EM ALGUNS LUGARES, AS CHUVAS COM TEMPORAIS E VENTOS FORTES VÃO ARRASTANDO TUDO PELA FRENTE. LEVAM CASAS E EXTERMINAM SERES HUMANOS. EM OUTROS É A SECA QUE DESERTIFICA A TERRA. TUDO É RESULTADO DA AÇÃO DO HOMEM QUE PROVOCOU O AQUECIMENTO GLOBAL. A TENDÊNCIA É QUE OS ESTRAGOS VÃO SE AGRAVAR. SERÁ QUE TEMOS COMO REVETER ESSAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?

Um dia o profeta disse que o sertão ia virar mar, mas acho que errou ou se referiu às grandes barragens e açudes que inundaram cidades e campos. Na verdade, de acordo com estudos de cientistas, o semiárido do nosso Nordeste, a quem eu denomino de meu sertão, vai é virar deserto, e o fenômeno só avança.

Tem lugares que a terra está se transformando em sal. Tenho até um poeminha com o título “O Sertão Vai virar Deserto” que fala desse tema. Há milhões de anos o sertão era mar, mas agora é outra coisa parecida com engaços e bagaços. Não está dando nem para criar animais e plantar. O sertanejo está perdendo a fé e a esperança. Está chegando o tempo que não adiantam mais rezas e procissões. É a autodestruição da humanidade.

Uns chamam isso de mudanças climáticas da própria natureza e até do El Nino, mas a questão mesmo é do aquecimento global provocado pelo ser humano há séculos. Muitos falam de um futuro de destruição do planeta diante das catástrofes e tragédias, cada vez mais frequentes e letais, mas já estamos dentro desse futuro. Acontece que a ficha ainda não caiu para essa gente estúpida.

Em algumas regiões, de dez a quinze mil quilômetros quadrados entre os estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte desse sertão semiárido, as chuvas são cada vez mais raras e aí vai surgindo a desertificação que os cientistas afirmam puder reverter.

Não sou especialista no assunto, mas sou incrédulo. Não acredito nisso porque a poluição dos gases tóxicos no ar só cresce, principalmente com o uso dos combustíveis fósseis. Ninguém quer parar de produzir (Estados Unidos, países árabes, Rússia, Venezuela e até o Brasil) esse tipo de energia suja e vai tentando enganar o meio ambiente com essa de redução paulatina, com a venda de carbono, reciclagem ou da economia sustentável.

Ouço isso há mais de 50 anos. O papo é o de sempre nas reuniões climáticas. Protestos e assinaturas de cartas de intenções e tudo permanece no mesmo, cada um olhando para o crescimento do seu bendito PIB (Produto Interno Bruto). Enquanto isso, a terra está se lascando. Nas camadas polares, no Alasca e na Groelândia, as geleiras só derretem.

No caso do nosso pobre Nordeste, trata-se de áreas há séculos castigadas que são as primeiras a sofrer, como na África e outros continentes onde predomina a pobreza extrema. É assim, os ricos são os que mais depredam a natureza e o aquecimento global incide com mais intensidade os habitantes mais vulneráveis financeiramente.

Na Bahia também, como no norte (Juazeiro e região) existem pontos onde o deserto é visível. A situação é cada vez mais crítica, sobretudo onde ocorrem as prolongadas estiagens de seca. A vegetação vai desaparecendo e nem o bode resiste. A terra fica ressecada e o sertanejo não tem outra saída senão se retirar ou morrer de fome com sua família.

Até a produção de energia eólica, mal programada e planejada, está acarretando impactos ambientais, como em Urandi, na Bahia, onde os ventos fortes provenientes das hélices estão aterrando nascentes do rio Cachoeiras. Camponeses estão sofrendo com a instalação de torres perto de suas casas. O nordestino sofre de todos os lados. É um saco de pancada.