:: fev/2023
MAIS DO QUE SOFRI NA VIDA…
(AFONSO MANTA)
Afonso Manta, nasceu em Salvador, em 23 de agosto de 1939. Passou a infância em Iguaí e a adolescência em Poções, voltando a Salvador para fazer o curso clássico no Colégio Central. Trabalhou em jornais, nos telégrafos no Rio de Janeiro e veio a falecer em Poções, em 3 de dezembro de 2003. Um grande poeta dos poetas baianos e brasileiros.
Mais do que sofri na vida
É simplesmente impossível.
Mas não quero uma medalha
Sobre o meu peito invencível.
Mais do quer andei pelo mundo.
Sem sair do meu lugar,
Nenhum homem do planeta
Pode com os seus pés andar.
Mais do que lutei e luto
Nas horas de cada dia,
Num combate desarmado,
Não sabe a filosofia.
Mais do que sonhei e sonho,
Em sonhos de olhos abertos,
Não sonham nem as palmeiras
Das areias dos desertos…
A REALIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO
Carlos González – jornalista
A explicação, no meu modesto conhecimento, para a queda do Flamengo, na verdade, do futebol sul-americano, para o Al Hilal, da Arábia Saudita, não está no noticiário esportivo da impensa. O esporte mais popular do continente, como todos os produtos destinados ao lazer do povo, vem sofrendo há décadas com a instabilidade de uma economia mal administrada pelos governantes.
Brasil e Argentina, os dois maiores centros esportivos da América do Sul, passaram há algum tempo a ver o futebol como uma indústria em processo de falência, com a prerrogativa de se desfazer de parte do seu patrimônio, no caso, seus atletas, negociando-os com o mercado externo, em troca de muitos euros e dólares. Outros esportes, como o vôlei, o futsal, o handebol e o basquete, também foram atraídos pelo tilintar das moedas estrangeiras. Adotam, como se vê, a prática nociva da nossa agroindústria.
Estudos feitos por uma empresa de consultoria revelam que os 20 clubes da série “A” em 2022 acumulavam uma dívida de R$ 11,9 bilhões, com Atlético Mineiro e Corínthians no topo da lista. Esse passivo foi reduzido em R$ 1, 4 bilhão com a venda de jogadores para clubes estrangeiros.
Nos últimos anos, clubes e bilionários chineses, europeus e árabes, inclusive Ronaldo Fenômeno, têm investido na compra de equipes brasileiras. Trata-se de uma fórmula para alivia o “sufoco” financeiro dos clubes. A direção do Bahia, com o apoio dos seus conselheiros, foi seduzida pelos euros oferecidos pelo Manchester City. Ainda é cedo para avaliar se o Tricolor fez um bom negócio, mas é inegável que o desempenho técnico do time em campo não tem agradado à torcida.
O leitor talvez não tenha percebido, mas o futebol praticado entre jovens com menos de 20 anos, os antigos juvenis, é muito mais agradável de acompanhar – assista esta semana pela TV o Campeonato Sul-Americano Sub 20, disputado na Colômbia – do que uma partida, por exemplo, do Campeonato Baiano.
O empenho é uma das qualidades de um garoto de família pobre, morador da favela ou da periferia das cidades, porque o sonho dele é vestir a camisa de um clube europeu. Ele pode está sendo observado naquele momento por um dos muitos olheiros do Real Madri que atuam em diferentes cidades do Brasil e da Argentina.
A Copa São Paulo de Futebol Júnior, promovida há 53 anos pela prefeitura paulistana se transforma na maior vitrine do futebol de base, atraindo observadores de clubes europeus. Alguns dos 128 participantes da Copinha recebem a ajuda financeira de empresas, que buscam o lucro com a venda de um ou até mais garotos.
Há, inclusive, exemplos no futebol baiano. O Doce Mel, que disputa a 1ª Divisão do Estadual e foi um dos times da Copinha 2023, é mantido por uma fábrica de polpas de frutas, com sede em Iguaí e mais de 30 filiais no interior baiano; o Canaã, da 2ª Divisão, participante da Copinha no ano passado, é bancado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em Gandu. A rede de farmácias Pague Menos mantém no Ceará um projeto voltado para as divisões de base.
Uma das prioridades do Barcelona é “fabricar” talentos, incluindo-os, desde a mais tenra idade, num projeto escolar e esportivo, destinado aos filhos de jogadores e funcionários do clube. Thiago, o primogênito de Messi, foi “contratado” aos 4 anos de idade; Ronaldinho Gaúcho mandou recentemente seu filho João para Barcelona.
Os jogadores que não dispõem de qualificação técnica e nem de um empresário com trânsito no mundo do futebol, disputam no momento desinteressantes campeonatos estaduais, que já levaram ao antigo estádio da Fonte Nova 97.240 pagantes (Ba-Vi de 7 de agosto de 94). Depois da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, os estádios ou arenas encolheram, o ingresso aumentou e o torcedor preferiu ficar em casa.
Dados divulgados pela CBF mostram que 55% (49,5 mil) dos jogadores profissionais que atuam no Brasil ganham um salário mínimo. Para a maioria deles, o calendário anual organizado pela Confederação é desumano com aqueles que têm seu período de atividade limitado aos três meses dos campeonatos estaduais, caso os seus clubes não estejam inscritos na Libertadores, Sul-Americano, Copa do Brasil e nas quatro séries do Brasileirão.
Temos uma amostra em casa. Os profissionais – o sub 20 disputou a Copinha deste ano, passando da fase de grupos – do Vitória da Conquista pisou num gramado pela última vez em 16 de março de 2022, já rebaixado para a série B do Baianão, cujo início este ano ainda não foi anunciado pela FBF. O “Bode” está desaparecido, ocorrência que não causa a menor preocupação da Prefeitura local, como se o esporte não fizesse parte de uma de suas secretarias, assim como dos seus torcedores, mais flamenguistas do que conquistenses. Sua página na internet está desatualizada desde janeiro de 2022.
As melhores equipes representativas do Brasil em Copas do Mundo foram, sem dúvida, as de 59, 70 e 82, formadas, exclusivamente, com jogadores que atuavam em casa, que não possuíam mansões e nem pagavam milhares de euros por um bife folheado a ouro. O mesmo se pode dizer da Argentina com relação às seleções de 78 e 86. No último Mundial, os dois países foram representados por “estrangeiros”. Nossos “hermanos” tiveram o privilégio de contar com a genialidade de Messi e levantaram a taça.
Os números não mentem: em Copas do Mundo, a Europa tem 12 títulos e a América do Sul, 10. Em Mundiais de Clubes – Europa 34; América do Sul 23. A partir do quarto lugar conquistado pelo Marrocos na Copa do Catar e a eliminação do Flamengo pelo Al Hilal (cada jogador recebeu um prêmio equivalente a R$694 mil), o mundo deve olhar com mais atenção para o futebol praticado pelos árabes.
A FLOR DO CACTO E A QUARESMEIRA
Coisas misteriosas e sábias da nossa natureza, muitas das quais invisíveis aos olhos do homem que é um predador nato e nunca aprendeu a ter uma visão mais apurada e poética. Alguém já viu uma flor roxeada de um cacto? Difícil de ser encontrada, mas tive o prazer de fotografá-la num caqueiro do meu quintal. Verdade que ela é pequena diante de uma quaresmeira toda frondosa e florida, bem mais vista, mas, mesmo assim, muitos passam apressados nas correrias da vida da cidade e não param para refletir sua beleza e agradecer a vida. O cacto e a quaresmeira. Um simples e modesto, mas rico por brotar uma flor inusitada que desperta em nós o sentido da grandeza, sem muito se aparecer. A quaresmeira, com toda sua eloquência e colorido, não é tanto admirada quanto a outra flor que chama mais a atenção quando apresentada. Num salão ou numa passarela, a flor do cacto, com certeza, seria mais aplaudida. Seja simples, mas nobre.
VEREADORES DA OPOSIÇÃO FAZEM DURAS CRÍTICAS À PREFEITA SHEILA LEMOS
Na sessão ordinária do dia 08/02 (quarta-feira) da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, os vereadores da oposição Viviane Sampaio (PT) e Andreson Ribeiro, do PCdoB, fizeram duras críticas à administração da prefeita Sheila Lemos e avaliaram que foi ruim seu discurso pronunciado na abertura dos trabalhos legislativos da semana passada.
Numa plenária praticamente vazia, mas barulhenta por causa das conversas paralelas, mesmo assim a parlamentar Viviane declarou que a cidade está abandonada, a começar pelas ruas e avenidas cheias de crateras por todos os lados, sem falar na iluminação precária na maioria dos bairros. Na área da saúde, segundo ela, falta planejamento, com projetos inacabados.
Sobre sua fala na Casa Legislativa, afirmou que nada anunciou do que pretende fazer para solucionar os problemas. “Ela só faz pedir mais recursos”. Na mesma linha, seu colega Andreson foi ainda mais enfático e afirmou que a prefeita não apresentou projetos para a cidade. “Seu discurso foi ruim”.
Em seu pronunciamento, Luis Carlos Dudé, ex-presidente da Câmara, rebateu as críticas dizendo que a Prefeitura de Conquista é adimplente e tem condições de contrair empréstimos no valor de até 700 milhões de reais, referindo-se aos 72 milhões contraídos recentemente para realização de projetos estruturantes.
O atual presidente da Casa, Hermínio Oliveira, estabeleceu o tempo de fala dos vereadores em três minutos, com um de tolerância, sob pena de ser cortado o microfone, e pediu mais silêncio da plenária para ouvir os vereadores.
Nelson de Vivia agradeceu à prefeita pelos serviços de reparos de estradas atendidos nos povoados de Capinal e da Limeira, bem como da malha urbana com o início da operação tapa-buracos. Elogiou também a ação do poder executivo no distrito de São Sebastião.
O vereador da situação, Ivan Cordeiro, aproveitou para criticar o Governo do Estado, principalmente no que tange a educação, como a intenção de encerrar os turnos noturnos no Colégio Militar, causando apreensões aos pais dos alunos, os quais só podem frequentar a escola nesse horário.
Sobre o Hospital Afrânio Peixoto, Cordeiro destacou que cirurgias de pacientes estão sendo adiadas por falta de lençóis e até roupas para o pessoal que atua na saúde, como médicos e enfermeiros. Para ele, a unidade hospitalar vive uma situação de calamidade pública.
Fernando Jacaré, do PT, destacou a agenda positiva dos atuais governos estadual e federal, com as reformas das escolas e outros equipamentos públicos. Sobre o Afrânio Peixoto, adiantou que o partido está acompanhando o problema, mas reconheceu a superlotação da UPA de Conquista.
Em sua fala, o tenente Muniz, vice-presidente do legislativo, assinalou que a prefeitura está atendendo as demandas de reparos das estradas e das ruas da cidade. Assinalou que, durante o período de recesso, os vereadores continuaram trabalhando para atender a população e citou inúmeras reuniões realizadas com secretários e a prefeita, para avaliar os estragos provocados pelas chuvas.
Lúcia Rocha chamou a atenção da importância de se fortalecer as políticas públicas em parcerias com os governos federal e estadual. Lembrou que irá continuar sua luta em defesa das mulheres, dos feirantes e da zona oeste durante seu mandato. Também o vereador Admilson Pereira fez um relato do seu trabalho como parlamentar junto às comunidades.
OS IANOMAMIS E OS GARIMPEIROS
Essa situação polêmica entre os índios ianomâmis e os garimpeiros, em Roraima, já vem de muitos anos, inclusive nos governos do PT, mas chegou-se ao um ponto caótico com o capitão-presidente Bozó que intencionava exterminar de vez esse povo originário da Amazônia.
É mais um massacre e uma catástrofe anunciados, como tantos outros no Brasil, o mesmo que acontece com as invasões irregulares de construções de casas, prédios e casebres nos morros das grandes cidades, que desabam quando batem as fortes chuvas.
Tudo poderia ter sido evitado se as autoridades governamentais tomassem providências antecipadas em termos de disciplina e fiscalização, para impedir as irregularidades. No entanto, as coisas vão tomando proporções que fogem do controle e aí vem a violência aplicada na base do ferro e do fogo.
No caso dos garimpeiros em terras ianomâmis não é muito diferente. Eles foram entrando e avançando com o tempo, contaminando o meio-ambiente e até atraindo tribos que consentiram e participaram também da garimpagem ilegal.
Não há dúvida que ali houve um lento genocídio contra os índios que não compactuaram com os invasores. O problema foi criado há anos, mas não se pode resolver a questão de uma hora para outra com a força bruta de uma retirada desastrada dos garimpeiros que estão fugindo atordoados para outras áreas. Todos são brasileiros.
Da forma como está sendo feito, vai-se criar outra frente social crítica, não somente com a disseminação de doenças, mas violências, roubos, tráfico e outros ilícitos e delitos em razão da ausência de uma ocupação de trabalho.
Não estou aqui defendendo a ação dos garimpeiros, mas eles também são vítimas de administrações que fizeram vistas grosas para o que vinha ocorrendo há tempos na Amazônia. Por que não se criar extrações de minérios disciplinados sob uma fiscalização rígido do governo, de modo que haja uma exploração sustentável e de convívio com os nativos?
Mais uma vez, não estou sendo advogado do diabo, mas todos sabem que grandes empresas estão lá há anos com suas máquinas destruindo as florestas, a fauna, a flora e envenenando rios. Tudo não passa de uma demonstração de força impensada que pode gerar outro caos social em cima de um marketing político.
Todos esses conflitos, essa tragédia de mortes por doenças e desnutrição dos índios poderiam ter sido evitados lá na frente. O que houve no governo do capitão foi um genocídio premeditado, mas entendo que poderá haver outra saída pensada e planejada de forma que uma tragédia resolvida sirva para constituir outra ainda pior.
UMA HUMANIDADE BRUTALIZADA
Neste domingo estava em casa sossegado tomando uma gelada e ouvindo umas músicas, mas terminei me contrariando por causa de umas cenas de estupidez do ser humano, aquelas que já se tornaram comuns de linchamentos e do querer fazer justiça com as próprias mãos. Confesso que fiquei revoltado com tanta violência consentida como se fosse normal.
Tudo começou na rua “G” – Jardim Guanabara ou Bairro Felícia, quando um rapaz tentou furtar no carro a carteira de um morador. Foram ao encalço dele e próximo à casa de eventos Paradise derrubaram o cara em frente de um prédio abandonado e começaram as sessões de espancamentos e torturas.
Coisa de bárbaros enfurecidos que se dizem cristãos e sempre estão falando e fazendo tudo em nome Deus, como agredir os outros. Um colocou logo o pé na cabeça do acusado (agora virou prática fazer isso) e os outros aproveitavam para dar chutes e porradas. Teve até quem apareceu com uma taca e deram várias chibatadas como nos tempos da escravidão. Um bando de covardes!
Essa brutalidade durou quase uma hora e sempre aparecia mais um para dar sua porrada. Na roda, cerca de dez moradores (muitos vizinhos presenciando da porta de suas casas) com xingamentos e agressões contra o indivíduo pardo de uns 35 a 40 anos.
Não me contive e, para não ser conivente e incoerente com meus princípios o com que prego no que tange aos direitos humanos, fui até lá dizer que eles não podiam cometer aquela brutalidade e fazer justiça com as próprias mãos.
Como já esperava, fui prontamente rechaçado com argumentos fúteis típicos de pessoas ignorantes e brutas, de que logo eu morador da rua estava defendo um bandido. Alguém indagou o que eu faria se fosse a vítima.
Um até foi mais ameno e disse que entendida o que eu estava falando, mas isso não impediu de os brutos continuarem torturando o rapaz. Até um motoboy que passava deu seus ponta pés e porradas. Olhei ao redor e vi rostos raivosos e rancorosos de gente a destilar seus ódios e frustrações pessoais. Cada um ali queria mostrar sua força cavalar. Confesso que até tive medo de também ser agredido. Nessa hora, pensei, nem estão aí se sou ou não um idoso.
Debaixo do pau, o moço já gritava de dores e pedia para parar. Foi quando passou um carro da polícia (alguém deve ter ligado), algemou-o e o colocou no camburão. Foi nesse momento que dois ou três gritaram para os policias darem “um cafezinho” nele, isto é, baterem mais.
Com a deterioração ou degradação do ser humano, é essa própria sociedade hipócrita que incentiva e estimula a polícia ser mais violenta. Ouvi de um do grupo que tem mesmo que matar. A polícia demorou quase uma hora para chegar e tirar o acusado de furto das mãos dos estúpidos ensandecidos assassinos.
É essa a sociedade em que vivemos, fruto de vários governantes do passado que, na falta de educação, criaram monstros. Ela própria não tem a mínima consciência que foi fabricante da bandidagem, da marginalidade, assaltantes, dos traficantes de drogas e sequestradores impiedosos que têm o sangue na boca. Nessa guerra não haverá vencedor. Todos estão sendo derrotados.
Como agora essa sociedade se sente ameaçada, entende que vai combater essa violência com a própria violência, com tanques, fuzis, metralhadoras e mais soldados nas ruas para baixar o cassete. Essa sociedade nem tem o poder de percepção que é ignorante e bruta e que, ao bater no ser humano, não importa se ladrão ou não, está se igualando ao mesmo.
É triste dizer isso, mas nossos corações estão cheios de ódio e intolerância, de racismos, homofobias e desprezo pelo outro. Em nome de Cristo e de Deus partem logo para violência. Tem pessoas que saem da igreja e agridem o primeiro que encontrar, basta não concordar e ser diferente à opinião dele.
TODOS SÃO FARINHA DO MESMO SACO DIZENDO ESTAR A SERVIÇO DO BRASIL
É um quadro despudorado e desolador essa nossa política brasileira, coisa secular, que o povo mais instruído não consegue entender. Eu mesmo não engulo esse argumento da governabilidade. Nessa casa da Vera Cruz tudo continua como dantes. Uma minoria parlamentar vira maioria da noite para o dia e todos se acomodam no mesmo saco de farinha do pó queimado, sem nenhuma tapioca.
Agora mesmo, os bolsonaristas ou bozonaristas puxa-sacos se tornaram lulistas para compor o arcabouço dos cargos e das benesses, num bom termo objetivo, muita grana a rolar. Claro que em política existem as composições, mas aqui na terra do Pau Brasil é vergonhoso, descaração e cinismo. Não existe um mínimo de ética e seriedade. São todos produtos falsificados sem prazo de validade.
Os casos mais aberrantes foram escancarados agora com as eleições do Pacheco para o Senado e do Arthur Lira para a Câmara dos Deputados, este último, principalmente, um sujeito de recado do Bozó psicopata e cumplice de seus crimes, inclusive culpado indiretamente pelo atentado golpista de oito de janeiro.
Bastou o PT se aproximar deles prometendo as cestas recheadas de presentes que eles mudaram as camisas de verde-amarelo para vermelho. Agora eles são Lula e se reelegeram com os votos da esquerda. Será que vale a pena se filiar a um partido de esquerda neste país? Cuidado! Você pode se decepcionar e cair na frustração.
Na verdade, é uma bobagem dizer que nesse Brasil existe direita, centro e esquerda. Não dá para separar muito bem um do outro. Tudo depende do momento. Ideologia é sinônimo de grana no caixa e poder, meu amigo. O povo não passa de um bando de idiota besta que fica brigando uns com os outros e ainda se mata.
As pessoas se xingam, se odeiam e ficam até inimigas, inclusive irmão contra irmão e pai contra filho, enquanto eles lá fazem seus conluios e conchavos com o argumento mentiroso e safado de que tudo é para o bem da nossa pátria. Deixo aqui a minha revolta e desabafo porque minha formação não permite aceitar essa cachorrada.
Os dois (Pacheco e o Lira) foram eleitos com os votos do centrão do Bozó e a eles serviram fielmente, aprovando seus atos criminosos contra o meio-ambiente, o armamento e até fizeram vistas grossas para os genocídios praticados durante a pandemia (vacinação atrasada e mortes em Manaus pela Covid-19)) e contra os índios ianomâmis, dando guarida aos garimpeiros.
Agora pousam de bonzinhos e abraçam Lula com tapinhas nas costas. O Lira fez ainda o pior. Sentou em quase 200 pedidos de impeachment contra o capitão aloprado e não abriu nenhum processo. Se tivesse aberto um dos pedidos de afastamento do capitão poderia ter evitado as tentativas de golpes, as investidas de uma intervenção militar (ditadura) e a bárbara invasão aos três poderes da nação.
No entanto, agora eles são Lula, da esquerda, e foram excluídos da lista daqueles que colaboraram para ultrajar a democracia. Ninguém fala mais no engavetador Augusto Aras, o Procurador Geral da República, a vergonha da Bahia, que sempre foi moleque de recado do Bozó.
Não estou aqui de forma alguma defendendo os extremistas aloprados que falam em pátria, Deus e família e fazem completamente o contrário, mas somente os bois de piranhas foram presos e estão sendo julgados. O Lira e o Pacheco se safaram numa boa.
Sinceramente, nesse pais desavergonhado fico até ressabiado e sem jeito de dizer que sou de esquerda socialista filiado a um partido dessa linha. Essas safadezas me deixam sem argumento para discutir política no sentido sério, ético e honesto. Esse quadro de horrores deixa de cabeça baixa aqueles que primam pela ideologia, porque todos estão juntos no mesmo saco de farinha de péssima qualidade.
“FLUXO E REFLUXO”
O tráfico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os séculos XVII e o XIX tem muita semelhança com o tráfico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortificações e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger em seu livro “Fluxo e Refluxo”.
Claro que o autor não faz essa referência, mas lendo sua obra e analisando o que acontece atualmente com as redes de traficantes de drogas e armas, os métodos aplicados para trazer escravos da Costa da Mina (Golfo do Benin) para as lavouras e a mineração brasileira eram bem parecidos. Prevalecia a lei do mais forte e tudo mera resolvido no derramamento de sangue.
No tráfico negreiro existia um intrincado de corrupções e uma disputa acirrada pelos negócios, tendo como moedas principais o tabaco da Bahia, a cachaça e o ouro de Minas Gerais. O fumo era muitas vezes adulterado, bem como a bebida e o ouro contrabandeado. Além das guerras entre os reis de Daomé e outras etnias, em Ajuda ou Uidá, as brigas também ocorriam entre as fortalezas portuguesas, francesas, inglesas e as forças holandesas.
As cartas trocadas entre os vice-reis da Bahia, os capitães de navios, diretores das fortificações e seus mandatários colonizadores eram recheadas de intrigas, difamações, calúnias e desrespeito às regras emanadas pelas coroas de cada nação europeia. Era como se fosse uma terra de ninguém e vencia o mais astuto e o mais forte.
As conspirações andavam soltas naquela zona perigosa e o diretor da fortificação portuguesa em Ajuda, João Basílio, por volta de 1743/45 foi vítima de uma delas. Foi preso injustamente, padeceu numa cadeia imunda da Bahia e morreu à mingua. Seus filhos foram vendidos como escravos, tudo por causa de calúnias de outros traficantes que não concordavam com suas ordens.
De acordo com pesquisa feita por Pierre Verger em “Fluxo e Refluxo”, ele e o tenente Manoel Gonçalves embarcaram em Uidá e foram saudados pelo forte francês com uma salva de nove tiros. Dali seguiram ao longo do litoral com escala na Bahia onde foram feitos prisioneiros pelas autoridades da cidade.
Eles eram acusados de terem abandonado, com grande prejuízo para a Fazenda Real, a fortaleza de Ajudá. Em outra parte, cita que todos os bens de João Basílio e de Manoel Gonçalves foram sequestrados por ordem do provedor-mor da Fazenda Real. Tiraram deles até as roupas.
O vice-rei conde das Galveas dizia que o Basílio foi condenado injustamente. Outro que caiu em desgraça foi o diretor Francisco Nunes Pereira. Na Costa da Mina ou Sotavento, o comércio negreiro era uma tremenda bagunça. Não havia organização e os preços dos cativos variavam de acordo com a oferta e a procura.
Da Bahia, 24 navios eram autorizados a negociar, mas existia uma ordem que, enquanto um capitão estivesse no porto, outro não poderia entrar, só que os traficantes não obedeciam. Muitas vezes, o rei de Daomé nomeava seu próprio diretor para a fortificação de Portugal, passando por cima da Coroa de Lisboa e do vice-rei da Bahia.
Como o único meio de comunicação era através dos navios, as medidas e diretrizes passadas para os diretores do forte de Ajuda caducavam. O mesmo acontecia do Golfo de Benin para a Bahia e Lisboa. Uma missiva para Portugal transitava primeiro na Bahia para depois chegar o reino. Muitas vezes duravam seis meses para se saber da morte de uma autoridade.
CADA DIA
De autoria do jornalista Jeremias Macário
O celular nosso de cada dia,
Santificado seja a internet,
Que nesse reino nos conecte;
Dai-nos hoje, oh Senhor!
Os sinais das redes sociais;
Perdoai nossas ofensas;
Livrai-nos das falsas crenças,
Dos ônibus da lotação,
Desse cartão consumidor,
Das dívidas de cada dia.
Cada dia é novo existir,
De um colorido pôr-do-sol,
Um outro de porvir;
Não nos deixai-nos só,
Nesse tempo de cada dia.
Cada dia acordo com você,
Minha razão de ser;
Sem seu amor,
Não sei mais como viver.
Tem a estradeira poeira,
Para enfrentar o desafio;
Tem dia sem saída,
Outro da vida sorrir,
Um de nascer, outro de partir,
Como diz o cancioneiro,
Cada dia vai ter que sofrer,
Vai ter que vencer,
Varrer o seu terreiro.
Deus e o diabo na terra,
Como canta o Moreira,
Uns subindo a serra,
Outros descendo ladeira,
No tempero de cada dia,
Nos feitiços da Bahia.
“JOÃO DE BARRO”
Dizem os mais sábios que a natureza é sábia, e um dos exemplos está na ave chamada “João de Barro” no construir da sua casa, conforme mostra a imagem das nossas lentes flagradas numa mangueira. A sua morada é perfeita porque até a sua entrada é feita de acordo com a direção do vento. Cada pássaro faz seu ninho que nenhum artesão consegue imitá-lo por mais semelhante que possa parecer. O “João de Barro” é um engenheiro e artista que não trabalha com números e equações, mas com sua sabedoria natural. Mesmo com as adversidades do tempo, com chuvas, temporais e ventos fortes, sua casa não desmorona, ao contrário dos seres humanos onde sempre um prédio está vindo abaixo. O “João de Barro” não precisa de escola, empreiteiro corrupto e arquiteto que faz cálculos errados. Ele trabalha pacientemente, ponto por ponto, e só usa para abrigar seus filhotes quando tudo está completo e seguro. São os mistérios da natureza que o homem perverso e predador só faz destruir.

















