• (Chico Ribeiro Neto)Velho aprende a perdoar.
    Esconde feridas
    E descobre armadilhas.

    Aprende a falar manso
    Sabe o valor do descanso
    E a vida é um remanso.

    Velho aprende o detalhe:
    A mosca no pão
    A formiga no arroz
    E o que vem depois.

    Velho sabe em silêncio
    Murmura poesia.
    Pra que tanta agonia?
    O velho não olha, espia.

    (O escritor Albert Camus disse que “o pior de ser velho é não ser ouvido”).

    Velho é chato
    Com pequenas coisas que somem:
    O parafuso do sofá
    O botão do liquidificador
    A tesourinha e o coador.
    Sumiu um pé de meia:
    Velho não xinga, aperreia.

    Não mexa no guarda-roupa do velho. Tá desarrumado, mas ele sabe onde está cada peça.

    Quando viaja, o velho reclama
    Sente saudade da sua cama.
    Velho dorme depois do Jornal Nacional.

    Velho é o mundo. Eu tô aqui é passando tempo.

    Velho é ranzinza.
    Às vezes, terno.
    Velho devia ser eterno.