(Chico Ribeiro Neto)

– O pai de Mateus tem um livro que tem todas as palavras do mundo!

Pedro, com uns 6/7 anos, ouviu de meu filho Mateus que eu tinha um livro com todas as palavras do mundo. Ele duvidou, subiram pro meu apartamento, peguei o Aurélio e disse a Pedro para escolher qualquer palavra. Ele escolheu Casa e Borboleta. Depois que as viu no dicionário, desceu correndo para contar a descoberta aos outros amigos do prédio.

Gosto das palavras que reforçam o que são. Palavras cheias, redondas, agressivas, sonoras. Também das pequenas, suaves, sibilantes e serenas.

É um gosto formado, o saboreio das palavras.

Arregaçado é forte. Como desenxabido, desmiolado e desassuntado. Gravilhão, covarde, serelepe, ingratidão e saudade.

O que dizer de andaluzia, facínora e cravinote? Vendaval, estripulia, grávida, rabanete e saramunete.

Mequetrefe, borogodó, beleléu, balacobaco, faniquito, galalau, piripaque, muquifo.

Traulitada, malamanhado, escafedeu-se e se picou. Carne de pescoço, bule-bule, linguarudo, culhudeiro, milico e porradeiro. Escopeta, mulambo, galinha d’angola, sarapatel, língua de vaca.

Avenca, estrovenga, berimbau, facão, bainha, tainha, girassol e peixeira. Estrupício, urucubaca, xexelento, mixuruca, sacripanta e maciota. Piriguete, molinete, sorvete, ensopado, embriagado.

Rebucetê, chumbrega, espelunca, galalau, mequetrefe, fiofó, tribufu, pindaíba, bulhufas e gororoba.

Pra terminar, tem aquela frase que vira russo quando dita rapidamente: “Se aqui nevasse usar-se-ia esqui?”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)