A SAÚDE PEDE SOCORRO EM JACOBINA
Milhares de pessoas estão morrendo lentamente antes do tempo na Bahia e no Brasil nesses hospitais públicos que são verdadeiros atentados contra a saúde. Há anos que essa situação só faz se agravar e os governantes não tomam as devidas providências.
O nosso povo pobre conformado e desamparado não tem reagido à altura para mudar esse quadro de terror que se estabeleceu dentro das unidades hospitalares, mas muita gente, com toda razão, tem partido com agressividade contra profissionais do setor que estão sobrecarregados. Ninguém suporta mais tanto descaso!
O Hospital Regional Vicentina Goulart, em Jacobina, é um exemplo clássico dessa aberração desumana em se tratando da saúde. Na semana passada perdi minha irmã Margarida Macário de Oliveira Fernandes naquela unidade por negligência médica, falta dos cuidados básicos da medicina e por causa da precária higienização.
Poderia estar aqui desabafando por se tratar da minha irmã, mas todos que passam por ali são empurrados a um sofrimento além da conta, terminando em óbitos que poderiam ter sido evitados. Aquilo ali é um foco de infecções, sem falar que não existem profissionais suficientes para melhor cuidar dos pacientes.
Minhas duas sobrinhas, Leda e Vanda Macário, que por dias acompanharam sua mãe no leito de morte, são testemunhas vivas do que presenciaram lá dentro, especialmente numa enfermaria lotada onde era raridade aparecer uma enfermeira quanto mais um médico.
Em uma noite, embora já tenha citado este episódio em comentário anterior, Vanda disse ter vivido uma madrugada de terror quando a glicemia da sua genitora subiu para 500, isto por volta das 23 horas, e não tinha uma enfermeira para aplicar uma insulina para controlar sua agonia de quase morte. Somente por volta das três horas da manhã apareceu uma profissional para estabilizar a paciente. Dias depois desse acontecido ela veio a falecer.
Outro caso grave foi minha irmã ter passado praticamente um dia sem a alimentação líquida porque o canal por onde caia o alimento ficou bloqueado e ninguém viu. Por acaso, minha sobrinha percebeu que sua mãe não estava sendo alimentada pelo “tubo” e correu desesperada à procura de alguém para resolver o problema.
Como é que dentro de um hospital, pacientes, acompanhantes e até funcionários convivem dia a dia com sanitários entupidos? Foi o que minhas sobrinhas presenciaram dentro do Hospital de Jacobina, sem contar num bebedouro sem nenhuma higienização, de onde a água era servida aos pacientes em estado grave.
Fui visitar minha irmã quando estava na UTI coletiva e fiquei horrorizado ao ver a lotação de parentes no local. Todos entram de uma vez, após uma fila num banheiro apertado para lavar as mãos e colocar uma máscara. Não é preciso ser médico ou infectologista para compreender que só deveria entrar uma pessoa de cada vez, como precaução básica contra contágios de outras doenças hospitalares e de fora.
Na verdade, não existem os mínimos cuidados da direção para prevenir infecções, tanto entre os visitantes como entre os doentes na UTI e nas enfermarias. Pela perda do seu filho numa operação, uma senhora colocou toda sua raiva para fora e saiu quebrando equipamentos e deu vassourada num médico.
É um hospital onde até os profissionais correm risco de morte. Senhor governador e secretário da saúde, tomem providências urgentes antes que ocorra o pior. Afinal de contas, um hospital é para cuidar bem e salvar vidas humanas, e não o contrário.











