Símbolo do Nordeste pela sua resistência e ajuda aos sertanejos, sempre que me deparo com um jumento, ou jegue, e estou com a máquina na mão, vem logo o dedo e faço o foco para clicar. Por acaso estava eu conversando com meu “Velho Chico” e lá estava o jeguinho bem em frente do Rio Mar Hotel, por sinal rio-mar ou Oporá, que em indígena é Rio São Francisco, nome dado pelo português Américo Vespúcio, em 1501. Mas, voltando à imagem do jumento com sua carrocinha, será que ele estava ali esperando um hóspede para dar uma volta para mostrar a cidade de Juazeiro? Com tantas matanças desse animal pelos matadouros para exportar sua carne e sua pele para a China, o jegue está cada vez mais escasso, tornando-se, infelizmente, uma espécie em extinção. Os que ainda sobrevivem, continuam sendo animais de carga e sustento para muitas famílias. Na verdade, sua presença ali constitui um contraste em meio à evolução da tecnologia e aos meios de transporte. Em seu lugar são as motos que fazem aquela barulheira e poluição nas cidades, inclusive no campo onde ninguém mais quer andar nesse equino. É mais uma homenagem que faço ao jumento e, quando o vejo, sempre me lembro dos tempos de menino quando labutava com meu pai como lavrador, principalmente com a cultura da mandioca. Era ele que fazia todo transporte das raízes e da farinha para as feiras.