A LEI PAULO GUSTAVO E O PROJETO SOBRE A MEMÓRIA DA FOTOGRAFIA
Estive na Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel (deveria ter sido desmembrada para abrigar só a Cultura) para ver minhas notas a respeito do projeto sobre a “Memória da Fotografia em Vitória da Conquista”, no edital da Lei Paulo Gustavo. Comprovei ter ficado de fora ou na suplência dos pareceristas por causa da questão de cotas destinadas a negros e a gênero, o que considero um absurdo dos absurdos.
Não entrei com nenhum recurso como muitos me recomendaram por considerar ainda mais irritante e estressante nesta minha idade. Além do mais, não iria haver nenhuma mudança e, para mim, basta a plena consciência de que minha proposição foi inédita, bem fundamentada e seria um bom projeto para a cidade. Repito, mais uma vez, que não sou eu quem vai perder.
Bem, vamos aos fatos concretos para demonstrar que fui “eliminado” por outros motivos fixados pela própria Lei Paulo Gustavo, os quais, na minha concepção, não justificam. Nas notas dadas pelos pareceristas no âmbito da Pontuação Qualidade foi dez; Relevância da Ação, dez; Aspectos de Integração, nove; Orçamento (quinze mil reais), oito; Coerência, Objetivos e Metas, dez; Ficha Técnica da Atividade, nove; Trajetória Artística Cultural (curriculum vitae), dez; e Contrapartida, dez, sem contar o cinco que é o peso por idade.
No entanto, nada de pontuação no campo gênero e no relacionado a negros e indígenas, embora eu seja pardo para todos efeitos, inclusive científicos. Como o projeto foi na área de literatura, no lugar da obra sobre a História da Fotografia em Conquista optaram em escolher a proposta de um livro de poesia, se não me engano, sobre a Mulher Cordial.
Não tenho nada contra a poesia, muito pelo contrário. É uma das vertentes artísticas que eu mais admiro ao lado da música. Até entendo que o mundo conturbado e desmano de hoje precisa de muita poesia. Não se trata de desqualificação. O que não consigo engolir e aceitar é que um projeto cultural para ser aprovado tenha como diferencial a cor da pele e o gênero. Até quando vamos continuar adotando esses métodos como critérios de qualificação para um projeto?
Para ser sincero, também não concordo com esse peso cinco por conta de ser idoso. O que tem que ser levado em consideração é a importância e o mérito do trabalho proposto, inclusive seu benefício para a memória e a cultura da cidade. Conforme soube, todos pareceristas foram de fora.
Não se trata de uma questão de contestar por ter sido “reprovado”, mesmo com boas notas. Sempre fui um crítico desses editais, primeira pela sua própria natureza burocrática que aqui denominei de “burrocrático” pelas suas intrincadas exigências, Como se não bastasse, agora colocam um percentual para as cotas.











