Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Eu aqui triste, tão só,

E num repente,

Seu olhar

Beijou meu rosto,

Queimado pelo sol,

Senti seu gosto

Ardente do sertão,

Depois sumiu,

Sem me dar adeus,

Fazendo palpitar

Meu clandestino coração.

 

Aquele seu olhar

Perfumou minha alma,

Com seu encanto da paixão,

Deixou ela mais calma,

Como feitiço de verão.

 

No açoite do tempo,

Envergado pelo vento,

Nos embates da ditadura

Contra o regime opressor,

Com a mesma ternura,

Encontrei aquele olhar

Verde como a cor do mar,

Que curou a minha dor.

 

Na tortura, ela se foi.

Virou estrela de luar,

Mas, seu olhar

Em mim ficou

Como eterno amor.

 

Aquele seu olhar,

Morena linda e serena,

Foi como um beija-flor

Em chuva de gravatá,

Com suas asas pousou

E livre ao céu voou.