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:: 13/jan/2022 . 23:51

O NINHO

Estava nesta semana podando minha árvore de flores (ela já estava quase tombando ao chão do quintal) onde pousa o beija-flor e cantam os passarinhos. A poda tinha que ser feita, mas fazia aquilo com pesar porque por uns tempos lá se vão meus pássaros que todos dias aparecem e me saúdam com bons presságios. Quando partia para o outro lado, deparei com um ninho e, por pouco, minha faca não o atingiu. Tive que interromper o restante do corte para deixar que a natureza e a vida sigam seu curso. Não vai demorar muito para ter outras aves para me alegrar nesses momentos tão difíceis. A minha árvore logo vai voltar a florir e, com certeza, abrigar outros ninhos da vida.

SEM RETORNO

Poeminha mais recente de autoria de Jeremias Macário (rascunho)

Você não mais pensa no fim,

No ser vivo existir,

Sem mais retorno,

Sua batata queima no forno.

 

Esse caminho não tem retorno,

O amor perdeu sua cor,

Para onde você for,

Sua cabeça está no torno.

 

Dos penhascos caem as rochas,

Derretem gelos dos icebergs,

O nível do mar afoga focas,

E os homens abrigam nos albergues.

 

Rugem fuzis e metralhadoras,

Ogivas cortam espaço,

Motosserras, pastos e lavouras,

E da terra arranca o aço.

 

Os animais passam vírus,

Visões em confusões,

E nos campos de secos varais,

Não nascem mais lírios.

 

Você está sem retorno,

Na idade do fóssil carvão,

Do inverno que virou verão,

Sem primavera de flores,

Num inferno de dores,

Sem seu outono morno.

 

 

COPINHA, UMA FEIRA DE NEGÓCIOS

Carlos González – jornalista

Devido à grandiosidade que adquiriu nesses 53 anos, a Copinha se transformou numa feira internacional de negócios, onde o único produto é o Homem, em seus primeiros 20 anos de vida. Esse mercado humano, que funciona sem a fiscalização de nossas autoridades, é oficialmente batizado de Copa São Paulo de Futebol Júnior, popularmente conhecida como Copinha.

Analisada pelo lado esportivo o torneio tem enormes virtudes, sendo a principal delas de trazer aos dias hoje o futuro do futebol brasileiro. Os méritos são da Prefeitura de S. Paulo, com o apoio da Federação Paulista de Futebol (FPF). Em sua 51ª edição, a tradicional competição nacional – deixou de ser disputada em 1987, por desinteresse do então prefeito Jânio Quadros, e, no ano passado, por causa da pandemia – reúne cerca de 3.000 atletas de 128 clubes, representantes dos 27 estados e de Brasília, com jogos em 30 cidades paulistas e final programada para próximo dia 25.

Empresários do mundo do futebol; “olheiros” e “espiões” enviados pelos grandes clubes da Europa, Oriente Médio, China e Japão; organizações comerciais, de entretenimento, educacionais e até a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), estão percorrendo nesses dias o interior paulista, com a finalidade de vender sua mercadoria, ou adquirir jovens talentos, a baixo custo, devido a desvalorização do real.

Aqui na Bahia, em Irecê, foi criado em outubro de 2018 o Canaã F.C., resultado da parceria entre a Igreja Universal e um projeto social da região. Sob o lema “Atletas com Cristo”, obedientes aos pastores e proibidos de dar palavrões, seus jogadores, os primeiros no grupo 31, acreditam que dessa vez “um de nós vai deixar o sertão baiano”.

Além do Canaã, figuram na relação dos participantes da Copinha times desconhecidos do torcedor, como o Perilma (mantido por uma fábrica de bolachas e rapadura de Campina Grande, na Paraíba); Ibrachina (os donos são japoneses). Todos eles apostam chegar ao mesmo nível do Red Bull Bragantino, representante do Brasil na próxima Taça Libertadores, graças ao apoio de uma forte multinacional.

A sanção em 2021 da lei que regulamenta o clube-empresa tem atraído o interesse de empresários nacionais e internacionais em clubes brasileiros, que estão passado por um grande aperto financeiro. Além do Cruzeiro, Cuiabá e Bragantino, estão em processo de negociações, Botafogo (RJ), Atlético (PR), Coritiba, América (MG) e Chapecoense.

Esperança e frustração

O River recebeu na véspera a notícia de que o governo do Piauí desistira de pagar a viagem ao interior de São Paulo. Os dirigentes do clube saíram atrás dos R$ 17 mil pedidos por uma empresa de ônibus. Resolvido o problema, a delegação deixou Teresina na noite de 29 dezembro, chegando a São José dos Campos na madrugada de 2 de janeiro, poucas horas antes da estreia, onde seus atletas foram alvos de cãibras, por força do longo tempo sem atividade física.

Neste momento, o Ríver, desclassificado na fase de grupos, está voltando ao Piauí, numa viagem muito mais espinhosa do que a ida, devido a substituição, na bagagem, da esperança na vitória pela frustração da derrota. O mesmo sentimento deve acompanhar atletas (de Abraão Lincoln a John Kennedy) das 64 equipes que não passaram da 1ª fase. Uma exceção talvez seja o goleiro Tomate, do Assuá (RN), convidado a fazer testes no Atlético Mineiro, após chorar desapontado diante das câmeras de TV

A opção

O desemprego, a fome, a falta de moral entre os homens públicos, o fanatismo religioso e a violência que crescem nas favelas e na periferia das cidades, são fatores que levam o jovem, que está chegando à idade adulta, a mirar o horizonte, pensando no amanhã. O quê o Brasil coloca a sua escolha: correr atrás de uma bola, fazer carreira no tráfico de drogas ou colocar uma Bíblia debaixo do braço e virar pastor.

A fortuna e a vida de prazeres exibidas por poucos brasileiros antes de chegar aos 32 anos servem de exemplo para milhões de jovens. A Copinha ou a “Copa dos Empresários”, como também é chamada, funciona como um vestibular.

Nordestinos

Em 1972, o Bahia se tornava um dos primeiros clubes do País convidado para disputar a Copinha, criada em 1969, com a presença única de representantes paulistas. A melhor campanha do clube baiano ocorreu em 2011, com a conquista do vice-campeonato. O torneio tem como maior vencedor o Corinthians, com 10 títulos, seguido do Fluminense e Internacional, com cinco. A participação de clubes estrangeiros se deu entre 1993 e 1997.

Na edição deste ano foram inscritos 27 clubes do Nordeste, com passagem de 12 para a segunda etapa, incluindo Bahia, Canaã e Jacuipense; Vitória e Camaçariense já estão na estrada. Chamam atenção por sua originalidade, além do Canaã, o Chapadinha (MA), Falcon (SE) e Perilima (PB)

 

 

 





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