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TEATRO PEDE SOCORRO

É tanta falta de sensibilidade para com a cultura (a alma da vida) neste país, que o “Teatro Carlos Jheovah”, em Vitória da Conquista, na Praça da Bandeira, construído em 1982, está em péssimas condições físicas, ao ponto do seu uso não ser recomendado, pois corre risco de desabamento. Por fora ainda corre boatos, por conta de especulações do setor imobiliário, de que o equipamento pode ser demolido pela Prefeitura Municipal. Seria mais um ato insano e a morte de uma alma cultural que alimenta saber, conhecimento e entretenimentos. Ao seu lado, o mercado de artesanato também se encontra em grave situação, e muitos artistas denunciam ações de despejos por parte de prepostos do poder público. Para salvar esses sagrados locais, um grupo de jovens está se mobilizando, inclusive junto à sociedade, entidades, Câmara de Vereadores e outras instituições, no sentido de que o executivo agilize, com urgência, a reforma do teatro e do mercado. É triste ver mais uma vez um espaço cultural pedir socorro para não desaparecer. A cultura deveria ser a nossa joia mais preciosa, quando, na verdade, não passa de um pato manco nos gabinetes dos governantes. Todos os dias ela está sendo ultrajada, como se fosse uma criminosa de alto risco para o nosso povo.

PASSADO QUE ARDE

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Sou seu animal ancestral,

Que rosna em seu presente,

Com mente canibal.

 

Do Brasil Raízes, encarnado,

Da chibata que sangra a carne,

Sou passado que ainda arde.

 

O vento segue a corrente do tempo,

Como as injustiças no lamento,

De uma gente que sempre mente.

 

Sou fardo que nasceu do parto,

Vida que sempre sonhou,

Num país que esqueceu o amor.

 

As ondas se batem no mar,

E se acabam no mesmo lugar,

Como a morte que lhe rouba o ar.

 

Sou pôr-do-sol dessa tarde,

Do amanhã o alvorecer,

De um passado que ainda arde.

 

UMA PÁTRIA DESIGUAL NÃO PODE SER AMADA

Como uma pátria tão desigual, de mais de 30 milhões passando fome, e uma minoria que detém mais de 10% de toda renda brasileira, vivendo no luxo e esbanjando riquezas, pode ser chamada de amada?  Uma pátria tão desigual não pode ser amada.

Não existe um projeto ou um planejamento sério nas áreas da educação, da pesquisa, da saúde e do saneamento básico para reduzir esse fosso da desigualdade, que só faz aumentar, e é uma das piores do mundo.

Nos últimos 20 ou 30 anos só vimos programas sociais eleitoreiros, de socorro emergencial, como Bolsa Família, Bolsa Gás e outros do tipo para a perpetuação do poder, sem apontar uma alternativa, ou uma porta de saída da miséria.

Com a pandemia, como já era de se esperar, a situação só se agravou, e agora entra outro com a mesma roupagem, que muda apenas o nome. Não fossem as doações de grupos e ongs, milhares ou milhões já teriam morrido de fome em casebres desumanos, fétidos, cheios de ratos e animais de esgotos a céu aberto.

Temos uma longa trajetória de extrema injustiça na lista dos campeões em beneficiar poucos, enquanto o povo é privado da alimentação digna, da segurança e do saneamento básico. Estudo divulgado pelo Laboratório das Desigualdades Mundiais, integrante da Escola de Economia de Paris, coloca o Brasil como um dos mais desiguais do mundo. A elite nunca aceitou dividir seus ganhos com as camadas mais necessitadas.

Com a pandemia, essa desigualdade se acentuou no mundo inteiro onde os bilionários ficaram mais bilionários e os pobres mais pobres. No Brasil, que já apresentava altos índices de desigualdades entre ricos e os mais pobres, esse quadro foi mais visível.

É um grande cinismo e hipocrisia se falar em “pátria amada” onde a grande maioria de seus filhos vive abaixo da linha de pobreza, sem falar na violência, na falta de segurança, na destruição do meio ambiente e com uma “democracia” sob o manto da censura e da ameaça de uma intervenção militar.

Sinceramente, essa não é a minha “pátria amada” que gostaria de viver meu resto de vida. Os que têm condições estão deixando essa “pátria amada”. Outros estão abandonando por sofrer perseguições e até ameaças de morte por criticar o retrocesso, o negacionismo, o fanatismo religioso e a extrema-direita genocida.

UM PAÍS FORA DA CURVA

Será que existe no planeta terra, de cerca de 200 países, um tão fora da curva quanto o nosso Brasil de hoje? Confesso que não me sinto bem ouvir e escrever sobre coisas tão irracionais que fazem deprimir o nosso espírito e nos sentir como derrotados.

Nesses quase três anos só colecionamos destruição contra a vida, avalanches de fake news, miséria cada vez degradante, seres que não têm mais empatia para com o outro, trambicagens de pessoas que já perderam a alma, com um capitão-presidente que tanto fala em pátria e família, mas que tem o hálito da morte.

Desde cedo, quando aqui engrossou a pandemia da Covid-19, se posicionou contra as vacinas, e assim permanece, mesmo com os resultados positivos com a imunização. Agora quando praticamente toda nação exige a apresentação de um passaporte para entrar em seu país, o cara resiste à norma e chama o atestado de coleira, o que nos faz lembrar peça que se usa no pescoço de cachorro bravo.

Como se não bastasse seu ímpeto por destruir o nosso país, ele passou a ser sagaz no método de confundir os incultos e ignorantes ao dizer que estão querendo fechar o espaço aéreo, numa referência à recomendação da ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ele tem sede de morte? Os 616 mil não foram suficientes?

Será que a psicanálise tem explicação para este tipo de comportamento? Não se falou em fechamento de espaço aéreo, mas em fiscalizar a entrada de passageiros através do passaporte de vacinação. Em mais de 100 países já existe a obrigatoriedade da vacina contra a malária para o visitante, e ninguém reclama, nem chama isso de coleira.

Sinto-me mal em falar dessas coisas tão absurdas, quando até nos tempos mais remotos, os países procuravam controlar suas fronteiras quando do surgimento de doenças contagiosas, como a peste e a gripe espanhola. O que os brasileiros fizeram para merecer tanta maldade?

Um ministro “terrivelmente evangélico” no Superior Tribunal Federal está sendo motivo de comemoração pelos seguidores fieis da religião, num país que mentirosamente é chamado de laico. O general de pijama Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, acaba de autorizar o avanço de sete projetos de exploração de ouro numa região preservada da Amazônia.

Tudo isso é fruto de um entulho político que vem se arrastando há anos no Brasil onde os brasileiros, não mais suportando tantos fracassos e promessas vãs, resolveram partir para o retrocesso. Criou-se um ódio e dele nasceu um bruto. Tudo isso é resultado de um passado de sujeiras, de ditaduras, de arbitrariedades, de ganâncias pelo poder, o qual passa por cima do bem-estar das pessoas. Estamos pagando por esse pecado ancestral.

 

A ILUMINAÇÃO DE NATAL E A CULTURA

Foi inaugurada, ontem, (dia 6/12), a iluminação de Natal da Praça Tancredo Neves, a antiga conhecida Praça da Borboleta, ou para quem quiser, Praça da Catedral, com as presenças do secretário de Cultura, Xangai, e do coordenador Alexandre Magno, entre outras autoridades. Logo cedo, por volta das 18 horas, muitas famílias com suas crianças já estavam na expectativa das luzes se acenderem, e não demorou muito para o local se transformar no espírito natalino.

No entanto, é bom que se diga e que se registre que a Prefeitura Municipal não pode apenas pontuar a realização dos eventos natalinos e do São João como como feitos culturais. É preciso que o poder público, e aqui merece menção a outros governos passados, entenda que a cultura não se resume apenas a esses atos. Ela clama por muito mais que isso e seja extensiva às diversas linguagens artísticas.

A nossa cultura, como um todo no município, a bem da verdade, está abandonada e carece de incentivos por parte do executivo. A literatura, o teatro, as artes plásticas em geral, a dança, o audiovisual e, principalmente, a cultura popular estão esquecidos, e os respectivos artistas vivem de cuia na mão. A cultura sempre foi renegada, e nesses tempos de retrocessos, ela está sendo jogada na cesta do lixo.

O novo Conselho de Cultura, empossado nesse final de ano, em suas primeiras seis reuniões, está disposta a resgatar a nossa cultura, de forma que ela volte à efervescência dos anos 50 e 60, quando grandes nomes se tornaram reconhecidos nacionalmente. Vitória da Conquista de ontem e de hoje sempre teve e ainda tem grandes talentos que carecem de apoio para divulgar seus trabalhos.

Agora mesmo, o Conselho vem discutindo a questão do Teatro Carlos Jheovah e o Mercado de Artesanato que se encontram em péssimas condições, inclusive com ameaças de demolição. As reformas desses equipamentos demandam urgência, bem como a reativação do Cine Madrigal e da Casa Glauber Rocha.

O Conselho por si só não pode fazer muita coisa sem o apoio da classe artística, da sociedade e dos empresários que podem ser beneficiados com esse mercado criativo que, até então, tem sido desprestigiado. Precisamos de um plano cultural para dar mais solidez às prioridades do setor, e este é mais um objetivo do Conselho a partir do próximo ano. Estamos apenas começando um árduo trabalho de retomada da nossa cultura com vistas a colocá-la no lugar merecido.

MAIS INCENTIVO À CULTURA E A LUTA PELA REFORMA DO “CARLOS JEHOVAH”

Muitas moções de aplausos e homenagens na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, realizada ontem (dia 03/12), mas o forte mesmo foi o tom do grupo “Apodio” de teatro, com cartazes, onde, mais uma vez, clama pela reforma do Teatro Carlos Jehovah, ameaçado de ser demolido.

Logo em seguida, em seu pronunciamento, o vereador pelo PT, Alexandre Xandó, com seu cavaquinho prestou uma homenagem ao Dia do Samba (02/12) e reivindicou do poder executivo mais atenção para a cultura do município. Na oportunidade, anunciou que fará um requerimento para que a prefeitura libere mais recursos do seu orçamento para o setor.

Antes da abertura dos trabalhos, o vereador Waldemir Dias distribuiu aos seus pares uma nota do “Coletivo Só Por Cima do Meu Trabalho” onde solicita aos parlamentares que destinem mais recursos de suas emendas para a reforma dos espaços culturais do Teatro Carlos Jehovah e do mercado de artesanato Rachel Flores, os quais se encontram no complexo da Praça da Bandeira.

De acordo com a nota, o local se encontra em péssimas situações, não sendo adequado para sua utilização de forma segura e plena. Os lugares são utilizados para fomentar a cultura de muitos atores e artesãos de Conquista, e até de artistas de fora.

Em sua fala, a vereadora Lúcia Rocha se dispôs a destinar sua emenda, de pouco mais de 27 mil reais, para a reforma do teatro, se juntando a outros parlamentares que também vão ajudar nesse sentido.

Antes da sessão, o advogado e jornalista Afrânio Leite Garcez foi homenageado pela Casa pelos seus serviços prestados à comunidade conquistense. Também a TV Sudoeste recebeu uma moção de aplauso pelo projeto “Lápis na Mão” na área da educação, onde incentiva alunos a se dedicarem à aprendizagem do português através do concurso de redação nas escolas.

 

UM AUTOR ATIVISTA E ANTICOLONIALISTA

Viveu somente 36 anos, mas deixou obras marcantes de reconhecimento internacional, principalmente para a comunidade africana, por suas posições e suas lutas contra o colonialismo. Estamos falando do psiquiatra Frantz Omar Fanon, que nasceu em 1925, na Martinica, então colônia francesa.  Morreu em 1961.

O doutor e professor em História Social, Muryatan S. Barbosa é quem analisa o pensamento de Fanon, no livro “Intelectuais das Áfricas”. Segundo ele, em 1944, o martiniquense se voluntariou para lutar contra o nazifascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1948 chegou a Lyon, na França, para estudar medicina e psiquiatria. Desenvolveu grande interesse pela filosofia de viés existencialista. Entre 1953 e 1956 foi diretor do Departamento de Psiquiatria no Hospital de Blida-Joinville, na Argélia, onde viu o nascimento da guerra anticolonialista.

Novamente, Fanon demitiu-se do cargo para se integrar à Frente de Libertação Argelina, em 1956. Entre 1960 e 1970 ficou conhecido como um autor anticolonialista pela publicação da obra “Condenados da Terra” (1961), prefaciada pelo filósofo Jean-Paul Sartre.

O professor Muryatan disse que suas ideias continuam vivas também nos movimentos sociais e políticos nos Estados Unidos, na Itália, França, Palestina, Caribe e Brasil. Ele divide os estudos da obra de Fanon em quatro blocos. A primeira marcada pelas leituras dele como um autor ativista anticolonialista, influenciado pelo marxismo e pelo existencialismo.

O segundo bloco trata-se de uma abordagem de estudos biográficos sobre Fanon nos anos 70. O terceiro, entre os anos 80 e 90, analisa o suposto pioneirismo de Fanon como autor pós-colonial, ou de estudos culturais. A quarta vertente, após 2000, visa atualizar o pensamento do autor em suas próprias bases.

De acordo com o professor, são quatro o conjunto de ensaios que formam os livros de Fanon, tais como Pele Negra, Máscaras Brancas, O IV Ano da Revolução Argelina, Condenados da Terra e Por Uma Revolução Africana (1964), póstuma.

“Fanon foi um dos intelectuais ativistas dos anos 50 e 60 que deu maior importância à cultura no plano da luta anticolonial. Algo talvez só comparável a Amílcar Cabral na mesma época. Para ele, a cultura era a alma viva de um povo”.

Sobre o jazz, Fanon afirmava que poderia ser entendido como uma práxis de luta do negro dos Estados Unidos visando a superação do universo racista daquele país.

QUAL O CAMINHO?

Fotos de JeremiasMacário(Mack Geremy)

A vida é cheia de indecisões e medos, mesmo no avançar da idade. Quantas vezes ficamos sem saber qual o caminho a tomar, seja no amor, na escolha da profissão, na política, no âmbito econômico, em que lugar viajar nas férias e até em quem votar. São desafios que surgem em nossa frente, e somos obrigados a tomar uma posição. O pior é ficar parado com receio da atitude não dar certo. Temos que ter coragem para arriscar, porque só vamos saber se vai dar certo depois que se vai em frente e se chega lá. Triste é de quem sempre fica em cima do muro. Esse não merece viver, e já morreu e não sabe. Mesmo que lá na frente haja um tropeço, e não foi aquilo que esperava, há tempo de se fazer a correção. Além do mais, a tomada de direção serve como amadurecimento para se errar menos. A vida é cheia de escolhas. Qual o caminho a tomar?  Em muitas vezes, e a depender do problema, não se pode apenas usar a razão. Em certos casos conta mais a emoção que nasce do coração. Qual o caminho?

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS (Final)

Por essas plagas baianas fui estradeiro-poeira entre os municípios,

Nasci em Mairi e sou filho da querida Piritiba do meu amigo Aragão;

Fui pra Amargosa ser padre e por muitos anos orei como seminarista;

Terminei jornalista onde revisei em Salvador e cobri sobre economia;

Passei para outra via fria da Conquista que me deu o título de cidadão,

Onde abri fronteiras e quebrei viola com o poeta Camilo de Jesus Lima,

Com Laudionor Brasil, duelei em saraus e nas manchetes dos jornais.

 

Quando menino perambulei nas matas virgens da Serra do Periperi;

Vi Imborés e mangoiós nos arredores fugindo do homem branco,

Que depredou toda terra da Serra, que dela só restou a Mata Escura,

E o Cristo de braços abertos roga aos seus por mais amor e ternura.

 

Quem sou eu?

Sou um velho secular,

Que viu tudo se passar,

Viajante desse agreste nordestino

Nas picadas das trilhas fiz destino,

Com os sábios do Maranhão a Bahia,

Nordeste rica de cultura e de etnia,

Onde fiz história e abri caminho pro Norte,

No Sul construí o capital de gente forte.

 

Quem sou eu? Não importa!

Sou de terra firme e bom de corte;

Gosto de uma prosa de repente trote,

Com intelectuais e cabra da peste,

Nessa paisagem de tanto contraste,

Desse meu amado sertão Nordeste,

Onde catei todos engaços e bagaços

Pelas estradas poeirentas que vaguei,

E conversei com matutos e com rei.

 

 

 

 

 

A EDUCAÇÃO EM BOMBARDEIO

Como se não bastassem a destruição do meio-ambiente através da porteira aberta para passar a boiada e da cultura que virou coisa de comunista, a educação está sendo bombardeada pela pasta do próprio Ministério que dela deveria zelar.  Basta ao aluno ser uma peça manipulável pelo capital para ter sua vaga assegurada. Nada de pensar.

Como na época da ditadura civil-militar de 1964, está sendo banido o ensino de filosofia e sociologia para se criar a escola exclusivamente voltada para atender o mercado empresarial. O negócio é só aprender apertar o parafuso e girar a roda. Não precisa saber de suas origens e seus inventores. Sirva-se apenas como engrenagem do sistema, e nada mais.

A onda de intolerância, ódio e negacionismo chegou às salas de aula de todo país com denúncias de abusos. Recentemente, em Salvador, uma professora do colégio Vitória Régia foi vítima de racismo, e outra do Thales de Azevedo foi acusada para a polícia sob alegação de que estava agindo de forma doutrinária. Elas estavam simplesmente abordando temas de gênero, preconceito, assédio e diversidade, assuntos aprovados pela Secretaria Estadual de Educação.

O ensino formal no Brasil é regido por leis, como a de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, de 1996). Diz que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisas, nos movimentos sociais, organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

A lei garante ao aluno a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte, o saber e o pluralismo de ideias. Os debates em aula não podem ser tratados como doutrinação política porque estão amparados pela Lei Federal, a qual protege os direitos dos estudantes e também resguarda a valorização do educador.

Comportamentos de alunos e pais dessa natureza, como ocorreu em Salvador, infelizmente, contam como o amparo do capitão-presidente que dissemina ódio e preconceito. Cabe à sociedade, coisa que não vem fazendo, combater qualquer tipo de discriminação e lutar pela liberdade e igualdade.

Antes da prova do Enem, 33 funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – não sei como ainda não defenestraram o nome do grande educador baiano – pediram exoneração de seus cargos porque estavam sofrendo assédio moral e pressionados para que determinados temas fossem excluídos das provas.

O MEC, comandado hoje pelo pastor, determinou que os alunos fossem filmados durante o hino nacional. Nesses tempos de pandemia – doença infecciosa (a Covid-19) que se espalha pela população do planeta, a educação está também sofrendo do mesmo problema, não que atinja diretamente à saúde, mas a área social como um todo.

Nos três últimos anos, os três ministros que ocuparam a pasta, incluindo o atual, só falaram barbaridades, como a de que as universidades devem ser reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma econômica do país. No obscurantismo deles, a universidade deve ser para poucos.

O maluco do Abraham Weintraub fez duros ataques ideológicos ao educador Paulo Freire. Declarou ainda que as universidades possuem laboratórios de drogas sintéticas, de metanfetamina e plantações de maconha.  Há três anos que a educação vem sendo bombardeada por todos os lados, com o aval do capitão-presidente.

Dados de instituições internacionais do setor mostram que em 1980 o percentual de brasileiros com ensino superior era de 2,79%, contra 3,36% do México e 4,76% da Coréia do Sul. Em 2010, apenas 5,63% dos brasileiros tinham ensino superior. No mesmo período da pesquisa, o México passou para 9,81% e a Coréia para 30%.

O poder da educação para o crescimento econômico e social da população é indiscutível, como está comprovado nos índices dos países desenvolvidos. A educação no Brasil é como um velho reboco de um casebre caindo aos pedaços. É uma pandemia que já dura muitos anos, com variantes mais contagiosas nos últimos três. Existe vacina para curar esta doença maligna, mas ela é renegada pelos negacionistas do fascismo.





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