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COPINHA, UMA FEIRA DE NEGÓCIOS

Carlos González – jornalista

Os que estão saudosos daquele nosso futebol sem objetividade, sugiro assistir – acesse Paulista ou CazéTV no YouTube – até o dia 25 a Copa São Paulo de Futebol Júnior, promovida pela Federação Paulista de Futebol (FPF), onde quase 3 mil jovens, com menos de 20 anos, misturando o português com dialetos indígenas da Amazônia, o baianês e o gauchês, são expostos numa vitrine, esperando serem vistos e “comprados” por clubes europeus e da elite do futebol brasileiro.

A Copinha pode ser comparada a uma feira de negócios, onde o produto exposto é um ser humano ainda na juventude. Nas arquibancadas a técnica e o porte físico (o Vitória escalou um zagueiro de 2,05 metros) dos atletas são atentamente examinados por empresários da bola, olheiros daqui e dos clubes europeus e agentes de empresas de apostas.

O torneio também é aproveitado por clubes-empresa. Garimpada em campos de várzea, sua mercadoria é lapidada antes de seguir para São Paulo. Fundado em Irecê em 2018 o Nova Canaã é administrado pela Igreja Universal e por uma fábrica de sucos. Jogou a Copinha em 2022 e 2023. Está se mudando para o Distrito Federal, sob a justificativa de que a disputa do “Baianão” da 2ª Divisão implica em percorrer grandes distâncias.

Criado por empresários chineses, em 2020, no bairro paulistano da Mooca, e associado ao Orlando City, da liga norte-americana, o Indochina tem como um dos seus objetivos “revelar e formar novos jogadores”. Esta é a mesma linha do Patriota, fundado no mesmo ano por empresários de Curitiba, adotando o verde e o amarelo como suas cores.

A primeira oportunidade para subir na carreira e o primeiro sonho concretizado acabam de ser anunciados: o meia Sidney, 17 anos, deixou a cidade de Guaratinguetá, onde se achava com a delegação sub-20 do Bahia, direto para a Inglaterra, para se incorporar aos profissionais do Tricolor que fazem uma pré-temporada no centro de treinamento do Manchester City. A indicação foi do técnico Rogério Ceni.

O futebol não é igual para todo o mundo. Os jogadores do Carajás tiveram bastante tempo para sonhar em mudar de vida e ajudar suas famílias. Num ônibus sem ar condicionado (o equipamento quebrou no começo da fatigante jornada), a delegação do clube sediado em Parauapebas, no Pará, viajou 2,1 quilômetros em 42 horas até Araraquara, em São Paulo. Nas paradas para as refeições os jogadores dispunham de pouco tempo para movimentar as pernas.

– A gente sabe que para chegar ao topo tem que fazer sacrifícios. A passagem do ano foi na estrada, longe de nossos familiares, mas valeu a pena, porque é recompensador participar desse torneio – comentou o atacante Valdívia, autor de um dos gols contra o São Paulo. Nessa partida, o Carajás chegou a abrir 2 a 0, sofrendo nos minutos finais a virada do adversário. As inevitáveis e dolorosas cãibras nas pernas, causadas pela exaustiva viagem, afastaram os paraenses mais cedo do torneio.

A Copinha foi criada em 1969 pela Prefeitura de São Paulo. Em 1987, o então prefeito Jânio Quadros suspendeu a promoção, assumida no ano seguinte pela FPF. O ingresso de clubes de outros estados ocorreu a partir de 1971. Entre 1993 e 1997 foram convidados times das Américas do Sul e Norte, da Europa e da Ásia. Nesses 55 anos, além do cancelamento em 1987, a bola não rolou em 2021 por causa da pandemia.

O Corinthians é o maior vencedor da competição com 10 troféus, seguido de Fluminense e Internacional, com cinco. A melhor campanha de um representante do Norte-Nordeste é atribuída ao Bahia, vice-campeão em 2011, perdendo a final para o Flamengo. Além do Bahia, o futebol baiano é representado este ano pelo Vitória, Jacuipense e Conquista.

 

 

MEU SERTÃO DE DORES E SABORES

Vou aqui falar do meu peculiar sertão catingueiro, de dores, seco e cinzento, verde colorido cheio de cheiros e sabores quando bate o aguaceiro com trovoadas e relâmpagos, como nos últimos dias aqui no nosso sudoeste, ou sudeste, na região de Vitória da Conquista.

Depois das dores da sequidão, as águas trazem bonança; a terra fica forte e viçosa; e o sertanejo sai alegre com sua foice e enxada para as plantações. O calango risca o chão do bagaço molhado e as aves cantarolam para glorificar a fartura. É tempo do sorrir depois de um tempo do sofrer. As flores começam a brotar dos galhos e se abrem em cores.

São duas paisagens que se diferem, uma entre os engaços, do chão rachado, gado morrendo de fome, os bichos cambaleando, carros-pipas cortando estradas poeirentas, rezas e procissão para chover, retirantes partindo tristes para outras bandas, sertanejos que ficam na resistência da fé e da esperança, cacimbas, açudes e tanques vazios.

A outra se completa com o ciclo da renovação quando o homem e a mulher com seus filhos acordam cedo para irem à roça plantar as sementes de suas subsistências alimentar. É o momento de abençoar e agradecer pelo milagre da natureza, porque os governantes políticos da terra só fazem prometer, principalmente em épocas de eleições. É tudo espera do que vem lá do alto.

A seca e a chuva são dores e sabores para o campo, especialmente do semiárido, como no caso do baiano onde mais de oitenta municípios estavam em estado de emergência sem o precioso líquido da vida que dá sustentação ao lavrador e ao criador de seus animais. É também dores e sabores para a zona urbana.

Entra governo e sai governo e há séculos que essas cenas de sofrimento devido às longas estiagens se repetem. Os planos e os projetos políticos de convívio com a seca, na sua maioria, ficam, apenas no papel, muitas vezes porque este fenômeno se tornou em indústria do voto. Fizeram até transposições do Rio São Francisco, mas as irrigações caem sempre nas mãos daquele menos necessitados. O sistema de distribuição de cisternas e outras medidas não passam de paliativos.

As cidades também são atingidas, tanto nos períodos secos como nos chuvosos. A falta de água provoca racionamentos e aumento nos preços dos produtos agrícolas. São sempre os pobres os mais castigados porque não dispõem de recursos para adquirir os alimentos básicos. São sabores nas chuvas porque elas fazem baixar o custo dos mantimentos, dos hortifrutigranjeiros e até das carnes.

Quando chega o aguaceiro, ruas são alagadas e invadem casas, sobretudo nas periferias onde mora a pobreza, tudo em razão da ausência de infraestrutura de canais de escoamento. Algumas obras, muitas das quais superfaturadas e incompletas, são feitas, exclusivamente, de olho no eleitor.

Um outro fator que agrava mais ainda a situação é a depredação do meio ambiente pelo próprio ser humano. Com o lixo e os desmatamentos, sem falar nas habitações em locais inadequados, as enxurradas causam entupimentos de bueiros, deslizamentos de terras e destruição de casas, com centenas e milhares de mortes.

 

AINDA AS GALÉS E AS VESTIMENTAS DOS ESCRAVOS CRISTÃOS NA BERBÉRIA

Comentamos aqui nos outros capítulos do livro “Escravos Cristãos, Senhores muçulmanos”, do autor Robert Davis, que aqueles capturados pelos mouros da região da Berbéria (Túnis, Trípoli e Argel) nos navios e por via terrestre e que não possuíam talentos, nem sinais de riqueza e posição social ao serem colocados à venda, iam servir nas galés por meses em alto mar. Eram acorrentados, espancados e trabalhavam sob chuva e sol. Muitos não resistiam e morriam.

“É uma aflição sem tamanho ver os pobres escravos cristãos ou brancos, obrigados a remar sob constantes e violentas chicotadas e pauladas… De todas as agruras esses pobres cativos são forçados a obedecer, a pior, sem sobra de dúvidas, é aquela que sofrem nas galés dos turcos berberes” – lamentou o padre Pierre Dan. Geralmente eram camponeses, pescadores, soldados rasos e marujos comuns. Os nobres de estirpe ficavam longe das galés porque eram valiosas propriedades para o resgate.

Segundo Robert, por volta da metade do século XVI, tanto as potências cristãs quanto o Império Turco eram capazes de concentrar imensas frotas com centenas de galés e galeotas, cada uma composta de 150 a 300 remadores. Essa força de trabalho deve ter atingido seu ápice na época da Batalha de Lepanto, em 1571, quando por volta de 80 mil remadores foram mandados para o fronte uns contra os outros, sendo a maioria escravos. Não eram somente muçulmanos.

Nas galés da Espanha, França, Itália e Malta haviam milhares de mouros, turcos, prisioneiros católicos e protestantes condenados aos remos. Na segunda metade dos anos 1560, a escravidão das galés era mais uma instituição islâmica do que cristã. Os berberes eram melhores em capturar escravos. A maior demanda por escravos de galés ocorreu entre o fim das décadas de 1580 e 1640. Os reis de Argel, Túnis e Trípoli precisavam de 10 a 15 mil remadores.

VESTIMENTAS

No capítulo “Vida de Escravo”, o historiador da obra cita o testemunho do escravo William Okeley. Aliás, sua pesquisa está recheada de testemunhas. Robert destaca que Okeley e seus companheiros escravos compunham um quarto da população de Argel, uma cidade baseada na pirataria corsária e no mercado escravista. Em Túnis e Trípoli a proporção era menor, entre 10 a 20%.

No topo dos escravos estavam os turcos e renegados cristãos. De acordo com Robert Davis, esses homens reinavam sobre os nativos mouros e mouriscos, os quais, por sua vez, desfrutavam de status maior do que a sempre numerosa população judia nas capitais das regências. Os escravos ficavam nas camadas inferiores e os judeus ainda num patamar mais baixo.

Na Berbéria, os homens se diferenciavam nas roupas, cortes de cabelos e no direito de usar armas. Os turcos usam turbantes (um tipo de boné vermelho). Os mouros vestes mais sombrias, um longo albornoz com capuz, sendo de cor branca no caso dos mais abastados.

Os escravos cristãos não tinham nenhum traje distintivo e vestiam o que lhes eram fornecidos pelos seus senhores. No caso dos escravos domésticos, como na Europa, trajavam uniformes. Nas ruas usavam roupas condizentes com o nível social de seus proprietários. Portar o turbante era uma expressão de conversão ao islamismo e os escravos cristãos, na sua maioria, não aceitavam.

As garotas jovens récem-capturadas podiam ter a cabeça raspada, para torná-las turcas. As mulheres mais velhas podiam ser forçadas a vestir as roupas turcas devido ao hábito das regências. No entanto, o autor da obra conta um caso de uma mulher que não aceitou mudar sua fé. Por isso, sua dona mandou que ela levasse trezentas chibatadas. Ao continuar firma em seu propósito, a escrava foi despida e a vestira à moda turca.

Segundo Robert, quando os corsários berberes estavam prestes a capturar um navio, era comum os passageiros trocarem suas vestes por outras que ajudassem a esconder suas origens de modo a confundir os captores quanto ao valor potencial do resgate. Outros mantinham as mesmas vestimentas por orgulho de seu posto, como os membros da Igreja, nobres e comandantes militares. Eles iam para alojamentos dos consulados com conforto.

Diz o autor que esses escravos de alto escalão eram deixados ociosos no cativeiro, certamente por terem pago uma taxa, um suborno por fora. Ficavam livres para se locomover na cidade, apenas com uma tornozeleira de ferro. As mulheres da elite recebiam mais ou menos o mesmo tratamento, mas mantidas dentro de casa, longe das vistas do público. Alguns usavam suas roupas europeias.

Muitos eram levados para os chamados banhos públicos (badistão) ou prisões, onde se transformavam em figuras imundas com trapos e desmazelados. Os turcos e mouros chamavam esses récem-chegados de selvagens. Quando eram vendidos recebiam um traje distintivo de escravos.

Um pesquisador observou que, na década de 1620, os chefes dos banhos forneciam aos escravos nada além de um albornoz com capuz, um par de calças de lona por ano. Meio século mais tarde, o frei Francisco San Lorenzo referiu-se a roupas semelhantes, como uma camisa e um par de calças de tecido cru. Os que não conseguiam conservar seus sapatos ficam descalços.

“Pelo visto, nenhum escravo teve direito a receber uma muda de roupas até os anos 1720”. Um estudioso no assunto descreveu que, quando um escravo é levado para Argel, recebe uma camisa grosseira, um carpete de tecido rústico, um pequeno cafetã, um gorro vermelho e um cobertor de lá.

“Tudo leva a crer, na melhor das hipóteses, que nos anos 1790, as roupas destinadas aos escravos na Berbéria ficam aquém até mesmo da indumentária dada pelos senhores no sul dos Estados Unidos, como dois trajes completos de algodão para a primavera e verão e dois de lá para o inverno, quatro pares de sapatos e três chapéus”.

“A disparidade entre a vestimenta dos escravos negros no início do século XIX no sul dos Estados Unidos e dos cativos no Magreb ainda é surpreendente”. O pesquisador Eugene Genovese, com base num tal de senhor Robert Collins, ressaltou que “no sul dos EUA, até a trouxa mais generosa restringia os escravos a lavar e trocar de roupas no máximo uma vez por semana. Isso era inimaginável no caso dos escravos da Berbéria, confinados nos banhos públicos”.

Collins afirmou que no geral era necessário pagar a água e poucos tinham condições para isso. Só o necessário para beber. Por isso, a maioria dos membros da classe de cativos atraia todos os olhares para aquele espetáculo lamentável de cabelos e barbas cortados com uma adega. “Seus rostos eram machucados e cobertos de lama e poeira. Eles perambulavam pela cidade com aparência de mendigos, com as roupas todas cobertas de vermes”.

Os escravos de Túnis e Trípoli costumavam mancar em razão das correntes e grilhões pesando cerca de 10 a 15 quilos, ou com um gambetto, como os italianos chamavam (grilheta de ferro). Dizem que os escravos das galés eram marcados com uma cruz na sola dos pés.

As condições de vida variavam tanto quanto a quantidade de roupas, dependendo se estivessem hospedados nas casas de seus senhores ou fossem cativos públicos, isto é, dos governantes, designados ao trabalho braçal nas galés, nas pedreiras ou arredores das cidades.  Quem se dava melhor eram aqueles cujos senhores os alugavam para os missionários cristãos e cônsules na cidade. Esses tinham uma vida praticamente idêntica aos serviçais da Europa

PARA O ANO SAI MELHOR

(Chico Ribeiro Neto)

Televisão, rádio, jornal, todo mundo faz a retrospectiva de 2023. Hoje faço uma pequena retrospectiva, mas vou mais além, é de 2021. Essa crônica “Para o ano sai melhor”, publicada no final de 2021, vai aqui reproduzida:

 

O encantador bloco “Paroano Sai Milhó” cantando “Bandeira Branca” (de Max Nunes e Laércio Alves) ou “Eu quero é botar o meu bloco na rua” (de Sérgio Sampaio). Sim, para o ano vai sair melhor, principalmente se ele, o Bozo, sair, deixar a cena desse triste teatro em que meteu o Brasil.

XXX

 

O milhar 2022 já está “cotado” no jogo do bicho de 15 de dezembro de 2021 até 15 de janeiro de 2022. Isso quer dizer que, se você acertar no milhar 2022, só recebe 50% da grana. “Vale o impresso”, diz a pule. Quando a pule era preenchida à mão vinha uma advertência: “Vale o que está escrito”.

XXX

 

Muitos municípios baianos ficaram debaixo d´água nesse fim de ano. Não adianta querer culpar a natureza. Tudo isso é fruto do desmatamento, do assoreamento dos rios, que recebem grande volume de lixo das cidades. O mar e os rios sempre foram uma solução fácil e barata para depositar lixo.

XXX

Dizem que não pode comer peru no Ano Novo, porque peru cisca pra trás, e aí é atraso de vida. Tem que comer bicho que cisca (ou fuça) pra frente, e por isso se deve comer pernil de porco. Uma amiga foi nessa onda, só comeu pernil, e foi demitida em janeiro.

XXX

 

Muita coisa vai continuar na mesma. O mesmo vizinho, o mesmo zelador que quer saber da vida de todos os moradores e até aquele cara que conta umas piadas compridas, intermináveis, vão continuar existindo.

XXX

 

Chiquinho, com uns 12 anos, sobe no guindaste do Solar do Unhão para pular dali no mar pela primeira vez. A altura dá medo. “Pula, pula, pula”, gritam os meninos maiores já mestres no salto do guindaste. O coração de Chiquinho bate forte. “Pula, Chiquinho”. Ele respira fundo, salta no espaço e mergulha na água morna da praia do Unhão. Sobe uma grande espuma que é um brinde à esperança. Feliz Ano Novo, caros leitores.

(Foto de Chico Ribeiro Neto: Lagoa de Caculé, Bahia).

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

DE TODOS OS PONTOS

Esta imagem é um flagrante do alto da Serra do Periperi, exatamente do Cristo do artista Mário Cravo, mas Vitória da Conquista talvez seja a única cidade da Bahia e do Brasil que pode ser vista de quem está chegando à cidade de todos os pontos cardeais: Do norte, sul, leste e oeste. Para quem ainda não percebeu, sua posição geográfica é privilegiada, situada por assim dizer dentro de uma bacia, a que eu a chamo de parabólica. Logo que aqui cheguei, entre março e abril de 1991, beirando os 33 anos, em pouco tempo notei esse aspecto que deixa qualquer um encantado. Por assim dizer, ainda era uma cidade pequena de pouco mais de 250 mil habitantes, passando a cerca de 400 mil neste período. Foi um crescimento espantoso e um dos maiores do Norte e Nordeste, mas sua infraestrutura em termos de demanda da população ainda deixa a desejar, principalmente na questão de mobilidade urbana (transportes públicos) e água. Por ser uma capital do sudoeste baiano que abrange mais de 80 municípios, outro problema que tende a ser agravar é o trânsito se não forem feitas algumas intervenções além do ônibus. Há mais de 30 anos não havia engarrafamentos, o que já ocorre no centro da cidade e nas principais avenidas. As eleições municipais estão batendo em nossa porta e vamos esperar as propostas dos candidatos sobre esses problemas quer são os principais de seus moradores, muitos dos quais vindos de outros lugares à procura de uma vida melhor.

CONVERSA PRA BOI DORMIR

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

No paralelo do Devanir:

Palavras vãs,

Ôba-ôba, blábláblá e lero-lero:

Cada qual com seus clãs,

Conversa fora,

Do aqui e do agora,

Ou conversa pra boi dormir.

 

Prosa chata e ruim,

Muito papo furado,

Coisa de cavalo alado,

Bebê de cegonha,

Falta na cara, a vergonha,

Político corrupto e safado,

Papai Noel de corcel,

Natal de comes e bebes,

Encher a pança, embriagar,

Vão todos se lascar,

No meu PIB da produção,

Do consumo à poluição,

Gente imbecil irracional,

Animal bestial,

Do profano ao cristão,

Mouros berberes islãs,

Seguidores com seus fãs,

Assim fizeram a escravidão,

De negros e brancos,

Com correntes, grilhões e trancas,

Nos troncos dos barrancos,

Nas galés e navios porões:

É a humanidade,

Da usura insanidade,

Autodestruição,

Que culpa seu Deus,

De castigo e traição,

Loucura do existir,

Conversa pra boi dormir.

UM PERIGO DE ACIDENTE NAS OBRAS DO CRISTO DA SERRA DO PERIPERI

Pode ocorrer um acidente com alguém que frequenta as obras de revitalização da área do Cristo de Mário Cravo, ou Cristo da Serra do Periperi, justamente na parte do mirante que ainda não está concluído, e toda responsabilidade será exclusivamente da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista.

Ainda não foi colocada a proteção da parte inferior das ferragens, e as pessoas estão transitando até a ponta do mirante sem nenhuma segurança, inclusive crianças e idosos. O visitante pode se desequilibrar lá do alto e se arrebentar todo causando um acidente de graves proporções.

Na entrada do mirante colocaram apenas umas fitas que foram removidas por alguém e aí muitos estão atravessando até a ponta para tirar fotos ou por curiosidade para apreciar a paisagem da cidade do ponto mais alto. O poder executivo não teve a mínima preocupação de colocar um vigia para impedir a passagem ou fechar a passagem com ferros.

Estive lá nesse feriadão do final do ano com um casal do Rio de Janeiro e presenciamos essa negligência da prefeitura, sem contar o abandono dos serviços de revitalização que foram anunciados no início ou meado do ano passado.

Além do perigo de um acidente no mirante por falha do poder público, o monumento continua abandonado sem funcionários ou guardas municipais presentes no local, propício a um assalto de bandidos. No popular teve um morador que chegou a dizer que ali era “uma boca de zero nove”.

Na verdade, visitar o monumento ao Cristo naquelas condições é um tremendo perigo porque não oferece segurança. Pouca gente interessada em conhecer o maior Cristo crucificado da América do Sul foi com receio e assustada, o que dava para se perceber no semblante dos poucos visitantes que evitavam até a tirar fotos mais demoradas.

É assim que querem transformar Vitória da Conquista numa cidade turística? Num feriadão, por exemplo, (nem falo nos dias úteis) quais os pontos que temos para levar um turista, a não ser o Museu de Kard, a Lagoa das Bateias, cujas obras estão inacabadas, e ao Cristo que não oferece a devida proteção?Temos ainda o Museu Regional e o Padre Palmeiras (não são municipais) que não estão à altura de uma cidade de 400 mil habitantes. O Museu do artista Cajaíba também está se acabando lá na Serra. Ainda tem gente que fala de fazer de Conquista o Portal de entrada para a Chapada Diamantina, conforme está no Plano Municipal de Turismo que ainda não saiu do papel. Outros chamam Conquista de a “Suíça Baiana”, coisa que virou até piada e deboche.

Para o turista que passou por Conquista vindo de outra parte do país neste feriadão, ou esteve visitando um parente, a opção mais segura foi a iluminação da Praça Tancredo Neves. Alguns teimosos se aventuraram ir ao Cristo correndo o risco de um acidente ou ser assaltado. Não tivemos atividades culturais de peso, nem no Espaço Glauber Rocha, ou outro local, mesmo porque os equipamentos estão fechados.

Restaram alguns shows particulares em barzinhos e restaurantes de comidas e bebidas muito caras. Muitos não gostam quando se fala a realidade de uma terceira maior cidade da Bahia onde praticamente sepultaram nossa cultura.

Para ser sincero, quando chega um amigo aqui não me sinto confortável sair para mostrar os principais pontos da cidade. Explico logo que não tem muita coisa para se ver, além dos shoppings, avenidas e esse pontos citados que deixam a desejar.





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