Em seu livro “Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado”, o pernambucano Frederico Bezerra Maciel, estudioso de temas regionais, sacerdote com estudos eclesiásticos em São Paulo, Rio de Janeiro e Olinda, usa alguns vocabulários matutos, muitos dos quais do arcaísmo nordestino.
Vejamos alguns deles:
Contecos – contos de reis
Truve (arcaísmo) – trouxe
Às Tuias, por às tulhas – aos montes
Extratado – perfumado
Falso do corpo – pederasta, passivo
Grelha, de escancho – cavalo magro, ordinário de monta
Madruceu – amadureceu
O-não-sei-que-diga – diabo
Percisão – por precisão, de precisar, necessitar, satisfazer o sexo
Bisaco – mochila de pano
Bogó – saco de couro com gargalho, amarrado numa corda
Liformizado – uniformizado, bem vestido
Cangalha abade – abarda é o pequeno colchão de capim sobre o qual se coloca a cangalha a fim de não ferir o lombo do animal.
Grugunzado – rumor confuso de vozes humanas.
Arripunar – repugnar
Disgramado – por desgramado, desgraçado
Mucumbo – designa o cóccix, ou matutagem
Mucumbu – pode ser também nádega, bunda
Furico ou furnico – ânus
Muléstia dos cachorros – expressão ofensiva, significando grande raiva ou ódio
Tripa gaiteira – ânus
Maliconia, Maniconia – melancolia
Canhim – Caim e também o diabo
Destiorado – enfraquecido, estragado
Pés-de-barro ou Pé-branco – assim chamados os soldados (macacos) que, vindos da capital, não suportavam as andadas ásperas do sertão.
Ganhando o oco do mundo – correr em disparada com medo, assustado, perdido, deixando tudo para trás.
Existem também os rituais de rezas próprias da região em ocasiões específicas, como no sepultamento de um defunto, chamadas de “Incelenças (excelências) e Benditos”.
“Uma Incelença,/Ó Mãe amorosa,/ Seu filho vai morto/Da vida saudosa. E na reza do bendito:/Eu ofereço esta reza/ Ao Sinhô que tá na Cruz,/Que nos livre do malino/ Pra sempre. Amém, Jesus.
Ainda fazendo parte do ritual, ao descer o corpo na cova, e pondo as despedidas nos lábios do falecido:
Adeus, meu irmão,/Amigos também,/ Eu vou pra eternidade,/Pra sempre, Amém.