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:: 4/fev/2023 . 0:06

TODOS SÃO FARINHA DO MESMO SACO DIZENDO ESTAR A SERVIÇO DO BRASIL

É um quadro despudorado e desolador essa nossa política brasileira, coisa secular, que o povo mais instruído não consegue entender. Eu mesmo não engulo esse argumento da governabilidade. Nessa casa da Vera Cruz tudo continua como dantes. Uma minoria parlamentar vira maioria da noite para o dia e todos se acomodam no mesmo saco de farinha do pó queimado, sem nenhuma tapioca.

Agora mesmo, os bolsonaristas ou bozonaristas puxa-sacos se tornaram lulistas para compor o arcabouço dos cargos e das benesses, num bom termo objetivo, muita grana a rolar. Claro que em política existem as composições, mas aqui na terra do Pau Brasil é vergonhoso, descaração e cinismo. Não existe um mínimo de ética e seriedade. São todos produtos falsificados sem prazo de validade.

Os casos mais aberrantes foram escancarados agora com as eleições do Pacheco para o Senado e do Arthur Lira para a Câmara dos Deputados, este último, principalmente, um sujeito de recado do Bozó psicopata e cumplice de seus crimes, inclusive culpado indiretamente pelo atentado golpista de oito de janeiro.

Bastou o PT se aproximar deles prometendo as cestas recheadas de presentes que eles mudaram as camisas de verde-amarelo para vermelho. Agora eles são Lula e se reelegeram com os votos da esquerda. Será que vale a pena se filiar a um partido de esquerda neste país? Cuidado! Você pode se decepcionar e cair na frustração.

Na verdade, é uma bobagem dizer que nesse Brasil existe direita, centro e esquerda. Não dá para separar muito bem um do outro. Tudo depende do momento. Ideologia é sinônimo de grana no caixa e poder, meu amigo. O povo não passa de um bando de idiota besta que fica brigando uns com os outros e ainda se mata.

As pessoas se xingam, se odeiam e ficam até inimigas, inclusive irmão contra irmão e pai contra filho, enquanto eles lá fazem seus conluios e conchavos com o argumento mentiroso e safado de que tudo é para o bem da nossa pátria. Deixo aqui a minha revolta e desabafo porque minha formação não permite aceitar essa cachorrada.

Os dois (Pacheco e o Lira) foram eleitos com os votos do centrão do Bozó e a eles serviram fielmente, aprovando seus atos criminosos contra o meio-ambiente, o armamento e até fizeram vistas grossas para os genocídios praticados durante a pandemia (vacinação atrasada e mortes em Manaus pela Covid-19)) e contra os índios ianomâmis, dando guarida aos garimpeiros.

Agora pousam de bonzinhos e abraçam Lula com tapinhas nas costas. O Lira fez ainda o pior. Sentou em quase 200 pedidos de impeachment contra o capitão aloprado e não abriu nenhum processo. Se tivesse aberto um dos pedidos de afastamento do capitão poderia ter evitado as tentativas de golpes, as investidas de uma intervenção militar (ditadura) e a bárbara invasão aos três poderes da nação.

No entanto, agora eles são Lula, da esquerda, e foram excluídos da lista daqueles que colaboraram para ultrajar a democracia. Ninguém fala mais no engavetador Augusto Aras, o Procurador Geral da República, a vergonha da Bahia, que sempre foi moleque de recado do Bozó.

Não estou aqui de forma alguma defendendo os extremistas aloprados que falam em pátria, Deus e família e fazem completamente o contrário, mas somente os bois de piranhas foram presos e estão sendo julgados. O Lira e o Pacheco se safaram numa boa.

Sinceramente, nesse pais desavergonhado fico até ressabiado e sem jeito de dizer que sou de esquerda socialista filiado a um partido dessa linha. Essas safadezas me deixam sem argumento para discutir política no sentido sério, ético e honesto. Esse quadro de horrores deixa de cabeça baixa aqueles que primam pela ideologia, porque todos estão juntos no mesmo saco de farinha de péssima qualidade.

 

 

“FLUXO E REFLUXO”

O tráfico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os séculos XVII e o XIX tem muita semelhança com o tráfico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortificações e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger em seu livro “Fluxo e Refluxo”.

Claro que o autor não faz essa referência, mas lendo sua obra e analisando o que acontece atualmente com as redes de traficantes de drogas e armas, os métodos aplicados para trazer escravos da Costa da Mina (Golfo do Benin) para as lavouras e a mineração brasileira eram bem parecidos. Prevalecia a lei do mais forte e tudo mera resolvido no derramamento de sangue.

No tráfico negreiro existia um intrincado de corrupções e uma disputa acirrada pelos negócios, tendo como moedas principais o tabaco da Bahia, a cachaça e o ouro de Minas Gerais. O fumo era muitas vezes adulterado, bem como a bebida e o ouro contrabandeado. Além das guerras entre os reis de Daomé e outras etnias, em Ajuda ou Uidá, as brigas também ocorriam entre as fortalezas portuguesas, francesas, inglesas e as forças holandesas.

As cartas trocadas entre os vice-reis da Bahia, os capitães de navios, diretores das fortificações e seus mandatários colonizadores eram recheadas de intrigas, difamações, calúnias e desrespeito às regras emanadas pelas coroas de cada nação europeia. Era como se fosse uma terra de ninguém e vencia o mais astuto e o mais forte.

As conspirações andavam soltas naquela zona perigosa e o diretor da fortificação portuguesa em Ajuda, João Basílio, por volta de 1743/45 foi vítima de uma delas. Foi preso injustamente, padeceu numa cadeia imunda da Bahia e morreu à mingua. Seus filhos foram vendidos como escravos, tudo por causa de calúnias de outros traficantes que não concordavam com suas ordens.

De acordo com pesquisa feita por Pierre Verger em “Fluxo e Refluxo”, ele e o tenente Manoel Gonçalves embarcaram em Uidá e foram saudados pelo forte francês com uma salva de nove tiros. Dali seguiram ao longo do litoral com escala na Bahia onde foram feitos prisioneiros pelas autoridades da cidade.

Eles eram acusados de terem abandonado, com grande prejuízo para a Fazenda Real, a fortaleza de Ajudá. Em outra parte, cita que todos os bens de João Basílio e de Manoel Gonçalves foram sequestrados por ordem do provedor-mor da Fazenda Real. Tiraram deles até as roupas.

O vice-rei conde das Galveas dizia que o Basílio foi condenado injustamente. Outro que caiu em desgraça foi o diretor Francisco Nunes Pereira. Na Costa da Mina ou Sotavento, o comércio negreiro era uma tremenda bagunça. Não havia organização e os preços dos cativos variavam de acordo com a oferta e a procura.

Da Bahia, 24 navios eram autorizados a negociar, mas existia uma ordem que, enquanto um capitão estivesse no porto, outro não poderia entrar, só que os traficantes não obedeciam. Muitas vezes, o rei de Daomé nomeava seu próprio diretor para a fortificação de Portugal, passando por cima da Coroa de Lisboa e do vice-rei da Bahia.

Como o único meio de comunicação era através dos navios, as medidas e diretrizes passadas para os diretores do forte de Ajuda caducavam. O mesmo acontecia do Golfo de Benin para a Bahia e Lisboa. Uma missiva para Portugal transitava primeiro na Bahia para depois chegar o reino.  Muitas vezes duravam seis meses para se saber da morte de uma autoridade.

 





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