QUAL O DESTINO DO MADRIGAL?
Por várias vezes já comentei aqui sobre este assunto, ou esse equipamento municipal que há anos está fechado, mas não custa nada voltar à questão. Os artistas, principalmente do audiovisual e do teatro, estão ansiosos que suas portas se abram para espalhar cultura pela cidade.
Uma pergunta que constantemente está sendo levantada é qual o destino do antigo Cine Madrigal? Estava previsto para ser reaberto em setembro de 2021, e o Conselho Municipal de Cultura já colocou a questão em pauta diversas vezes, inclusive através de ofícios e documentos, um deles entregue em audiência com a prefeita, em julho do ano passado.
Lá está aquele imponente prédio na rua Ernesto Dantas fechado há 16 anos, sendo desgastado pelo tempo. Ali tem história quando bons filmes atraíram milhares de conquistenses. Guarda lembranças na mente de muita gente, namorados, casais, jovens, professores, intelectuais e gente do nosso povo. Eu mesmo estive lá por várias vezes assistindo boas películas.
Com capacidade para mais de mil assentos (poltronas luxuosas) o Cine Madrigal foi aberto em 22 de maio de 1968 com o filme “A Noite dos Generais” e fechado em 2001. Um ano depois, em 2002, voltou às suas atividades, mas teve que encerrar em definitivo suas ações em 30 de julho de 2007. Portanto, foram 38 anos de bons filmes, como o Titanic, que teve maior público. Conquista foi pioneira em salas de cinema (chegou a ter cinco abertas) e experimentou seu bum na década de 40.
O Madrigal foi o último dos cinemas de rua de Vitória da Conquista. Como se diz no popular, o último dos moicanos. Quando fechou as portas por causa da onda da internet, dos DVDs e fitas cassetes, a Igreja Universal – se não me engano – tentou comprar o prédio, mas não deu certo.
Depois de muito discutir, a Prefeitura Municipal, entre os anos 2015/16, no governo de Guilherme Menezes, adquiriu o antigo Cine Madrigal por cerca de um milhão e 100 mil reais, barato pela sua estrutura e localização. Foi utilizado o dinheiro do Tesoura, isto é, do povo, e passado para a gestão da Secretaria de Educação.
São sete anos sem ser utilizado, coisas da Bahia e do nosso Brasil. A intenção do governo passado era transformar o antigo Madrigal num cineteatro, conforme garantiu o secretário de Educação da época, Valdemir Dias, hoje vereador. Até o momento nada aconteceu e lá está o “elefante branco”.
Quando de uma audiência do Conselho Municipal de Cultura, a prefeita Sheila Lemos explicou que o propósito era reativar o Cine Madrigal, mas antes teriam que ser realizadas obras de reforma interna e externa de acessibilidade, de modo a atender as exigências do Corpo de Bombeiros e do Conselho de Engenharia e Arquitetura.
Estamos sabendo que já existe um projeto de licitação para fazer os devidos reparos visando a abertura de suas instalações. No entanto, fica uma interrogação, inclusive dos artistas em geral e da população sobre a sua utilização. Vai ser mesmo um cineteatro, ou apenas mais um estabelecimento de uso da Secretaria de Educação para reuniões, oficinas de capacitação e local de eventos de formatura? É isso que toda sociedade está querendo saber.
Existe a discussão de que haja uma gestão compartilhada entre as Secretarias de Educação e a de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel, mas até o momento pouco se sabe e se anunciou sobre o assunto. O poder público tem a obrigação de informar e dar uma satisfação, mesmo porque é recurso do contribuinte. A Câmara de Vereadores também precisa se pronunciar e entrar nesse debate.
Com a interdição do Teatro Carlos Jheová, na Praça 10 de Novembro, os artistas em geral, músicos, as artes cênicas e outras linguagens ficaram sem local para realizar seus ensaios e eventos. Estão indo, com sacrifícios para outros locais, como o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima que pertence ao estado.
O antigo Cine Madrigal seria o ideal para atender a demanda, mas a nossa cultura, infelizmente, está órfã de pai e mãe. Essa nossa “pobre” cultura anda aí pelas ruas como uma mendiga maltrapilha com a cuia na mão pedindo esmolas. Todos passam e poucos dão atenção jogando umas moedinhas em seu prato.
Queremos uma posição sobre este e outros equipamentos culturais, como a Casa Glauber Rocha, que também se encontra fechada a mercê do tempo que não perdoa no quesito desgaste e destruição do nosso patrimônio histórico, na verdade, um resto que ainda está de pé.












