No bico da pena, o grande artista das pegadas nordestinas, no sabor da vida simples dos sertões, Silvio Jessé nos apresenta uma exposição inédita que retrata o antigo e o moderno dos 185 anos de emancipação de Vitória da Conquista. Vale a pena visitar seus trabalhos que estão no “Memorial” da Câmara Municipal de Vereadores. A partir da visão do príncipe alemão Maximiliano, que visitou o arraial da Conquista, por volta de 1917, Jessé nos presenteia com belos quadros sobre a cidade antiga e a moderna, mostrando sua evolução nos tempos. Sua sensibilidade ultrapassou fronteiras entre o regional e o internacional, com pinturas encantadoras e realistas sobre o nosso sertão nordestino. Ele tem um olhar artístico que faz a pessoa penetrar em suas paisagens, de tão reais que são.

Como o pintor espanhol Pablo Picasso que retratou os horrores da guerra civil espanhola e as atrocidades do ditador Franco, o nosso artista conquistense Silvio Jessé pincela, em outras obras, os sofrimentos dos sertanejos diante da seca e da omissão dos políticos e governantes em resolver os problemas do homem do campo. Sílvio é o Picasso do sertão, embora com outras formas, linhas e estilos modernistas.

Lembro como jornalista de uma entrevista que fiz há muitos anos sobre o trabalho de Silvio onde ele recordava da sua infância numa fazenda do município de Vitória da Conquista. Dizia que foi ali que começou a aprender a pintar, usando a terra e olhando as pessoas, seus costumes e hábitos. Tudo isso é vida e pura poesia que transborda da alma.

Como escreveu a curadora Ester Figueiredo sobre sua última  exposição no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, com o tema “Sertão Colorido Quanto Preto e Branco, obras inspiradas no grande fotógrafo Evandro Teixeira (saudades do amigo que se foi), Silvio Jessé é tudo isso, expressão maior do seu tempo de moleque travesso na roça.