ESPELHO
Afonso Manta, da Antologia Poética organizada pelo poeta e companheiro jornalista Ruy Espinheira Filho.
De cada vez que me contemplo, mudo
Face ao espelho que reflete a imagem
De um homem já cansado da viagem,
Sinto uma atroz desilusão de tudo.
Sinto que estou mais triste a cada dia,
Mais doente, mais trágico e infeliz:
Exausto desta longa romaria
Que, pela vida, em desespero fiz.
Sinto que sou a sombra do passado.
Sinto que sou o espectro de mim mesmo.
E que rolei como um navio a esmo
Tangido pelo mar encapelado.
02/05/1979











