janeiro 2022
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

:: 28/jan/2022 . 23:33

“MACUNAÍMA” DE MÁRIO DE ANDRADE

Quando se fala do livro “Macunaíma” lembra-se logo de Mário de Andrade, e o inverso dá no mesmo. Considerado o “Papa do Modernismo”, segundo o crítico literário José de Nicola (Literatura Brasileira – das origens aos nossos dias), Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo, em nove de outubro de 1893, e faleceu na mesma capital, em 25 de fevereiro de 1945, há 77 anos.

No ginasial, na Escola de Comércio Álvares Penteado, abandonou o curso após uma briga com seu professor de português. Em 1911 matricula-se no Conservatório Musical de São Paulo, formando-se em piano.

Em 1917, ano em que trava amizade com Oswald de Andrade, publica seu primeiro livro e “descobre” a artista plástica Anita Malfatti. Foi diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. Lecionou história e filosofia da arte na Universidade do Distrito Federal (RJ). De volta a São Paulo, trabalhou no Serviço de Patrimônio Histórico.

No mundo literário, estreou com “Há uma Gota de Sangue em Cada Poema”, no ano de 1917, onde retrata a Primeira Guerra Mundial, ainda sob influência parnasiana, mas encantado com as obras de Anita, segundo ele, revolucionárias. Sua poesia mostrou-se modernista a partir da publicação de “Paulicéia Desvairada”, rompendo com as estruturas do passado. A obra tem como objeto de contestação a São Paulo provinciana, misturada, miscigenada, burguesa, aristocrática e operária.

De acordo com Nicola, o escritor e poeta sempre lutou por uma língua brasileira que estivesse mais próxima do falar do povo. Seus livros revestem-se de nítida crítica social. Escreveu “Amar, Verbo Intransitivo”, um romance que penetra fundo na estrutura familiar da moral paulistana com seus preconceitos. Fala também dos sonhos e da adaptação dos imigrantes que agitaram a pauliceia com seus movimentos anarquistas.

“Macunaíma” (o anti-herói) foi sua obra prima onde o autor enfoca o choque do índio amazônico (que nasceu preto e virou branco) com a tradição e a cultura europeia na cidade de São Paulo. A obra contém figuras folclóricas por ele estudadas.

Com seu pensamento selvagem, o personagem Macunaíma faz as transformações que ele quer. A cidade de São Paulo vira um bicho preguiça; um inglês vira London Bank, colocando as estruturas de pernas para o ar. Macunaíma é o próprio “herói de nossa gente”, como afirma Mário de Andrade na primeira página do romance.

“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapannhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma”.

“Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incentivavam a falar, exclamava: – Ai que preguiça”!





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia