Longe de mim defender aqui o indivíduo que matou a tiros a ex-mulher (Yasmim) porque ela se recusava a viver com ele. No entanto, fica aqui uma indagação: Por que a polícia não conseguiu mobilizar o suposto criminoso que apenas estava com uma faca, quando sabemos que teria recursos e meios para tanto?
É a violência contra a violência? Para esta sociedade hipócrita e o sistema que cria a própria barbaridade, tinha que matar mesmo. Vivemos a Lei de Talião (lex telionis), famosa pela máxima do “olho por olho, dente por dente” onde estabelece que o castigo deve ser proporcional ao dano causado pelo infrator.
A origem vem do Código de Humurabi (1772 a.C.), a mais antiga codificação de leis escritas da Mesopotâmia. O preceito foi incorporado na Bíblia hebraica (Êxodo e Levítico). Vamos aprovar a Lei de Talião?
No caso específico do Brasil, a violência nos transporta aos tempos do cangaceirismo e do coronelismo nordestino, onde a região, isolada socialmente por séculos, era terra de ninguém até meados do século XX, quando se fazia a justiça com as próprias mãos, porque não havia Justiça.
No episódio recente de Vitória da Conquista, matou-se a própria prova do crime, porque em termos jurídicos não há processo material para o julgamento do réu, assim entendo, mesmo não sendo advogado especialista no assunto.
Não posso aqui avaliar as circunstâncias, mas um grupo de soldados, que recebeu treinamento e instruções de procedimentos, não poderia ter detido o agressor, sem matá-lo, como, por exemplo, dado um tiro na perna do elemento?
A polícia não pode agir emocionalmente, tomada pela raiva do momento. Nessa hora ninguém quer saber como o cara foi morto e se havia possibilidade de ter sido preso para ser julgado e sentenciado, para pagar seu ato cruel na cadeia.
Como já nos acostumamos a viver num quadro bárbaro de violência contra a violência, a maioria por motivos torpes, como matar a mulher porque não mais aceitava o relacionamento, ninguém aqui quer saber se a polícia agiu corretamente, ou se deveria ter atuado de outra maneira.
Para esta sociedade, tinha que matar mesmo, na base da violência contra a violência. Com nunca se confiou na justiça brasileira, nesse caso, a justiça foi feita e o resto não importa, se a polícia poderia ter ou não mobilizado o sujeito.
Infelizmente, vivemos numa época tão violenta e desumana que as pessoas não param mais para refletir sobre suas ações e a dos outros. Perdemos a voz da razão e até não mais concordamos que violência só gera violência.
Entendemos que o certo mesmo é a violência contra a violência porque já estamos dominados pela emoção e a ira contra os crimes bárbaros, como se esta atitude fosse resolver os problemas sociais. No fundo, quase todos concordam com a pena de morte. Aliás, pesquisas já revelaram isso.
Como estamos falando de agressões contra as mulheres, cada vez mais em alta escala, não paramos para raciocinar que essa tal de medida preventiva é uma balela, um embuste e uma demagogia política, mesmo porque, na prática, ela não funciona.
Por acaso, o policial vai ficar 24 horas vigiando os passos do agressor cuja mulher conseguiu a medida protetiva judicial? Ele continua com o direito de transitar em qualquer lugar e chegar até a ex-companheira que não tem nenhuma segurança pessoal. Nem “presa” dentro da sua casa ela está salva.