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:: 25/jul/2026 . 11:09

SUPERTIÇÕES E REZAS

   Lampião tinha o seu lado cangaceiro, trágico, violento, cruel e bárbaro, mas também uma banda mística, religiosa e cheia de superstições e rezas. Os sertanejos nordestinos daquela época viam esta faceta e até o consideravam assim, tanto que achavam que ele era imbatível e invencível de corpo fechado. Era até um enviado de Deus para fazer justiça.

  O “rei do cangaço” passava esta mística para seus companheiros cangaceiros, oravam juntos as suas rezas e cumpriam as obrigações supersticiosas. Lampião chegava até a rezar “missa” nos esconderijos e todos levavam nos saquinhos amarrados as suas orações. Jejuava nas quartas-feiras. Dizem que Virgulino tinha até o poder de envultar, de desvendar sonhos e da adivinhação.

   A imprensa do sertão e do litoral, inclusive do Rio de Janeiro, mesmo com seus exageros, teve um papel preponderante na divulgação dos fatos, ora contando as histórias e feitos por onde o bando passava, ora mostrando a deficiência dos governantes e das forças das volantes em acabar de vez com o cangaço. Denunciava as corrupções das tropas, suas violências contra os camponeses e a ausência do Estado no Nordeste.

  Bem, vamos a algumas superstições enumeradas pela autora Élise Grunspan-Jasmin em seu livro “Lampião, o Senhor do Sertão”. A lista é extensa, mas algumas nos chamam a atenção, como cangaceiros não comem tapioca, não sentam numa pedra que serviu para amolar facas, só passam por debaixo de uma árvore no seu lado direito e não saltam por cima do muro e sim de lado, levantando primeiro a perna direita.

 Dentre outras, destacamos que cangaceiros não trocavam de roupa, evitavam tomar banho (dizem que Lampião perdeu suas mágicas e foi morto porque acampou no leito seco de um riacho e chovia muito), não bebiam água de bruços e quando bebiam jogavam um pouco nas costas, limpavam os anéis que roubavam e depois assopravam, nos fuzis colocavam um número ímpar de balas, nunca se barbeavam na sexta-feira, a segunda é consagrada às almas e a terça-feira é fonte de perigo, não montavam em égua prenhe e nem em selas onde existiam roupas de mulheres, não passavam por debaixo de redes, no pescoço do cavalo e em mudanças evitavam relações sexuais.

  Quanto as orações, segundo a autora da obra, os cangaceiros estruturavam suas vidas em torno de rituais mágico-religiosos específicos, mas se protegiam com inúmeros amuletos, como as figas, patuás e, principalmente as rezas fortes, faladas ou escritas em pedaços de papel colocadas em saquinhos.

  As orações fortes mais antigas são a Oração Preciosa, a Oração Poderosa e Reservada, que permitem graças aos segredos que encerram, vencer as adversidades e defender-se contra as forças do mal e dos inimigos.

  Existiam entre eles outras rezas, como a Oração do Rio Jordão, a Oração de Santa Catarina, de São Jorge, Custódio ou Oração das Doze Palavras Ditas e Retomadas, o Creio-em-Cruz, a Força-do-Credo, Credo às Avessas, o Rosário de Santa Rita, a Oração da Cobra Preta, a Oração da Pedra Cristalina, a Oração das Estrelas, a Oração do Sonho de Santa Helena, dentre outras.





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