Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Todos trazem na alma alva,

Uma pinta de poeta,

Porque o despertar do escuro,

Para a luz do futuro,

Já é um ato poético,

Mas só em poucos,

Corre no sangue,

Essa arte da alquimia,

De entrar em portas fechadas,

Farejar pegadas apagadas,

Navegar na onda homérica,

Ser Europa, Ásia e América.

 

O poeta carrega no peito,

Uma dor enigmática,

Coisa além do existencial,

Talvez um ser com defeito,

Que nasceu fora do normal,

Onde nem a química e a filosofia,

Desvendam seu embornal.

No deserto pode ser mar,

E no mar um deserto;

Da pedra faz o ouro;

Torna ferro em tesouro;

Garimpeiro que mira a veia,

Cascalheiro e mestre da bateia.

 

Poeta é como craque de futebol,

Que sabe dar aquela caneta,

Um capeta no elástico,

Desafiador da gravidade,

Flecha torta incerta,

Na linha da curva certa,

Da bola que na rede cola.