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:: 6/jan/2022 . 22:53

O AMANHECER DE 2022

Por detrás daquele monte, lá no horizonte do sertão de cores avermelhadas de Vitória da Conquista, da minha rua, tenho a graça de flagrar com minhas lentes o amanhecer de 2022, num sábado primeiro em final de comemoração com meu amigo fotógrafo José Silva e seus dois filhos. Ao lado da minha dedicada e alegre esposa Vandilza, foi uma noite de muita música, prosa e causos dos nossos tempos de repórter nas caatingas deste sudoeste baiano. O sentimento foi de que aquele raiar de luzes ainda cortando alguns restantes fios soltos da noite, estava ali no portão a nos esperar para fazer sua saudação de um bom ano de esperança e fé, mesmo diante de tantas incertezas, imprevistos e imprecisões. Não resta dúvida que aquela imagem é uma prova viva da força da natureza que ainda com sua bondade nos acolhe, apesar da depredação e da ingratidão do homem. O clarear do dia solta suas partículas vermelhas como se brotassem da terra para nos benzer dos males do campo e das cidades. É uma pequena, mas grandiosa mostra do poder do universo, pouco apreciado nesses tempos de correrias e falta de sensibilidade do ser humano. É o momento onde a alma extasiada se encanta e se cala. Por alguns segundos, deixamos de nos preocupar com os mistérios e o sentido do existir. É a vida que ainda pulsa!

SONHO DE PESADELO

Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Um dia eu sonhei,

Que era menino da roça,

A cantarolar com os pássaros,

Sofrer, Assanhaço e o Bem-te-Vi,

E um dia meu pai me deu uma coça,

Porque não rezei antes de dormir.

 

Ai sonhei que o menino sonhou,

Em fugir para a grande cidade,

Cedo com a sua mochila,

Atravessou aquele monte,

Com os passos de um gigante,

Pra ser um sujeito da civilidade,

E um dia ser um senhor doutor.

 

Ai meu sonho virou pesadelo,

Num labirinto sem novelo,

Minotauro matava Tseu,

Ninguém de mim se comoveu,

Virei freguês da conta do mês,

Escravo vendedor de um burguês.

 

No morro traficante da favela,

Fiz serviço até de sentinela,

Vi passarinho voar sem asa,

Bota e fuzil arrombar casa,

Fumaça tóxica girando no ar,

A dor da fome no asfalto,

E o sangue a riscar no assalto.

 

Ai sonhei outra vez,

Não mais era um pesadelo,

Sonhei até o fio do cabelo,

Que era um lavrador,

Tinha um sítio no Caldeirão,

Dois filhos e um grande amor,

Tomando cafés no bule,

Quente torrado do pilão,

Nas conversas entre compadres,

Noite a dentro até a madrugada,

Tinha meu cuscuz, feijão e salada,

De manhã os pés nos orvalhos,

Animais balançando chocalhos,

Sem aqueles prédios de grades,

 

Sonhei que era bem mais feliz,

Um homem mais educado,

Com a natura ao meu lado,

Amando e sendo bem amado,

Na vida que sempre quis,

Traçando meu próprio enredo,

Sem mais ter pesadelo,

Nem bala pelas esquinas do medo.

OS POBRES E A EXTORSÃO DOS PASTORES

Reza a Constituição Federal que é dada ao cidadão o direito de professar a sua fé através de uma religião da sua escolha, o que significa que existe a liberdade de criação de qualquer igreja em território brasileiro. No entanto, constitui crime o abuso dessa liberdade para praticar extorsões contra os pobres e pessoas vulneráveis que são facilmente vitimadas pela lavagem cerebral de pastores evangélicos inescrupulosos.

No Brasil de hoje temos várias pandemias de doenças, não apenas da Covid-19, da dengue, da gripe influenza e outras. Uma delas que está assolando nossa gente mais inculta e sem instrução, é o fanatismo religioso, mais parecido com o talibã do Afeganistão ou aquele islamismo radical que degola cabeças em nome de Deus.

Talvez aqui ainda seja pior, porque muitos pastores de determinadas igrejas se tornaram verdadeiros bandidos. Se houvesse justiça, eles estariam na cadeia. Em troca de um pedaço no reino do céu, o povo mais sofrido com as mazelas do nosso país está sendo iludido a deixar o pouco que tem na mão de um pregador de araque que só visa o dinheiro.

Mesmo com as tragédias e catástrofes, como as mais recentes na Bahia, a inflação que corrói a merreca de um salário mínimo ou o auxílio do Bolsa Família, o desemprego e a informalidade galopante, esses criminosos não dão trégua e estão sempre de plantão. Eles arrancam tudo do ingênuo fiel em nome da “fé religiosa”.

Contra esses pastores safados que têm bens móveis e imóveis, carros, mansões e comem do bom e do melhor, a justiça brasileira (Ministério Público, OAB, os tribunais e a própria polícia) nada faz para fechar essas igrejas e prender seus pastores que vivem da extorsão dos pobres. São os mercadores do templo e, se Cristo voltasse, chicoteava todos eles.

Além da exploração desenfreada, eles enganam com curas e milagres que não existem. Armam truques que levantam paralíticos de cadeiras de roda, cegos passam a enxergar, mudos a falar e surdos a ouvir. Eles tratam de pessoas com AIDS e do vírus da Covid com chás, grãos de feião ou ervas do mato. É um absurdo o que vem acontecendo há anos, e nada é feito para parar com esses vigaristas, falsários e estelionatários.

As pessoas que vêm do campo para as cidades e passam a morar nas periferias são alvos prediletos dessas igrejas que existem em qualquer praça ou esquina de rua. Os mais necessitados são atraídos com promessas de ajuda e melhoria de vida. Como não contam com assistência social do poder público, essa gente torna-se refém desses pastores que têm como maior “missão” o lucro. Ganham por comissão pelo que arrecadam desses pobres. Repassam a maior parte para seus chefes.

No Brasil essas igrejas fanáticas atuam livremente, mas em outros países, como no continente africano, estão sendo expulsas pelos governos. Como na época dos descobrimentos, o argumento desses chamados “missionários da fé” é sempre o de catequizar os chamados “pagãos” que não seguem sua religião. O papo é ainda salvar almas perdidas, mas praticam mesmo é a extorsão.





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