:: fev/2023
O HUMANO “MODERNO” DESUMANIZADO
Um mauricinho rico esnoba num recinto de uma lanhouse que não entendia como ainda nos tempos de hoje tem gente que não sabe o que é e como fazer um QR Cote ou não tem o PIX.
O pobre ao lado escuta o papo e pergunta se ele sabe como se faz a farinha, um cuscuz de milho, uma farofa ou uma rapadura. Ainda se ele imagina o que é ter fome, se os jovens de hoje respeitam os idosos ou as pessoas diferentes.
O moço metido a sabichão dos truques da internet e do mundo virtual, fica calado e meio envergonhado. Nada mais se falou sobre os golpes nessa terra que não é de ninguém, embora os “especialistas” digam que os golpistas são investigados e punidos de acordo com as leis dessa nova mídia devoradora de humanos.
Vivemos num mundo “moderno” desumanizado onde os pais dão mais atenção ao cachorrinho de raça do que aos seus próprios filhos. A mãe chega cansada do trabalho ou do salão de beleza e mal pega sua cria para fazer um carinho. Brada com a babá que ainda não colocou o menino ou a menina para dormir. Ela só quer estirar as pernas no sofá e clicar no celular.
Dia desses um pai matou acidentalmente seu próprio filho na garagem dando a ré em seu carão de luxo. Se não sabia onde estava a criança é porque nem se despediu dela diante de tantas preocupações, problemas e a pressa pela corrida do ouro, aliás do dinheiro. O tratamento entre o cãozinho de estimação e o humano se inverteram. Será que o cão seria acidentalmente esmagado nas rodas do seu possante?
Nos dias atuais, muitas vezes aparece no noticiário que uma mãe ou o pai esqueceu o bebê trancado dentro do seu próprio carro, mas ninguém deixa um celular para trás. Os imbecis dirigem com o aparelho na mão ou o coloca entre as pernas e nunca deixa sua peça idolatrada no banco.
Muitos têm filhos como obrigação matrimonial ou para cumprir uma norma social. Coisas de aparência e vaidade! Logo que mulher e homem se casam, lá vem a sogra ou o sogro para cobrar uns netinhos. Nos acomodamos numa sociedade das aparências e da procura pela felicidade passageira através das compras num shopping.
Atualmente se diz depois eu te ligo, depois eu falo com você, depois lhe mando o pedido, depois faço aquilo. A conversa com o filho é sempre adiada porque o pai ou a mãe acha que tem algo mais importante para resolver. Os contatos, que não sejam por interesse monetário, se dissolvem como sonrisal na água.
Amigos só no copo num barzinho para passar o tempo, numa festa ou curtição de final de semana. Quando o cara está montado numa grana é como um imã para atrair gente e dar uns tapinhas nas costas. É um tal de dizer você é meu amigo-irmão. Foi-se o tempo onde o amigo era certo nas horas incertas.
NA ESPERA DA GRAÇA
ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS
Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 quando as pessoas estavam todas na espera de uma graça.
A obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” será lançada no próximo dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Com apresentação do professor Itamar Aguiar, trata-se de um conjunto de textos poéticos, ou versos, com uma pegada do agreste nordestino que fala desse povo sofrido, mas também aborda questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.
O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica e apresentada em diversos festivais.
Outros versos da obra também foram musicados por artista locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Na obra, outras letras foram musicadas por Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.
Outros poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Para finalizar, o livro contém o capítulo “Entre Engaços e Bagaços”, um épico sobre o nosso resistente Nordeste onde destaca os costumes, cultura e hábitos do nosso povo na fala e na escrita dos principais personagens escritores e poetas, relatos que podem ser transformados numa peça teatral.
Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.
“FLUXO E REFLUXO” VIII
OS EMBAIXADORES DA COSTA DA MINA OU A SOTAVENTO (GOLFO DO BENIN) NA BAHIA, PARA ESTREITAR RELAÇÕES COMERCIAIS E APAZIGUAR CONFLITOS, INCLUSIVE DE INVASÕES DE FORTES.
Entre 1750 e 1811ocorreram quatro embaixadas na Bahia pelos reis do Daomé, de Onim (Lagos) e um do rei de Ardra, para reatar as divergências nos portos entre os diretores dos fortes, capitães dos navios, os traficantes negreiros e incrementar os negócios. Na época, os baianos Francisco Félix de Souza e João Oliveira eram os maiores e mais famosos traficantes.
O livro “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger dá ao leitor todos detalhes destas missões, com cerimonial rebuscado, sendo que a primeira, em 1750, foi rica, pomposa e inusitada que movimentou os moradores da capital pelo ritual que foi preparado pelo vice-rei para receber os enviados do Daomé, com trajes e costumes exóticos.
Uma das embaixadas foi provocado por um tenente do forte português de Uidá, com fins de prejudicar o seu diretor. A de Onim, um subterfúgio utilizado por um capitão negreiro para salvar uma carga de tabaco em deterioração. Tudo isso mostra a vontade dos reis africanos em manter ligações comerciais entre seus países e a Bahia.
A primeira foi do rei Tegbessu depois de incidentes que resultaram na destruição de um forte pelas tropas do monarca do Daomé, com a consequente expulsão do diretor João Basílio e de um reverendo, em 1743. Seus embaixadores ficaram hospedados no Colégio da Companhia dos Jesuítas (hoje Terreiro de Jesus). Os mensageiros do outro rei, Aganglô, ficaram no Convento dos Franciscanos.
Os reis do Daomé queriam praticamente exclusividade dos negócios em seu porto de Ajudá com a entrada livre de quatro a cinco navios de uma só vez, só que isso tornava alto os custos dos cativos no regateamento das mercadorias, e as embarcações demoravam mais tempo no porto deteriorando os produtos e escasseando os mantimentos.
Em 1747, Lisboa declarava que seria justo que o régulo africano sofresse algum castigo para ter mais respeito com a nação portuguesa. Os negociantes da Bahia concordavam castigar o “bárbaro”, sem prejudicar as extrações de escravos, que são tão necessários para as obras do Brasil. No entanto, existiam outros portos (Badagri, Novo Porto e Onim) como opções, mas os conflitos e intrigas eram parecidos.
Em 1750, o vice-rei da Bahia, Luiz Peregrino de Ataíde, Conde de Atouguia, dizia que não existia nenhum meio de intimidar os negros do Daomé. Não falta outros portos nesta costa, mas serviria somente para experimentar os mesmos inconvenientes, insultos e incivilidade de semelhantes régulos-declarava. Os interesses eram facilitar a compra dos escravos e dar saída à venda do tabaco de terceira qualidade, que só tinha saída para o Golfo do Benin.
Os relatos de Pierre Verger sobre essas embaixadas foram baseados nos escritos de José Freire de Monterroio Mascarenhas. Afirma o autor da obra que o vice-rei se mostrava mais reservado e reticente em suas relações com o enviado de Tegbessu, de acordo com os documentos existentes nos arquivos da Bahia e de Lisboa.
Todas as despesas foram pagas pela Fazenda Real da Coroa Portuguesa. Foram oferecidos preciosas colchas e pavimento de finíssimas esteiras, cadeiras de espaldas magníficas e cobertores de tela carmesi.
A primeira embaixada trouxe presentes da sua terra, escravos e quatro negrinhas de 10 anos nuas ao modo da sua terra para o vice-rei e o monarca D. João V. Eles eram chamados de gentis-homens. Nas vestimentas, além dos turbantes, rolavam muito ouro nas vestimentas.
“A esta grande novidade, descrevia José Mascarenhas, nunca vista no Brasil, começou a concorrer gente de toda parte, e o embaixador, para evitar embaraço que podia fazer-lhe o concurso de tanto povo, disse pelo seu intérprete aos portadores do Palenquin e cadeirinhas que apressassem o passo e chegaram com maior brevidade à portaria do Colégio. Foram recebidos com salvas de tiros e honras dos oficiais e vassalos do vice-rei”.
Na audiência da primeira embaixada de 1750 achava-se o palácio todo bem armado. O vice-rei estava debaixo de um rico docel assistido de todo corpo do Senado e toda nobreza da Bahia, sem se ver outra coisa mais que vestidos ricos e de bom gosto, tudo galhardia, tudo pompa. Era grandiosa a comitiva dos embaixadores, tanto que atraiu gente de toda parte da cidade. O escritor José Mascarenhas se esmerou nos mínimos detalhes desses encontros.
Aconteceram ainda na Bahia as visitas dos enviados do rei de Onim (Lagos), em 1770, na época em que o traficante João Oliveira retornava de Benin e foi preso por ter embarcado num navio onde existiam mercadorias contrabandeadas de um particular.
Uma outra missão ocorreu em 1795 mandada pelo rei do Daomé, Agonglô. Esta embaixada foi provocada pelo tenente Francisco Xavier Álvares do Amaral, no reinado da rainha D. Maria de Portugal, para incriminar o diretor do forte Francisco Antônio da Fonseca e Aragão.
As cartas endereçadas ao vice-rei podem ter sido escritas pelo tenente e pediam exclusividade do tráfico do Brasil para Ajudá. “Garanto à V. Exa. que nenhum dos capitães sofrerá perdas em meu porto, e que podem levar seda, ouro trabalhado e prata sob a forma que queiram, em obra ou peso. Para isso, lá tem cativos em excesso e mais daqueles que se vendem contra o tabaco e aguardente, como sabem aliás os capitães”.
O governador da Bahia, Fernando José de Portugal, escrevia à sua majestade de Portugal ser impraticável o comércio privativo do Porto de Ajudá, como pretende o rei do Daomé. Explicava que concorrendo cinco ou seis embarcações nos portos da Costa da Mina, se forem obrigadas a fazerem as negociações somente em Ajudá, hão de sofrer detrimento, não somente pela demora que irá arruinar o tabaco e consumir os mantimentos para o retorno da viagem, como também porque o potentado aumentará o preço dos escravos devido a grande demanda. Não terão os mestres dos navios liberdade para escolher os escravos e serão obrigados a aceitar os que lhe quiser dar o potentado, pelo preço por ele arbitrado – advertia o governador.
O governador ainda lembrava que todos os mais portos daquela Costa se resgatam os escravos por menor número de rolos do que no Porto de Ajudá, não devendo ser privados dessa comodidade nem os que se empregam neste comércio, de tanto risco e despesa, nem igualmente da utilidade de comprar o melhor preço os escravos nos outros portos. Chamava o potentado Dagomé (Daomé) de ambicioso e soberbo e que na Costa ainda reina muita barbaridade e grosseria.
Em março de 1795, o rei do Daomé escrevia à rainha D. Maria I de Portugal apelando para uma boa união e paz e solicitava que seu porto fosse frequentado pelas embarcações portuguesas, para lucro tanto dos vassalos da rainha como dos meus, e que nossos tesouros cresçam e aumentem. Sobre o diretor Francisco da Fonseca e Aragão afirmava que ele não cumpria com suas obrigações e estava preocupado em aumentar somente suas finanças. Eram como funcionavam as intrigas no tráfico negreiro.
Pierre Verger destaca que, além desses embaixadores, numerosos africanos livres iam para a Bahia, seja para entregar-se ao comércio, ou para receber educação, inclusive filhos de reis e rainhas, muitos até sequestrados para este fim.
ESPELHO
Afonso Manta, da Antologia Poética organizada pelo poeta e companheiro jornalista Ruy Espinheira Filho.
De cada vez que me contemplo, mudo
Face ao espelho que reflete a imagem
De um homem já cansado da viagem,
Sinto uma atroz desilusão de tudo.
Sinto que estou mais triste a cada dia,
Mais doente, mais trágico e infeliz:
Exausto desta longa romaria
Que, pela vida, em desespero fiz.
Sinto que sou a sombra do passado.
Sinto que sou o espectro de mim mesmo.
E que rolei como um navio a esmo
Tangido pelo mar encapelado.
02/05/1979
AS BELEZAS DA CHAPADA
Uma vez perguntaram para um viajante do mundo qual o lugar mais lindo que ele havia visto. Sem titubear respondeu que foi sobrevoando a Chapada Diamantina, na Bahia. Completou que ficou encantado com as paisagens, as cachoeiras, as serras e morros. Em seu parapente ou coisa assim, que dá assas ao homem, ele desceu para conferir e ficou ainda mais convicto com o que viu ao visitar os locais, cada um mais deslumbrante, como mostram essas imagens do rio Paraguaçu, em Andaraí. Fica difícil fazer uma seleção das grutas, das quedas d´água, dos rios, dos pantanais, dos picos, das trilhas, das lagoas, dos povoados históricos (Igatu), das comunidades e das cidades, se Lençóis, Rio de Contas, Mucugê, Piatã, Iraquara, Palmeiras, Ibicoara, Seabra ou outra que fica nessa região feita e abençoada pela natureza. E a cultura do seu povo! É claro que cada um vai ter seus pontos preferidos, mas a Chapada tem suas magias e energias diferenciadas das outras. Toda vez que corto a Chapada, cerca de duas vezes por ano, para ir a Juazeiro, me sinto renovado. Não é bom morrer sem nunca ter ido apreciar as belezas da Chapada Diamantina, que cura os tormentos da alma e o cansaço do corpo. Quem nasceu e se criou em algum lugar da Chapada pode se sentir um ser privilegiado. Passei boa parte da minha infância no Piemonte da Chapada, em minha querida Piritiba e morei bom tempo em Rui Barbosa, mas gostaria de ter nascido bem no centro do seu coração.
CLUBE PAGA POR TORCEDOR RACISTA
A Confederação Brasileira de Futebol – CBF (olá, seu Ednaldo Rodrigues) e seu conselho técnico de representantes das federações estaduais continuam insistindo numa coisa esdruxula que na prática é contraditório e absurdo (olá meu amigo Gonzalez) que é punir o time quando no estádio uns torcedores raivosos praticam atos de racismo contra jogadores negros.
Não consigo entender ou sou mesmo burro! Como o clube pode controlar torcedor desvairado, aloprado, idiota e estúpido numa multidão de uma partida de futebol, chamando o atleta de macaco, fedorento ou outra coisa ultrajante! Time nenhum concorda ou incentiva que seus torcedores façam isso e não dispõe de condições parta evitar que fatos desse tipo ocorram.
A CBF com seus prepostos e a polícia não têm capacidade de detectar os racistas e aí transfere a responsabilidade para os times, com punições de perda de campo, multas altíssimas e até com retirada de pontos ganhos, o mais grave e que vai gerar uma tremenda confusão e ira das torcidas, com toda razão.
É aquele negócio dos santos pagarem pelos pegadores. Futebol brasileiro está em plena decadência com medidas e mudanças incoerentes e ridículas. Primeiro veio o VAR que bagunçou com tudo e desvalorizou o árbitro; introduziram a troca de até cinco jogadores; e inventaram a tal parada técnica que irrita o torcedor.
A regra estabelece 90 minutos de jogo, mas de bola rolando não chega a 70, mesmo com os acréscimos para enganar os bestas. Cartão vermelho só quando o cara quebra a perna ou o pescoço do adversário. Para ser sincero, não vale mais a pena sair de casa e gastar dinheiro para ir a um estádio, cheio de loucos e agressivos que descontam suas frustações nas brigas de morte!
A seleção brasileira das dancinhas do pombo foi uma vergonha na Copa Mundial do Katar. O Flamengo perdeu para um time da Arábia Saudita e foi eliminado no primeiro jogo do Mundial de Clubes. Agora estoura a manipulação de jogos da Série B, em Goiás, onde jogadores recebiam propinas para provocar pênaltis.
Atualmente, tenho mesmo é saudade dos meus babas de várzeas e quando jogava pela seleção de Amargosa e do Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho. Tinham bons craques e não esses pernas-de-paus que caem rolando no campo e demoram de levantar.
Ainda existem os brutos que nunca deveriam entrar num campo de futebol. Só sabem dar porrada e voadoras para arrebentar os colegas! Os técnicos xingam palavrões e berram na beira das quatro linhas. Sou ainda um admirador do futebol, mas não como antigamente quando se via belas jogadas e dribles, sem falar que a redonda rolava por mais tempo e não era tão maltratada.
UM PLANO DIRETOR URBANO QUE HÁ CINCO ANOS NÃO SAIU DO PAPEL
Os projetos, as reformas dos equipamentos culturais e outras demandas em benefício de Vitória da Conquista estão emperrados na Prefeitura Municipal. Um exemplo é a reformulação ou revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU, que há cinco anos começou a tramitar na Câmara de Vereadores, ainda no Governo de Hérzem Gusmão, mas ainda não saiu do papel.
A última vez que o Plano recebeu uma nova roupagem foi no Governo de José Raimundo Fontes, há quase 20 anos e, de lá para cá, a cidade, a terceira maior da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, expandiu para todos os pontos cardeais, de norte a sul, de leste a oeste, com construções e loteamentos, muitos dos quais de forma desordenada e sem o devido planejamento.
Um Plano Diretor, não sou urbanista e nem arquiteto, mas sabemos que traça as diretrizes para que a cidade cresça de forma ordenada em benefício da população. Atualmente, por exemplo, temos loteamentos chamados de bairros com vários nomes, inclusive ruas que não constam nos arquivos do poder público da prefeitura e da Câmara de Vereadores.
Outra questão a ser revista e regularizada é que grande parte das habitações de Conquista, especialmente nas regiões periféricas, é irregular e isso aumenta a cada dia que passa. Precisamos de uma cidade mais humana que viva em harmonia com o meio ambiente e ofereça qualidade de vida aos seus moradores.
O trânsito de Conquista sempre foi complicado e caótico em alguns lugares. Estabelecimentos são erguidos, como escolas, supermercados, casas de eventos e shows sem o devido planejamento, provocando transtornos no tráfico de veículos, como já está ocorrendo na Avenida Juracy Magalhães que começa a ter engarrafamentos.
Aqui mesmo no Jardim Guanabara ou Felícia e ainda Jatobá para outros (exemplo de três nomes) que confundem Correios e empresas de entregas de correspondências e encomendas, foi construída a casa de eventos Paradise numa rua totalmente residencial que perturba os moradores, principalmente idosos e crianças, em dias de festas.
Conquista tem terrenos abandonados entregues ao mato e ao lixo onde os donos não são devidamente fiscalizados e punidos para que sejam obrigados a cuidar de seus imóveis. Como consequência, essas áreas têm transmitido doenças e servido de esconderijos para bandidos e marginais, aumentando a violência através de assaltos.
É uma vergonha que este Plano Diretor esteja parado na Prefeitura Municipal depois da Câmara de Vereadores ter feito algumas correções. Pelo que se sabe, já foram gastos mais de um milhão de reais, dinheiro do povo que não está sendo respeitado, ao contrário, desperdiçado. Toda cidade com mais de 20 mil habitantes deve ter o seu Plano.
Outro problema grave que há anos vem se empurrando com a barriga é com relação aos equipamentos culturais de Vitória da Conquista, como o Teatro Carlos Jheovah, interditado há três anos, o Cine Madrigal, adquirido pelo Tesouro por um milhão e 100 mil reais e que continua fechado, a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho e a Praça Céus (J. Murilo), no Alto Maron que funciona de forma precária por falta de reformas.
O tempo está se encarregando de destruir esses centros culturais, enquanto os artistas de um modo geral, abrangendo todas linguagens ficam sem espaço para realizar seus ensaios, treinos e shows. Todos têm que recorrer ao Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, do Estado, que vive com sua agenda cheia.
Há um ano que o Conselho Municipal de Cultural vem lutando para reformar esses equipamentos, mas a resposta é sempre falta de recursos e que as licitações estão em andamento. Nosso patrimônio material (arquitetônico) e imaterial também estão se acabando. É nossa memória que está deixando de existir. É nossa história se apagando.
Onde estão as lideranças da sociedade, dos movimentos sociais e entidades sindicais patronais e de empregados, os intelectuais, os empresários, associações, artistas, a mídia e demais organizações que não juntam forças para que essas ações sejam colocadas em pratica com urgência, e não fiquem somente no papel? Povo sem memória é um povo sem identidade, sem presente e futuro, de passado destruído.
ESSA SEGUNDA-FEIRA!
Numa coisa acho que todos concordam, seja de esquerda, direita ou centro, que essa tal de segunda-feira é o pior dia da semana, mesmo para quem não bebe, não entra em farras, não tem atividades fixas e até mesmo para o aposentado. Na verdade, é um dia enfadonho que poderia receber uma honraria de “Dia da Preguiça ou da Moleza”!
Quando estava na ativa, para mim era um tormento porque me atolava nas boemias da vida e muitas vezes dormia na redação do jornal em cima da antiga máquina de datilografia.
Agora seria no computador, com linhas trocadas e lead invertido. E fazer uma entrevista numa segunda-feira! É Tico Oliveira, você ainda me pede para escrever para o “Impacto” numa segunda-feira! Quer me torturar?
Sobre a segunda-feira, já ouvi muita gente propor para ser um dia de pleno descanso, mas aí, meu amigo, a terça ficaria no lugar da segunda, passando a ser o pior dia da semana. Melhor não azucrinar a terça-feira quando você começa a entrar no eixo, pensando na sexta-feira.
É duro ter que realizar alguma atividade na segunda e ainda participar de uma reunião à noite, como fiz ontem. É para matar qualquer cristão! Pelo menos não deveria haver encontro na segunda e nenhum outro evento.
Mesmo aposentado ainda vivo procurando sarna para mim coçar, e não é que tenho reunião do Conselho de Cultura toda primeira segunda-feira do mês! Tento fazer algum texto na segunda-feira e olha a brabeira! As ideias não se conectam bem e lá vou eu tateando e tropeçando aqui e acolá.
Preciso tomar vergonha na cara e não fazer absolutamente nada na segunda-feira, mesmo que seja um velório ou enterro de um parente e amigo do peito. Não maltrate esse velho corpo, nem o espírito! Os dois não aguentam mais!
Depois de umas geladas no sábado e no domingo, o negócio é ficar olhando o tempo passar na segunda-feira, claro tomando chás, caldo de cana, sorvete e frutas. Nada de feijão e carne, principalmente se for vermelha.
Como hoje é segunda-feira, vou mesmo é parar por aqui antes que fale mais besteiras com essa crônica enfadonha e chata de ser ler. Dá até vontade de cair na cama, mas o cachacista sempre diz que é bom tomar uma gelada para rebater.
Cada viciado com sua mania. Isso não passa de mais uma pirraça para contrariar com a segunda-feira pé de boi. Vou ficar por aqui mesmo, se quiser que alguém acrescente mais alguma coisa. Estou indo.
NA ESPERA DA GRAÇA – ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS
Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 quando as pessoas estavam todas na espera de uma graça.
Com apresentação do professor Itamar Aguiar, a obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” será lançada no próximo dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Trata-se de um conjunto de textos poéticos, ou versos, com uma pegada do agreste nordestino que fala desse povo sofrido, mas também aborda questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.
O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica e apresentada em festivais.
Outros versos da obra também foram musicados por artista locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Estão ainda nele músicas de Papalo Monteiro e Dorinho Chaves
Muitos outros poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Para finalizar a obra, o capítulo “Entre Engaços e Bagaços” é um épico sobre o nosso querido Nordeste onde destaca os costumes, cultura e hábitos do nosso povo na fala e na escrita dos principais personagens escritores e poetas, relatos que podem ser transformados numa peça teatral.
Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.
“FLUXO E REFLUXO” VII
OS INGLESES E A QUESTÃO RELIGIOSA NA COSTA DA MINA OU COSTA A SOTAVENTO
Como já tratamos em comentários anteriores em nosso blog, o livro “Fluxo e Refluxo, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, uma pesquisa de 20 anos de trabalho, é um intricado de conflitos e guerras na região do Golfo de Benin entre portugueses do Brasil, ingleses, franceses, holandeses e os reis de Daomé durante o tráfico negreiro.
A disputa era acirrada por cativos, e o tabaco era a moeda mais cobiçada pelos países. Os holandeses detinham praticamente o monopólio com o domínio do Castelo de São Jorge (Elmina) e exigiam dos portugueses da Bahia e do Brasil que negociassem com eles com o pagamento de uma taxa de 10% sobre tudo que era comercializado e trocado.
As outras nações não gostavam nada disso e tentavam atrair os portugueses para outros portos e fortificações (Porto Novo, Badagri e Onim –Lagos), como ocorreu no final do século XVIII onde os ingleses procuraram proteger os capitães e navios vindos da Bahia com o cobiçado tabaco, que não era de tão boa qualidade, mas os negros o apreciavam.
Pierre Verger cita que uma das consequências da lei de 30 de março de 1756, destinada a tornar o comércio da Costa da Mina livres para todos, foi controlá-lo no Porto de Uidá ou Ajudá, onde o diretor da fortaleza devia fazer respeitar as ordens do rei de Portugal, ou seja, um navio de cada vez, mas sempre essa norma era desobedecida.
Enquanto isso, os capitães procuravam outros portos. Os holandeses concediam quatro na Costa a Sotavento, como Popo, Ajudá, Jaquim e Apá. Em seguida, novos centros foram criados em Porto Novo, Badagri e Onim (Lagos).
João Oliveira, um escravo alforriado se tornou traficante astuto que retornou à África para comerciar com negros e enviá-los para a Bahia. Na velhice ficou rico, mas teve a infelicidade de estar a bordo de um navio que transportava mercadorias de contrabando. Foi injustamente implicado no caso.
“A política dos reis do Daomé, desde a conquista de Ajudá, em 1727, procurava impor que o comércio com os estrangeiros na costa se fizesse exclusivamente com aquele porto. Eles destruíram o porto de Jaquim, em 1743. No entanto, o comércio se alargava em Porto Novo, Badagri e Lagos.
RELIGIOSO
Mesmo diante de toda desorganização que era o tráfico negreiro, por volta de 1780/82, um ponto que chamou a atenção foi o religioso sob a direção do forte português por Francisco da Fonseca e Aragão.
As instruções não falavam mais em proibir a entrada de mais de um navio de cada vez no porto. Refletiam essencialmente preocupações com a respeitabilidade e a prática religiosa. Os oficiais e capitães eram obrigados a assistir as missas e a rezarem o Terço de Nossa Senhora do Rosário.
Na época, o diretor não consentia navios sem capelães. A ordem era que o diretor procurasse saber se as embarcações levavam capelães. Repelia o capitão que não notificava a morte do capelão e não substituía logo por outro. Era ordem da sua majestade, na época a rainha Maria I.
Depois de um certo tempo, o diretor da fortaleza de São João de Audá, Francisco Antônio da Fonseca Aragão não atormentava mais os “americanos” (portugueses brasileiros) para obrigá-los a irem à missa, deixando cair em ruínas a fortificação, nem tampouco se preocupava com os marinheiros portugueses capturados pelos doameanos.
O tenente do forte, Francisco Xavier do Amaral, que chegou em Uidá, em 1791, influenciava Agongló, rei do Daomé, para que não mandasse uma embaixada para a Bahia e sim para Portugal, para propor que o comércio de escravos dos negociantes da Bahia fosse exclusivamente feito com Uidá.
Em 1795, porém, o rei de Daomé enviou para a Bahia dois mensageiros. O tenente, então, organizou essa embaixada a fim de redigir, em nome do rei, suas próprias queixas contra o diretor da fortaleza. Os dois embaixadores foram batizados em Lisboa.
Um morreu lá e o outro tornou-se cavaleiro da Ordem de Cristo. Este teve uma permanência agitada na Bahia, quando da sua volta. “A sofreguidão em cortejar o “belo sexo” escandalizou o governador da Bahia”. A rainha dona Maria tentou converter o rei do Daomé ao catolicismo.


















