:: fev/2023
FEVEREIRO É DO CARNAVAL
Depois de dois anos, por causa da pandemia, fevereiro volta a ser sinônimo de carnaval, principalmente em Salvador. O ano de trabalho na Bahia só começa mesmo a partir de março. Tudo na capital da informalidade, onde se registra um dos maiores números de pessoas inadimplentes do Brasil, é só festa desde início de dezembro. São três meses que não se faz quase nada.
Os organizadores da folia e a própria Prefeitura Municipal anunciam uma movimentação de quase dois bilhões de reais em negócios, só não falam que a maior parte desse bolo vai cair nas mãos dos mais poderosos donos de trios elétricos, agências de vi8agens, empresas de aviação, montadores de estruturas, os hotéis, as empresas de bebidas e o setor de propaganda.
O resto, ou as migalhas, ficam para os donos de barracas, ambulantes, cordeiros de blocos, catadores de latinhas e outros vendedores que ficam no asfalto das avenidas dormindo ao relento para não perderem suas vagas. Tem aqueles que entram nas muvucas durante uma semana e se endividam mais ainda.
A festa, que a mídia chama de popular, não passa de uma mentira porque no final o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. São os vassalos e súditos a serviço de uma nobreza que fica em seus trios e camarotes, lá do alto, assistindo a ralé pular e arrastar chinelos ou tênis velhos lá embaixo nos rebolados das músicas lixo de letras horríveis, machistas e misóginas onde tratam as mulheres como objeto do sexo.
Os economistas, sociólogos e estudiosos no assunto sempre comentam que um país só se desenvolve com trabalho e educação. O Brasil ainda é um pais dos feriadões, das fuzarcas e da falta de um ensino de qualidade. Então, não é preciso analisar mais nada.
Outro “bolodoro” do carnaval é que a festa gera milhares de empregos nessa época, mas escondem a exploração trabalhista, com remunerações baixas e em condições de escravismo onde a pessoa é sujeita a trabalhar quase 24 horas por dia, sem o devido descanso. É um dinheiro amaldiçoado.
Nessa Bahia festeira, a começar pela capital soteropolitana, o nível de instrução é um dos mais baixos, tendo como consequência a pobreza e a miséria que requer um maior número de atendimento do Bolsa Família, mas, em se tratando de carnaval, os governantes não estão nem aí e investem pesado porque dá voto.
Eles sempre escondem os valores e enganam o povo dizendo que os festejos de uma semana (antes só eram quatro dias) são pagos pelo setor privado através das cotas de patrocínios. Também não colocam na conta o aumento da violência, acidentes e mortes quando os hospitais costumam ficar superlotados. Quem paga tudo isso?
É outra mentira deslavada porque não incluem na planilha os gastos com cachês dos artistas de trios independentes, das bandas nas praças, serviços de decoração, do efetivo policial e dos profissionais da saúde mobilizados, entre outras despesas.
A maior ressaca do carnaval depois da quarta-feira de cinzas não é da cachaça, das bebidas, das drogas ingeridas e injetadas. A maior enxaqueca é dos pobres e endividados, porque muitas deixam de quitar suas contas e até colocar comida em casa para cair na folia. É aquele negócio: depois resolvo isso e esvaziam os bolsos e os cartões de crédito, agora o PIX.










