Viveu somente 36 anos, mas deixou obras marcantes de reconhecimento internacional, principalmente para a comunidade africana, por suas posições e suas lutas contra o colonialismo. Estamos falando do psiquiatra Frantz Omar Fanon, que nasceu em 1925, na Martinica, então colônia francesa.  Morreu em 1961.

O doutor e professor em História Social, Muryatan S. Barbosa é quem analisa o pensamento de Fanon, no livro “Intelectuais das Áfricas”. Segundo ele, em 1944, o martiniquense se voluntariou para lutar contra o nazifascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1948 chegou a Lyon, na França, para estudar medicina e psiquiatria. Desenvolveu grande interesse pela filosofia de viés existencialista. Entre 1953 e 1956 foi diretor do Departamento de Psiquiatria no Hospital de Blida-Joinville, na Argélia, onde viu o nascimento da guerra anticolonialista.

Novamente, Fanon demitiu-se do cargo para se integrar à Frente de Libertação Argelina, em 1956. Entre 1960 e 1970 ficou conhecido como um autor anticolonialista pela publicação da obra “Condenados da Terra” (1961), prefaciada pelo filósofo Jean-Paul Sartre.

O professor Muryatan disse que suas ideias continuam vivas também nos movimentos sociais e políticos nos Estados Unidos, na Itália, França, Palestina, Caribe e Brasil. Ele divide os estudos da obra de Fanon em quatro blocos. A primeira marcada pelas leituras dele como um autor ativista anticolonialista, influenciado pelo marxismo e pelo existencialismo.

O segundo bloco trata-se de uma abordagem de estudos biográficos sobre Fanon nos anos 70. O terceiro, entre os anos 80 e 90, analisa o suposto pioneirismo de Fanon como autor pós-colonial, ou de estudos culturais. A quarta vertente, após 2000, visa atualizar o pensamento do autor em suas próprias bases.

De acordo com o professor, são quatro o conjunto de ensaios que formam os livros de Fanon, tais como Pele Negra, Máscaras Brancas, O IV Ano da Revolução Argelina, Condenados da Terra e Por Uma Revolução Africana (1964), póstuma.

“Fanon foi um dos intelectuais ativistas dos anos 50 e 60 que deu maior importância à cultura no plano da luta anticolonial. Algo talvez só comparável a Amílcar Cabral na mesma época. Para ele, a cultura era a alma viva de um povo”.

Sobre o jazz, Fanon afirmava que poderia ser entendido como uma práxis de luta do negro dos Estados Unidos visando a superação do universo racista daquele país.