ESTOU CHEIO DA CIDADE GRANDE
Nasci na roça e logo cedo fui trabalhar com meu pai. Fora os perrengues da vida, apreciava ouvir as conversas daquela gente simples do sertão, dos compadres compartilhando suas vidas, proseando e fazendo cantorias nos adjutórios das plantações e nas batidas de feijão. Os velórios e funerais também faziam parte do roteiro da vida.
Ainda moleque, aos dez ou doze anos, fui ganhando mundo. Primeiro em Piritiba, onde cursei o primário e fiz muitas tripolias naquelas ruas de chão batido. Depois Mundo Novo como sacristão do seu vigário que me indicou ao bispo para o seminário. Ruy Barbosa, Itaberaba até ingressar no Seminário de Amargosa.
Quis meu destino que caísse na cidade grande da capital Salvador baiana onde fiquei por lá durante mais de 20 anos. Tornei-me bacharel em Jornalismo e atuei como profissional, especialmente na área de economia. Chegaram até a me confundi como economista.
Quando estava cheio da cidade grande, entojado daquelas correrias para sobreviver, dando meus pulos de galho em galho, como um macaco perdido na multidão, bateu a estafa no coração e vim para Vitória da Conquista, que me deu régua e compasso.
Senti que estava retornando às minhas raízes, mas foi engano porque, além das labutas desenfreadas, a cidade cresceu e me engoliu. A idade vai avançando e me vejo irrequieto nesse labirinto, no qual me sinto um perdido.
Não tenho mais aquele tesão de sair de casa para vagar pelo centro resolvendo “pepinos” entre ruas e repartições burocráticas e me livrando dos carros com seus gazes tóxicas. O ar está contaminado de fumaça, alaridos e letreiros por todos os lados. Nesse aperreio, tenho a sensação de pânico.
Estou espremido como massa de mandioca numa prensa de casa de farinha. Não mais me apetecem esses eventos. Prefiro ficar em minha loca, ou caverna, como um eremita recluso. Dizem que o sofrimento fortalece a alma para enfrentar as adversidades, mas ninguém deseja sofrer. Seria masoquismo.
Estou mesmo cheio da cidade grande e bate a saudade daquela terrinha simples entre os caipiras, matutos e tabaréus, falando aquela língua do povo, sem as maldades e as falsidades das cidades grandes. São falas que ainda se conservam verdadeiras e sinceras.
Não tenho a pretensão de ir para a Passárgada, de Manuel Bandeira, mas, em meu torrão, serei rei. Lá não existem filas e todos conhecem todos. Nas repartições, as pessoas são solícitas e tudo é rápido e fácil de se resolver. Depois, vou dar boas risadas com a alcoviteira linguaruda de dona Delfina que adora uma fofoca e um fuxico.
Com os compadres vou ouvir e contar causos do passado, sem nem se preocupar que o mundo está pegando fogo com ogivas, drones e foguetes mortíferos cruzando os céus. Vou até esquecer que existe o Cachorro Louco que quer ser o dono do mundo.
Para a bandidagem corrupta que vive todo tempo depenando o Brasil, desejo que esses salafrários salteadores vão todos para o quinto dos infernos.
Podem dizer que estou “fugindo da raia”, da luta e da guerra, mas é que não aguento mais esse emaranhado, esse cipoal de tantas maldades, ideias idiotas e estapafúrdias. Com as injustiças sociais, vai-se morrendo mais depressa. Quero deixar essa UTI e acho que pelo tempo, vivendo neste quarto escuro, mereço respirar ares mais puros, num espaço mais amplo e limpo.
Estou de saco cheio da cidade grande onde meu lugar não é mais aqui, correndo pra lá e pra cá, como um escravo freguês das contas de todo mês, além da apertada feira, cada vez mais racionada. Minhas últimas gotas de sangue estão se esvaindo para manter um falso padrão nesta ilusão da cidade grande.
Meu templo está poluído, com teias de aranha. Não sou mais gente dessa gente, mas um peixe fora da água. Meu lugar não é mais aqui na cidade grande em meio a esta selva de concreto. Não faço mais parte deste tabuleiro onde todos só querem ser vencedores. Preciso partir para respirar.
CONSULTE O “PAI DOS BURROS”
Certa feita, um professor de português, de certa forma debochado – hoje politicamente incorreto – depois de falar sobre conjugação verbal, uso dos pronomes, conjunções e objetos diretos e indiretos, no final da aula contou uma piada, sem muita graça.
Disse que um moço mais letrado, mas um tanto exibido, entrou num bar e chamou o garçom de lacaio para lhe servir. Como se fosse um elogio à sua pessoa, o cara foi lá em sua mesa, todo sorridente. Ele fez mais uns gracejos com palavras difíceis.
Poucos alunos riram, mas um lá do fundo, da chamada turma do “paredão”, indagou do professor o que significava lacaio e ele respondeu, consulte o “Pai dos Burros”.
A moçada de hoje ficaria baratinada com esse termo “Pai dos Burros”, e seria preciso explicar que se trata do nosso tirador de dúvidas, o Dicionário, nos dias atuais praticamente em desuso. Infelizmente, grande parte da nossa juventude, além de escreve errado, tem o celular para fazer uma consulta. Poderia ser chamado de o “Pai dos Internautas? Tenho minhas dúvidas, porque ainda prefiro o “Pai dos Burros”.
Lembro que naquela época do meu primário, ginásio e do clássico, todas escolas tinham um Dicionário, e até em algumas salas. A gente ficava brincando de falar difícil como forma de gozação e xingar os colegas. Era o bastante para o ofendido recorrer ao “Pai dos Burros”. Muitas vezes resultava até em brigas.
Imaginou chamar outro de meruxinga, ou até mesmo merdáceo! Seria uma forte ofensa, mas nossos políticos são uns verdadeiros merdáceos. Se você não sabe o que é, então, consulte o “Pai dos Burros”.
Um dia ouvi um doutorzinho, num lançamento de um livro, pronunciar que a nossa língua é pobre e fraca de vocabulário. Confesso que fiquei estarrecido e irado. Não me contive e fui tirar satisfação, com os bofes inchados de raiva. “Como você diz que nossa língua é pobre? É a primeira vez que ouço isso em minha vida”.
Por essas e outras é que a nossa língua está sendo chafurdada na lama pelo complexo de inferioridade, ou perda cultural. Santa ignorância! Os letreiros nas lojas estão todos inglesados. Nos shoppings até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
As pessoas metidas a bestas, como dizia Ariano Suassuna, se sentem chicosas e ainda ridicularizam quem não pronuncia corretamente os termos ingleses, como se fosse uma obrigação, mas falar o português errado, pode.
Em Paris, me recordo bem, fui a uma tabacaria e pedi uma carteira de cigarro Lucky Strike e tive o cuidado de carregar bem na pronúncia do “estraike”. O francês me olhou atravessado e corrigiu para “estrike”, como estava escrito. Sem mais comentários.
Bem, meu camarada, vamos voltar ao nosso “Pai dos Burros” da língua portuguesa, umas das mais difíceis do planeta, extraída da Flor do Lácio, o nosso latinorum, mas nela está embutida o grego (conquista dos gregos pelo Império Romano), expressões árabes (Península Ibérica), o tupi-guarani e o africanês.
Temos como palavras greco-latinas, biblioteca, raramente frequentada, democracia, injuriada pelas injustiças e as corrupções, oftalmologia, biologia, geografia, habeas corpus (latim), usadas pelos bandidos e sicários. O grego é comum em terminologias técnicas/científicas, enquanto o latim forma a base gramatical e vocabular, como avicultura, beligerante, cordial, grátis e por aí vai.
Em árabe existem mais de três mil palavras. As mais comuns são as iniciadas em “al”, como almofada, almoxarife, algodão, açúcar, alface, fulano, armazém, azeite, alicate, tambor e tantas outras. No tupi-guarani, temos abacaxi, açaí, caju, capivara, jacaré, pipoca, potiguara. Do africano, principalmente originárias dos grupos bantos, usamos muito o samba, dendê, cafuné, moleque, dengo, quitanda, fubá, bagunça e muvuca (casos do nosso país), berimbau, axé, cuíca, quilombo, senzala e tantas outras.
No “Pai dos Burros”, que se tornou arcaico nos ensinos escolares dessa modernidade burra, você vai encontrar todos os significados dessas palavras, mas sua preguiça não deixa, meu jovem, cujos neurônios estão voltados para as telas das fofocas e dos mexericos.
Coitado do nosso “Pai dos Burros”! Parece até um objeto contagioso. Ficou lá encostado num canto poeirento como se fosse um leproso. Quem se lembra aí das enciclopédias Barsa, Atlas, do famoso Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira com José Batista da Luz, do Michaelis, do professor Alpheu Tersariol. Deixa quieto porque muitos dos nossos estudantes nunca ouviram falar nesses nomes e nem sabem como manusear um “Pai dos Burros”.
Estou lendo a obra do médico e antropólogo, Estácio de Lima, sobre o cangaceirismo e sempre tenho que recorrer ao “Pai dos Burros”, quando ele faz sua descrição estrambólica mesológica do árido solo nordestino e fala das características típicas do cangaceiro que enfrentava adversidades das caatingas, fugindo das persigas das volantes.
Com suas definições, vim descobrir que sou um leptossomático (alô meus amigos Itamar, Manno e Luís Altério!), e não um picnóide ou picnídio (alô meu amigo Dal Farias!), que não teria o devido atributo de se mobilizar com facilidade nos sertões do cangaço. O mestre ainda cita a esquizotemia, o hipogenitalismo e a melanodermia na classificação do cangaceirismo e do nordestino em geral.
No computador, ou no celular, essas palavras são assinaladas como desconhecidas ou erradas. Pois é, não vou traduzir minha modesta crônica. Quem quiser entender melhor que consulte o “Pai dos Burros”. Êta égua! Tô ferrado!
PROGRAMA “MEU LAR”
Está em fase de análise pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em conjunto com o poder executivo, o Programa de Lei Complementar que institui e disciplina a criação da moradia “Meu Lar”, visando reduzir o déficit habitacional de Conquista de mais de dez mil famílias.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, prometeu dar celeridade ao programa, devido a relevância social da iniciativa que contará com recursos de 30 milhões de reais dos 400 milhões de empréstimo da Caixa Econômica Federal. Ivan adiantou ser preciso avançar na política habitacional. “Esta matéria terá toda agilidade do legislativo”.
Além da proposta, a Prefeitura Municipal também pretende implementar a regularização urbanística e fundiária em áreas ocupadas por populações em situação de vulnerabilidade. A presidência da Câmara assinalou que existe um consenso entre os vereadores sobre a urgência do tema.
“Meu compromisso como presidente da Casa é conduzir um debate maduro e ágil, permitindo que o Programa “Meu Lar” saia do papel o quanto antes, dentro do rigor técnico para que o benefício chegue de fato às famílias mais necessitadas, principalmente às mulheres chefes e aos idosos”.
Foi elaborado um diagnóstico habitacional do município que serviu como base para a definição das prioridades e das estratégias da política habitacional. A proposta ainda atualiza a legislação municipal, alinhando-a às diretrizes do Estatuto da Cidade e às políticas nacionais de habitação.
Durante a sessão ordinária de ontem (segunda-feira, dia 09/02), o legislativo discutiu diversos projetos de interesse da comunidade, como a proposta que cria a autorização para o sepultamento de animais domésticos de estimação em jazigos, túmulos ou campos pertencentes aos seus tutores nos cemitérios do município.
Os parlamentares discutiram também a instituição do Dia Municipal de Conscientização sobre Experiências Adversas na Infância (ACEs) a ser comemorado no dia 20 de setembro, bem como, a proposta que estabelece o Dia Municipal da Ação Climática no âmbito do município.
O CANGAÇO E AS MULHERES
Somente no final dos anos 20, quando Lampião fugiu de Pernambuco para a Bahia, foi que as mulheres começaram a entrar no cangaço, com Maria Déa, ou Maria Bonita, nascida em Santo Antônio de Gloria (Paulo Afonso), na Bahia.
A princípio, muitos cangaceiros não gostaram dessa novidade porque consideravam que a prática do sexo e o convívio com a mulher enfraquecia e amolecia o homem nos embates com a volantes nos sertões das caatingas. Alguns compadres chegaram a fazer advertências ao chefe.
O médico e antropólogo estudioso do assunto, Estácio de Lima, abre um capítulo em seu livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros” sobre a participação das mulheres no cangaço. Na época, início dos anos 40, ele era presidente do Conselho Penitenciário da Bahia e penetrou bastante nesta questão.
Naquela época, especialmente no Nordeste, o número de mulheres nas penitenciárias era mínimo em relação aos homens. Com o tempo, cresceu o contingente feminino, mas ainda existe uma proporção bem maior de homens na criminalidade.
De acordo com Estácio, “a mulher, aparentemente, é menos atraída para a delinquência em razão das personalidades de sua estrutura somática e dinâmica humoral; de uma força física menor, levando-a a maiores precauções; de uma educação multissecular, objetivando torná-la submissa e mais recatada; de uma sexualidade antes passiva que ativa, e isto é da mais alta importância; e não menos, do instinto maternal, que a às ternuras, sob variados aspectos”.
Acontece mestre, que este quadro em geral mudou muito com as lutas femininas na busca por igualdade social e de gênero. A mulher não é mais hoje aquela passiva e submissa de antigamente. Passou a buscar suas conquistas na sociedade, se bem que a criminalidade continua predominando mais entre os homens.
No reino das caatingas, segundo Estácio, “não encontramos, todavia, as mulheres nem mais cruéis, nem mais inconsequentes ou corruptas, embora experimentassem as vivências fundamentais dos companheiros. O caboclo, escravo da terra e escravizado por seus “donos”, encontra, na companheira, solidariedade e compreensão”.
Ele destaca que no país dos vaqueiros, dos jagunços, dos camponeses muito pobres e retirantes, a mulher não costuma viver parasitariamente. Ela maneja o arado, a enxada e sepulta as sementes com firmeza na dura nesga de terra.
Apesar de atingida pela sociedade, maltratada pelo clima e aniquilada pela fome, a propensão para o crime era menor. Mesmo assim, enfrentou de forma destemida as volantes, sugerindo medidas, discutindo e decidindo nas horas difíceis.
RAINHA E PRINCESA
Estácio descreve as mulheres no cangaço, destacando Maria Bonita, de Lampião, e Dadá (a Sérgia), de Curisco. A primeira como rainha e a segunda como princesa, diferente, que pegou em armas, lutando ao lado do marido, mesmo quando ele teve os braços esbagaçados por metralhadoras num enfrentamento.
Sobre Maria Bonita, o autor da obra afirma que jamais poderia ser considerada uma cangaceira, mas foi a figura feminina primordial do grupo. Portava somente armas curtas e dava um ou outro tiro nas brigadas. Não fugia da liça. Teve seis ou sete filhos, mas só uma criança sobreviveu.
A Déa, depois que se separou do marido sapateiro José, passou a ser chamada de Maria Bonita e nunca mais quis um destino diferente. Não se sabe se ambos eram fiéis, mas ela, sem dúvida. Virgulino sempre falava que era agradável “cobrir uma fêmea”. Existiram boatos de um certo namorico de Maria com Luiz Pedro, “mas é uma gritante inverdade”.
O FIM MACABRO DE LÍDIA
O antropólogo descreve as personalidades de várias mulheres do bando, como da Lídia, a Desdêmona, mulher de Zé Baiano, caso principal e trágico. Zé Baiano era um negro feio, alto, forte, valente, malvado e ferrava em brasa as mulheres que ele achava que deviam merecer castigo.
Zé Baiano apaixonou-se por Lídia, fogosa, moderna, jeitosa, sapeca e linda de corpo. Encontrou-a em Paripiranga e roubou a moça. Dizem que ela gostava de deixar os seios um bocado para se ver, com casacos folgados.
Com todas aquelas provocações, namorou o Bem-te-viu, um tanto meloso e derretido. O Besouro, um cangaceiro ordinário, vivia paquerando a Lídia. Certo dia, ele ouviu o mato estalar a certa distância e também “um ronco de onça comendo bezerro”.
Besouro aproximou-se como um felino e viu a moça agarrada ao Bem-te-viu. Disse que também queria. Lídia se recusou e ele ameaçou contar tudo a Zé Baiano. Percebendo o perigo, Bem-te-viu fugiu.
Na vista de todos, inclusive na presença do chefe-capitão, Besouro contou tudo. Lídia era corajosa e sustentou todo acontecido e ainda da chantagem de Besouro que queria lhe comer. “Se tenho de morrer que morra logo, mas esse cabra safado não me come”.
Ao ouvir tudo, Lampião pulou de onde estava como um acrobata e abriu com uma foice, em duas metades, a cabeça do delator. Por sua vez, Zé Baiano decretou o fim de Lídia. Lampião não interviu por achar que a moça era propriedade do preto e tinha todos direitos sobre ela. O código das caatingas era inflexível.
Com suas garras brutais, Zé Baiano matou a formosa Lídia com cacete. Foi um espetáculo macabro, com pancadas estúpidas, arrasadoras que esmagaram a cabeça da moça. O Bem-te-viu conseguiu escapulir para as bandas de Alagoas.
O Zé Baiano ficou ainda mais selvagem, mas teve um triste fim. Conheceu a filha do coiteiro Antônio da Chiquinha que não aprovou a união, mas não podia fazer muita coisa. No entanto, ajudado por camaradas, pegou Zé Baiano e seu grupo dormindo e a todos degolou a machado e a foice.
Os jornais noticiaram que “o ferrador das mulheres morre por causa de um rabo de saia”. No entanto, os sebastianistas acreditaram que Zé Baiano houvesse escapado para São Paulo. Antônio da Chiquinha foi morar em Salvador e se tornou camelô em Água de Meninos.
DADÁ, A GUERREIRA
Quanto a guerreira princesa Dadá (Sérgia Ribeira da Silva), criada em Glória (Bahia), mas nascida em Belém, Pernambuco, tinha personalidade mais incisiva e era uma grande combatente ao lado do seu marido Cristino Gomes da Silva, o Curisco, ou Diabo Loiro. Não teve a mesma fama de Maria Bonita, mas bem que merecia mais que a rainha.
Além de Maria Bonita e Dadá, ainda estiveram no cangaço, a Nenem, que pertencia a Luiz Pedro, que morreu baleada num combate que se feriu em Mucambo, perto do Rio São Francisco; Moça, mulher de Cirilo, que sabia atirar de fuzil; Otília, muito alegre e companheira de Mariano; Durvalina, amante de Vírginio, cunhado de Lampião e um dos cangaceiros mais temidos; Cila (Ismerilda), bonita e letrada, sabia ler e escrever, que foi mulher de Zé Sereno; Inacinha, mulher de Gato; Áurea que pertencia ao cangaceiro Manuel Moreno; Maria dos Santos que acompanhou Labareda por mais de 10 anos; Enedina pertencente a José Julião; Cristina, mulher de Português, bandoleiro que mal conhecia Portugal; Dulce, mulher de Criança; Verônica, mulher de Beija-Flor; e Lili, companheira de Moita Brava que levou seis tiros do marido por suposta traição.
SESSÃO ESPECIAL DA MULHER
Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que acontece neste domingo (dia 08/02), a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista realizou, nesta sexta-feira (dia 06/02), uma sessão especial onde se discutiu diversas questões relacionadas às mulheres.
Na ocasião, muitas mulheres foram homenageadas, como as ex-vereadoras Lúcia Rocha e Ligia Matos, além de tantas outras que atuam e lutam em defesa da categoria. A sessão foi presidida pela parlamentar Gabriela Garrido, que já foi delegada da mulher em Conquista.
A violência contra a mulher, que vem aumentando, esteve presente nas falas de todas que usaram a tribuna para expor seus pontos de vista a respeito do universo feminino. Segundo elas, o machismo ainda continua muito presente nos dias atuais, apesar das mudanças.
A ex-vereadora Lúcia Rocha, que já exerceu oito mandatos em Conquista, disse que durante este período sempre assumiu o compromisso de defender a mulher em todas suas atividades, inclusive através da inclusão de políticas públicas.
Lembrou que chegou a ser a única mulher vereadora do município, citando que hoje são cinco cadeiras. Para ela, ainda é pouco, mas já foi um avanço importante na história política da cidade. “Precisamos avançar muito mais”. Na oportunidade, expressou seu desejo de que Vitória da Conquista venha a construir um hospital exclusivo para as mulheres.
Ligia Matos agradeceu a homenagem e conclamou a todos presentes a lutarem cada vez mais por políticas públicas voltadas para as mulheres. Apontou que ainda existem muitas desigualdades sociais e de gênero. “Infelizmente, ainda não temos os 30% de mulheres no legislativo, conforme está previsto”.
No início do seu mandato, entre 2000/08, Lígia destacou que naquela época existiam muitas candidatas laranjas somente para preencher as cotas, e que foi uma defensora para que esse esquema não perdurasse.
Quanto a violência contra a mulher, Lígia ressaltou que os fatos comprovam aumento nos últimos anos e citou que, em 2025, somente em Conquista, 723 mulheres pediram proteção.
Márcia Viviane elogiou a ação do presidente da Casa, Ivan Cordeiro, por ter criado a bancada feminina, mas alertou que “ainda temos muito a conquistar”. Apesar de todo arcabouço das leis, de acordo com Viviane, a violência contra a mulher ainda é crescente.
Destacou que a mulher tem uma carga de trabalho exaustiva e conclamou os homens a ajudarem mais no dia a dia da casa. Afirmou que o Dia Internacional da Mulher deve ser de reflexão e finalizou dizendo que “queremos viver sem medo de agressões e abusos”.
SAUDADES DE A a Z
(Chico Ribeiro Neto)
Crônica publicada no jornal A Tarde em 24/7/91)
Você já passou a limpo uma agenda de endereços? Todos hão de concordar que é um grande porre. A minha agenda velha estava caindo aos pedaços e entupida de nomes. Estava daquelas em que uma letra já começa a invadir a outra e quando você abre na letra A, a Z já está caindo no chão.
Há seis meses eu tinha comprado uma nova agenda que estava guardadinha na gaveta. Era só olhar pra capa dela, verde, e lá vinha a preguiça. Só muita disposição para iniciar a empreitada, mas felizmente já consegui terminar a missão de passar a limpo todos os nomes e endereços. Todos, não, pois a outra agenda tinha tanto tempo que tive de riscar alguns nomes cujas pessoas já tinham morrido.
Quem não morre, na verdade, é a minha velha agenda. Como que aborrecida, despetalando-se, ela soltou a capa esta semana, justamente quando eu estava terminando de preencher a agenda nova. Ciúme puro. Cadê coragem para jogá-la no lixo? Coloquei-a ao lado da nova e ela ficou lá, com um certo jeito de sabedoria que os mais velhos costumam ostentar. Foi dito e certo. No dia seguinte, precisei de um telefone cujo nome eu tinha pulado na hora de copiar. Corri rapidamente à agenda velha e lá estava a pessoa que estava procurando.
Copiar nomes, endereços e telefones só é tarefa chata no começo. Depois, começam as lembranças. Aquela prima de Jequié para quem nunca mais você ligou, o colega de ginásio que você encontrou na rua e que hoje é dono de hotel e um telefone mais do que providencial: o do orelhão da barraca de Seu Isidro, que recebe chamada e que permite sempre encontrar um colega do jornal por lá, entre uma cerveja e pratinhos de amendoim cozido.
Me aconselharam comprar uma agenda eletrônica, “você precisa se adaptar aos novos tempos, rapaz. Ela cabe até 500 nomes e é só você apertar o botão e PUFO!, aparece logo o nome que você deseja”.
Muito obrigado, prefiro ainda a agenda manual, onde posso colocar, além de endereços e telefones, a conta de luz, um recorte de jornal, o recibo do condomínio, resultados de exames e o último extrato do banco. De vez em quando, uma faxina, mas logo logo ela está gordinha de novo.
A agenda velha agora só tem a contracapa. Está amarrotada de tanto manuseio, mas não vai pro lixo. Aposenta-se com um merecido repouso na gaveta.
(Observação: essa crônica foi escrita há 34 anos. Uso agenda de papel até hoje e alguns nomes mortos me surpreendem. Lá está também, de forma cifrada, o emaranhado de senhas que nos obrigam a usar para sobreviver. guianaselvaabcinfinitoperto@tudojuntosemacento*1948pi).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
CONQUISTA E AS CHUVAS
Não sou engenheiro e nem especialista no assunto, mas não é necessário para antever que Vitória da Conquista está na mira das tragédias e desastres em futuro próximo diante das mudanças climáticas (aquecimento global) com os temporais das fortes chuvas que hoje castigam o planeta e todo Brasil. Qualquer leigo mais esclarecido sabe que Conquista não tem mais estrutura para receber fortes chuvas, e o que vem acontecendo nas últimas semanas prova isso. Cabem às esferas municipal, estadual e federal, sem intrigas políticas partidárias, tomarem urgentes providências na realização de obras de macro e micro drenagem na cidade, porque os custos são altos e envolvem pesados investimentos. Conquista cresceu rapidamente sem uma infraestrutura adequada. Os serviços de drenagem feitos há mais de 30 ou 40 anos estão totalmente defasados e precisam ser ampliados, com capacidade para receber as grandes enxurradas, principalmente as que descem da Serra do Piripiri, durante muito tempo depredada pela ação humana. Não me lembro da demolição de casas condenadas pela Defesa Civil em áreas irregulares de risco, como ocorreram nesta semana. É um sinal que vem coisa bem pior por aí, a começar pelas encostas da Serra em bairros pobres, como Pedrinhas, Senhorinha Cairo (existem casebres no topo da Serra), Bruno Bacelar, Miro Cairo, imediações da Vila Serrana e outras localidades de invasões. Só vão cuidar quando acontecerem tragédias de grandes proporções. Toda essa encosta da Serra deveria ter sido preservada pelas prefeituras passadas, mas, exatamente elas têm a maior parcela de culpa pela destruição do meio ambiente. Não é por menos que já chamaram a Serra do Piripiri de “Serra Pelada”. Conquista está na rota das tragédias com deslizamentos de terras.
BEZERROS – HOJE E SEMPRE
Do livro “Retalhos Nordestinos” – poesia popular – do poeta José Fábio da Silva Albuquerque
Vou falar de um belo lugar
Com sua história ancestral
Lugar que possui muita luz
E povo que não tem igual
Em tudo é bem aclamado
Bezerros por nome chamado
Cidade sem par, magistral!
Sua história é bela e rica
E ao tempo dezoito remonta
Há três versões que são ditas
Por todo sujeito que conta
Embora a de uma promessa
Com facilidade e depressa
As outras duas desponta.
Com ela se conta uma história
De uma criança perdida
Que após lacrimosas rezas
Foi encontrado com vida
E como agradecimento
Uma capela é erguida.
O certo é que essa cidade
Desde a sua fundação
É respeitada por todos
Que habitam sua região
Seu dia é o dezoito de Maio
Pois nele imponente igual raio
Se deu a emancipação.
Bezerros é terra sagrada
Para todos nela nascidos
Pois nem o mundo inteirinho
Destrói os laços cingidos
Que de modos invulgares
Penso que os outros lugares
Estão todos nela contidos.
E OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS?
A Secretaria de Cultura de Vitória da Conquista vem anunciando a elaboração do Plano Municipal de Cultura através de reuniões com diversos setores das artes, e agora com escutas territoriais que, segundo o poder público, orientará as políticas culturais pelos próximos dez anos. Por que não, vinte anos?
Para este ciclo de debates será utilizada a Carreta da Cultura, tendo como objetivo assegurar a participação popular e democrática, de modo que contemple as comunidades conquistenses. Diz a Secretaria que a partir dessa etapa serão definidas metas e ações que irão compor o documento.
Pelo tempo que os artistas da cidade vêm cobrando este plano, mais parece “coisa para inglês ver”. Como tudo nesse Brasil e, particularmente, em nossa Bahia, é lento e atrasado, quando ele chegar, muitos já se foram na poeira do tempo, sem falar que deixamos de realizar diversas ações e atividades importantes.
Nos últimos meses só se vem falando nisso, como se fosse uma tática da Prefeitura Municipal de que está mesmo preocupada com a cultura (não engulo essa), ou uma maneira de se esquecer de outros problemas cruciais envolvendo o setor. Para ser sincero, nunca vi um governo tão apático com relação à nossa cultura.
Com esse plano, pra lá e pra cá, ninguém comenta mais sobre os equipamentos culturais que estão fechados há cerca de dez anos. Estão abandonados e entregues à destruição do tempo, principalmente com essas chuvaradas. Vamos repetir aqui a grave situação do Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha.
Esses espaços, se ativos estivessem, estavam sendo utilizados pelos artistas em geral para realização de seus ensaios e espetáculos, beneficiando toda sociedade, inclusive os empresários do comércio.
Infelizmente, essa categoria empresarial não tem a mínima noção disso e trata a cultura como se fosse um patinho feio. Definitivamente, a mentalidade desse segmento é atrasada e só pensa em juntar dinheiro para adquirir imóveis e colocar o dinheiro nos colchões bancários.
Há muitos anos tenho cobrado a elaboração desse plano, desde quando fui presidente do Conselho Municipal de Cultura, mas emperraram os trâmites. Pelo período de enrolação, entendo, dentro da minha modesta visão, que a abertura dos equipamentos seria prioritária.
O que mais me incomoda mesmo é que o poder executivo fez um voto de silencio quanto a esses equipamentos, como se eles não fizessem mais parte dos planos da cultura. Será que a prefeitura tem a intenção de vender essas edificações históricas para o setor imobiliário, ou deixá-las esquecidas até que caiam?
Sei que o nosso povo, pela sua própria ignorância e falta de instrução, nem está aí para as questões da cultura e nem sabe que sem a arte somos apenas animais desalmados e brutos. O que essa gente quer é pavimentação de ruas, e é até compreensível.
No entanto, é de responsabilidade dos poderes constituídos zelar, preservar e incentivar a cultura, porque não somente de pão vive o homem. Para lamento, tristeza e vergonha dos mais esclarecidos, Conquista já foi uma cidade cultural. Infelizmente, hoje não é mais.
CONQUISTA PRECISA DE OBRAS DE DRENAGEM PARA EVITAR ESTRAGOS
As fortes chuvas que caíram em Vitória da Conquista, na última semana e provocaram estragos em diversos pontos da cidade, foi o assunto dominante nas falas dos vereadores durante a sessão ordinária desta quarta-feira (dia 04/02), na Câmara Municipal.
Os parlamentares fizeram um apelo às esferas municipal, estadual e federal para, em conjunto, construírem com urgência obras de macro e micro drenagem, de modo a enfrentar as mudanças climáticas.
Antes dos pronunciamentos, os vereadores apreciaram diversos projetos do poder executivo, como o pedido de autorização para que o município conceda subvenção social à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Apae; e ampliação do número de vagas para o cargo de provimento efetivo de nutricionistas no quadro de pessoal.
Constaram ainda da pauta de discussões, a solicitação para passar a denominar a Rua “J” em Adonias Rebouças São José, no Bairro Zabelê; também denominar a Avenida Padre Aguiar, no lugar da atual Oswaldo Cruz (antiga Avenida H), localizada no Conveima I.
No âmbito administrativo, requer a mudança de denominação da Secretaria de Serviços Públicos, para Sec. Municipal de Ordem Pública; bem como, Secretaria de Gestão e Inovação, para Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão- Seplag.
Os parlamentares presentes usaram a tribuna para se referir às fortes chuvas e seus estragos. Adinilson Pereira destacou os prejuízos causados no Choça, na Lagoa das Flores e outras localidades. Segundo ele, a chuva é uma benção para os sertanejos, mas causou prejuízos graves na cidade que precisa de obras de drenagem, sendo que em alguns locais os serviços devem ser feitos com urgência.
Na ocasião, pediu ao poder executivo que fiscalize algumas obras particulares (galpões) que estão sendo erguidas no Centro Industrial, em sua opinião, de forma irregular, causando impactos ambientais.
Quem também tratou da questão das chuvas foi o vereador Andreson, que citou a presença em plenário do ex-deputado Clovis Flores. Lembrou que março é o mês das mulheres e fez um apelo para que sejam realizadas campanhas educativas entre as crianças de maneira que no futuro próximo sejam reduzidos os atos de violência contra a categoria.
Sobre as chuvas, solicitou que a Prefeitura Municipal comece as obras de tapa buracos porque todas as ruas estão em estado lastimável. O parlamentar Edjaine Rosa (Bibia) foi na mesma toada e adiantou que em abril o executivo vai receber 200 milhões de reais do empréstimo dos 400 milhões, para realizar obras de reparos as chuvas.
A parlamentar Cris Rocha informou que fez uma visita ao distrito de Inhobim e requereu que a prefeitura faça uma reforma do posto de saúde, para o qual nosso mandado destinou 100 mil reais da emenda impositiva. Para o distrito, indicou ainda a pavimentação da rua Plínio Flores, bem como a revitalização da praça principal.
Luis Carlos Dudé, além de falar das fortes chuvas e da necessidade de obras de drenagem na cidade, aproveitou para informar sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora de Fátima a Conquista vinda de Portugal. Essa imagem ficará de forma permanente na Igreja de N. Senhora de Fátima (Convento dos Capuchinhos).












