Dizem por aí que gosto, religião e futebol não se discute, mas não tem jeito. Essas questões sempre aparecem numa roda de bate-papo, só que é como propaganda de bebida, com moderação e sem exagero.
A gente costuma falar muito isso numa discussão quando se está tratando de gostos diferentes e sempre concordamos que devemos respeitar o outro. É o modo de se vestir, de se alimentar, de apreciar as coisas, do jeito de vida e, principalmente, quando se refere à música e à arte em geral.
Existe pessoa insossa, sem gosto, que cai na rotina e até parece que já morreu e não descobriu. Tem aqueles que estão sempre experimentando novas experiências; realizando aventuras; fazendo esportes radicais; e andando por aí sem rumo. Outros nasceram para ser caseiros e, mesmo com dinheiro, nunca fizeram uma viagem. Existe coisa melhor que viajar? Deve existir, sim.
Quando era mais jovem, sonhava ganhar o mundo como mochileiro andarilho sem nunca mais voltar para casa, como se não tivesse família. Tive até oportunidades, mas outros acontecimentos e fatos cruzaram meu caminho e o destino mudou. Fiz outros atalhos.
É isso aí, “cada um tem seu gosto”, mas tenho observado que o de hoje não é mais como o de antigamente. A sensação é que os gostos do passado, da nossa velha geração, eram mais refinados, selecionados, saudáveis, prazerosos, qualificados, humanizados e tinham mais conteúdos. Existe coisa melhor que desfrutar os prazeres da vida? Mas tem vivente que não gosta.
Com essa nova era da tecnologia, da internet, desse progresso de correria, da competição desvairada pelo dinheiro em busca do material, do baixo nível educacional e cultural, com a consequente ausência da conscientização política e social, os gostos foram perdendo aquele sabor.
Um exemplo claro disso é com relação à musica, onde a grande maioria, especialmente jovens, opta por consumir o lixo de shows barulhentos com letras vazias, muitas de uma estrofe só, sem sentido, sem enredo, história e só banalização do amor.
Tem quem goste de som de carro, do tipo “bate estaca”, na maior altura, de furar os tímpanos. Vá falar com o sujeito que ele é um imbecil. Melhor não, porque pode ser um morto. Muitos andam por aí perturbando o sossego dos outros e acham que estão abafando.
Na minha leitura, esses caras só têm titica de galinha na cabeça e não entendem que o ouvido dos outros não é pinico. Para eles, o outro é obrigado a gostar do estilo deles. “O incomodado que se retire”. É assim que os bichos pensam.
– É, meu amigo camarada, muitos gostos foram se perdendo com o tempo. Não se gosta mais hoje de se ler um livro, assistir um bom filme, uma peça teatral, prosear causos interessantes e ouvir uma música de um compositor com letra de conteúdo, conhecimento e saber.
– Bem, já que falou nisso, gostaria de saber qual a definição atual de mau e bom gosto, se vivemos numa época de decadência da humanidade? O que era ruim, de péssimo gosto, virou bom. Podem me xingar, mas conheço gente que não come merda porque fede.
– Você agora, de uns tempos para cá, tem andado com um gosto azedo e desgostoso, com a língua ferina! Deve ser a idade que faz a gente perder os gostos de outrora e ficar assim ranzinza, carrancudo e saudosista!
– Melhor mesmo é mudarmos de assunto e deixar o gosto dos outros para lá, pois não vamos mudar o gosto de ninguém, como os que passam a vida nas redes sociais curtindo e seguindo esses idiotas “influenciadores”! Vamos conversar sobre amenidades.
– Por falar nisso, agora me veio à cuca de que uma coisa que quase todo mundo gosta é de fofocar a vida alheia, embora alguém negue de pé junto. O fofoqueiro sempre está com o ouvido colado num canto, perto ou atrás de uma porta, escutando o que o outro diz.
– Engraçado, o fofoqueiro sempre diz que não gosta de fofocar e que é de guardar segredo. “Minha boca é um túmulo”. Acredite se quiser, mas é melhor parar por aqui, porque “cada um com seu gosto”, e não se pode desgostar.