:: mar/2026
POLÍTICA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO
Na sessão ordinária de ontem (quarta-feira, dia 18/03), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos de interesse da população, com destaque para a Política Municipal de Habitação, com a criação do Fundo Municipal de Habitação.
Também entrou em debate a criação do Dia Municipal de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância, que será celebrado no dia 20 de setembro, bem como o Dia Municipal da Ação Climática em Conquista.
Os parlamentares presentes usaram da tribuna, como Adinilson Pereira, para informar ao povoado da Cabeceira sobre o ato de assinatura, nesta quinta-feira, dia 19/03, do contrato de ampliação da escola Francisco Antônio de Vasconcelos. Todos esperavam a ampliação da unidade de ensino.
Dinho dos Campinhos anunciou que no dia 6 último foi assinado uma ordem de serviço de uma creche em Morada Nova com a criação de 180 vagas que vai atender ao Simão e imediações. No próximo ano vamos acrescentar para mais 300. Também será concluída a construção do posto de saúde, beneficiando Cidade Modelo e outros bairros próximos.
A vereadora Gabriela Garrido agradeceu a presença de jovens na plenária da Câmara. Ela se reportou sobre mais um feminicídio, em Planalto, com atos de crueldade. Na ocasião, defendeu a realização de mais campanhas nas escolas para prevenção contra a violência doméstica, dizendo que não bastam as leis.
O “VELHO CHICO” COM SEUS BARCOS E O MUSEU DO SERTÃO EM PETROLINA
Quando venho a Juazeiro, da Bahia, a primeira coisa que faço é ir visitar meu “Velho Chico”, ou Rio São Francisco, do colonizador Américo Vespúcio, mas prefiro o Opará (rio grande, cheio) dos indígenas que aqui viviam.
Bem que esses deputados, cuja maioria só pratica a bandidagem, poderiam apresentar um projeto para mudar seu nome para o original. Opará é bem mais autêntico. Tomei a sua benção e pedi que os homens tomem vergonha na cara e o proteja dos males da depredação.
Ele está abastecido graças as chuvas de São Pedro, mas há alguns anos suas margens estavam tão secas que até os peixes sumiram, e os ribeiros, que dele sobrevivem, estavam passando fome. Sempre falam de revitalizá-lo, mas é só baterem as águas e tudo é esquecido.
Dei sorte que dessa vez comi aquela deliciosa moqueca de surubim. Quando o rio sofreu aquela tremenda sequidão, recordo que praticamente não se encontrava um peixe para ase alimentar, e as barquinhas chegaram a parar por causa dos bancos de areia.
Pequei aquela barquinha e naveguei em suas águas por 10 minutos para Petrolina (Pernambuco), a cidade com outra qualidade de vida 100 vezes superior a Juazeiro, e não estou exagerando. Do lado da Bahia, só se ver esgotos abertos, ruas sujas e muita muriçoca. Aliás, Juazeiro é a capital das muriçocas e pedintes.
Em Petrolina fui visitar o antigo Museu Municipal do Sertão, citado no livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, do médico antropólogo Estácio de Lima. Valeu a pena porque entrei no mundo dos sertanejos nordestinos e muita coisa me fez lembrar dos tempos de menino na roça.
Lá estão à disposição dos visitantes, os jalecos e gibões de couro dos vaqueiros, símbolos nordestinos, pilões de pisar café, milho e outro produtos, antigos bules, camas, sanfonas, espingarda, ou garruchas, fogões a lenha, bacias, pinicos e outros objetos que fazem parte da cultura popular nordestina.
O calor de Petrolina e Juazeiro é de rachar, mas têm como maior riqueza o “Rio Opará” banhando as duas cidades. Muitos aproveitam para dar aquele mergulho merecido, até os moleques que pegam uma ponga nas barquinhas.
Voltei do outro lado pernambucano aproveitando aquela paisagem que faz a gente esquecer os problemas da vida. É uma travessia que nenhum turista pode perder, sem falar que é um meio de transporte que faz os usuários se livrarem do tumulto da ponte que divide Petrolina e Juazeiro. O idoso tem passagem livre por duas vezes ao dia, mas se resolver repetir a terceira, paga meia, ou um real e cinquenta centavos.
Como ninguém é de ferro, para aliviar o “calor de matar”, dei um, tempo para tomar umas geladas nas barraquinhas simples de palha. Enquanto comentava sobre o cansaço da viagem, a garçonete virou para mim e me animou com sua simpatia dizendo, “vamos beber que amar está difícil”.
Em Juazeiro, aproveitei para apreciar as grandes carrancas do Rio São Francisco e, mais uma vez, senti a falta do antigo Vaporzinho transformado em restaurante que ficava na orla. Infelizmente, na Bahia e no Brasil em geral, as pessoas e os governantes vão destruindo nossa memória.
O CANGACEIRO CANTOR E COMPOSITOR
Entre os grupos de cangaceiros nordestinos, alguns se destacaram como verdadeiros artistas anônimos, cantando e divertindo seus companheiros depois das brigadas e das persigas, em acampamentos armados de forma improvisada nos agrestes dos sertões.
Muita coisa foi perdida, mas alguns pesquisadores conseguiram recuperar preciosidades escritas em sua linguagem que, até certo ponto, era diferenciada do povo nordestino comum. O antropólogo Estácio de Lima afirma que “a obra de arte é o que foi e é o que será”.
“Conhecer o seu semelhante, interpretar-lhe o sentimento, decifra-lhe os arcanos da alma, é algo, realmente, complexo” – diz Estácio. Segundo ele, poetas e prosadores convencionais costumam fazer-se escravos da sintaxe, da rima, do que lhes parece harmônico, dos dicionários, do estilo, da metrificação e, em última análise, dos ditames das escolas literárias, que amarram as ideias, comprometem a inspiração e alteram a realidade.
Nos versos populares, nota-se que para o jagunço, para o sertanejo em geral, o grande vaqueiro, corredor das caatingas, vale mais que um doutor. Lampião, que foi sanfoneiro, antes de entrar para o cangaço, foi um valente vaqueiro. Era grande a aproximação entre o cangaceiro e o Padre Cícero Romão, e o artista Theo Brandão retratou bem isso em seus versos.
O poeta José Cordeiro conta os preparativos, os planos e o combate em Mossoró, em 1927, onde Lampião saiu derrotado. O metrificador Antônio Theodoro fala dos apelidos dos bandidos em sextilhas de cordel.
No entanto, não se encontrou na literatura e na poesia referências sobre o Código de Honra dos cangaceiros, principalmente quanto ao tráfico de armas. Existia entre as partes um pacto de silêncio. Sabe-se, porém, que muitos oficiais da polícia, chefes políticos e coronéis de patente estiveram envolvidos, como acontece até hoje no âmbito do narcotráfico e das quadrilhas organizadas.
Quanto a arte no cangaço, entre os cangaceiros, Gitirana (não gostava que colocasse o “J” na inicial do seu nome), voz de barítono, foi o destaque e animador das festas, nas bem traçadas emboladas, com gritos guerreiros. Descreve o autor Estácio, de “ O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, que ele mesmo se comovia, quase às lágrimas e também aos ouvintes. Ele era acompanhado pelo realejo do bandoleiro Jandaia.
Gitirana foi o cantor das caatingas e se impôs como o barítono maior de “Mulher Rendeira”. Ele gostava dos cocos. De acordo com Estácio, que entrevistou alguns de seus companheiros, Gitirana gostava dos remexidos, como “Bala in balaxo/ Bala in riba/Bala in baxo…/ Foi pru mode o cararú…/Eu não quero nem fala…/ Quem num come de castanha/ Num percebe du caju/ Num conhece du fubá…/ Quem num pode cum mandiga/ Num carrega patuá!
Nos pousos (remanso do “ponto”), nos coitos ou nas marchas penosas, ouvia-se sua voz: “Laranjeira, laranjeira/ Laranjeira, laranjá/ Eu disse pra laranjeira/ Qui num botasse fulô…/ Que passasse Cuma eu passo,/Qui passasse sem Amô!
Na alma do cangaceiro, suas rimas eram agudas, cortantes, de expressões bélicas, explosivas, nostálgicas e de afeto. Em redondilhas, outra possivelmente de Gitirana dizia: “Quem num prova de castanha/ Num conhece du caju,/ Mulé sortêra tem manha/ Qi nem sapo cururu…// Se nóis prova du dendê/ Sem cumê du caruru/ Num sabe a gente cumê/ Nem briga num suruú!
Gitirana nos deixou essa doçura de canção: “Amô remexe cá gente/Chegando di supetão…/ Mais pió qui dô di dente/ É senti parpitação. Como ele apreciava a cabrocha, cantava essa: “Cabrocha pra sê bunita/Bonita cumo os amô,/Basta um vestido de chita/ I na cabeça u´a frô!//Toda cabrocha bunita/ Num sabe tê sentimento…/Vistida entonces di chita/ Só sabe tê trivimento!
O artista chegou a ser recolhido à cadeia de Jeremoabo, na Bahia, ao se entregar, atendendo a promessa do perdão, mas a alma de poeta, habituado a viver livre no agreste, não se adaptou ao local. Revoltou-se, arrombou a prisão e partiu para Sergipe onde morreu tuberculoso, no anonimato.
Estácio de Lima nos revela que “Todamerica” gravou em disco a voz de Volta Seca, incorporando corretamente à “Mulé Rendêra”. Labareda também cantava, mas não tinha o mesmo talento de Gitirana.
Os “macacos” tinham seus cantadores que falavam dos seus embates contra os cangaceiros. Em versos, os bandidos eram sempre tratados com deboches, sem falar nas vantagens que levavam contra os inimigos.
AS PREVENÇÕES CONTAS AS CHUVAS
A questão da morte da senhora Rosânia que foi tragada pelas águas das chuvas, no canal da Avenida Caracas, na semana passada, foi amplamente debatida pelos vereadores durante a sessão ordinária desta sexta-feira (dia 13/03), realizada pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
O vereador Andreson conclamou a todos a fazerem uma reflexão sobre o acontecido e dirigiu duras críticas ao poder público municipal que, de acordo com ele, foi omisso em não ter tomado as devidas providências de proteção em torno do local, tendo em vista que ocorreu o mesmo em novembro passado com um senhor que, felizmente, conseguiu sobreviver.
“O poder municipal foi omisso na morte de dona Rosânia” – enfatizou o parlamentar, alertando que a cidade precisa estar preparada para suportar os temporais advindos das mudanças climáticas que estão atingindo, não somente Conquista, mas todas as partes do Brasil e do planeta.
O parlamentar Luciano Gomes também foi no mesmo tom sobre a morte da senhora, dizendo que foi uma fatalidade anunciada. Destacou que a área do canal na Avenida Caracas precisa de grades de proteção e não de ser fechada, como foi feito.
Na ocasião, Luciano parabenizou o deputado estadual Fabrício Falcão que, em nome do Governo do Estado, fez a entrega de motos para motociclistas que não cometerem infrações nos últimos anos. A vereadora Lara usou também a tribuna para falar sobre a morte de dona Rosânia e agradeceu em público a todos que contribuíram diariamente pela busca do seu corpo.
Além das falas dos vereadores, a sessão ordinária discutiu diversos projetos da pauta, como a proposta que cria o Dia Municipal de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.
Foram debatidos ainda o projeto que institui o Dia Municipal do Policial Veterano, a ser celebrado anualmente no dia 13 de junho, bem como a matéria que reconhece a escola bíblica dominical como patrimônio cultural e imaterial do município.
O CÃO RECONSTRUÍDO
(Chico Ribeiro Neto)
Numa encosta da Avenida Centenário, há alguns anos, surgiu a escultura de um homem com o cachorro na coleira, tudo feito com material reciclável, principalmente garrafas PET.
No Carnaval destruíram o cachorro e arrancaram o braço de Q-Boa do rapaz. Pois bem, a escultura de André Fernands ressurge agora, reconstruída e mais bonita. A expressão do homem é de PET, mas é de paz. Todo branco, com orelhas pretas, o cão renasceu. O trabalho de André Fernands fica numa encosta da Avenida Centenário (sentido Calabar).
“Transformando em arte aquilo que o mundo descarta como lixo”, diz André Fernands no seu Instagram (@andrefernands2009), onde se define como “artista plástico, palestrante, catador de resíduos e ambientalista, pai de João Paulo Fernandes”.
“Trabalha há mais de 30 anos com resíduos plásticos, transformando lixo em arte e embelezando a cidade de Salvador”, diz matéria sobre ele postada nos site noticiasavera.com.br em 29/4/2024, acrescentando: “Uma de suas obras mais conhecidas é o Bandeirão dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, composto por cerca de 300 mil tampinhas de garrafa PET. Essa obra levou 6 anos para ser concluída e contou com a participação de crianças do projeto Praia Limpa na coleta das tampinhas pelas praias de Salvador”.
André Fernands tem vários trabalhos espalhados por Salvador que podem ser vistos no seu Instagram. Parabéns, grande artista, você reage aos dilapidadores e torna essa cidade menos cinza.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
AVENIDA INTEGRAÇÃO
Quando aqui cheguei há 35 anos (hoje me sinto um conquistense) me disseram que a Avenida Integração (Presidente Dutra) dividia Vitória da Conquista em duas cidades, a mais pobre e abandonada, chamada de Zona Oeste, e a mais rica e privilegiada, a Zona Leste. Quis o destino que eu morasse na segunda, embora não pertencesse à classe alta. Quanto a essa diferenciação social, o povo tinha e tem total razão de assim classificar a cidade, mas com o tempo muita coisa mudou. Entretanto, os desníveis em termos de equipamentos, estrutura e poder aquisitivo ainda permanecem. José Pedral, em seu primeiro governo, a partir de 1963, tinha a intenção de reduzir essa desigualdade, porém seu mandato foi interrompido em maio de 1964 pela ditadura civil-militar. No Governo do PT foram construídos o Espaço Glauber Rocha, que sofreu desvios de suas funções, o CAIC e o Ifba (o Instituto Técnico Federal). Da parte do setor privado, surgiram alguns hotéis, restaurantes e lojas comerciais de porte, mas o peso da economia continua na Zona Leste onde os políticos sempre injetaram maiores volumes de recursos, inclusive em obras de infraestrutura. Até pouco tempo, a Lagoa das Bateias estava em estado lamentável. Que bom que foi revitalizada! A zona Oeste permanece a prima pobre, apesar da famosa Feirinha do Bairro Brasil ser o maior destaque da cidade. Na zona Leste, onde se encontram a UESB, a Universidade Federal, o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e outros equipamentos de importância, são realizados os maiores eventos. Até o nosso São João foi levado para o Parque de Exposições (uma insanidade). Estou agora residindo na Oeste e aqui é meu lugar. No entanto, observo as diferenças sociais, econômicas, saneamento básico e culturais. Infelizmente, os governantes ainda dão mais atenção ao lado de lá. Quem está lá não gosta de vir para cá, e vice-versa, inclusive quando se trata de vida noturna.
MAIS E MENOS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Poucos com mais,
E muitos com menos:
É a desigualdade social,
No país do carnaval,
Onde a justiça
É para quem tem mais,
Prende e solta
Os bandidos magistrais.
Quem tem mais, quer mais,
Rouba e esfola os menos,
Que trabalha para bancar o mais,
E ainda vota nesses canibais.
O massacre é secular,
Os letrados com suas teorias,
Que só ficam no blábláblá,
Com seus discursos inviáveis,
E os menos nas orgias viscerais,
Os mais comendo pastel,
Esperando o reino do céu.
Os menos oprimem os mais.
Vamos fazer a nossa revolução,
Nesse Brasil da contramão?
NO PARAÍSO DA CORRUPÇÃO
Estava aqui pensando falar daquele sujeito João Valentão, o falastrão, também conhecido como Cachorro Louco, que sai por aí fazendo arruaças e se achando o dono do pedaço. Mija em postes e árvores para demarcar seu território. Comete bullying com atos agressivos contra os outros até que uma hora entra numa enrascada danada e encontra um pela frente do tipo osso duro de roer.
O João Valentão não pensa (neurônios lesados), não tem estratégias e acha que está sempre sem razão. Acontece que um dia ele vai parar nos quintos dos infernos com a boca cheia de formigas. Com suas garras afiadas, ele abocanhou um coelho, tomou gosto e se estrepou com uma alcateia e uma matilha unidas para se defender do raivoso, mas isso é outro assunto.
Vamos ao caso do paraíso da corrupção, coisa genuinamente brasileira, criada e patenteada há séculos pelos portugueses. Com o tempo, o trambolho foi se sofisticando como produto de exportação, com know-how próprio. Na Operação Lava-Jato, por exemplo, essa máquina de destruição em massa foi transportada para diversos países, principalmente para as Américas de Cabral e Colombo.
Com os avanços tecnológicos, a fera monstruosa de sete cabeças, com várias pernas, bocas e mãos, que vai devorando tudo pela frente (a bicha é faminta), estendeu seus tentáculos e ficou ainda mais intrincada para ser decifrada. Tornou-se o enigma da Esfinge de Tebas, “decifra-me ou te devoro”, da mitologia grega.
Conta que a criatura impede a passagem dos viajantes (nossa gente escrava do trabalho) e propõe um enigma, se o andante não responder corretamente, será devorado. É um desafio complicado que precisa ser interpretado, sob risco de graves consequências, como ser consumido inteiro. Dela não escapa nem a alma.
– Percebeu, meu camarada, como a corrupção no Brasil, com o passar dos anos, ficou mais complexa! Tem esquemas, como do Banco Master e outros na área financeira que, por mais que se explique, não se entende bulhufas! É um cipoal de negócios, de tramas, lavagens de dinheiro, teoremas de Pitágoras, teorias aristotélicas que poucos conseguem destrinchar a equação. Eu mesmo fico boquiaberto.
Tem coisa por aí que para ser decifrado, tem que chamar um matemático dos bons ou um analista de sistema com doutorado para fazer um organograma de como tudo funciona. Não é mole não. A maioria inculta dos brasileiros passa batida, sem falar que os mentores batem pé firme de que são inocentes e até vítimas.
Não se faz mais corrupção como antigamente, ao modo analógico estelionatário do 171, desviar o dinheiro de uma caixa público para seu próprio bolso ou falsificar um documento para ganhar uma graninha, sem valor expressivo. Atualmente só se fala em bilhões.
– Seja bem-vindo, meu amigo, ao paraíso da corrupção, mas se prepare para quebrar a cabeça se quiser entender sua engrenagem tecnológica onde estão infiltradas quadrilhas organizadas do narcotráfico (PCC, Comando Vermelho e outros), milicianos, banqueiros, advogados, empresários de diversos ramos, magistrados, políticos salafrários e até sicários, para matar quem se intromete em investigações ou sai da linha. Eles têm até “código de ética”.
Estou dizendo que a Esfinge de Tebas, agora do Brasil, com ramificações internacionais, foi se multiplicando em outras réplicas em milhares de milhares, com faces diferentes, difíceis de serem reconhecidas. Existem até cursos, com diploma e tudo, para ser um corrupto profissional. Se quiser, você pode até contratar um, a peso de ouro.
Com a introdução de fórmulas genéticas anômalas, esses seres cortantes se transformaram em formigas gigantes devoradoras de extensas lavouras. Nem formicidas ou venenos de ratos conseguem exterminá-las. A corrupção brasileira ganhou classificação e até selo de qualidade.
– Você está achando que estou exagerando? Se vê por esse prisma, é só ir acompanhando seu processo evolutivo animal, como na teoria do cientista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), estudioso da seleção natural (Origem das Espécies).
De acordo com sua teoria, as espécies se evoluem ao longo do tempo através da seleção natural, onde organismos mais adaptados ao ambiente têm maior chance de sobreviver e se reproduzir. Prefiro ficar com o macaco na sua origem natural, bem melhor e inofensivo do que esses humanos perversos, monstruosos e criminosos.
– Pois é, meu compadre, a espécie chamada de corrupção se adaptou muito bem no Brasil onde encontrou terreno fértil e bem adubado para se reproduzir. Nem a turma do Caça Fantasmas consegue acabar com essa peste maligna de belzebus.
VEREADORES VAO AO GOVERNADOR PEDIR OBRAS DE MACRODRENAGEM
Os vereadores Ricardo Babão, Gabriela Garrido, Paulinho Oliveira e Ricardo Gordo, acompanhados do presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, estiveram, nesta quarta-feira (dia 11/03), com o governador Jerônimo Rodrigues, em Salvador, solicitando a realização de obras emergenciais de macrodrenagem para Vitória da Conquista.
Os deputados estaduais Vitor Azevedo e Fabrício Falcão também se fizeram presentes ao encontro quando foi discutida a importância do apoio financeiro do Governo do Estado, para viabilizar intervenções estruturantes que ajudem reduzir os alagamentos e melhorar a infraestrutura urbana do município que não mais suporta as fortes chuvas com as mudanças climáticas.
Além da macrodrenagem, outras demandas estratégicas foram apresentadas, como a construção de viadutos no Anel Viário, visando melhorar o fluxo de veículos e reduzir o número de acidentes na cidade.
Na ocasião, os parlamentares ainda requereram do governador a implantação de uma maternidade regional, a instalação de mais uma unidade do SAC, na Zona Oeste, bem como avanços em projetos ligados à saúde e à educação superior.
No encontro, foi também discutida a necessidade do fortalecimento do campus da Universidade Federal da Bahia, em Conquista, incluindo a construção de um Hospital Universitário e criação de uma reitoria própria para a instituição.
Ivan Cordeiro assinalou que foi apresentado ao governador, em nome da Câmara Municipal, uma pauta importante para Vitória da Conquista, destacando que o diálogo institucional é fundamental para garantir avanços para a cidade.
O presidente da Casa ressaltou que a macrodrenagem é uma prioridade, “porque precisamos de obras estruturantes que ajudem a resolver os problemas históricos de alagamentos” que chegaram ao ponto de provocar vítimas com mortes. A agenda faz parte de uma série de encontros institucionais destinados à apresentação de demandas urgentes de Vitória da Conquista ao Governo do Estado.
ESTOU CHEIO DA CIDADE GRANDE
Nasci na roça e logo cedo fui trabalhar com meu pai. Fora os perrengues da vida, apreciava ouvir as conversas daquela gente simples do sertão, dos compadres compartilhando suas vidas, proseando e fazendo cantorias nos adjutórios das plantações e nas batidas de feijão. Os velórios e funerais também faziam parte do roteiro da vida.
Ainda moleque, aos dez ou doze anos, fui ganhando mundo. Primeiro em Piritiba, onde cursei o primário e fiz muitas tripolias naquelas ruas de chão batido. Depois Mundo Novo como sacristão do seu vigário que me indicou ao bispo para o seminário. Ruy Barbosa, Itaberaba até ingressar no Seminário de Amargosa.
Quis meu destino que caísse na cidade grande da capital Salvador baiana onde fiquei por lá durante mais de 20 anos. Tornei-me bacharel em Jornalismo e atuei como profissional, especialmente na área de economia. Chegaram até a me confundi como economista.
Quando estava cheio da cidade grande, entojado daquelas correrias para sobreviver, dando meus pulos de galho em galho, como um macaco perdido na multidão, bateu a estafa no coração e vim para Vitória da Conquista, que me deu régua e compasso.
Senti que estava retornando às minhas raízes, mas foi engano porque, além das labutas desenfreadas, a cidade cresceu e me engoliu. A idade vai avançando e me vejo irrequieto nesse labirinto, no qual me sinto um perdido.
Não tenho mais aquele tesão de sair de casa para vagar pelo centro resolvendo “pepinos” entre ruas e repartições burocráticas e me livrando dos carros com seus gazes tóxicas. O ar está contaminado de fumaça, alaridos e letreiros por todos os lados. Nesse aperreio, tenho a sensação de pânico.
Estou espremido como massa de mandioca numa prensa de casa de farinha. Não mais me apetecem esses eventos. Prefiro ficar em minha loca, ou caverna, como um eremita recluso. Dizem que o sofrimento fortalece a alma para enfrentar as adversidades, mas ninguém deseja sofrer. Seria masoquismo.
Estou mesmo cheio da cidade grande e bate a saudade daquela terrinha simples entre os caipiras, matutos e tabaréus, falando aquela língua do povo, sem as maldades e as falsidades das cidades grandes. São falas que ainda se conservam verdadeiras e sinceras.
Não tenho a pretensão de ir para a Passárgada, de Manuel Bandeira, mas, em meu torrão, serei rei. Lá não existem filas e todos conhecem todos. Nas repartições, as pessoas são solícitas e tudo é rápido e fácil de se resolver. Depois, vou dar boas risadas com a alcoviteira linguaruda de dona Delfina que adora uma fofoca e um fuxico.
Com os compadres vou ouvir e contar causos do passado, sem nem se preocupar que o mundo está pegando fogo com ogivas, drones e foguetes mortíferos cruzando os céus. Vou até esquecer que existe o Cachorro Louco que quer ser o dono do mundo.
Para a bandidagem corrupta que vive todo tempo depenando o Brasil, desejo que esses salafrários salteadores vão todos para o quinto dos infernos.
Podem dizer que estou “fugindo da raia”, da luta e da guerra, mas é que não aguento mais esse emaranhado, esse cipoal de tantas maldades, ideias idiotas e estapafúrdias. Com as injustiças sociais, vai-se morrendo mais depressa. Quero deixar essa UTI e acho que pelo tempo, vivendo neste quarto escuro, mereço respirar ares mais puros, num espaço mais amplo e limpo.
Estou de saco cheio da cidade grande onde meu lugar não é mais aqui, correndo pra lá e pra cá, como um escravo freguês das contas de todo mês, além da apertada feira, cada vez mais racionada. Minhas últimas gotas de sangue estão se esvaindo para manter um falso padrão nesta ilusão da cidade grande.
Meu templo está poluído, com teias de aranha. Não sou mais gente dessa gente, mas um peixe fora da água. Meu lugar não é mais aqui na cidade grande em meio a esta selva de concreto. Não faço mais parte deste tabuleiro onde todos só querem ser vencedores. Preciso partir para respirar.
























