Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

Nesse ciclo de tanto estrago,

Entre consumo e o reciclável

Da economia sustentável,

A conta nunca bate,

Tomo mais um trago,

Que se reparte,

Na resistência da arte.

 

O capital só quer consumo,

Indica quem leva o fumo.

 

A chapa só esquenta,

Nas estações de forno,

Onde não existe retorno.

 

Nos raros telefones de amor,

Oh, meu Senhor!

Nesse vosso paraíso,

Do apocalipse final juízo,

Assola a solidão,

Na loucura da contramão,

Desse metal vil,

Dos ciclones até no Brasil.

 

A conta nunca bate,

E ninguém ouve o vate.

 

Treme e geme a terra,

Na guerra, frio e calor,

Da flora, lágrimas de fogo,

Larvas espirram dos vulcões,

Do caos devastador:

Brasas, fumaças e chamas,

Tempestades engolem multidões,

Nos desertos de lamas.

 

Do leste ao oeste,

Do norte ao sul,

Lá vem Deus deslizando

Entre raios e trovões,

Como profetizou

Nosso maluco Raul.

 

Conferências climáticas,

Para reduzir o metano,

O C O Dois,

Nas propostas temáticas,

E tudo fica para depois.

 

Meu peito sangra de dor,

Nas asas do beija-flor!

Tentando salvar a floresta

Que o homem incendiou.

Só que nesse embate,

Todos só querem festa,

E a conta nunca bate.