A PATRULHA DAS FOBIAS E DOS ISMOS
Sou veementemente contra qualquer tipo de racismo, de homofobia, misoginia, machismo, xenofobia, intolerância religiosa ou discriminação por ideologia, mas, chegamos a um ponto onde existe uma vigilância radicalizada, insensata, incoerente e instintiva que ousaria chamar de patrulha das fobias e dos ismos.
Somos latino-americanos e, pela própria natureza da nossa formação cultural, temos heranças preconceituosas, mesmo as mais tênues, mas precisamos discernir e separar formas de pensar, para que não se jogue todos na mesma vala dos extremos. Não quer dizer que a pessoa de direita seja nazifascista, negativista ou de ideias retrógradas, como de que a terra é plana.
Infelizmente, os preconceitos vão se arrastar enquanto a humanidade existir. No entanto, o que quero dizer é que chegamos a um ponto em que as pessoas, especialmente as mais esclarecidas, vivem hoje numa bolha de autorregulação ou autocensura quando vão escrever ou falar nesses temas das fobias e dos ismos.
O termo certo para isso é patrulhamento, porque você tem que ter muito cuidado quando estiver tratando desses assuntos numa roda de amigos, num evento ou discussão, para não ser mal interpretado e acabar sendo carimbado de machista, racista, homofóbico ou intolerante religioso, sem ser nada disso.
Estamos chegando a um ponto que é melhor ficar calado, porque tudo o que você disser no tribunal pode se tornar contra você. Me reporto aqui à questão mais polêmica do possível assédio moral do qual vem sendo vítimas jornalistas da Assessoria de Comunicação e do sistema Surte da Uesb- Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.
Não vou entrar aqui no julgamento das denúncias, mesmo porque elas carecem de uma maior investigação e apuração para que tudo fique esclarecido e os culpados sejam punidos, mas o tema está rolando nas redes sociais, principalmente no Grupo do Sinjorba-Sindicato dos Jornalistas da Bahia. Quem sou eu para dar sentenças!
Não entendo, porém, o porquê de dois integrantes fazerem uma ligação desse problema, que é grave, para dizer que a Uesb é machista porque nunca teve uma reitora no cargo, como se caso fosse uma mulher não aconteceria um assédio moral ou outro tipo de discriminação lá dentro.
Por ter dito que tanto faz ser homem ou mulher, para mim não faria nenhuma diferença, fui visto como machista. Ora, todos sabem que a reitoria da instituição segue uma linha de esquerda e, por suposição e entendimento ideológico, não admite que lá dentro aconteça nenhuma discriminação, a exemplo do assédio moral. E se a direção fosse alinhada à direita? O que falariam? Por favor, não estou aqui fazendo nenhuma defesa da Uesb.
Mesmo sendo relativa, estamos numa democracia de eleições para o cargo de reitor ou reitora, o que não impede de ser uma mulher, desde que ela saia como candidata e receba os votos dos eleitores aptos ao exercício da votação, inclusive da categoria feminina. O sistema eleitoral anacrônico como um todo é que está errado.
Ainda são poucas, mas em muitas outras unidades universitárias da Bahia e do Brasil temos mulheres como reitoras. Isso não quer dizer que estejam livres desses problemas internos. Não me importa se seja homem ou mulher. Para mim, o que mais conta é meritocracia.
Qualquer pessoa que exerce um cargo público, seja prefeito ou prefeita, vereador ou vereadora, diretor ou diretora de algum órgão, deputado ou deputada está sujeito à crítica. Não se pode generalizar que quando a crítica recai em uma prefeita, o ato seja machista.
Pode até ser de alguém em particular, mas nesse país se convencionou falar que aquela pessoa está sendo vítima de machismo por ser mulher. Então, chegamos ao ponto radical de que uma mulher não pode ser criticada quando está a exercer uma função importante dentro da sociedade, mesmo cometendo falhas.
Poderia aqui me estender a outros tantos exemplos de julgamentos equivocados quando uma pessoa é mal interpretada e vista como homofóbica, racista, machista, misógina e outras formas de preconceito só por expressar seu pensamento de discordância de que tal ato não caracteriza propriamente uma discriminação.











