:: 19/set/2023 . 23:05
O PATINHO FEIO DOS GOVERNANTES
Quem tem medo de cultura? Não precisa responder. É só refletir. Os governantes e políticos devem achar que cultura não dá voto, mas não imaginam que também tira. É um menosprezo, desvalorização e total desrespeito para com a cultura, e isso é secular no Brasil. É, meus amigos, a cultura é mesmo o patinho feio dos governantes.
Esse quadro ficou bem visível durante a 7ª Conferência Municipal das Cidades, realizada no último sábado (dia 16/9), no auditório do Cemae, onde praticamente nada se falou sobre cultura, como se ela não fizesse parte da cidade. O regimento interno, em seus objetivos, finalidades e proposições, nem tocou no assunto. Os trabalhos foram abertos pela prefeita Sheila Lemos.
Os palestrantes, a doutora Grace Gomes, analista de trânsito e transporte da Prefeitura de Salvador e superintendente de Mobilidade do Governo do Estado (referiu-se à cultura de forma genérica) e o professor Cláudio Carvalho, não abordaram o tema cultura, como se ela nem existisse.
Os expositores centraram-se na parte técnica, no uso do solo, infraestrutura, desenvolvimento urbano, Plano Diretor e ficaram por aí mesmo. Somente nos debates, de apenas uma hora, dos três eixos, propuseram estabelecer um jeton para os conselheiros e criar a casa desses colegiados em Conquista.
O pior é que empurraram a Conferência goela abaixo, sem contar que a participação da sociedade deixou muito a desejar, com pouca gente. Houve uma nota de repúdio com relação à ausência de representantes da Câmara Municipal de Vereadores.
Na 5ª Conferência Municipal de Cultura, entre os dias 11 e 12 de setembro, no Centro de Cultura (ausência da prefeita e também do legislativo), foram seis eixos e as discussões demoraram bem mais tempo e, mesmo assim, ainda tiveram vozes de protestos (algumas agressivas) de que a organização estava sendo antidemocrática por tentar colocar ordem nas normas e no tempo das falas.
Até no almoço ficou demonstrado que a cultura é mesmo o patinho feio abandonado lá num canto escuro. Na Conferência de Cultura foi uma quentinha insossa, enquanto na das Cidades, a prefeitura ofereceu um verdadeiro banquete, com tratamento vip.
É uma pena, mas nossa cultura em Vitória da Conquista está sem alma, anima em latim. Não é somente em Conquista, a maioria dos prefeitos nem querem ouvir falar em cultura e resistem em não criar os conselhos.
Os artistas precisam se unir para dar um basta nisso. Pelo menos de forma independente aqui estamos avançando com a organização dos coletivos em alguns setores, a exemplo dos escritores na área da literatura e do audiovisual. A maior promessa, que deve sempre ser cobrada, é a definitiva criação do Plano Municipal de Cultura para não se ficar apenas nos calendários das festas juninas e de Natal.
Quanto a 7ª Conferência Municipal das Cidades, que elegeu 24 conselheiros (o de Cultura tem 20), o que teve mesmo de brilhante foi a palestra do professor Cláudio Carvalho que foi menos técnico e mais prático com relação à nossa realidade nas cidades. Ele criticou, de certa forma, o programa Minha Casa, Minha Vida por colocar as pessoas nas lonjuras sem olhar para o problema da mobilidade urbana.
Segundo ele, no Brasil existe um déficit habitacional de seis milhões. No entanto, existem onze milhões de imóveis vazios que poderiam ser ocupados. Afirmou que o capital é quem indica onde a pessoa da classe baixa deve morar, comer e se vestir. Na procura de melhorar a vida, as famílias vêm para a cidade e ficam amontoadas nas periferias, em bairros pobres deficitários de infraestrutura básica.
Indagou o porquê de uma casa com os mesmos cômodos e tamanho em Candeias e outra igual na Patagônia, por exemplo, terem valores bem diferentes. De acordo com ele, de um modo geral, as cidades são excludentes e construídas sem o devido planejamento.
Para demonstrar como é o capital que manda, Carvalho citou o caso da Via Perimetral Pedral Sampaio, em Vitória da Conquista, que vai até as Bateias. Por que ela teve seu início de construção justamente na junção com a Avenida Olívia Flores, num local deserto, sem nenhuma segurança, de muros por todos os lados, e não no Bairro das Bateias? – indagou o palestrante.
O ENCONTRO NACIONAL DO CAFÉ FOI UM SUCESSO DE PÚBLICO E ORGANIZAÇÃO
Numa realização da Fazenda Vidigal, com mostras de máquinas agrícolas e muitos estandes de expositores de variados produtos da terra e de outros estados, não somente do café, inclusive na área literária, prestigiando os escritores conquistenses, o 14º Encontro Nacional do Café, na Fazenda Vidigal, em Barra do Choça, foi mais um sucesso de público e organização.
Neste ano, o evento foi realizado no período de 17 a 19 de setembro com uma vasta programação de palestras, cursos e oficinas sobre o tema central. A área do encontro recebeu um grande número de visitantes locais, da Bahia e de outros estados.
O evento contou com apoio da Prefeitura Municipal de Conquista, Barra do Choça, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Sebrae, Governo do Estado e uma variada gama de empresas privadas locais e de fora. A organização coube a Gianno Brito, Márcia Viana e a artística plástica e cafeicultora Valéria Vidigal.
Por intermédio de Bianca, do enLIVREs, a artista Valéria Vidigal abriu um espaço de literatura para os escritores de Vitória da Conquista apresentarem suas obras. Foi um dos destaques inéditos do 14º Encontro Nacional do Café, numa mistura do agro com a cultura.
Houve também áreas abertas para a apicultura, informática, artesanato e outros segmentos da nossa economia, numa estrutura de grande porte a nível nacional, sem contar o esquema de segurança.
A abertura oficial dos trabalhos aconteceu no domingo (dia 17/09) pela manhã, com a presença de autoridades do agronegócio e visitantes; homenagem Medalha Honra ao Mérito João da Cruz Filho; apresentação musical de Rosa Aurich e Kleber Moreno. Logo após, na parte da tarde, foram realizados os fóruns Qualidade dos Cafés da Bahia e suas Potencialidades, As Flores do Cafezal: Nossa História Tem Sabor e Um Agro Forte para a Bahia!
No segundo dia 19/09, no auditório Francisco de Melo Palheta, o tema de abertura foi Manejo das Principais Pragas e Doença dos Cafezais e suas Atualidades, seguido de Colheita Mecanizada e Podas em Cafeeiros para Altas Produtividades.
Na parte da tarde, Potencial Tecnológico de Novos Cultivares e Pesquisas de Café, Bahia e Norte de Minas e Os Novos Caminhos para a Proteção do Produtor Rural Frente aos Contratos Abusivos.
Os palestrantes, na sua maioria foram técnicos especialistas da Bahia, como da Uesb, mas o encontro também contou com professores e agrônomos de São Paulo, Goiás e Minas Gerais que falaram sobre as últimas novidades da cultura cafeeira.
No último dia do evento, as atividades foram abertas com as palestras sobre Desafios de uma Cafeicultura Irrigada no Planalto de Conquista, Chapada Diamantina e Norte de Minas, a Arte de Cultivar o Solo e o Cafeeiro para Obtenção de Altas Produtividades com Qualidade.
Encerrando o 14º Encontro, na parte da tarde, os participantes entre estudantes, técnicos e produtores debateram as palestras sobre Espaço Geográfico, Cultura e Valorização do Café e Mel de Café: Mel de Terroir.
Durante os três dias de trabalhos, o Senac ofereceu oficinas de gastronomia com base no café, inclusive minicursos sobre plantas forrageiras e cultivos do umbu gigante pelo Senar e outras instituições. A Uesb também fez uma apresentação de pôster dos trabalhos científicos desenvolvidos pela universidade sobre o café.
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