UMA FRENTE PARLAMENTAR PARA A CULTURA DE VITÓRIA DA CONQUISTA
Para uma cidade do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia com mais de 300 mil habitantes, infelizmente, temos poucos representantes no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa da Bahia – ALBA. Na época dos pleitos majoritários aparecem mil candidatos para arrancar votos de mais de 200 mil eleitores, mas depois desaparecem do cenário.
De Conquista mesmo temos os deputados estaduais Jean Fabrício e José Raimundo e federal apenas Waldenor Pereira, na Câmara dos Deputados. Nas campanhas, inclusive municipal, muito se fala sobre obras de infraestrutura para a cidade e quase nada com relação à nossa cultura que tem uma série de demandas reivindicadas pelos nossos artistas em geral e endossadas, continuamente, pelo nosso Conselho Municipal de Cultura.
Vou aqui citar algumas que são básicas e urgentes como razões para que se forme uma frente parlamentar, incluindo a Câmara de Vereadores, numa parceria com o setor privado, para num esforço conjunto, tornar a nossa cultura mais ativa e pujante durante todo ano, não apenas se limitando ao São João e ao Natal, como tem ocorrido ultimamente.
Para começar e ser objetivo, temos o Teatro Carlos Jheová (interditado há mais de dois anos), o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha (rua Dois de Julho), adquiridos com recursos da prefeitura, todos fechados e que necessitam de reformas para que esses equipamentos se transformem em centros culturais multiuso.
Não podemos esquecer também da conservação e manutenção do que ainda resta do Patrimônio Material Arquitetônico onde casarões estão ameaçados de cair, como um imóvel existente na Praça Tancredo Neves. Conquista é uma das cidades baianas que não conta mais com centro histórico para se visitar.
A vida cultural de Conquista hoje está praticamente resumida aos bares e restaurantes noturnos de finais de semana, com shows de bandas e música de cantadores com voz e violão. Precisamos de muito mais que isso. Por exemplo, que ocorram festivais de músicas autorais com premiações, feiras literárias, seminários, encontros da juventude e salões de artes visuais.
Nessas arenas, hoje fechadas e sendo destruídas pelo tempo, poderiam ser realizadas atividades que contemplem as mais diversas linguagens artísticas, como a música, o teatro, o cinema e o audiovisual (cinemateca), a literatura, a dança, oficinas, artes plásticas, o artesanato e tantas outras expressões, movimentando a cidade com mais geração de trabalho e renda. É a chamada economia criativa que está parada em Conquista por falta de espaços municipais.
Não queremos apenas a revitalização do Cristo da Serra do Periperi, obra do artista Mário Cravo Junior. Muitos esquecem do Museu Cajaíba que está lá na serra a céu aberto sendo destruído e carece de um projeto de restauração e preservação por parte do poder executivo. As obras de célebres personagens brasileiras e internacionais, muitas das quais desapareceram, precisam de um local seguro, para que a memória do artista não seja apagada do nosso cenário cultural.
Todos esses pontos e mais outros de fundamental interesse para o fortalecimento da nossa arte, como a implantação de um Plano Municipal de Cultura, têm sido exaustivamente discutidos e cobrados pelo nosso Conselho Municipal de Cultura à Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer- Sectel durante suas reuniões, mas sempre se esbarra na alegação da falta de recursos.
Por falar em Plano Municipal de Cultura, uma luta do Conselho, foi elaborado e está com a prefeita para ser aprovado e colocado em prática, o Plano de Turismo para Conquista, mas, tenho dito que, sem uma cultura forte e ativa na cidade, fica aquela lacuna que por certo irá desmotivar a atração dos turistas da região e de outros estados. Sem eventos culturais constantes, pouco adianta projeto de turismo.
Confesso que da minha parte é muito triste ver a nossa cultura nessa situação de perda de sua identidade e memória. Mais lamentável ainda é não ter as demandas dos artistas atendidas. Existe um sentimento de frustração e até de revolta que, muitas vezes, acirram os ânimos entre a classe e os entes do executivo responsáveis pela cultura municipal.
Não basta a realização de editais e projetos de lei, que, vez por outra ajudam os artistas. Não podemos ficar dependentes das leis federais, como a Paulo Gustavo, Aldir Blanc, Rouanet e outras. O município tem que destinar mais recursos para promoção da sua política cultural própria, especialmente quanto a preservação e funcionamento dos seus equipamentos que estão fechados.
Para somar forças nessa empreitada (a Prefeitura Municipal sempre alega escassez de verbas) é por isso que aponto aqui a necessidade da formação de uma frente parlamentar suprapartidária que destine emendas para nossos projetos numa parceria com os empresários.
Essa provocação e cobrança têm que partir dos diversos segmentos da sociedade, dos órgãos públicos e demais entidades. O Conselho Municipal de Cultura tem levantado essa questão em seus debates mensais, mas não tem o poder de ir mais do que além disso, tendo em vista que não se trata de um órgão executor.















