Ouve-se muito falar que nada acontece por acaso, principalmente quando se começa a amar alguém pela primeira vez. Talvez seja uma forma de se acreditar no destino, em alma gêmea ou em outras vidas passadas, até mesmo uma paquerada barata para se conquistar o outro com o qual se apaixonou.

 – O destino lhe reserva boas coisas no futuro. Os mais velhos, nossos pais, algum parente ou uma cigana já devem ter lhe dito isso. Existem aqueles que não acreditam nesse negócio de destino, mas num pouco de sorte, no livre arbítrio (controverso) e em projeto de vida quando se tem um sonho a conquistar, mas nem tudo é factível. Ah, oh destino enigmático, grato e ingrato!

  Melhor mesmo é crer em tudo e tocar o barco, só que sem persistência, esforço e vontade de vencer, não se vai muito longe. Já escutou esse ditado de que aquela pessoa nasceu com o “cu pra lua”, uma forma de dizer que o cara (homem ou mulher) é sortudo, como ganhar na loteria da Mega-Sena.

  Os filósofos gregos viam o destino como uma ordem cósmica inevitável, dentro das visões do determinismo estoico. Essa força transcendia até mesmo à vontade dos deuses do Olimpo. O destino (Moira) era cego e implacável. O esforço do herói contra o destino gerava a virtude trágica, mesmo sabendo que da derrota não se escaparia.

   Quando era menino, sempre calado, tímido e abatido pelas circunstâncias da criação de antigamente, uma mulher, com um jeito meia cigana, uma vez disse para meu pai que eu nunca iria ser nada na vida. Entendo agora que ela errou.

   Aquilo não me abalou, mesmo porque não tinha idade para compreender o peso da sua forte sentença aniquiladora. No entanto, nunca me esqueci daquelas palavras. Com o passar dos anos fui sentindo que sua observação negativa me fortaleceu para seguir em frente.

  O tempo passou, fiz meu primário em Piritiba, depois houve uma interrupção em meus estudos, fui ser sacristão do vigário de Mundo Novo, de lá para Rui Barbosa, o seminário de Amargosa para ser padre até chegar a Salvador quando desisti da vocação para fazer vestibular para jornalismo na Universidade Federal da Bahia.

  Minha chegada na capital me fez recordar dos versos da canção de Raul Seixas quando ele fala daquele moço vindo do interior, puro e besta, mas encantado com tudo.

    Trabalhei muitos anos em Salvador – ainda pequena e pacata – na área da comunicação em várias empresas e hoje cá estou em Vitória da Conquista por 35 anos. Estive aqui por volta de 1977, fazendo uma reportagem, mas nunca imaginaria que um dia viria morar nesta cidade.

  Em tudo isso existe muita coisa de destino com uma mistura de planos que foram se conectando na estrada da vida. Acho que todos têm muito disso em sua história até um certo tempo de amadurecimento quando se começa a fase mais difícil dos planos e projetos. Mesmo assim, o destino sempre nos pega de surpresa, ou nos prega uma peça.

   Não estou falando só da carreira profissional, mas da amorosa também. Quando se chega a certa idade da velhice, a impressão é que só nos sobra um destino, chamado de morte, que está fora do nosso controle analógico. Não muda nem no controle remoto, quanto mais na IA.

  “Deixa a vida me levar… Vida leva eu…”  Confesso que não me agrada muito essa frase pagodeira do Zeca Pagodinho. Pode até ser encaixado naqueles tempos das boemias festeiras, como “tornei-me ébrio na bebida busco esquecer. Aquela ingrata que me amava e me abandonou…”, cantada por Vicente Celestino.

  Quanto a essa questão do destino, com contraditórios e tudo, ocorrem coisas inusitadas na vida da gente. Muitas vezes passamos num lugar, num prédio de uma empresa, numa rua ou num ponto qualquer e depois de muito tempo lá estamos nós morando ou trabalhando ali, coisas que nunca imaginaríamos que acontecesse.

   Comigo já ocorreu muito isso e poderia citar diversos exemplos. Esse negócio de destino existe e é um mistério. Como diz o velho ditado, “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. É uma citação clássica da peça Hamlet, possivelmente escrita por William Shakespeare.

  A fé guarda segredos que não conseguimos explicar. É como essa tal da sorte que uns têm para o jogo e outros para o amor. “Azar no jogo, sorte no amor”. “Fulano teve um destino cruel, ou um destino de ventura”. Agora que esse destino nos prega surpresas, isso sim!