:: ‘De Olho nas Lentes’
AVENIDA FILIPINAS VIROU PASTAGEM
Por três dias, de sexta a domingo, (não estava mais nesta segunda-feira) um cavalo ficou pastando na Avenida Filipinas sem que os prepostos da Prefeitura Municipal tomassem conhecimento. Nossas lentes flagraram o coitado desse animal, cujo dono o abandonou à própria sorte e deveria ser punido por maltrato, sem falar no perigo para os motoristas quando ele atravessava as pistas de um lado para o outro. Visivelmente sofrendo, o cavalo estava com sede e ninguém do poder público apareceu para cuidá-lo. Por ironia, naquela área existem placas avisando fiscalização sob monitoramento, ou é apenas um blefe.
Além do cavalo, a Avenida Filipinas está abandonada, pois moradores de rua ali armam seus acampamentos e depois se vão deixando para trás um monte de sujeiras e lixo, sem contar que o mato está crescido e muitas árvores precisam ser podadas, pois corre o risco de queda de galhos e provocar um acidente em pedestres e entre veículos. Naquelas imediações, nos bairros Felícia e Jardim Guanabara, o que mais se vê são terrenos abandonados com alto matagal e lixo por todos os lados. Os locais são verdadeiros focos do mosquito da dengue. Existem até latas de tintas cheias de água, fora copos plásticos e até jarros de barro.
Outro problema grave são uns retornos antigo de placas enferrujadas – não se sabe muito bem se foram colocadas pela prefeitura ou por moradores – onde entram carros que seguem em direções opostas, numa mesma posição, numa pista estreita onde já ocorrem acidentes. Será que a Secretaria responsável pelas sinalizações da cidade ainda não viu essas irregularidades do tipo mão e contramão num mesmo retorno numa avenida movimentada? Qualquer leigo sabe que está errado e só causa confusão e discussão para quem faz os retornos. Na maioria das vezes, um veículo tem que esperar o outro entrar.
SALVADOR/CONQUISTA
Nos últimos anos Vitória da Conquista tem se transformado num quintal de Salvador, colônia ou num protetorado comandado pelo ACM Neto e o prefeito da capital, Bruno Reis. Isso é uma vergonha em se tratando da terceira maior cidade da Bahia com cerca de 400 mil habitantes, sem contar que aqui já foi uma trincheira da resistência contra a direita conservadora, inclusive na época do golpe da ditadura militar-civil-burguesa de 1964. Em maio daquele ano, 100 homens do exército, sob as ordens do capitão Bendock, cercou Conquista e cassou o mandato do prefeito José Pedral, eleito legitimamente em 1962. De uma cidade politizada, virou um reduto da direita de Salvador, e isso ficou mais acentuado após os resultados das últimas eleições. Por que o povo apoia seus próprios algozes que o desprezam? Até as instituições, como a histórica OAB entrou nessa onda direitista conservadora! Na Câmara de Vereadores, praticamente não existe mais oposição. Está todo mundo virando a casaca. A culpa maior por esse triste quadro está também na própria esquerda que esqueceu suas bases e não se renovou. Depois do pleito de outubro, simplesmente os partidos de esquerda cruzaram seus braços. Cadê a oposição dessa cidade que já foi forte no passado? A nossa cultura, por exemplo, foi sepultada e os intelectuais, artistas e líderes da esquerda não se mobilizam para protestar nas ruas. Esses manifestos virtuais ou documentos por escrito não vão reverter este fúnebre cenário da nossa cultura onde os três principais equipamentos, como Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha estão fechados há anos. Estou falando apenas desse setor, mas os outros também se encontram abandonados.
VIDA NO CAMPO
Sábado passado (dia 21/12) estive no sítio do meu amigo, poeta, compositor e músico Dorinho Chaves e sua companheira Conceição (Conça), acompanhado da minha esposa Vandilza Gonçalves, e utilizei as lentes fotográficas da minha máquina para registrar momentos descontraídos da vida no campo em contato direto com a natureza. O final da tarde e o início da noite me proporcionaram belas recordações quando menino na roça com meus pais, observando as plantações, o curral dos animais (bovinos e caprinos), o gado chegando do pasto, as imponentes árvores, o cair do pôr do sol e o próprio Dorinho dando alimento para os bodes e galinhas, antes de bater uma viola com uma cantoria sertaneja de histórias e costumes da terra, não as que temos hoje que só falam de sofrência e de amores melosos e insossos, sem o sabor das saudades de outrora.
Tudo foi muito agradável, e as recordações sobre a vida no campo me tocaram mais ainda quando o dia se despediu e a noite nos recebeu de braços abertos através do seu luar, clima propício para se degustar um vinho. Para quem me conhece, nem preciso dizer que adoro a roça e que meu desejo é retornar às minhas raízes depois de mais de 60 anos na corrida labuta urbana. Posso garantir que o viver no campo é o melhor terapeuta que cura as dores da alma em pouco tempo, sem precisar sentar ou deitar num divã de um psicanalista. A própria natureza lhe oferece isso e muito mais, sem nada cobrar de volta. Ela é generosa. A vida no campo reúne o passado, o presente e o futuro num pacote só de amor onde o espírito pode se sentir verdadeiramente em paz.
UM CAOS NO TRÂNSITO DO CENTRO
Se você vai ao centro de Vitória da Conquista, seja de carro ou de ônibus, antes tome um banho de descarrego, faça uns minutos de meditação ou se prepare psicologicamente, porque, na verdade, vai passar muita raiva e ficar estressado. O trânsito no centro da cidade se tornou um caos, principalmente na Praça Barão do Rio Branco e imediações, como Praça do Índio, Francisco Santos, Dois de Julho, Régis Pacheco e Siqueira Campos nas proximidades do Banco do Brasil. É uma loucura, meu amigo, sem falar na falta de vagas na Zona Azul e até nos estacionamentos que cobram cinco reais por uma hora. Nesses locais deveria ser proibido o trânsito de ônibus e veículos pesados que até fazem desembarque de cargas em lojas, complicando mais ainda a circulação de carros pequenos. A Praça Barão do Rio Branco, por exemplo, deveria ser um calçadão, bem como a travessa (esqueci o nome) onde estão localizados a lotérica e o sebo de livros. Os urbanistas modernos falam tanto em humanizar as cidades oferecendo mais espaços livres para as pessoas, mas o poder público faz o contrário. Cadê aquele projeto do shopping a céu aberto de Conquista? Fizeram alguns calçamentos e nada mais. A Barão do Rio Branco ficaria mais aprazível com o plantio de árvores, mais bancos e até quiosques do que aquele amontoado de carros. O Terminal da Lauro de Freitas é outro inferno com toda aquela poluição visual e sonora, sem falar dos gases tóxicos dos combustíveis, mas os lojistas, de mentalidade atrasada, adoram o ambiente contaminado de fuligens. O ar no centro está ficando irrespirável.
AS PALMEIRAS DA TANCREDO NEVES
Realmente a Praça Tancredo Neves, ou das Borboletas (antiga Rua Grande), em Vitória da Conquista, é uma das mais lindas do interior baiano, com destaque para as exuberantes palmeiras imperiais que parecem se enamorar com as nuvens, sem falar que é um local com fortes energias na catedral, nas águas, na diversidade das plantas e das flores. É um local onde você pode acalmar seu espírito e deixar ele se elevar aos céus. Ela fica ainda mais encantadora e atraente no período natalino quando é toda iluminada. É um ponto inspirador e poético que merece ser visitado. Aqui em Conquista ainda temos a vista lá do alto do Cristo crucificado do artista escultor Mário Cravo, na Serra do Periperi. É a cidade dos biscoitos e uma das que mais cresce no Nordeste, mas não são esses requisitos que a faz de turística, nem tampouco de ser chamada de a “Suíça Baiana”. Vez ou outra ouço a mídia falar em turistas que vistam Conquista. Não é bem assim. Muitas vezes é um visitante que está de passagem ou alguém da área de negócios que aproveita uma folga para conhecer a cidade. Alguém deve estar perguntando o que tem a ver as palmeiras, o Cristo, os biscoitos e até a Lagoa das Bateias com o assunto do turismo. É que muitos acham que esses cartões postais podem fazer de Conquista uma cidade turística e convencer alguém de outro estado a vir visitá-la, e por aqui ficar por três ou mais dias. É bom que se entenda que a vocação de Conquista é bem outra diferente que se chama de comércio e serviços, mas vivam para sempre as belezas das palmeiras da Praça Tancredo Neves.
NOSSO SÍMBOLO NORDESTINO
Na chamada “Suíça Baiana” (só pode ser um deboche) que está no sertão nordestino em pleno Planalto da Conquista, o nosso imponente mandacaru, símbolo resistente da nossa região, contrasta com a paisagem da cidade entre árvores exuberantes. Faça frio ou faça calor, lá está ele, todo esbelto. Está plantado em minha rua e todas as vezes que passo por ele, orgulho da minha terra catingueira onde nasci, faço questão de saudá-lo e pedir a sua benção para que me torne mais forte. Sigo em frente imaginando que tem gente em Vitória da Conquista que não se considera nordestino e se porta como se fosse um sulista, mineiro ou europeu, ao ponto de colocar o nome de Caminho de Santiago da Serra do Periperi a uma trilha que nem chega a cortar a serra. Mas, deixa isso para lá. Cada um com seu imaginário de grandeza. Quero mesmo é homenagear meu predileto mandacaru a quem tantos cliques disparei com minha máquina fotográfica como repórter redacional ao lado do meu companheiro fotógrafo José Silva, o “Zé das Lentes” por este sudeste baiano a fora, fazendo nossas coberturas jornalísticas. Dizem que ele não dá sombra. Não é verdade. Com sua coragem de verde fincado na árida terra no meio da sequidão, ele sombreia nossos sertanejos de fé e esperança. Dura pouco tempo, mas sua flor é única e bonita de se ver. Se você for cantar o Nordeste em verso e poesia, ele tem que ser citado, senão a canção fica sem sentido e não sai bem na fita a melodia.
NOSSOS ANCESTRAIS
Quando falamos de ancestralidade logo imaginamos dos negros que vieram da África, descendentes de diversas tribos e etnias, que aqui foram escravizados por 350 anos, mas esquecemos que a nossa gente também foi formada por árabes vindos da Península Ibérica, pelos portugueses e, claro, pelos nativos indígenas que já eram donos desta terra de florestas chamada brasis. Não consigo comungar muito com esse negócio de Dia da Consciência Negra porque entendo que só existe uma que é a consciência humana. Por outro lado, teríamos que ter também a Consciência Indígena e, porque não, a consciência mestiça. Durante a realização da Feira Literária de Vitória da Conquista, a Fliconquista, no início deste mês de novembro, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, flagramos uma bela exposição de arte denominada de “Ancestralidade e Transição”, por sinal bastante profunda que nos faz mergulhar que somos originários de diversos povos, especialmente dos índios. A escravidão, da qual já foi tanta comentada por historiadores, cientistas e escritores, foi uma vergonha pela brutalidade praticada pelos nossos antepassados. No entanto, o massacre contra os índios tem menos visibilidade e talvez tenha sido ainda mais violento e brutal. O pior é que essa matança pelos brancos continua até os tempos atuais, basta reportar o que vem acontecendo nos estados da Amazônia, como exemplo, em Roraima, com os desmatamentos e a ação do garimpo.
AS BELEZAS DA NATUREZA
Num final de tarde, mistura dos pingos leves da chuva com a luz solar, no sertão da cidade de Anagé, as lentes da minha máquina conseguiram flagrar este belo arco-íris quando vinha de uma viagem de Juazeiro-Ba para Vitória da Conquista. São os encantos e belezas da natureza que os antigos nativos dessa terra consideravam como sinais dos deuses, de castigo ou algum aviso bom ou ruim para suas tribos. Eles deviam se inclinar e fazer suas preces ou rituais de dança. Com a evolução do conhecimento, hoje sabemos que se trata de um fenômeno natural da física, ou reflexo da luz do sol que se explode em cores, as quais, de tanta beleza e alegria, se transformaram em símbolo do gênero LGBT e mais. Bem, não sou físico, mas sei que o arco-íris, como um lindo pôr-do-sol rajado no horizonte, seja no mar ou no sertão, é pura poesia e, quando acontece, todos saem de onde estão para admirá-lo e tirar uma foto, agora mais fácil com o invento da câmara de um celular. Há bem pouco tempo era um privilégio dos fotógrafos profissionais que exibiam e ainda exibem belas imagens dessa nossa natureza cheia de mistérios, infelizmente tão agredida e maltratada pela ação do ser humano. O índio costuma dizer que uma foto rouba a alma da pessoa. Então eu roubei a alma do arco-íris, e o melhor, em pleno agreste nordestino. O arco-íris é uma pintura, não feita pelos pinceis do artista humano, mas pelas mãos do criador universal.
“ASAS DO PENSAMENTO”
No novo Sarau “Asas do Pensamento”, realizado no Espaço Glauber Rocha, na Praça da Alimentação, no último dia 12/11, teve lançamentos de livros, apresentações musicais e declamação de poesias, contando com a participação de jovens, escritores e de representantes da Academia de Letras de Vitória da Conquista. Foi mais um evento cultural na cidade, como tantos outros, sem o apoio da Prefeitura Municipal que, infelizmente, sepultou a nossa cultura. O evento foi promovido pela escritora e poetisa Chirles Oliveira, que, na ocasião, lançou seu mais novo livro romance “Amores de Rosalinda e outras histórias”, com o pseudônimo de Iza Diadorim. A obra mergulha em narrativas envolventes e levemente picantes que exploram o cotidiano de personagens fictícias as quais dão voz a tantas mulheres que não se limitaram a ocupar um lugar passivo na sociedade. Iza aborda temas da atualidade alusivas às relações humanas e as complexidades dos sentimentos. Quanto ao sarau, inclusive na zona oeste, é muito bom que se espalhe outros pela cidade, uma prova de que as pessoas têm sede de cultura e estão levando o conhecimento e o saber que vivem uma crise diante do avanço da tecnologia da informática e o consequente desinteresse pela leitura. É mais um sarau que se soma ao da “Estrada”, premiado com o troféu Glauber Rocha e que está completando 14 anos de existência. É importante que eventos dessa natureza procurem engajar nossos jovens, despertando o interesse pelas artes e, aos poucos, deixem de ser reféns do celular e das redes sociais que pouco acrescentam em termos de qualidade e conteúdo. Que “Asas do Pensamento”, um nome bem sugestivo, tenha vida longa para divulgar cada vez mais a nossa cultura, já que o poder executivo só tem se preocupado em fazer o Natal e o São João da cidade, mesmo assim descaracterizando nossas festas com músicas de mau gosto.
MEU “VELHO CHICO”!
Dizem que ele tem 523 anos desde que um tal de Américo Vespúcio e sua turma de exploradores gananciosos depravados o viram em sua foz e lhe “batizaram” de São Francisco em homenagem ao santo. Isso não passa de uma grande mentira porque ele tem milênios de anos desde que nasceu lá nos Gerais, na Serra da Canastra, e era conhecido como Oporá (rio-mar) pelos índios. O Vespúcio não batizou coisa nenhuma. No entanto, não é disso que quero falar. É que sempre que visito o meu “Velho Chico”, sinto-me na obrigação de fazer um registro depois de lhe pedir a benção. Após aquele estrago todo há uns oito anos, aparentemente ele vai bem com suas águas banhando as margens e sustentando os ribeirinhos. As embarcações navegam pra lá e pra cá cheias de gente que apreciam suas belezas naturais. Os empresários das frutas só querem saber de irrigar suas plantações com suas águas. Acontece que, de lá para cá, depois da seca rigorosa que o castigou severamente, ninguém fala mais em revitalizá-lo. Continuam jogando esgotos em seu leito sujo, como ocorre em Juazeiro, que se transformou na capital das muriçocas. O homem é um animal perverso e irracional quando se trata de preservar o meio ambiente. O negócio é só retirar e nada de retribuir. É um tremendo ingrato e burro, sem contar que é um desmemoriado e destruidor de si mesmo. Mais uma vez, a benção, meu “Velho Chico”, e perdoe seus algozes, se for possível!












































