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:: 14/jan/2022 . 22:51

A BURRICE E O FANATISMO BRASILEIRO NUMA NAU DE INSENSATOS ASSASSINOS

Pandemia, surto de gripe influenza, ômicrom, incêndios nas florestas, enchentes torrenciais, desastres da natureza com tragédias humanas, seca, inflação, desemprego e fome estão assolando o nosso país, como pragas do Egito, exterminando nosso povo. Mas, o que tem a ver tudo isso com burrice e fanatismo? Se formos analisar com mais profundidade filosófica, tem muitas ligações, principalmente em se tratando da Covid-19, da intolerância, do preconceito e dos desequilíbrios climáticos.

No último dia 11 (terça-feira), a Bahia registrou mais de cinco mil casos ativos de Covid, quase o mesmo patamar de agosto de 2021, enquanto um milhão e 500 mil baianos ainda não foram tomar a segunda dose da vacina contra o coronavírus. A imprensa noticia que 80% dos casos graves do coronavírus são de não vacinados que sobrecarregam os hospitais, inclusive nas UTIs.

Mesmo assim, diante desse caos, multidões se aglomeram nas praias e festas de paredões, sem máscaras, e o uso de álcool é só de cachaça. Tudo isso tem a ver com burrice e fanatismo, que não podem ser considerados como doenças pelos psicólogos, mas matam. Agora, a cegueira dos não vacinados individualistas da liberdade procuram as unidades de saúde e se submetem aos medicamentos fortes, os quais eles mesmo rejeitaram e negaram, alimentando e disseminando mentiras contra a vacina.

Por que, mesmo depois do avanço da imunização comprovar queda na expansão do número de óbitos e internações graves, milhões de pessoas negacionistas insistem em não se vacinar e se posicionar contra a ciência? Só pode ser burrice e fanatismo que, como tufões de grandes proporções, estão varrendo o Brasil e deixando rastros de destruições de terra arrasada.

Pronuncia-se muito o termo solidariedade quando se trata de doações de alimentos e produtos para as vítimas das chuvas na Bahia e em Minas Gerais, mas onde está essa solidariedade coletiva quando milhões se recusam tomar a vacina? De um lado as doações de cestas básicas e roupas, do outro o desdém em relação aos mortos pela Covid, seguindo o sentimento frio psicopata do capitão-presidente. Que solidariedade é essa?

Milhões se aliam às mentiras do banditismo digital. No lugar dos fatos confirmados cientificamente, colocam os falsos e menosprezam a chegada da variante ômicron com novas explosões do vírus em todo mundo. Como se saídos das trevas de uma toca ou de um armário, os radicais ignorantes, burros e fanáticos se multiplicam como pulgas ou piolhos nas redes socais, em mesas de bar e botequins, para propagar fake news e baboseiras de imbecis. A internet virou uma nau de insensatos.

Esse turbilhão de ignorância/idiotia tem uma obsessão por disseminar conceitos sem nenhum fundamento, valendo-se de distorcer ideias; inventar; afirmar que pesquisou tal coisa em algum lugar; e que viu um estudioso falar. Para o fanático doente crônico, vale tudo, e não adianta tentar um diálogo com ele. É até perigoso, porque o burro e o fanático são violentos e podem lhe assassinar.

O que leva o fanático a defender o ilógico, como declarar que a terra é plana, e que a vacina pode transformar a pessoa num jacaré ou lhe deixar enfermo numa cama? É como se fosse uma droga que emite um prazer na mente e vicia. O indivíduo sente a necessidade de estar sempre produzindo delírios mentais de forma descontrolada. O fanático possui dentro de si um comportamento disfuncional obsessivo e não aceita tratamento. O fanático se fecha dentro de suas convicções, para não lidar com seu medo e sua frustração interior.

Quanto as outras questões de enchentes, secas devastadoras, incêndios, fome, desastres da natureza e outras mazelas que invadiram nosso país nos últimos anos, também tem a ver com burrice e fanatismo. Ambos desagregam e provocam males adversos na coletividade. Não respeitar o meio ambiente é uma burrice do ser humano irracional que, com seu fanatismo, nega o aquecimento global. O consumismo não deixa de ser uma burrice fanática que não prejudica somente o dono.

 

UMA SEMANA POLÊMICA DE IDEIAS FUTURISTAS QUE TERMINOU EM RACHA (II)

 

“NÓS NÃO SABÍAMOS O QUE QUERÍAMOS, MAS SABÍAMOS O QUE NÃO QUERÍAMOS” – Mário de Andrade a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922. Existia um caráter revolucionário na década de 20, com uma série de transformações políticas e sociais.

A Semana pregava a tomada de consciência da realidade brasileira – dizia José Nicola, em sua obra “Literatura Brasileira – das origens aos nossos dias”. Na conjuntura geral, de acordo com Mário de Andrade, São Paulo era a cidade mais moderna do Brasil e estava em contato espiritual e técnico com as mudanças no mundo. Graça Aranha foi um dos idealizadores do evento.

O cenário nacional era comandado pelas oligarquias através do poder na “política do café com leite” somado ao surto de uma burguesia industrial com a I Guerra Mundial. Nesse bojo, veio a urbanização da cidade nos primeiros 20 anos do século XX.

Eram os barões do café verso o operariado. Era um Brasil dividido entre o rural e o urbano de origem europeia, com vocação na luta de classe, tanto que entre 1901 a 1911, os anarquistas publicaram o jornal “La Battaglia”. Circulou ainda “A Terra Livre” (1905-1910 e ocorreram greves em 1905 e 1917. Somente em 1918 os jornais passaram a noticiar a Revolução Russa.

Antes da Semana de 22, num estilo ainda decadente, Manuel Bandeira escreveu “As Cinzas das Horas”. Mais ousado, veio em 1919, “Carnaval” e o poema “Os Sapos”, de sátira, declamado durante o evento de São Paulo e bem recebido pelo público.

Sobre Ribeira Couto em “Jardim de Confidências”, em 1921, o crítico Alfredo Bosi destaca que seus versos se inseriam no penumbrismo. Já Ronald de Carvalho, em “Luz Gloriosa” (1913) e “Poemas e Sonetos” (1919) e Guilherme de Almeida, com “Nós” (1917) “A Dança das Horas” (1919), “Livro de Horas de Soror Dolorosa” (1920) ficaram entre o parnasiano e o decadentismo, com substância lírica.

Com influência mais moderna e face política, Cassiano Ricardo escreveu “Dentro da Noite” (1919) e “Evangelho de Pã” (1917). Havia uma dispersão, mas o grupo ficou mais coeso a partir de 1920 e 21, aderindo mais à arte nova. Na turma dos futuristas, Bosi lista Di Cavalcanti, Vicente do Rego, o próprio Monteiro Lobato e Anita Malfatti que sofreram influência do italiano Marinetti (fascista).

Os artigos de Menotti del Picchia, na coluna “Hélios”, no “Correio Paulistano”, que deu muito espaço para a Semana, faziam promoção do grupo vanguardista. Do outro lado, Oswald de Andrade e Cândido Moto, no “Jornal do Comércio” davam ao movimento uma direção de liberdade formal com ideias nacionalistas, mas sem o ufanismo patriótico. Oswaldo chegou a denominar o movimento de aglomeração revolucionária futurista.

No entanto, Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda em seus comentários, negam esse futurismo paulista na esteira de Marinetti, mas admitem uma revisão de valores, o que denota que não havia hegemonia dentro do grupo que nascia.

Antes da Semana, Mário de Andrade lança “Paulicéia Desvairada”, seu primeiro livro de poesias onde mostra uma São Paulo misturada, miscigenada, estrangeirada, com a existência de diversas classes e ideias diferentes. Em seus artigos “Mestres do Passado” (seis no total), ele entoa um canto funeral para os parnasianos, numa forma de sepultar o passado de Francisca Júlia, Raimundo Correia, Olavo Bilac, dentre outros.

A esta altura, tudo se encaminhava para a realização da Semana da Arte Moderna, com mais união entre os intelectuais de São Paulo e Rio de Janeiro. Tudo indicava que o modernismo poderia ser lançado. Sobre “Paulicéia Desvairada”, Oswald considerou um marco, e chama Mário de meu poeta futurista em artigo no “Jornal do Comércio”, na edição de 27 de maio de 1921.

Em “Língua, Literatura e Redação” e “Literatura Brasileira – das origens aos nossos dias”, o autor José de Nicola faz uma análise da época dos primeiros anos do século XX, destacando que existia uma divisão entre o meio rural e o urbano. O meio urbano era caracterizado pela luta de classe do operariado, com influência anarquista dos imigrantes vindos da Europa, principalmente da Itália.

Nesse aspecto, o crítico literário cita o jornal “Terra Livre” (1905 – 1911) e a greve de 1917 sob forte influência da Revolução Russa. Tudo isso foi se somando para as mudanças de ideário no meio intelectual. Em 1922 aconteceu também a fundação do Partido Comunista Brasileiro, provocando um declínio do anarquismo e abrindo caminho para a organização da Semana.

Os elementos sociais e políticos formaram um palco ideal em direção a um movimento que mostrasse uma arte inovadora de maneira a romper com as velhas estruturas. Era uma São Paulo do café e da indústria conectada com o mundo. A Semana, então, apresentou, segundo Nicola, o lado político contra a aristocracia e a burguesia.

Di Cavalcante, segundo a pesquisa de Nicola, foi um dos primeiros a sugerir a organização da mostra. Anos depois, em seu livro de memórias, afirmou ter sugerido a Semana, que seria de escândalos literários e artísticos, “de meter os estribos na barriga da burguesinha paulistana”.

 





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