Autoria de Jeremias Macário

Dizem que fantasmas

São almas perdidas,

Que vagam no vaivém,

Coisas de carmas,

De abertas feridas.

Para espíritas, morte é vida,

Que retornam do além,

Para pagar suas dívidas,

Encarnam em alguém.

 

Tudo é mistério e confusão.

“Só sei que nada sei”

De céu, purgatório e inferno:

Só sinto o verão e o inverno;

O resto é assombração.

 

Almas perdidas!

Andantes vivas-mortas

Nesta terra de guerra,

Que não são ativas,

E circulam por linhas tortas;

Sem visível passagem

Nessa passageira viagem,

Onde ninguém nota,

Sua atribulada rota.

 

Almas perdidas!

Sem idas e saídas.

Almas perdidas!

Rogai por elas, oh Senhor!

Para que desatem seus nós

De seus antepassados e avós.

 

Almas perdidas!

Meu canto é um pranto,

Cada um com seu santo,

E cada dor em seu canto.