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TEM DIA…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Sempre tem um dia diferente

Mesmo na alma da gente.

 

Cada dia

Tem o seu pôr-do-sol,

Seu alvorecer,

São vários num só,

Tudo muda,

Tudo se transforma,

Assim é o nosso ser.

 

Tem o dia da alegria,

Do banzo triste,

Dizendo que você não existe,

Que faz brotar a poesia.

 

Tem o dia da caça,

Outro do caçador,

Até do escravo

Que se torna senhor.

 

Tem o dia que se quer esquecer,

Aquele que gruda na memória,

Como fotos antigas de família,

Coisas que marcam nossa história.

 

Tem o dia…

Do humano e desumano,

O sagrado e o profano.

A FRAUDE DAS ELEIÇÕES NÃO ESTÁ NAS URNAS E SIM NOS CANDIDATOS

  Nos últimos anos a oposição e alguns contestadores de plantão têm apontado que as urnas eletrônicas brasileiras são passíveis de fraudes. No entanto, entendo que a fraude está nos próprios candidatos, muitos dos quais falsários, investigados por corrupção, embusteiros e não pagadores de promessas que enganam os incautos eleitores.

  A fraude está mais no próprio sistema eleitoral que por natureza favorece os mais fortes e astutos que usam as brechas para se eleger. A fraude está no conjunto das fake news, nos políticos mentirosos, nos engomadinhos engravatados maquiados de defensores do povo e agora nas montagens da IA – Inteligência Artificial.

A urna eletrônica no Brasil foi criada há 30 anos, automatizada por uma empresa brasileira, a Omnitech Serviços em Tecnologia e Marketing, introduzida nas eleições municipais de 1996. O primeiro presidente eleito eletronicamente foi Fernando Henrique Cardoso.

   As gerações de meia idade lembram muito bem daquelas urnas analógicas ou de papel onde os votos eram introduzidos numa caixa de madeira e até de papelão frágil. Meu primeiro voto, se não me engano, foi em 1966 durante o início do regime militar, no município de Amargosa, quando fui escolhido para ser mesário na brenha de um povoado.

  Após encerrada a votação (as eleições eram municipais e para deputados), os mesários retornaram à noite no breu de uma estrada de chão, acompanhados de um ou dois soldados, com um medo danado de sofrer um assalto de algum candidato insatisfeito interessado em reverter os resultados do pleito.

   Bem antes disso, na Velha República, as fraudes eleitorais eram generalizadas pelos “coronéis” do sertão, fazendeiros poderosos e pelos chefes políticos valentões que não hesitavam em matar seus adversários para se manter no poder. Muitos votos eram anulados, urnas extraviadas e até queimadas.

   Uma eleição ganha num município valia uma patente de “coronel”, que poderia deixar de ser se perdesse. O voto de cabresto (ainda existe até hoje num esquema mais sofisticado) era disputado na base da bala, da tocaia para eliminar o chamado “inimigo”.

   O “coronel”, ou candidato, sabia o voto de cada agregado seu que trabalhava para ele. Cada urna era marcada e se sabia quem votou contra ou a favor. O “traidor” era surrado e até pagava com a pena de morte.

    Com o passar do tempo, ainda em plena ditadura militar, o esquema modernizou-se um pouco, mas os métodos eram parecidos. Permanecia o medo de se votar contra o prometido e ser descoberto pelo candidato, os cabos eleitorais e os coordenadores da campanha.

  Confesso que votava naquele que meu pai indicasse, com receio de que ele viesse a saber depois que votei em outro que não era seu coligado. Esse medo no subconsciente sempre perseguiu o eleitor até hoje como resquício da votação no papel.

  As urnas antigas nos deixaram aquele saudosismo do eleitor revoltado contra o sistema e o regime de opressão, que escrevia nas cédulas sua opção por algum personagem folclórico da cidade, no jumento do seu Zé da Carroça ou expressava sua rebeldia com “abaixo a ditadura”, dentre outros recados ousados aos políticos.

    Hoje não dá mais para se fazer isso com a urna eletrônica que o Tribunal Superior Eleitoral garante que é segura, mas a fraude está mesmo na maioria dos candidatos eleitos que usam o dinheiro e se aproveitam da concorrência desleal que o sistema oferece para quem tem mais recursos e a máquina do poder na mão.

RETORNO DAS SESSÕES DA CÂMARA

   Depois do recesso de meio de ano, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista retorna, nesta quarta-feira (dia 05/08), a partir das 9 horas, aos trabalhos das sessões ordinárias no Plenário da Vereadora Carmem Lúcia, com a discussão de vários projetos de interesse da população.

  Dentre outros, os parlamentares vão apreciar o projeto que prevê a aplicação de penalidades para o descarte irregular de entulhos, resíduos e lixo; o que garante assistência religiosa aos pacientes internados em hospitais públicos e privados; bem como a proibição à comercialização e administração de medicamentos e vacinas anticoncepcionais para cães e gatos sem prescrição médico-veterinária.

  Quanto ao descarte irregular de lixo, principalmente em terrenos vazios e abandonados, esta é a prática mais comum em Vitória da Conquista, que deixa uma péssima imagem para a terceira maior cidade da Bahia, chamada por muitos de a “Suíça Baiana”. Além de causar danos ao meio-ambiente, representa sérios riscos à saúde pública.

   Mesmo proibido por lei municipal e federal, com punições de multas e até penalidades criminais, as pessoas continuam transformando locais públicos e privados em lixeiras por falta de uma fiscalização mais rígida por parte do poder público.

    O cenário é mais grave nas periferias da cidade em terrenos de particulares que não são cercados como deveriam ser conforme já determina a legislação municipal em seu Plano Diretor. Muita gente joga não apenas plásticos em locais proibidos, como móveis, colchões, pneus e outros objetos usados e ainda toca fogo em monturos.

    Esses locais são verdadeiras fontes para a proliferação do mosquito da dengue, sem contar o surgimento de insetos, ratos e até cobras que terminam invadindo residências próximas a estes lixões. Dia desse chegaram a jogar entulhos até na Lagoa das Bateias.

  O projeto que prevê a aplicação de penalidades nesses casos já existe em lei, só que os poluidores do meio-ambiente não são punidos como deveriam ser. Trata-se de mais uma “lei morta” porque a Prefeitura Municipal tem também a sua parcela de culpa por falta de fiscais para punir os infratores, inclusive os proprietários de terrenos que não muram seus imóveis.

     Além desses projetos de importância para a comunidade, os vereadores voltam a se reunir todas as quartas e sextas-feiras, a partir das 9 horas, com apresentação de indicações, requerimentos,  moções de aplausos, notas de pesares, sessões especiais e outras atividades relativas às demandas do município.

 

AS ELEIÇÕES DA IA E OS GOLPISTAS

  Nem ainda foi dada a partida para a campanha eleitoral nas mídias e começaram a aparecer postagens da IA (Inteligência Artificial) nas redes sociais, caso da convenção do Flávio Bolsonaro onde aparece o pai falando. Tudo indica que esta vai ser a eleição da IA, como foi a do Facebook e do Twitter no passado.

   Os chamados “influenciadores” e os operadores de redes vão nos encher de IA, e aí vai ficar difícil distinguir o que é verdadeiro do falso. O Tribunal Superior Eleitoral com seus núcleos regionais sempre diz que vai monitorar e punir os falsários, mas sabemos que isso é conversa para boi dormir.

    O mundo da internet é vasto, numa terra ainda praticamente de ninguém. No máximo fazem alguma filtragem e pega alguns bodes expiatórios para mostrar, como exemplo, que seus técnicos estão atentos. É a mesma coisa do tráfico de drogas. Quando os policiais prendem uma tonelada, mais dez mil já passaram.

    Nesse sistema eleitoral arcaico e coronelista, conta quem tem mais bala na agulha, ou seja, dinheiro e máquina governamental para atrair o eleitor, a grande maioria inculta e que ainda vota por favores, sem contar a ideologia da fé religiosa de Deus, Pátria, Família e Tradição. Os nossos jovens de 16 anos estão nesse cardápio.

   Depois do advento da internet, principalmente, a eleição brasileira está muito ligada com os golpistas das bandidagens que sempre estão inventando um meio de enganar e ludibriar as pessoas. Essa gente nos passa a impressão que trabalha 24 horas por dia, fazendo a troca de plantões.

    A grande maioria dos candidatos pode ser comparada com os golpistas. A partir de agosto até outubro suas redes socais vão estar inundadas de fake news, de informações falsas, e os eleitores começam a brigar entre si, cada um defendendo a sua mentira.

  Na verdade, as fraudes não estão propriamente nas urnas, mas no que os candidatos falam uns dos outros, sem programas sérios de trabalho, mas com aqueles pacotes de promessas falsas e embalagens atrativas. O ódio e a intolerância vão aumentar, bem como os mesmos que estão aí no Congresso Nacional. A tendência é engrossar as fileiras dos fundamentalistas e dos extremistas.

   São oito países na lista da direita na América do Sul e o Brasil pode ser o nono com o dedo do Trump que saiu das profundezas dos infernos para atanazar o planeta, cujos mandatários vão aceitando suas intervenções, como aconteceu com Hitler a partir de 1933. Agora ele está matando o povo cubano de fome e deixando a ilha às escuras.

    Agora com a IA não mão, como ferramenta de sedução, num campo vazado sem o esclarecimento e a consciência política, esta vai ser a eleição dos golpistas. Não vejo nenhum “cientista político” falar neste tipo de fraude. O vilão é sempre a urna que recebe os votos a favor dos golpistas,

 

TEM DIA QUE NÃO SE DEVE SAIR DE CASA

Nos tempos atuais da pressa, das correrias e das disparadas, onde o ser humano se tornou mais individualista e egoísta, cada um por si, tem dia que não se deve sair de casa. Melhor ficar em seu canto, emburrado, banzo roendo a corda e não se falar com ninguém.

  Quando se tem um pesadelo na madrugada, acorda-se mal-humorado e é aí que se deve ficar em seu canto, mas o compromisso lhe chama. O indivíduo sai na marra, se arrastando pelos muros.

  Essa carga pesada de energias não boas faz você não resolver os problemas a contento. Parece que nada dá certo e você retorna mais constrangido, porém, tem o outro dia de renovação. É colocar a cabeça no travesseiro e esperar o amanhã.

 Quando não se está bem, você faz um esforço danado para dar um bom dia para um amigo ou conhecido. Tudo faz para não esticar a prosa. Você só quer seguir na sua e, às vezes, atravessa a rua para evitar o encontro e não ser antipático.

 Lembro bem quando morava em Salvador, pegava o “busú” e estava me sentindo agoniado. Ficava irritado quando o parceiro ou parceira do banco ao lado começava a puxar conversa e tinha uns tagarelas que não paravam de falar.

Respondia em monólogo ou mudava de lugar. Na certa, a pessoa devia me achar insuportável e intragável. Em termos psicológicos, cada pessoa tem a sua maneira de reagir e isso precisa ser respeitado.

   Tem gente que está sempre alegre e supera as adversidades. Outros têm temperamentos diferentes. No entanto, todos sofrem, inclusive aqueles que não deixam transparecer a angústia. Esses choram no recôndito de suas almas, de modo que ninguém veja.

  Nas ruas das grandes cidades, nas repartições, nos escritórios, nas praças, muitas vezes, vejo pessoas grunhindo, uivando, relinchando, latindo, miando e urrando como animais selvagens.  Tudo indica que foi minha noite mal dormida de pesadelos. Não deveria ter saído de casa para não contaminar o humor dos outros.

   A vida é assim, meu amigo, como ela é, como já disse o saudoso cronista Nelson Rodrigues. Ninguém é obrigado a entender o mal humor do outro, mas cada um sabe de si, sabe onde o sapato aperta. “Não julgue para não ser julgado”. Ninguém é igual, nem perante as leis.

   Nesses tempos cavernosos do capitalismo selvagem, o que mais nos aflige é o diabo ou o deus do dinheiro. Essa espécie animal nos persegue e é o problema maior dos pobres e da classe média. Diria que até mesmo dos ricos porque, quanto mais se tem, se quer.

    Quando se fala nele, logo se diz que é o problema de todos. Quando se vai pedir uma grana emprestado a um “amigo” ou parente, o outro chora tanto que o lascado fica com pena e mete a mão no bolso lhe dando as últimas moedas. É por essas e outras que tem dia que não se deve sair de casa.

 

 





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