NOITE DE MUITA ALEGRIA E DANÇA NO SARAU SOBRE A VIDA DO POVO CIGANO
Danças, declamações de poemas, causos, cantorias, muita alegria e fantasias no Sarau colaborativo, realizado no último sábado (dia 11/03/23), no Espaço Cultural a Estrada, que teve como tema “Uma Nação em Correrias” sobre a história e vida dos ciganos no mundo e no Brasil.
Os trabalhos foram abertos por Jeremias Macário com a recepção calorosa da sua esposa Vandilza Gonçalves. Antes de começar a palestra, Macário agradeceu a presença de todos amigos e amigas frequentadores do evento e de outros visitantes que pela primeira vez vieram prestigiar nossa festa cultural.
Jeremias, que está completando 50 anos de jornalismo profissional, destacou a importância do sarau nesses mais de dez anos de vida (dois anos parado por causa da pandemia), acrescentando que ele já tem sua história, personalidade e identidade própria.
Ao longo desses mais de dez anos foram debatidos muitos assuntos, como sobre escritores e poetas, os movimentos revolucionários de 1968, escravidão, história do cinema e da música, Nordeste e seu povo, educação, Castro Alves, Glauber Rocha, Graciliano Ramos, Tropicália e tantos outros temas, elevando os nossos conhecimentos.
Poderíamos dizer que foi uma noite iluminado pelo espírito cigano quando o palestrante Fagner Cruz começou a discorrer sobre história, origens e a vida dos ciganos, um povo em correrias empurrados de um lugar para outro para sobreviver. Orientado pelo professor Itamar Aguiar, ele fez uma dissertação de metrado com relação ao tema.
Fagner disse que não se sabe muito bem sobre as origens precisas de qual país os ciganos vieram. Segundo ele, historiadores apontam como vindos do Egito, da Grécia e de países da Ásia, mas existem fortes evidências de que partiram da Índia para a Pérsia e de lá se espalharam pelo mundo.
Para elaborar sua dissertação, Fagner entrevistou e até conviveu com algumas comunidades da região sudoeste onde constatou que nunca existiram políticas públicas dos governantes de assistência social, especialmente nas áreas da saúde e da educação, voltadas para o povo cigano, sempre vistos de forma estereotipada como bandidos, embusteiros, vadios, sujos, trapaceiros e vagabundos.
Ele criticou esse abandono e, na ocasião, lembrou das últimas perseguições policiais contra os ciganos em Vitória da Conquista quando muitos foram mortos e outras famílias escorraçadas do município de forma truculenta.
Por fim, o palestrante citou as etnias Calon e Rom, como as principais que vieram da Europa para o Brasil. A primeira, muito perseguida no reinado de D. João V (início do século XVIII), partiram da Península Ibérica como degredados e aqui chegaram ainda por volta do século XVI e XVII quando se instalaram no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. Eram caldeireiros, funileiros, latoeiros e exerciam outros ofícios, inclusive artísticos e circenses.
Os rons de língua Romani vieram mais, na sua quase totalidade, da Europa Central misturados como imigrante no início do século XIX e tinham mais um tino artístico chegando a se apresentar na Corte Real. Como não tinham muitas opções de trabalho, muitos ciganos entraram no ramo do comércio de escravos de segunda mão. Foram também oficiais de justiça e depois negociantes de cavalos e bestas animais.
Houve uma participação ativa nos debates por parte dos presentes que não tinham muito conhecimento sobre os ciganos e queriam saber das curiosidades e da história desse povo que até hoje não tem uma nação só deles.
Depois do bate papo, todos caíram alegremente na dança ao som de músicas ciganas, a grande maioria de mulheres fantasiadas com suas saias coloridas. Foi um espetáculo à parte que coincidiu com a semana das mulheres.
O sarau prosseguiu com as cantorias de músicas populares brasileiras na voz e violão dos cantores e compositores Dorinho Chaves, Manu di Souza, Baducha e outros. Nos intervalos, mais declamações de poemas e causos com Dorinho e Jhesus que chegou mais tarde para abrilhantar nosso evento.
Foi mais uma noite cultural inesquecível no “Espaço A Estrada” onde se fizeram presentes Sheyla Alves, Jurandi de Oliveira, que também fez algumas apresentações musicais, Rose Emília, Armando Santos, Igor Brito, Viviane Gama, Karine, Rosângela, Sel, Baducha, Dorinho, Conça, Cleide, Manu, Maria Luiza, Leda Novais, Núbia e Núlia Coelho, professor Itamar Aguiar, Luiz Altério, Marta Moreno e Jhesus, além do palestrante Fagner.
A anfitriã da casa, Vandilza Gonçalves a todos recepcionou com dedicação e muito prestativa com os frequentadores que só deixaram o espaço lá pela madrugada ao raiar do dia, num ambiente cordial e de muita amizade.
Foi uma noite fraternal de muita troca de ideias, saber e conhecimentos, acompanhados de um bom vinho, cerveja e outras bebidas, sem falar nos tira-gostos e comidas saborosas. Como o sarau é colaborativo, todos entraram com suas contribuições. Durante as discussões foi criada uma comissão que irá dirigir e comandar os próximos saraus.



















