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:: 12/jan/2022 . 0:31

“EM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É REI”

No noticiário de esportes da TV Bahia e outras emissoras, a impressão que se tem é que no estado só existem dois times, o próprio Bahia e o Vitória, um na segunda divisão e o outro na terceira. O campeonato estadual, que eles chamam de “Baianão” (até hilário), está próximo, mas quando se fala de futebol, a “resenha” só faz comentários dos dois, que só dão vexames nos campeonatos brasileiros. É uma vergonha só!

Não é somente na televisão, a mídia em geral só dá cobertura jornalística para o Bahia e o Vitória. Esquecem do Vitória da Conquista, Juazeirense, Atlético de Alagoinhas, Jacuipense, Bahia de Feira, Fluminense de Feira e outros. Quase sempre a final é disputada entre os dois, pois como diz o ditado popular, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”.

Saudades do futebol baiano daqueles tempos do Botafogo, do Ipiranga, Galícia, Leônico e outros que tinham bons times valentes, grandes torcidas e jogadores famosos que sabiam como levar a redonda até o gol, com dribles desconcertantes. Os cartolas do Bahia e do Vitória cuidaram de acabar com o nosso futebol, em muitos anos o melhor do Nordeste. Hoje é um dos piores e feios de se ver nos gramados. No momento, é o gavião comendo o carcará em tempo de seca.

A mídia esportiva também é culpada por tudo isso, porque se “vendeu” ao dar todo tempo e espaço para Bahia e Vitória, com argumento de que só eles davam e ainda dão audiências por terem maiores torcidas. O tempo se encarregou de provar de que não é bem assim, e o jornalismo tem que se esforçar para ser imparcial e ajudar também os pequenos.

Vem aí o “baianinho”, que é uma vergonha em termos de estrutura física dos clubes e profissionalismo, principalmente com relação às equipes do interior, desprovidas de patrocinadores, sem estímulo, sem torcida e jogadores de quinta categoria, com raras exceções. É tempo de pegar estradas e viajar de ônibus com sanduiches na mochila para chegar cansado no campo na hora do jogo.

Aqui, Bahia e Vitória são considerados grandes, mas quando começam os campeonatos brasileiros (agora séries B e C) viram anões, e é aquele sofrimento do torcedor apelando para secador, promessas ao Senhor do Bonfim, visitas a pai de santo e de olho na tabela para contar os pontos. Os repórteres, editores e apresentadores de programas passam mais o tempo fazendo isso, e xingando os árbitros, ao invés de mostrar o outro lado da questão. O maior craque do Bahia e do Vitória tem o nome de “Secador”, que joga nos dois times, ao mesmo tempo.

Acompanhava muito o noticiário do futebol baiano e frequentava o estádio da Fonte Nova até na década de 70 quando torcia pelo meu Galícia, que foi estraçalhado pelos cartolas donos do futebol da Bahia e abandonado pela colônia espanhola (alô meu amigo Gonzalez). Nas rádios, tvs e jornais, mais de 90% das notícias eram e ainda são reservadas para Bahia e Vitória. O decadente campeonato baiano hoje deveria ser só entre os dois, o B contra o C.

 





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