O “VELHO CHICO” COM SEUS BARCOS E O MUSEU DO SERTÃO EM PETROLINA
Quando venho a Juazeiro, da Bahia, a primeira coisa que faço é ir visitar meu “Velho Chico”, ou Rio São Francisco, do colonizador Américo Vespúcio, mas prefiro o Opará (rio grande, cheio) dos indígenas que aqui viviam.
Bem que esses deputados, cuja maioria só pratica a bandidagem, poderiam apresentar um projeto para mudar seu nome para o original. Opará é bem mais autêntico. Tomei a sua benção e pedi que os homens tomem vergonha na cara e o proteja dos males da depredação.
Ele está abastecido graças as chuvas de São Pedro, mas há alguns anos suas margens estavam tão secas que até os peixes sumiram, e os ribeiros, que dele sobrevivem, estavam passando fome. Sempre falam de revitalizá-lo, mas é só baterem as águas e tudo é esquecido.
Dei sorte que dessa vez comi aquela deliciosa moqueca de surubim. Quando o rio sofreu aquela tremenda sequidão, recordo que praticamente não se encontrava um peixe para ase alimentar, e as barquinhas chegaram a parar por causa dos bancos de areia.
Pequei aquela barquinha e naveguei em suas águas por 10 minutos para Petrolina (Pernambuco), a cidade com outra qualidade de vida 100 vezes superior a Juazeiro, e não estou exagerando. Do lado da Bahia, só se ver esgotos abertos, ruas sujas e muita muriçoca. Aliás, Juazeiro é a capital das muriçocas e pedintes.
Em Petrolina fui visitar o antigo Museu Municipal do Sertão, citado no livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, do médico antropólogo Estácio de Lima. Valeu a pena porque entrei no mundo dos sertanejos nordestinos e muita coisa me fez lembrar dos tempos de menino na roça.
Lá estão à disposição dos visitantes, os jalecos e gibões de couro dos vaqueiros, símbolos nordestinos, pilões de pisar café, milho e outro produtos, antigos bules, camas, sanfonas, espingarda, ou garruchas, fogões a lenha, bacias, pinicos e outros objetos que fazem parte da cultura popular nordestina.
O calor de Petrolina e Juazeiro é de rachar, mas têm como maior riqueza o “Rio Opará” banhando as duas cidades. Muitos aproveitam para dar aquele mergulho merecido, até os moleques que pegam uma ponga nas barquinhas.
Voltei do outro lado pernambucano aproveitando aquela paisagem que faz a gente esquecer os problemas da vida. É uma travessia que nenhum turista pode perder, sem falar que é um meio de transporte que faz os usuários se livrarem do tumulto da ponte que divide Petrolina e Juazeiro. O idoso tem passagem livre por duas vezes ao dia, mas se resolver repetir a terceira, paga meia, ou um real e cinquenta centavos.
Como ninguém é de ferro, para aliviar o “calor de matar”, dei um, tempo para tomar umas geladas nas barraquinhas simples de palha. Enquanto comentava sobre o cansaço da viagem, a garçonete virou para mim e me animou com sua simpatia dizendo, “vamos beber que amar está difícil”.
Em Juazeiro, aproveitei para apreciar as grandes carrancas do Rio São Francisco e, mais uma vez, senti a falta do antigo Vaporzinho transformado em restaurante que ficava na orla. Infelizmente, na Bahia e no Brasil em geral, as pessoas e os governantes vão destruindo nossa memória.




















