessar esses pontos, de um lado para o outro, ficam expostos a serem vítimas de atropelamentos. Por sua vez, o motorista que está circulando pela Sérgio Vieira de Melo e precisa entrar numa rua do Loteamento Sobradinho para pegar a Brumado fica sem nenhuma visão e corre o perigo de sofrer um acidente de qualquer veículo que está descendo a Paulista. Só um semáforo resolveria o problema porque o cruzamento é bastante movimentado e carece de ordenamento. A situação é grave naquela artéria, sem falar na buraqueira e no total abandono dessas avenidas onde o mato toma conta do asfalto.
Alguém aí sabe, por acaso, me informar onde fica a Praça João Gonçalves da Costa, um negro forro vindo lá de Chaves, da província Traz os Montes, em Portugal, o fundador da Vila Imperial da Conquista que aqui chegou no “Sertão da Ressaca” no meado do século XVIII? Tenho certeza que poucos, e os conquistenses, de um modo geral, ao longo da sua história procuraram deixá-lo num canto escondido. Por qual motivo será esse menosprezo proposital? Quanto a praça, é um pequeno espaço ali nos fundos do Posto de Saúde CAAVE, uma coisa assim insignificante. Até a placa foi colocada num lugar errado, na esquina, no final da rua Senhorinha Cairo, numa pequena travessa com a rua João Pessoa. É uma pequena placa borrada apenas com o nome João Gonçalves, um sujeito qualquer. Será que esse tipo de tratamento desprezível foi porque ele veio de Portugal a mando do El Rei com a incumbência de procurar ouro e prata e aqui combateu e massacrou os índios mongoiós e Imborés, descendentes dos Pataxós e Camacãs? Lamentavelmente, poucos conhecem a história de Vitória da Conquista, sobretudo seus filhos que nasceram nesta terra do frio que muitos a apelidaram erroneamente de “Suíça Baiana”. Dia desses vi e ouvi um vídeo sobre a história de Conquista onde mostra um João Gonçalves loiro de olhos azuis, quando ele era um negro do Terço de Henrique Dias que chegou a lutar no Quilombo dos Palmares. Chegou ao Sertão da Ressaca partindo de Minas Novas, no norte de Minas Gerais. A ocupação ocorreu no contexto da expansão das bandeiras portuguesas. Bem, a história é longa e seria bom que os conquistenses estudassem mais suas origens e valorizassem mais seus fundadores. Bem que merecia ser homenageado com uma avenida e não num canto escondido de uma pracinha com uma plaquinha numa esquina qualquer, simplesmente com o nome João Gonçalves. Conquista foi desbravada com o sangue indígena, como aconteceu em muitas outras regiões pelo Brasil a fora, e o seu conquistador era um negro nomeado pelo rei. Foi uma lenda e deixou seus feitos históricos.
No último sábado passado (dia 04/07) ou, se não me engano, no domingo (dia 05/7), nossas lentes flagraram um grande incêndio no alto da Serra do Periperi que, pela cor da fumaça preta, poderia ser queima proposital de pneus. Por si só, isto já representa um absurdo em termos de agressão ao meio ambiente, principalmente na Serra que há quase 100 anos vem sendo depredada pela ação humana. Por ter ocorrido em final de semana, pouca gente percebeu e não vi e nem li nenhum noticiário na mídia. Esse incêndio durou por muito tempo e nem sei se lá estiveram o Corpo de Bombeiros e a fiscalização da Prefeitura Municipal para averiguar a situação e conter o fogo. Tudo indica que foi um ato criminoso premeditado. Além da poluição tóxica no ar, os moradores dos bairros mais próximos, na altura do Anel Viário, certamente foram impactados. Apesar de ter sido tombada no último governo do ex-prefeito José Pedral, por volta de 1996, a Serra do Periperi continua sendo alvo de invasões e degradações por negligência das administrações públicas que não montam uma estrutura adequada para protegê-la dessas ações nefastas, como incêndios dessa natureza.
Ainda nesta semana estava conversando com um amigo sobre a necessidade urgente de desafogar o centro de Vitória da Conquista onde todas as decisões políticas, sociais e econômicas estão concentradas num só lugar. Todos os caminhos para resolver problemas burocráticos em repartições públicas, pagamentos, questões imobiliárias e outros “pepinos”, como se fala na gíria, levam ao centro, que se tornou um caos no trânsito e, principalmente, em termos de estacionamento. A Zona Azul se tornou uma torre de babel porque sempre está mudando de normas. Uma das soluções para desafogar o centro, conforme comentávamos, seria a criação de um Centro Administrativo unindo prefeitura e secretarias, questão que já foi posta em programas de candidatos em épocas de eleições. Além de solucionar vários problemas de circulação, oferecendo melhor qualidade de vida no aspecto humano, todos ganhariam com a instalação de um Centro Administrativo, sobretudo os usuários dos serviços públicos que iriam resolver seus problemas em menor tempo. A impressão é que os prefeitos eleitos sofrem certa pressão do setor lojista e temem apresentar um projeto que poderia contar com apoio estadual e federal no quesito recursos. Nos últimos 30 anos, Conquista experimentou um elevado crescimento, um dos maiores do Norte e Nordeste, só que houve um descompasso em comparação com a demanda populacional. A sua infraestrutura para os tempos modernos deixa muito a desejar. O centro, por exemplo, passou a ser um grande problema pelo acúmulo de pessoas e carros por metro quadrado. Os anos vão passando e a situação só tende a se agravar. Ir ao centro hoje é um tormento e se perde muito tempo, sem falar no estresse e na irritação. Falta planejamento e sobra desordenamento.
Quando estava fazendo essas imagens degradantes de amontoados de lixo nos bairros Santa Terezinha e no Kadija, ambos às margens do Anel Viário, duas senhoras que passavam no momento desabafaram contra a falta de educação do povo que joga até animais mortos no local. “Situação ainda pior está próximo à horta comunitária do Kadija” – disse uma delas em tom de revolta. Para completar, muitos tocam fogo nas sujeiras e aí a fumaceira toma conta da pista, podendo provocar acidentes. Poucas vezes vi tanto lixo espalhado num mesmo lugar em Vitória da Conquista. São sacos plásticos cheios de restos de comida, entulhos, móveis e outros bagulhos que estão quase nas portas das casas mais próximas. Os moradores reclamam da invasão de ratos, escorpiões e todo tipo de insetos peçonhentos nas residências. A Prefeitura tem a sua parcela de culpa por deficiência na fiscalização (muitas vezes os carros de lixo deixam de passar nos dias marcados), mas a falta de educação das pessoas que despejam o lixo em terrenos vazios está em primeiro lugar. “Não adianta limpar porque no outro dia está tudo sujo novamente” – ressaltou uma moradora do Bairro Santa Terezinha que fica nas imediações dos Campinhos. Quer ver lixo, urubus comendo carniças em terrenos abandonados é só visitar as periferias da cidade onde estão os maiores focos de doenças, a começar pela dengue. No final da Avenida Sérgio Vieira de Melo, por exemplo, no Loteamento Sobradinho, o lixo e o mato alto já estão invadindo parte do asfalto.
Em minhas visitas ao distrito da Tapera, no município de Encruzilhada, terrinha bucólica, agradável e pacata, dividida entre parte alta e baixa – até deveria ser construído um elevador, do tipo o “Lacerda”, em Salvador – onde nasceu minha esposa Vandilza Gonçalves, sempre apreciava a formosura da frondosa árvore na pracinha do lugarejo, chamada de Jamelão, que fornecia sua sombra a quem nela se abrigava. Estive lá no início deste mês e fiquei triste com sua derrubada pela Prefeitura Municipal, mesmo com os protestos dos moradores. Em seu lugar, o poder executivo ergueu um tipo de “coreto” aberto de madeira e telha, sob o argumento de que embeleza mais a área e beneficia mais a comunidade e a quem passa por ali. Se derrubar uma árvore já é um grande pecado contra a natureza, principalmente nos tempos atuais de aquecimento global, o monstrengo do prefeito destoou com a praça. Aquilo ali, senhor prefeito, ficou mais parecendo com um barracão para abrigar tropeiros que não mais existem! Nossas lentes estão sempre abertas para flagrar os absurdos e este foi mais um que não agradou em nada os taperenses, conforme comentários que ouvi no mercadinho de “Tonio”, inclusive do ilustre personagem folclórico “Três Quinas”. Depois ainda tem gente que diz que “a voz do povo é a voz de Deus”. Se assim fosse, o prefeito de Encruzilhada não teria ordenado a derrubada do antigo Jamelão, que deixou muitas saudades, sobretudo entre os moradores mais antigos. No lugar do Jamelão, o prefeito deveria ser obrigado a plantar mais 100 árvores na Tapera e, mesmo assim, não seria redimido do crime ecológico contra o meio ambiente.
Quem passa pelo distrito de Inhobim, pertencente ao município de Vitória da Conquista, em direção a Encruzilhada, na entrada da curva, sente logo o impacto de um lixão com os containers cheios que não cabem mais entulhos que praticamente estão invadindo a pista. Nossas lentes flagraram uma senhora revirando o lixo que é jogado ali pelos moradores. Um absurdo, para não dizer uma vergonha para a prefeitura municipal que não recolhe as lixeiras. Quando nos deparamos com cenas desse tipo, não há como não se chegar à conclusão de que a proteção ao meio ambiente não passa de uma falácia ou demagogia política. Aquilo ali é um descaso total para com a comunidade do distrito, mas os políticos estão sempre indo lá pedir votos e fazem promessas de zelar pelo lugarejo. Além do lixão, a rua principal de Inhobim por onde transitam veículos de Conquista-Encruzilhada e vice-versa, está toda esburacada e suja, sem falar no monte de quebra-molas invisíveis, sem sinalização, que deixam os motoristas irritados e carros arrebentados. O distrito, onde já tem até uma escola estadual e grande produção de café, está abandonado pelo poder executivo. Toda vez que vejo esses lixões, me faz lembrar dessas falsas campanhas de cuidados com o meio ambiente, de ações de sustentabilidade, inclusive com plantios de algumas árvores, enquanto a depredação contra o meio ambiente continua a todo vapor de poluição. Essa gente imagina que engana a natureza! O aquecimento global só piora. Por essas e outras é que acho que não existe mais retorno de recuperação dos estragos já feitos durante séculos pela insana humanidade. Diante dessa situação caótica, os poderes públicos são os maiores culpados. Cadê o dinheiro do contribuinte?
Qual destino de um vasto terreno abandonado, de um milhão e 700 mil metros quadrados, pertencente à União, onde já foi por muitos anos o Aeroporto Otacílio Figueiredo? É mais uma celeuma e uma novela que ninguém sabe quando terá seu fim e como será usado em benefício da sociedade. A população não tem a dimensão do tamanho do terreno e pede a construção de escolas, creches e até de um hospital. Pode ser tudo isso e muito mais. No entanto, não imagina que a esta altura o setor imobiliário deve estar de olho para erguer edifícios, condomínios e outros empreendimentos de luxo, com altos muros separando os ricos dos pobres, como sempre faz o sistema capitalista selvagem. Uma pequena parte foi cedida para o Estado da Bahia, cujo governo fala em construir um Centro de Convenções, o que não é uma má ideia, tendo em vista que Vitória da Conquista, pelo seu porte, carece de um equipamento dessa natureza. No entanto, aquela área poderia muito bem abrigar ainda um Centro Administrativo da Prefeitura Municipal visando desafogar o centro e reduzir custos de aluguéis do poder público, bem como ser criado um bosque de lazer, espécie de cinturão verde em torno dos bairros da zona oeste.
Semana passada passei no Posto de Saúde do Miro Cairo para me cadastrar porque estou residindo próximo ao bairro e, para minha surpresa (aliás não é novidade), não consegui. Não havia uma assistente social e nem uma agente de saúde. A atendente respondeu que precisava identificar qual agente assistia em minha rua. Acontece que moro há um ano no Sobradinho e até hoje ninguém da saúde bateu em minha porta. Assim fica muito difícil. No Posto, pouca gente e só um médico atendia. A impressão que tive foi de abandono, o que, mais uma vez, se constata que a saúde em Vitória da Conquista anda aos frangalhos, como outros setores, principalmente a nossa cultura. Como as unidades de saúde vivem nesse estado precário, o poder público e outros órgãos ficam por aí fazendo esses mutirões de ruas com carretas para enganar e enrolar o povo desassistido. Esses mutirões, que até deixam pessoas mais doentes, porque são exames rápidos, sem continuidade, não passam de programas eleitoreiros e atestados de que a saúde vai de mal a pior. Creio que não é somente o Posto do Miro Cairo que apresenta esta carência. Neles, quando um paciente consegue marcar um exame, tem que esperar mais de seis meses para ser chamado para consulta, sobretudo quando se trata de um tratamento mais complexo.
O Espaço Glauber Rocha, na Avenida Brumado, antigo Denit, foi construído no governo de Guilherme Menezes, se não me engano, nos anos 2000, com intuito de ali se tornar numa área voltada basicamente para a cultura, exposições de artes, realização de eventos e shows musicais, como o nosso tradicional São João. Além desses objetivos, o Espaço valorizou a zona oeste. Com o passar dos anos e mudanças de governos, que sempre desfazem as obras de seus antecessores, infelizmente, aquele Espaço sofreu desvios de suas funções, sem falar na festa junina que colocaram lá no Parque de Exposições, sob alegação fajuta de que tem mais capacidade de absorver mais gente. Hoje funcionam outros serviços e boxes de artesanato, pouco visitados. A área aos shows e eventos musicais se tornou num grande vazio e estacionamento de carros de particulares. Praticamente quase nada que lembre a nossa cultura e que faça jus ao nome do cineasta conquistense. A área de alimentação deixou de cumprir sua função. Até nisso a nossa cultura foi entregue às moscas. As pessoas só vão ali quando têm algum problema burocrático para resolver. É assim que querem transformar Conquista numa cidade turística? Pelo menos poderia existir uma sala de cinema, uma cinemateca e oficinas de audiovisuais em homenagem ao Glauber Rocha. Um projeto daquele porte não deveria ser apenas utilizado para prestação de alguns serviços de utilidade pública A impressão que se tem é de abandono de mais um equipamento destinado à cultura.