Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Êta Nordeste bom de se ver!

De escritor, artista, senhora e senhor,

Rezadeira, penitente e você,

Vendedor de quebra-queixo,

Amolador e tocador de realejo,

Nessa terra de tanto casmurro:

Tem até o domador de burro,

Não mais na tora da espora,

Mas com nova terapia, sem pia.

 

O domador de hoje rodeia,

Sem na mão a taca e a peia,

Conversa com o burro,

Faz ele sentir seu cheiro;

Coloca seu chapéu por inteiro,

Num ritual de interação,

Segue o passo a passo do manual,

Até ele lhe chamar de doutor.

 

É tanto jeito e mania,

Que o burro dá sua montaria,

Confia que em seu lombo suba,

Sem coice, pulo e derruba,

Mais manso que essa gente bruta,

Fanática e inconsequente,

Que não tem domador nenhum,

Para o desumano anormal comum.

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