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:: 2/fev/2023 . 22:38

CADA DIA

De autoria do jornalista Jeremias Macário

O celular nosso de cada dia,

Santificado seja a internet,

Que nesse reino nos conecte;

Dai-nos hoje, oh Senhor!

Os sinais das redes sociais;

Perdoai nossas ofensas;

Livrai-nos das falsas crenças,

Dos ônibus da lotação,

Desse cartão consumidor,

Das dívidas de cada dia.

 

Cada dia é novo existir,

De um colorido pôr-do-sol,

Um outro de porvir;

Não nos deixai-nos só,

Nesse tempo de cada dia.

 

Cada dia acordo com você,

Minha razão de ser;

Sem seu amor,

Não sei mais como viver.

 

Tem a estradeira poeira,

Para enfrentar o desafio;

Tem dia sem saída,

Outro da vida sorrir,

Um de nascer, outro de partir,

 

Como diz o cancioneiro,

Cada dia vai ter que sofrer,

Vai ter que vencer,

Varrer o seu terreiro.

 

Deus e o diabo na terra,

Como canta o Moreira,

Uns subindo a serra,

Outros descendo ladeira,

No tempero de cada dia,

Nos feitiços da Bahia.

“JOÃO DE BARRO”

Dizem os mais sábios que a natureza é sábia, e um dos exemplos está na ave chamada “João de Barro” no construir da sua casa, conforme mostra a imagem das nossas lentes flagradas numa mangueira. A sua morada é perfeita porque até a sua entrada é feita de acordo com a direção do vento. Cada pássaro faz seu ninho que nenhum artesão consegue imitá-lo por mais semelhante que possa parecer. O “João de Barro” é um engenheiro e artista que não trabalha com números e equações, mas com sua sabedoria natural. Mesmo com as adversidades do tempo, com chuvas, temporais e ventos fortes, sua casa não desmorona, ao contrário dos seres humanos onde sempre um prédio está vindo abaixo. O “João de Barro” não precisa de escola, empreiteiro corrupto e arquiteto que faz cálculos errados. Ele trabalha pacientemente, ponto por ponto, e só usa para abrigar seus filhotes quando tudo está completo e seguro. São os mistérios da natureza que o homem perverso e predador só faz destruir.

FEVEREIRO É DO CARNAVAL

Depois de dois anos, por causa da pandemia, fevereiro volta a ser sinônimo de carnaval, principalmente em Salvador. O ano de trabalho na Bahia só começa mesmo a partir de março. Tudo na capital da informalidade, onde se registra um dos maiores números de pessoas inadimplentes do Brasil, é só festa desde início de dezembro. São três meses que não se faz quase nada.

Os organizadores da folia e a própria Prefeitura Municipal anunciam uma movimentação de quase dois bilhões de reais em negócios, só não falam que a maior parte desse bolo vai cair nas mãos dos mais poderosos donos de trios elétricos, agências de vi8agens, empresas de aviação, montadores de estruturas, os hotéis, as empresas de bebidas e o setor de propaganda.

O resto, ou as migalhas, ficam para os donos de barracas, ambulantes, cordeiros de blocos, catadores de latinhas e outros vendedores que ficam no asfalto das avenidas dormindo ao relento para não perderem suas vagas. Tem aqueles que entram nas muvucas durante uma semana e se endividam mais ainda.

A festa, que a mídia chama de popular, não passa de uma mentira porque no final o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. São os vassalos e súditos a serviço de uma nobreza que fica em seus trios e camarotes, lá do alto, assistindo a ralé pular e arrastar chinelos ou tênis velhos lá embaixo nos rebolados das músicas lixo de letras horríveis, machistas e misóginas onde tratam as mulheres como objeto do sexo.

Os economistas, sociólogos e estudiosos no assunto sempre comentam que um país só se desenvolve com trabalho e educação. O Brasil ainda é um pais dos feriadões, das fuzarcas e da falta de um ensino de qualidade. Então, não é preciso analisar mais nada.

Outro “bolodoro” do carnaval é que a festa gera milhares de empregos nessa época, mas escondem a exploração trabalhista, com remunerações baixas e em condições de escravismo onde a pessoa é sujeita a trabalhar quase 24 horas por dia, sem o devido descanso. É um dinheiro amaldiçoado.

Nessa Bahia festeira, a começar pela capital soteropolitana, o nível de instrução é um dos mais baixos, tendo como consequência a pobreza e a miséria que requer um maior número de atendimento do Bolsa Família, mas, em se tratando de carnaval, os governantes não estão nem aí e investem pesado porque dá voto.

Eles sempre escondem os valores e enganam o povo dizendo que os festejos de uma semana (antes só eram quatro dias) são pagos pelo setor privado através das cotas de patrocínios. Também não colocam na conta o aumento da violência, acidentes e mortes quando os hospitais costumam ficar superlotados. Quem paga tudo isso?

É outra mentira deslavada porque não incluem na planilha os gastos com cachês dos artistas de trios independentes, das bandas nas praças, serviços de decoração, do efetivo policial e dos profissionais da saúde mobilizados, entre outras despesas.

A maior ressaca do carnaval depois da quarta-feira de cinzas não é da cachaça, das bebidas, das drogas ingeridas e injetadas. A maior enxaqueca é dos pobres e endividados, porque muitas deixam de quitar suas contas e até colocar comida em casa para cair na folia. É aquele negócio: depois resolvo isso e esvaziam os bolsos e os cartões de crédito, agora o PIX.

 





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